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Da Redação

O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage Sobrinho, criticou a retrospectiva de 2010 da revista Veja, afirmando que alguns dos textos, principalmente o editorial, não corresponde à realidade. “Apesar de não surpreender a ninguém que haja acompanhado as edições da sua revista nos últimos anos, o número 52 do ano de 2010, dito de ‘Balanço dos 8 anos de Lula’, conseguiu superar-se como confirmação final da cegueira a que a má vontade e o preconceito acabam por conduzir”, disse.

Segundo o ministro, a retrospectiva não reflete o índice de 80% de aprovação do governo Lula. “Qualquer leitor que não tenha desembarcado diretamente de Marte na noite anterior haverá de perguntar-se ‘de que país a Veja está falando?’. E, se o leitor for um brasileiro e não integrar aquela ínfima minoria de 4% que avalia o Governo Lula como ruim ou péssimo, haverá de enxergar-se um completo idiota, pois pensava que o Governo Lula fora ótimo, bom ou regular”

A revista diz que Governo Lula é apontado como “o mais corrupto da República”, afirmação rebatida pelo ministro. “Será ele o mais corrupto porque foi o primeiro Governo da República que colocou a Polícia Federal no encalço dos corruptos, a ponto de ter suas operações criticadas por expor aquelas pessoas à execração pública? Ou por ser o primeiro que levou até governadores à cadeia, um deles, aliás, objeto de matéria nesta mesma edição de Veja, à página 81?”, contesta.

Ao finalizar o texto, Jorge Hage Sobrinho pede ao editor que sua resposta seja publicada na próxima edição da revista.

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BAHIA EM PAUTA publica a seguir a íntegra da carta do ministro-chefe da Corregedoria Geral da República, Jorge Hage Sobrinho, à revista VEJA:

“Brasília, 27 de dezembro de 2010.

Sr. Editor,

Apesar de não surpreender a ninguém que haja acompanhado as edições da sua revista nos últimos anos, o número 52 do ano de 2010, dito de “Balanço dos 8 anos de Lula”, conseguiu superar-se como confirmação final da cegueira a que a má vontade e o preconceito acabam por conduzir.
Qualquer leitor que não tenha desembarcado diretamente de Marte na noite anterior haverá de perguntar-se “de que país a Veja está falando?”.
E, se o leitor for um brasileiro e não integrar aquela ínfima minoria de 4% que avalia o Governo Lula como ruim ou péssimo, haverá de enxergar-se um completo idiota, pois pensava que o Governo Lula fora ótimo, bom ou regular.
Se isso se aplica a todas as “matérias” e artigos da dita Retrospectiva, quero deter-me especialmente às páginas não-numeradas e não-assinadas, sob o título “Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo”. Ali, dentre outras raivosas adjetivações (e sem apontar quaisquer fatos, registre-se), o Governo Lula é apontado como “o mais corrupto da República”.
Será ele o mais corrupto porque foi o primeiro Governo da República que colocou a Polícia Federal no encalço dos corruptos, a ponto de ter suas operações criticadas por expor aquelas pessoas à execração pública? Ou por ser o primeiro que levou até governadores à cadeia, um deles, aliás, objeto de matéria nesta mesma edição de Veja, à página 81?
Ou será por ser este o primeiro Governo que fortaleceu a Controladoria-Geral da União e deu-lhe liberdade para investigar as fraudes que ocorriam desde sempre, desbaratando esquemas mafiosos que operavam desde os anos 90, (como as Sanguessugas, os Vampiros, os Gafanhotos, os Gabirus e tantos mais), e, em parceria com a PF e o Ministério Público, propiciar os inquéritos e as ações judiciais que hoje já se contam pelos milhares? Ou por ter indicado para dirigir o Ministério Público Federal o nome escolhido em primeiro lugar pelos membros da categoria, de modo a dispor da mais ampla autonomia de atuação, inclusive contra o próprio Governo, quando fosse o caso? Ou já foram esquecidos os tempos do “Engavetador-Geral da República”?
Ou talvez tenha sido por haver criado um Sistema de Corregedorias que já expulsou do serviço público mais de 2.800 agentes públicos de todos os níveis, incluindo altos funcionários como procuradores federais e auditores fiscais, além de diretores e superintendentes de estatais (como os Correios e a Infraero).
Ou talvez este seja o governo mais corrupto por haver aberto as contas públicas a toda a população, no Portal da Transparência, que exibe hoje as despesas realizadas até a noite de ontem, em tal nível de abertura que se tornou referência mundial reconhecida pela ONU, OCDE e demais organismos internacionais.
Poderia estender-me aqui indefinidamente, enumerando os avanços concretos verificados no enfrentamento da corrupção, que é tão antiga no Brasil quanto no resto do mundo, sendo que a diferença que marcou este governo foi o haver passado a investigá-la e revelá-la, ao invés de varrê-la para debaixo do tapete, como sempre se fez por aqui.
Peço a publicação.

