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Postado em 27-12-2010
Arquivado em (Multimídia) por vitor em 27-12-2010 12:22

Jagger e Richards: dois genios na mesma escola

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UM LIVRO – “LIFE’  Parte 2

Jagger/Richards

Regina Soares

Como por um passe de mágica, ou obra do destino, os dois, Mick e Keith, nasceram e se criaram tão perto um do outro, que seria inevitável o encontro. Embora eles tenham se conhecido como garotos na escola primaria, teriam passado anos até o dia do encontro e reconhecimento, sem falar assimilação, do que viria a ser uma das mais famosas duplas da historia da música.

Passado pelo processo de eliminação, quando se descobre que matemática, geometria e física, não fazem sentido nem parte do seu mundo, Keith encontra nos subúrbios do sul de Londres, mais precisamente, frequentando Sidcup Art College, a sua salvação, “Havia muito mais “música” que “arte” em Sidcup, significava liberdade, convivência com diferentes artistas, logo você se dava conta do que estava sendo treinado para ser, e não era Leonardo da Vinci”… Pressionado por bullies na escola e treinado em técnicas de sobrevivência com Boy Scouts, Keith sabia que havia chegado a hora de se libertar do subúrbio e da proteção familiar.

O encontro só se daria em 1961, em uma estação de trem de Dartford, como relembra Keith em uma carta a sua tia Patty, encontrada semanas antes do seu livro ficar pronto.

“…Oh, minha querida, tenho estado tão ocupado desde o Natal, além do trabalho na escola. Você sabe do meu entusiasmo por Chuck Berry, eu pensei que fosse o único fã por milhas, mas, uma manhã na estação de Dartford, eu segurava um dos discos de Chuck, quando um cara que eu conhecia da escola primaria, 7-11 anos, se aproximou. Ele tinha todos os discos de Chuck Berry, e seus amigos também, eles são todos fãs de “rythm and blues”, real R&B, como Jimmy Reed, Muddy Waters, Chuck, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, Chicago bluesman, “lowdown stuff, marvelous”!

De qualquer modo, o cara da estação, chama-se Mick Jagger, ele, seus amigos e garotas, se reúnem todos os sábados de manhã no “Carrousel”, … Além de que Mick é o melhor R&B interprete/cantor desse lado do Atlântico, e eu não estou dizendo “maybe”. Eu toco guitarra (elétrica), no estilo de Chuck, conseguimos uns caras para tocar o baixo, a bateria e a guitarra acustica, e praticamos 2 a 3 noites na semana, SWINGIN!”

Já as lembranças de Mick sobre esse evento são um pouco diferentes.

“Éramos próximos um do outro, por muitos anos. Nos conheciamos desde a escola primária, se é que se possa acreditar, no mesmo e igual subúrbio. Então, a gente se encontrou numa estação aos 18, mais ou menos, e começamos a falar sobre “blues”. Nós éramos diferentes, Eu já havia aparecido na TV com meu pai, que era um notável esperto em educação física nesse tempo. Keith era…áspero, crú, vamos dizer assim. Pelos 10 anos a seguir, não nos separamos. Mesmo depois de famosos, vivíamos na casa um do outro. Nós éramos muito jovens, e como cachorrinhos, nos agrupamos.

Não éramos nem perto de ser uma banda ainda, morávamos em um frio e sujo flat, mas sujo do que imaginávamos. Certamente eu queria ser famoso, e nosso caminho até a fama não era exatamente absurdo, mas, inconcebível, no sentido em que nós nem sequer sabíamos como chegar lá. O cenário musical de Londres era ainda insignificante, e nós não tocávamos a música da moda que era o Jazz, que então dominava.
Ainda assim, nós praticávamos noite e dia de puro ímpeto que não se pode traduzir em palavras, inocentes garotos de subúrbio vivendo na borda de um um milênio escuro”.

Assim, o “upscale” e o “lowlife” se encontram na vida, na historia, para o caminho que ambos forjariam ao ritmo dos Blues e Rock and Roll…

Os tempos eram de pós guerras, depressão, dor e silencio, magnificamente perpetuados nos filmes em branco em negro do começo dos anos 60’s, como “Saturday Night and Sunday Morning”, “This Sporting Life” e outros, uma vida em preto e branco, ou, mais precisamente, cinzento, como o fog que cobre Londres. “The Technicolor” estava chegando, mas, ainda não estava lá em 1959. As pessoas, no entanto, tinham a necessidade de tocar-se de chegar ao coração, e para isso havia a música. Escutem as canções daquela época, deliciosamente românticas e tentando dizer o que não podia ser dito em prosa e verso no papel.

A dupla encontraria também seu momento de despertar e romper o ovo. Puxados por Andrew Loog Oldham, a estória de ficar trancados em uma sala até escreverem uma musica juntos, que resultou ser um dos clássicos de todos os tempos, “As Tears Go By”, popularizada por Marianne Faithfull, é verdadeira. Dai então eles seguiram colaborando em “hit after hit”, por mais de cinco décadas e centenas de composições que fazem a maioria do catalogo dos Rolling Stone, tarefa muito difícil tendo-se em conta suas personalidades, talentos e egos.

Antes de serem “The Rolling Stones”, foram “The Glimmer Twins”, nome dado a dupla depois de umas férias no Brasil, em Dezembro 1968/Janeiro 1969 com suas amigas, Marianne Faithfull e Anita Pallenberg. Um casal, no mesmo cruzeiro que eles, perguntou quem eles eram, como se recusaram a responder, a senhora insistiu:“just give us a glimmer” (“apenas dê-nos um reflexo”, significando “uma dica”) o que encantou a Jagger e Richards.

Parceiros, amigos, rivais, colaboradores, mitos, icônicas imagens de um tempo, músicos e determinadores de uma época do som e da imagem, qualquer que sejam as palavras que usemos para definir esses dois gigantes, temos que reconhecer que são imagens de uma mesma moeda!

Regina Soares, advogada , especializada em eleições americanas, mora em Belmont, na entorno da baía de San Francisco, Califórnia (USA).

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Comentários

Marco Lino on 29 dezembro, 2010 at 0:03 #

Homenagem aos dois “vagabundos” ingleses, ao Bob Dylan e ao belo texto da Regina:

http://www.youtube.com/watch?v=FT9Qy4gy4Ro


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