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Postado em 15-12-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 15-12-2010 10:24

Dilma:muitas ministras e pouco poder

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Merece destaque neste espaço principal de opinião do Bahia em Pauta, o comentário feito pelo poeta Luiz Alfredo Motta Fontana, editor do Blogbar do Fontana, a propósito da nota sobre o recorde de mulheres na composição do ministério do governo Dilma. Saque, conteúdo e texto primorosos em uma mesma nota . Confira.

(Vitor hugo Soares)

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Governo machista

Provocação?

Pode até parecer, mas…

Dona Dilma, ao alocar mulheres em pastas tão desconcertantes como Pesca, ou secundárias como Desenvolvimento Agrário, ou mesms historicamente esvaziadas, como Planejamento, dá o tom de seu Governo, pode ser até rosa, mas esmaecido.

Já a Casa Civil que a projetou, o Banco Central que efetivamente comanda a Economia, Minas e Energia, o “fura-poço”, Economia, ou mesmo os sociais que importam, Saúde, Trabalho, Educação, pertinem aos varões assinalados.

Adicone-se neste sentido, que a guarda e serventia pessoal, assim como a tripulação do Aerolula, ou quem sabe do tal Aerodilma, pelo noticiado, estes sim, terão presença feminina assegurada e incrementada.

Governo Machista?

Ou não?

Luiz Fontana, editor do Blogbar do Fontana: http://fontanablog.blogspot.com/

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Comentários

regina on 15 dezembro, 2010 at 14:52 #

Ora, meu caro poeta, quem diria que terminarias nas “manchetes” do BP? Não que eu tenha nenhuma dúvida do merecimento, até me atreveria a pedir ao Sr. Editor que estendesse o convite para retornar com frequência, nos comentários, na prosa e nos versos…
Agora, já que estou aqui, aproveito para adicionar minhas duas moedas a esse seu comentário, espero que se mantenha, pois ultimamente eu também não tenho caido nas graças da moderação…
É de praxe, também aqui nos Estados Unidos, colocar pessoas em cargos governamentais que venham saciar a ânsia de representação das minorias mais como paliativos que de mera representação, salvo algumas poucas exceções…
No caso Dilma, dada a minha falta de informação especifica, contenho-me em opinar, mas, como sentenciou, muito bem, Simone de Beauvoir, a condição das mulheres burguesas: “elas são colaboracionistas do machismo”. Elas tem acesso ao “inalcançável” mundo masculino e, como são quase que abençoadas por serem “escolhidas” para participar deste mundo, vão identificar o machismo, mas em sua maioria, não lutarão pela igualdade geral e restrita de todas as mulheres para não perderem o privilégio social que lhes foi concedido. Seria o caso da nossa Presidente?


Mariana Soares on 15 dezembro, 2010 at 16:26 #

Caros Poeta e Regina, os comentários de ambos são sempre muito bem vindos, na minha opinião, alias, para mim, é sempre bom beber do conhecimento e da poesia de ambos, mas, desta vez, ouso a discordar dos dois.
Aonde será que seria levado o nosso País, ou qualquer outro, com esta história de cota para mulheres ou homens? Para mim, a lugar nenhum!
Homes ou mulheres, o que interessa é a competência e o caráter de cada um no desempenho das nossas funções, seja profissional, seja pessoal.
Homens e Mulheres foram feitos um para o outro e para todos. Não vamos separar mais ainda uma sociedade já tão dividida. Vamos nos unir, seja como companheiros de vida, seja como instrumentos para tornar o nosso País, e nosso mundo, melhor, cada qual com a sua contribuição a dar para este que é o sonho maior de todos nós.


luiz alfredo motta fontana on 15 dezembro, 2010 at 17:05 #

Cara Mariana

O proselitismo de Dona Dilma, não é de minha lavra, muito menos a bandeira de um governo que se vende como feminino.

Ao que parece, a opinião de Regina é mais certeira, atinge o habitual, ou seja, o simular preferências para continuar fazendo o mesmo.