Jorge Hage Sobrinho
Ministro-Chefe da Controladoria-Geral da União”

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 29 dezembro, 2010 at 12:34 #

Talvez, apenas talvez (maldosamente enfatizado), o Ministro Hage, tenha ingenuamente cometido um pequeno erro de avaliação

Tal qual Lula, confunde “Governo” com Estado, e brande estatísticas sobre servidores do estado colhidos em delitos

Esquece, ou evita, passando ao longe das figuras típicas de governo, do porte (sem nenhuma ironia) de Erenice Guerra, que certamente não foi retida pelas diligentes redes da CGU, até pela simples razão que não é de sua competência colher “gente graúda”

Ao mais, fatos como pagamento de despesas de motel, ou duplicidade em ressarcimento de despesas sob a rubrica de moradia, neste cenário tão singelo e puro, costumam ser premiados com ministérios. Ou não?


luiz alfredo motta fontana on 29 dezembro, 2010 at 12:34 #

Talvez, apenas talvez (maldosamente enfatizado), o Ministro Hage, tenha ingenuamente cometido um pequeno erro de avaliação

Tal qual Lula, confunde “Governo” com Estado, e brande estatísticas sobre servidores do estado colhidos em delitos

Esquece, ou evita, passando ao longe das figuras típicas de governo, do porte (sem nenhuma ironia) de Erenice Guerra, que certamente não foi retida pelas diligentes redes da CGU, até pela simples razão que não é de sua competência colher “gente graúda”

Ao mais, fatos como pagamento de despesas de motel, ou duplicidade em ressarcimento de despesas sob a rubrica de moradia, neste cenário tão singelo e puro, costumam ser premiados com ministérios. Ou não?


Mariana Soares on 29 dezembro, 2010 at 16:56 #

Caro Poeta, pode ser que você considere a minha opinião eivada do vício da falta de isenção, mas, mesmo correndo este risco, permito-me extrena-la, pois, pode acreditar, não há qualquer subserviência nela.
A CGU é orgão de controle do Poder Executivo, não tendo, portanto, competencia legal para fiscalizar agentes do legislativo ou do Judiciário. As despesas pagas pelos “Nobres Deputados” com motel ou com moradia, não podem ser investigadas ou “corrigidas” pela CGU.
Quanto ao caso de Ministros de Estado, como a citada no seu comentário Erenice Guerra, a CGU está, sim, investigando e publicará os resultados assim que findo os trabalhos correspondentes, como já fez em outros casos semelhantes, como por exemplo nos cartões corporativos onde Ministros foram devidamente punidos pelas irregularidades cometidas.
Ainda temos muito o que fazer para livrar este país da corrupção, mas não é justo que não se reconheça ou tire da CGU o que ela tem feito em prol desta causa.
Grande abraço,
Mariana


luiz alfredo motta fontana on 29 dezembro, 2010 at 17:28 #

Cara Mariana

A sua isenção é conhecida, assim como a pureza de sua alma

O caso do deputado, e da senadora, foram apenas citados como exemplos de recompensas pelos comportamentos, em nenhum momento foi atribuída competência à CGU.

Cabe lembrar, por oportuno, que a manifestação de Hage, traduz, ao menos a este distraído leitor, como que um aval ao “Governo Lula”, atitude no mínimo eivada de messiànica soberba.

