Deu no site do blogueiro baiano Chico Bruno:

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Direto da Varanda: Chico Bruno

As entrelinhas de Lula

O presidente Lula fez uma grande pajelança para registrar em cartório os feitos e os não feitos de seus dois mandatos.

São seis livros com 2.200 páginas e um livro-resumo com 310 páginas.

A pajelança rendeu uma grande repercussão nos telejornais.

O fato mais significativo foi à presença da ex-ministra Marina Silva, que passou o tempo fazendo anotações em uma folha de papel sobre o evento.

O repórter-fotográfico Lula Marques, da Folha de São Paulo, esperto como sempre, não perdeu tempo e registrou as anotações de Marina.

Josias de Souza levou ao seu blog a fotografia.

A anotação mais relevante descreve o sentimento de Marina sobre a presença da presidenta eleita Dilma Rousseff no evento:

“Dilma a maior parte do tempo olhava para um lugar que parecia não estar ali”.

Acompanhei a cerimônia pela TV estatal e concordo com a avaliação de Marina.

As feições de Dilma, durante a pajelança, acusavam que ela estava fisicamente presente, mas com o pensamento distante.

Aliás, ela não parecia estar satisfeita em fazer parte daquela encenação.

Talvez, por ter mais o que fazer, do que ficar ali ouvindo aquela conversa fiada.

Realmente, Dilma tem muito que fazer, ao contrário de Lula que não tem mais o que fazer, a não ser jogar confete em si.

Dilma está tendo muitos problemas para fechar o ministério, tanto que anda calada, sorumbática e preocupada com o que vai enfrentar a partir de 1º de janeiro.

Um pica-pau, dos mais bem informados do Distrito Federal, confidenciou que Dilma anda incomodada com o desempenho espaçoso de Lula.

Tudo bem que Lula a escolheu para sucedê-lo e a elegeu, mas tudo tem limite.

Neste mês de dezembro, Lula poderia ser mais comedido em suas manifestações, mas ao contrário ele está ultrapassando todos os limites do bom senso.

Lula age como se Dilma não existisse, apesar de citá-la sempre.

É que as citações de Lula sobre Dilma soam como se ele a estivesse colocando em uma camisa de força.

Lula insiste em afirmar que está deixando para Dilma uma herança bendita, o que deixa nas entrelinhas a idéia de que se alguma coisa sair dos trilhos será por culpa da futura presidenta.

Quem se fixa nas palavras de Lula tem a certeza dessa leitura.

Na cerimônia em que recebeu o título de “Brasileiro do Ano” conferido pela revista ISTOÉ, Dilma foi instada a falar.

– “Olharei para todos sem nenhuma distinção em relação a sua procedência política, visão de mundo, crença religiosa ou seu time de futebol.”

Com isso, Dilma mandou um recado.

Ela se compromete assumir a presidência da República sem discriminar os políticos de oposição, ao contrário de Lula que anda festejando e tripudiando a não reeleição de vários opositores.

Com certeza, Dilma torce para que Lula tire longas férias com D. Marisa longe dos palcos brasileiros.

Só assim ela poderá alçar vôo.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 16 dezembro, 2010 at 15:25 #

O tal vôo é assim, sem leveza

Chico Bruno espra o que não irá acontecer, aguarda um sobrevoar de estadista, um plano de vôo exitoso, e a precisão das andorinhas em migrações.

Frustante espera, o vôo da nova Presidente já foi iniciado, desde há muito, é impreciso, curto, sem jaça ou graça.

Despida agora da “maquillage” marqueteira que tanto a torturou, Dona Dilma apenas é, o que diversa, portanto, não poderia ser sua presença.

A ansiedade de mudança é própria dos que, por razão qualquer, sempre esperam os primeiros solavancos para buscar acomodações sonhadas, é portanto dos circunstantes e não da personagem principal.

A leitura de seu primeiro ato, ainda não findo, revela o triste fado dos que sonham, dos que ainda apostam. A eles a tradução a vitória indicará desilusão, desesperança, e triunfo do “mesmo”, do “igual”, embora “fake”.

Afinal, o que resta do elenco anunciado de ministros além da certeza de que traços de competência, representatividade, criatividade, foram certamente ignorados, fazendo valer apenas o tedioso truque de rodear-se de nulos para só então sentir-se segura.

Dilma foi na tal “confraternização”, o retrato exato de si mesma.


luiz alfredo motta fontana on 16 dezembro, 2010 at 17:00 #

errata:

Onde está:

“Dona Dilma apenas é, o que diversa, portanto, não poderia ser sua presença.”

Leia-se:

“Dona Dilma apenas é,diversa, portanto, não poderia ser sua presença.”


luiz alfredo motta fontana on 17 dezembro, 2010 at 6:42 #

O que Helio Fernandes, na Tribuna da Imprensa vu:

“PS4 – E a festa “despedida” de Lula? Que sucesso. O Planalto estava aberto a todos, principalmente os que já “mandaram” muito lá. Além de Lula e Dona Dilma satisfeitíssima (por que não estaria?), outra grande atração só não foi maior do que Lula e Dilma, impossível.

PS5 – Seu nome? José Dirceu. Fez até frase para os repórteres que estranharam sua presença: “Eu nunca saí daqui”. (Devia pagar royalties ao grande comediante americano, Bob Hope, que escreveu um livro com o título: “Eu nunca saí de casa”.”


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