OPINIÃO POLÍTICA

PRIORIDADE TOTAL

IVAN DE CARVALHO

Nem somente sobre sua candidatura a mais um biênio na presidência da Assembléia Legislativa conversou o deputado Marcelo Nilo, durante almoço com jornalistas, na terça-feira. Fora desse tema, o que houve de mais relevante na conversa foi a avaliação do presidente da Assembléia sobre o futuro governo de Jaques Wagner, que começa no sábado.

Marcelo Nilo está em boas condições para fazer tal previsão, embora, como facilmente se pode supor por sua posição política e sua ligação até de amizade pessoal com o governador, só se pudesse esperar uma previsão otimista. Mas ele dispõe de informações gerais suficientes para uma avaliação das perspectivas do governo.

Assinalando que considera bom o governo de Wagner durante os quatro anos de mandato que se encerram no dia 31, Nilo diz acreditar que o novo governo “vai ser melhor que o primeiro”. E é então que, convidado a explicar as razões que o levariam a pensar assim, o presidente da Assembléia dá uma informação importante.
O segundo governo (mandato) será melhor “porque ele vai estar mais experiente” e porque “ele vai dar prioridade total à segurança”. Esta é a informação nova. E a respeito vale lembrar, em linhas gerais, o que aconteceu no setor da segurança pública no primeiro mandato.

O governador fez sua campanha para conquistar o primeiro mandato e assumiu o cargo anunciando prioridade para educação, saúde e emprego e renda. Não incluiu a segurança, que, presume-se, deveria ser tratada normalmente. Mas isto não foi suficiente e a criminalidade – especialmente a praticada com uso da violência – cresceu progressiva e expressivamente. Com um ano de governo já se tornara o principal alvo das críticas da oposição. Uma situação que já era grave quando Wagner assumiu chegara a um estágio agudo, crítico.

O governador certamente examinou os números e outras informações a respeito. Terá, eu acredito, percebido também o crescimento da preocupação da sociedade com o problema e o aumento do sentimento de insegurança da população, tanto na região metropolitana de Salvador quanto no interior. Então anunciou que a segurança pública passaria a ser prioridade, juntamente com aquelas outras três desde o início anunciadas.

Algumas iniciativas foram tomadas, mas não com a intensidade e a celeridade necessárias para reverter o quadro. Assim foi que o principal tema das oposições durante a campanha eleitoral deste ano (na qual as oposições, como se sabe, se saíram mal) foi a insegurança pública. O fato de as oposições não terem obtido êxito eleitoral não significa que, nesta questão, estivessem mal fundamentadas. É que muitos outros fatores de grande influência estiveram envolvidos nos resultados eleitorais.

Se a informação do presidente da Assembléia, de “prioridade total à segurança” se concretizar – e não há razão para supor que ele não tenha sobre isso uma informação definitiva sobre a disposição do governador – poderá haver um progresso importante no setor. Até porque alguma coisa já foi feita e estudos e planos podem ter sido preparados ao longo do primeiro mandato de Wagner. E também porque, já tendo a prioridade para a segurança decidida, ele poderá começar a por a decisão em prática imediatamente.

É verdade que no momento as finanças do Estado da Bahia estão apertadas, mas prioridade total é prioridade total. Sem esquecer que a saúde continua precisando (e por muito tempo mais continuará, seja qual for o esforço, pois são colossais a demanda e a deficiência do SUS) de prioridade igual.

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