Hage, ao que parece, acredita que sua presença na corte é por si só,atestado de pureza de intenções e salvaguarda de eventuais deslizes.

Por fim uma pergunta:

Estaria Hage, por permanecer no cargo, estendendo o “aval” ao Governo Dilma?

De resto, é compreensível, que em período eleitoral, as tais providências relativas à Casa Civil, tenham sido acometidas de oportuna lentidão. Mesmo assim, é bom lembrar, que a descoberta do affair Erenice não deriva de ações, ou vigilância da CGU

Em tempo: O que traduz a expressão “Ministros foram devidamente punidos pelas irregularidades cometidas.”?


luiz alfredo motta fontana on 2 Janeiro, 2011 at 18:41 #

E por falar em Erenice

Aqui Carlos Newton na Tribuna da Imprensa de hoje:

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domingo, 02 de janeiro de 2011 | 17:20
Erenice Guerra na posse? Cumprimentando a presidente? É inacreditável e inconcebível. Ela foi de penetra ou tinha realmente convite? E quem a convidou?

Carlos Newton

Wagner Tiso é o autor da trilha sonora do documentário “Jango”, de Silvio Tendler, com roteiro de Claudio Bojunga, que traçou um belo retrato do presidente João Goulart. A música-tema, lindíssima, não tinha letra. Milton Nascimento gostou tanto da canção que resolveu fazer uma parceria. Nascia assim “Coração de Estudante”, que foi um dos hinos da redemocratização do País, era tocado em todo comício das “Diretas Já”.

“Mas renova-se a esperança”, cantava Milton Nascimento, registrando um sentimento bem brasileiro. A cada eleição, não importa o vencedor, no final a maioria das pessoas sempre espera que as coisas melhorem, dá-se uma espécie de crédito de confiança ao futuro presidente. Até na ditadura militar funcionava assim: sempre que mudava o inquilino do Palácio do Planalto, a gente torcia para as coisas melhorarem.

Agora, a mesma coisa. Embora Lula tenha feito um bom governo, com algumas conquistas importantes, mas endividando o país (R$ 2,3 trilhão de divida interna e R$ 100 bilhões de dívida externa federal) e sem realizar as indispensáveis obras de infraestrutura e logistica para o país crescer solidamente (portos, aeroportos, rodovias e ferrovias), há uma expectativa positiva em relação a Dilma Rousseff.

Mas ela começou mal. Como receber Erenice Guerra na posse? A quem atribuir essa afronta aos cidadãos brasileiros? Quem convidou? A presidente foi a última a saber? Ou foi a própria Dilma que mandou entregar o convite? Continuam amigas inseparáveis?

Caramba, quantas dúvidas diante uma certeza: a de que Erenice Guerra foi lá e ainda teve condições de cumprimentar Dilma, que na foto publicada pelo jornal O Globo aparece visivelmente contrafeita.

Erenice é amiga da presidente? Claro que não. Se fosse realmente amiga, tivesse o mínimo de consideração e respeito por ela, jamais teria ido à posse, mesmo convidada (por quem?) Mas ela foi, com uma única e exclusiva intenção: mostrar que ainda é poderosa, que até agora nada lhe aconteceu nem vai acontecer, porque faz parte do Poder e é amiga da presidente. Só faltou dizer, imitando Lula: “Eu voltarei”.

Por mera coincidência (embora digam que depois dos 40 anos ninguém deve acreditar em coincidências), na antevéspera da posse, em seu último como Chefe da Casa Civil, o então ministro Carlos Eduardo Esteves decidiu por arquivar a sindicância que apurava o escândalo familiar da ex-ministra Erenice Guerra, que segue investigada pela Controladoria Geral da União e pela Polícia Federal. Vai acabar em pizza, claro.

Erenice Guerra não é muito diferente da maioria das autoridades e políticos brasileiros, que julgam estar acima da lei e da ordem (e parecem estar mesmo). A grande diferença é que ela tem mais cara-de-pau e não demonstra o minimo de dignidade. Sua presença na posse mostra que pouco evoluímos em termos de ética e ainda somos uma exótica “democracia tropical”


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