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Postado em 29-12-2010
Arquivado em (Artigos) por vitor em 29-12-2010 10:14

Wagner com Nilo: afinação e afinidades

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OPINIÃO POLÍTICA

A presidência da Assembléia

Ivan de Carvalho

“Crie as condições que eu lhe ajudo”. Isto foi o que o presidente da Assembléia, Marcelo Nilo – segundo ele mesmo contou, durante almoço, ontem, com jornalistas – ouviu do governador Jaques Wagner, quando lhe disse que queria o seu terceiro biênio (fevereiro de 2011 a fevereiro de 2013) como presidente da Assembléia Legislativa.

Marcelo Nilo deixou claro, embora implicitamente, que considera estarem criadas essas condições, uma vez que, somando o número de deputados estaduais dos partidos que o apóiam, chega-se ao total de 44, dos quais um é ele mesmo. Somente o PT, com 14 deputados e o PP, com cinco, totalizando 19, não formalizaram seu apoio até o momento.

O presidente da Assembléia insistiu em que esse apoio de 44 deputados representa a soma dos integrantes das bancadas dos partidos que o apóiam, tratando-se, portanto, de apoio formal. Ressalvou que, como a eleição para presidente e demais membros da Mesa Diretora é por voto secreto, existe evidentemente a possibilidade do apoio formal das bancadas não coincidir com os votos efetivamente dados.

O PP e o PT estão agindo articuladamente para se reforçarem mutuamente, mas aparentemente têm objetivos diversos. O PP, que a partir do dia 1º de janeiro terá um ministro baiano, o deputado Mário Negromonte, no importante Ministério das Cidades, quer fazer do deputado Ronaldo Carletto presidente da Assembléia. Já na bancada do PT o líder Paulo Rangel se colocou como possível candidato.

No entanto, o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, disse esta semana que a candidatura do pedetista Marcelo Nilo é a que “agrega mais”, declaração que ajuda este deputado, mas que não se pode considerar reforço às pretensões declaradas de Ronaldo Carletto e Paulo Rangel, até pelo contrário.
É possível, porém, segundo se especula nos bastidores, que o PP e principalmente o PT visem a esta altura a dois objetivos:

1. O primeiro seria alterar a distribuição dos oito cargos da Mesa por bancadas, rigorosamente de acordo com a proporcionalidade, conforme já articulado por Marcelo Nilo. Na articulação de Nilo, a 1ª secretaria (segundo cargo em importância) está à disposição do PT, que é a maior bancada e a 1ª vice-presidência vai para o PMDB, que é a segunda maior bancada. Há quem pense que o PT e o PP querem tomar a 1ª vice-presidência do PMDB, partido que está na oposição ao governo do Estado. Tradicionalmente, a 1ª vice-presidência tem ficado com a oposição.

2. O outro objetivo seria um alvo já declarado pelo PT: obter uma proibição constitucional da hoje permitida reeleição dentro da mesma Legislatura. Isto impediria que Marcelo Nilo seja candidato à reeleição em fevereiro de 2013. A liderança da bancada petista sugeriu que o próprio Nilo fizesse a proposta da Proposta de Emenda Constitucional e a apoiasse. Ele disse que não. “Sou favorável, por definição, à reeleição. Ela existe no Brasil todo, não tem sentido acabar com ela aqui. Inclusive já utilizei essa possibilidade constitucional. Seria hipocrisia apresentar uma proposta extinguindo-a”, observou, reforçando: “Quem quiser que a apresente”. Se for apresentada, ele a fará tramitar normalmente, sem interferir politicamente. “Eu nem posso votar se estiver como presidente”, completou.

“O compromisso que assumi com o governador foi o de que o meu candidato a presidente da Assembléia em 2013 é o que a base governista indicar”, disse Marcelo Nilo.

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