jan
03
Postado em 03-01-2011
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 03-01-2011 09:13

Erenice: livre, leve e solta

======================================================
A investigação aberta pela Casa Civil para apurar um suposto caso de tráfico de influência de dois assessores da ex-ministra Erenice Guerra terminou sem recomendar qualquer punição. A sindicância concluiu que não há provas de irregularidades cometidas pelos servidores Vinicius Castro e Stevan Knezevic, que trabalhavam com Erenice no Palácio do Planalto. O escândalo derrubou a então ministra da Casa Civil, em setembro, durante a campanha eleitoral.

Castro colocou a mãe como sócia em uma empresa de consultoria em Brasília – a Capital Assessoria e Consultoria – em parceria com Saulo Guerra, filho de Erenice. Outro filho da ex-ministra, Israel, era quem atuava com Castro no lobby e supostamente cobrava comissão de empresas que tentavam fazer negócios com o governo. Segundo as acusações, os dois cobravam uma taxa de 5% para fazer o “serviço”. Após a revelação do caso, pela revista Veja, Castro pediu demissão do cargo. Knezevic foi devolvido à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), onde é servidor público.

Na sexta-feira passada, a Casa Civil abriu um processo disciplinar para apurar as relações de um convênio firmado com a Unicel, empresa que tem o marido de Erenice como consultor. Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, essa foi a única conclusão da sindicância aberta em outubro para apurar a denúncia de tráfico de influência dos assessores de Erenice. O relatório final da apuração será enviado ao Ministério da Defesa, à Anac e à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

Uma reportagem da revista Veja mostrou, em setembro, que a Capital Assessoria e Consultoria fez lobby e cobrou propina para facilitar a participação da empresa Master Top Linhas Aéreas (MTA) em contratos com o governo. Conforme o jornal O Estado de S. Paulo revelou depois, a MTA pertence ao argentino Alfonso Rios, que usou o coronel Eduardo Artur Rodrigues como testa de ferro da empresa no Brasil. Em agosto, o coronel assumiu a direção de Operações dos Correios, indicado por Erenice.

Pressionada, Erenice pediu demissão da Casa Civil. Ela assumiu a pasta em fevereiro, após Dilma deixar o seu comando para ser candidata a presidente. Erenice era o braço-direito da petista dentro do governo nos últimos cinco anos. Apesar da crise que abalou a campanha eleitoral, a ex-ministra esteve inclusive na cerimônia de posse de Dilma anteontem.

(IG, com informações da Agência Estado)

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 4 Janeiro, 2011 at 2:06 #

Erenice é mais eficaz que Palloci, não precisará esperar por alentadas laudas no STF que “espanquem” indícios, livra-se de pronto.

Aqui artigo de Carlos Newton na Tribuna da Imprensa:

—————————————————

segunda-feira, 03 de janeiro de 2011 | 17:02
Milagre de Natal: desapareceu na Casa Civil o documento que poderia incriminar Erenice Guerra e o marido dela, José Roberto Camargo Campos, na negociata da empresa Unicel.

Carlos Newton

Erenice Guerra era a convidada mais feliz, saltitante e risonha, na posse da presidente Dilma Rousseff. O sorriso ia literalmente de orelha a orelha, praticamente engolia o rosto dela.

No meio da multidão, somente Erenice e mais meia dúzia de pessoas sabiam que a comissão de sindicância instaurada na Casa Civil, para apurar denúncas de tráfico de influência envolvendo os servidores Vinícius de Oliveira Castro e Stevan Knezevic, terminara sem apontar nenhuma irregularidade por parte dos dois e, portanto, sem punições.

Para a exultante Erenice Guerra, era como se todas as acusações que pesam sobre ela subitamente tivessem se dissipado. Tudo não passara de um pesadelo. Mas agora ela podia voltar a ter sonhos, porque a providência principal já fora executada.

Como num milagre de Natal, desapareceu na Casa Civil o documento original do convênio assinado em 2005 entre a Unicel e a diretoria de telecomunicação da Casa Civil para testes de um serviço móvel especializado (rádios comunicadores). Por coincidência, é claro, na época a Unicel tinha como diretor comercial o marido de Erenice, José Roberto Camargo Campos.

Tomada na chamada undécima hora, exatamente na véspera de deixar o cargo, a decisão do então Chefe da Casa Civil de Lula, Carlos Eduardo Esteves Lima, inocentamdo os funcionários, foi constrangedora e mostra que no interior do Palácio do Planalto o tráfico de influência continua a pleno vapor.

O funcionário Vinicius de Oliveira Castro (agora inocentado) é filho de Sonia Castro, que aparece como sócia de filhos de Erenice na Capital Assessoria e Consultoria. Já Stevan Knezevic, que é funcionário concursado da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e estava cedido à Casa Civil, também era sócio de Israel Guerra. Durante o processo, Stevan portou-se de forma altamente suspeita e usou a prerrogativa de não prestar depoimento, já que, por lei, só está obrigado a fazê-lo a seu órgão de origem, no caso, a Anac.

Somente a criação dessa empresa de “consultoria”, para vender facilidades dentro do Planalto, já seria suficiente para incriminar todos eles (incluindo a própria Erenice, que era Chefe da Casa Civil, que Deus nos perdoe), especialmente pela intermediação da licença para a MTA Linhas Aéreas operar nos Correios.

Mas o jogo ainda não terminou. As acusações envolvendo a ex-ministra hipoteticamente continuam sendo apuradas pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União (CGU), uma vez que, como ela era titular do ministério, não podia ser investigada por uma sindicância interna. Mas a decisão da Casa Civil, “inocentando os funcionários” já é meio caminho andado para “melar” a investigação.

No último dia do ano, sexta-feira, o Diário Oficial da União publicou uma portaria do então ministro Carlos Eduardo Esteves Lima para uma nova sindicância, desta vez destinada a analisar o convênio assinado em 2005 entre a Unicel e a diretoria de telecomunicação da Casa Civil para testes de um serviço móvel especializado (rádios comunicadores). A Unicel, repita-se, tinha como diretor comercial o marido de Erenice, José Roberto Camargo Campos.

Mas o documento original não foi encontrado pelos servidores que apuraram as eventuais irregularidades. Milagrosamente, sumiu. Por isso Erenice Guerra estava tão eufórica. Os motivos abundavam.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • Janeiro 2011
    S T Q Q S S D
    « dez   fev »
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930
    31