João: semelhanças com Itamar

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OPINIÃO POLÍTICA

O prefeito e o futuro

Ivan de Carvalho

A movimentação política do prefeito João Henrique, do PMDB, em direção ao Partido Verde, com a disposição abortada de criar uma Secretaria de Meio Ambiente, trouxe momentaneamente à frente da cena política baiana o possível futuro político do atual chefe do governo municipal.

O prefeito, que terminará em 2012 o seu segundo mandato no cargo, está procurando viabilizar um novo caminho político para 2014. É que nas eleições municipais, não podendo mais pleitear nova reeleição e não fazendo o menor sentido voltar ao início de sua carreira política, disputando mandato de vereador, ele terá de abster-se de concorrer.

Mas 2014 é outra coisa. E como está, na prática, e até por opção própria, sem relações políticas com o deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima, que controla o PMDB, o prefeito João Henrique busca outra legenda. Não precisaria trocar de legenda imediatamente, podendo fazer isto somente quando deixar o cargo, em 31 de dezembro de 2012.

A primeira legenda que lhe atraiu a atenção foi a do PV. Um partido light, simpático, com um desempenho surpreendentemente bom nas eleições presidenciais, por meio da candidatura de Marina Silva. Daí a idéia de criar a Secretaria do Meio Ambiente, uma espécie de passaporte dele para a possível futura legenda.

Mas a situação financeira da prefeitura é crítica e a criação de uma nova secretaria poderia ser, neste contexto, explorada por adversários e mal vista pela opinião pública. O prefeito, em toda sua carreira política, sempre deu a maior importância à opinião pública e, portanto, à sua própria imagem política. Daí a desistência quanto à criação dessa secretaria-isca para o PV.

Pessoas que não fazem muito boa avaliação da habilidade política do prefeito João Henrique às vezes o comparam ao ex-presidente Itamar Franco, ao qual se atribui a “competência” de fazer tudo errado e no fim tudo dar certo. Difícil é saber se têm ou não razão, mas o fato é que, até aqui, as coisas acabam saindo certo para João Henrique. O último grande ato foi, como a Fênix, o ressurgir das cinzas da impopularidade e da rejeição para a vitória espetacular na disputa pela reeleição.

Mas depois disso episódios menos vistosos já aconteceram, como a jogada de mestre da escolha do deputado estadual e dirigente partidário João Carlos Bacelar para a Secretaria Municipal da Educação, com o que atraiu o PTN e conseguiu formar, na Assembléia Legislativa, um bloco que lhe permite a indicação da deputada Maria Luiza Carneiro para a Mesa Diretora e, ao mesmo tempo, lançar uma ponte política para aproximar-se do governo Jaques Wagner. “Uma jogada de mestre. Será que foi pensada ou simplesmente aconteceu?”, indagava-se esta semana, entre fascinado e intrigado, um competente e experimentado articulador político.

Bem, voltando ao principal, o prefeito é também, na avaliação de alguns, um “visionário”. Ele estará pensando, talvez, ao menos como hipótese, numa candidatura a governador. Note-se que, no momento, as oposições têm nomes “possíveis” para desafiar o candidato oficial a governador em 2014, mas não tem o que se possa considerar um candidato “natural”.

Então, o prefeito pode estar pensando em incluir-se. Como poderá estar pensando na hipótese de uma candidatura a senador, sem excluir, claro, o que parece mais provável, a candidatura a deputado federal, o que apresenta certos problemas: ele disputaria uma cadeira na Câmara dos Deputados, com sua mulher Maria Luiza buscando a reeleição para a Assembléia e seu irmão, Sérgio Carneiro, deputado federal não reeleito, tentando reconquistar um mandato de deputado

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