De resto, cara Mariana, Dilma é tradução de “mão firme no comando”, ao menos foi o que o marketing vendeu, o que pode a aproximar do conceito antigo de “sargento-mor”, o que complica ainda mais a equação.

Não foi este distraído poeta quem estabeleceu cotas, ou mensuração desta.

Entretanto, cabe ressaltar e reconhecer que a incrível falta de envergadura dos ungidos, e ungidas, milita em sentido contrário, estabelecendo meio que a contragosto o taõ sonhado equilíbrio entre os generos.

De forma oblíqua, Dona Dilma acabou sendo “justa”, nivelou por baixo, nenhum risco de “alguém” sobressair, é um ministério acima de qualquer vaidade.


regina on 15 dezembro, 2010 at 17:53 #

Querida Mariana, sem querer você acabou concordando comigo, e talvez até com o poeta, pois não estamos querendo separar, dividir ou preencher cotas, mas, colocar os rótulos certos nas devidas embalagems… Explico, e dessa vez falo por mim, sou MULHER e, como tal, consciente do meu papel na sociedade ainda machista, queiras ou não reconhecer, que não se conforma com a posição de segunda classe e tem tentado modificar essa situação com luta, palavras e ações. Porisso faço questão que nossas conquistas sejam reconhecidas e devidamente valorizadas como tal e não com engôdos e farsas. Como MULHER, na mais extensa forma de expressão da palavra, valorizo o HOMEM e reconheço outras formas de manifestação do gênero humano, sempre querendo a proximidade, a interação, a cumplicidade, a integração no mosaico da vida.


Mariana Soares on 15 dezembro, 2010 at 18:17 #

Eu entendo perfeitamente tanto você, Regina, como o Poeta Fontana, e, também, me orgulho do meu papel como mulher no mundo e na sociedade em geral, assim como as nossas conquistas.
O que eu não gosto, venha de onde vier, é esta historia de cotas, seja para negros, brancos, mulheres, homens, pobres, ricos, ou o que for.
Na minha opinião, o que vale é a capacidade e o caráter de cada um, é a luta vencida com dignidade e raça, os critérios devem ser iguais para todos e que vença o melhor, seja no que for.
Não sou a favor de cotas ou qualquer outro artificio para proteger alguns em detrimento de outros.
E quanto a homens e mulheres, sempre sou a favor de que andemos de mãos, corações e almas unidas.


regina on 15 dezembro, 2010 at 18:22 #

Em isso concordamos em numero e grau!!!!!!!!!!


luiz alfredo motta fontana on 15 dezembro, 2010 at 18:25 #

Que bom Mariana

Mas…

E sempre o mas…

Como Dona Dilma, “a severa”, pensa diverso, até mesmo Salvatti é “Ministra”!


luiz alfredo motta fontana on 15 dezembro, 2010 at 18:32 #

Por fim, e não por último

Alguma dúvida sobre a irrelevância dos ministérios dedicados à “preferência por mulheres” de Dona Dilma?


Graça Azevedo on 15 dezembro, 2010 at 21:18 #

Mariana
Concordo integralmente com vc no seu posicionamento sobre cotas. Vamos fazer de caráter e competência os critérios para qualquer escolha.


luiz alfredo motta fontana on 16 dezembro, 2010 at 4:48 #

E por falar em competência, cotas, e ministras…

Aqui o Estadão online, de 15/12:

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O Gabinete das cotas
15 de dezembro de 2010 | 0h 00

– O Estado de S.Paulo

Diferentemente do que pretendia, é improvável que Dilma Rousseff consiga formar o seu Gabinete até depois de amanhã, quando receberá da Justiça Eleitoral o diploma de presidente eleita da República. Quando fixou essa data para terminar a montagem do Ministério, decerto ela subestimou as peculiares dificuldades da operação de preencher os nada menos de 37 cargos que compõem a cúpula do governo, entre ministros e secretários com o mesmo status. Mas o gigantismo do primeiro escalão federal – para o qual a própria Dilma talvez venha a contribuir, abrindo algumas vagas adicionais de ocasião – é apenas uma parte do problema que a tem mantido ocupada mais do que qualquer outra coisa desde o desfecho da disputa pelo Planalto.

Já não bastasse a servidão que o sistema político e o regime federativo do País impõem ao seu primeiro mandatário – escalar uma equipe o quanto possível representativa das diversas regiões brasileiras e dos partidos (com as respectivas facções e caciquias) que compuseram a coligação eleitoral vitoriosa -, Dilma adicionou a esse desafio aparentado ao da proverbial quadratura do círculo um fardo de livre escolha: o de incluir no Gabinete uma cota de ministras, da ordem de 30% do total. É absolutamente normal que a primeira presidente do Brasil, para quem as chamadas questões de gênero têm importância central na formulação das políticas públicas, queira trazer para o Planalto e a Esplanada um número expressivo de mulheres que a ajudem a governar, arejar mentalidades e enviar uma mensagem à população em geral. Foi, por exemplo, o que procurou fazer no seu país tradicionalista a chilena Michelle Bachelet.

Mas o fatiamento extrafino do comando da administração federal é muito mais do que uma dor de cabeça para a sua titular. É preocupante para o País. Pela simples razão de que, com tantas demandas a atender – sem esquecer as do supremo demandante, Luiz Inácio Lula da Silva -, a competência dos ministeriáveis para exercer os cargos a serem preenchidos acaba sendo fator secundário. Isso não depende da vontade da presidente. Mesmo que ela quisesse compor um Gabinete de craques, o que, de resto, ela nunca deu sinais de querer, quando o cotismo impera, a meritocracia tem pouca ou nenhuma vez. Ou, dito ainda de outro modo, com tantas bocas a alimentar, a qualidade do alimento não é prioridade. E a ironia da história é que há mais apetites do que pratos.

Apenas para citar o caso mais recente de insatisfação, a facção do PT intitulada Democracia Socialista se considera injuriada com a anunciada substituição do seu ministro no governo Lula, Guilherme Cassel, titular do Desenvolvimento Agrário, pela atual secretária de Planejamento de Sergipe, Maria Lúcia Falcon, apadrinhada pelo governador Marcelo Déda e por seu colega da Bahia, Jaques Wagner. Mas o PT nordestino não esconde o seu descontentamento com a provável indicação da gaúcha Tereza Campelo, atual coordenadora de projetos estratégicos da Casa Civil e mulher do ex-tesoureiro petista Paulo Ferreira, para o Ministério do Desenvolvimento Social, o do Bolsa-Família. Sobre a aptidão de uma e de outra para as citadas funções, nenhuma palavra. E está se falando do PT, que pelo menos trata de aparentar que tem mais compromissos com a gestão pública do que o PMDB.

Talvez para não ser interrogada sobre as suas escolhas, ou para não competir com o seu patrono pelos holofotes, Dilma tem evitado se expor, mantendo um perfil discreto. Contam-se literalmente nos dedos da mão as suas manifestações desde a eleição. Além do discurso de vitória, foram duas entrevistas (uma coletiva com Lula, outra exclusiva para o Washington Post). O recolhimento da presidente que entra chama ainda mais a atenção pelo contraste com a exacerbação da loquacidade do presidente que sai – a contragosto. Além de não passar um dia quieto, ele avisa pela enésima vez que vem mais por aí. “Não vou ficar dentro de uma redoma de vidro”, anunciou anteontem. “Vamos nos encontrar em algum lugar, em alguma assembleia, passeata, ato público ou protesto”, disse a uma de suas audiências cativas. A ver como Dilma conviverá com isso.

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O triste, é que mesmo em um universo caracterizado pela tibieza quanto à envergadura, representatividade, competência, a “cota” de ministras padece da insignificância de suas pastas.

Assim, embora Mariana e Graça repudiem a receita, a opção de Dona Dilma foi por cota, até pela tábua rasa do critério competência.

Mas…

Repetindo para ressaltar:

Adotando a “cota” como critério, Dona Dilma, apenas acomoda o time feminino em pastas periféricas.


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