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Postado em 11-12-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 11-12-2010 17:30


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DEU no IG

Durante um animado bate-papo em um boteco de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, os integrantes da mesa atravessam a tarde lembrando histórias e sambas antológicos do compositor mais ilustre do bairro. Naquele espaço, tão contagiante que atrai curiosos de todas as idades, a trajetória de Noel Rosa (1920-1937), cujo centenário é comemorado neste sábado (11), é contada em versos e prosas.

Nessa reunião improvisada, uma das figuras mais encantadoras do grupo é Araken Martins Costa, 85 anos, que enche o peito de orgulho ao contar que conheceu o Poeta da Vila e que morava em frente a casa do mestre, na Teodoro da Silva, esquina com a Visconde de Abaeté.

No local, foi construído há cerca de 50 anos um prédio de oito andares, o Edifício Noel Rosa.
“Ele era notívago. Passava as noites bebendo, com os amigos, compondo seus sambas, e dormia durante o dia. A mãe dele contava que quando saía sempre deixava um bilhete avisando que ia gravar, mas virava a noite”, lembra, cheio de admiração pela atitude do boêmio, fumante inveterado, apesar da saúde frágil, e compositor que escrevia letras memoráveis em guardanapos de papel.

Com tantas histórias na ponta da língua sobre o grande ídolo do bairro, Araken passou a atrair muitos jovens interessados em conhecer a controvertida figura do homem que compôs canções inesquecíveis como “Com que roupa?”, “Palpite infeliz”, “Dama do cabaré” e “Último desejo”, entre tantos outros sucessos.

“Às vezes descia de manhã e parava na 28 de Setembro com a Rua Souza Franco para engraxar os sapatos com o Paschoal, um amigo. Vaidoso, costumava usar sapatos bicolores. Ele iniciava uma conversa, mas logo começava a cochilar na cadeira”, revela o historiador informal do compositor.
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Musas

Com muita lucidez e uma memória invejável, o antigo vizinho de Noel entra na deliciosa polêmica sobre a musa inspiradora para a música “Três apitos”.

À época, cogitou-se que a canção seria dedicada a uma moça de nome Clara, vizinha e conhecida da família e com quem Noel Rosa mantinha um relacionamento. A principal pista era o fato de ela trabalhar na fábrica de tecidos Confiança, em Vila Isabel, onde hoje se encontra o Supermercado Extra Boulevard.

Mas, para Araken e outros estudiosos da obra do compositor a música teria sido feita para Josefina Telles Nunes, que trabalhava numa fábrica de botões na Rua Barão de Mesquita, no Andaraí.

Há ainda outras polêmicas amorosas que envolveram o nome de Noel, apesar de casado com Lindaura Medeiros Rosa. “Ele foi apaixonado pela Ceci (Juracy Corrêa de Moraes, dançarina de cabaré), mas ela também teve um caso com Wilson Batista e namorou o Mário Lago”, conta, rindo, como quem revela um segredo de alcova.

Para ele, a melhor resposta do Poeta da Vila para o episódio é a composição “Quem ri melhor”, feita para o carnaval de 1937. A musa ainda teria inspirado a canção “Pra que mentir?”.

Passeio musical

O músico Adilson Pereira, o Adilson da Vila, é outro estudioso da obra desse homem que é considerado um dos maiores nomes da música popular. E, na mesa do bar, pede a palavra. “Durante seis meses fiquei estudando o samba de Noel e a influência dessas canções na vida de quem mora em Vila Isabel. É uma riqueza que o mundo precisa conhecer”, exalta.

Com a benção de bambas como tias Surica e Doca, Seu Argemiro e Monarco, Adilson formou a Velha Guarda Musical para divulgar a obra do Poeta de Vila Isabel. Começaram a tocar em aniversários, depois acompanharam shows de Zeca Pagodinho e Marquinhos Satã.

Diante do sucesso, ganharam o mundo. Já se apresentaram na Rússia, China e países do Oriente Médio com o show “Vila canta e conta sua história”.

Mas o trabalho mais gratificante que essa turma faz é o projeto “Passeio Musical”, que tem atraído muitos turistas. “É uma forma de trazer o público para conhecer esse bairro, berço do samba. Vamos conduzindo as pessoas pelas calçadas e tocando as músicas sobre as partituras de Noel. No passeio, que cruza a Avenida 28 de Setembro, os visitantes podem apreciar a estátua de Noel erguida em 1996. O próximo passeio será no dia 20 de janeiro.

“É uma emoção muito grande fazer parte desse universo musical tão rico. Cada momento como esse vale uma vida”, revela, emocionada, a intérprete do bloco “Mulheres da Vila”, Juju Bragança, acompanhada por Fátima Mendes, Márcia Rossi, Idália Vilaça, Maria Zilca, Jurema Mendes e Célia Mota. Quem dirige o grupo é Nádia Cursino.

(Material sugerido por Maria Olivia)

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 11 dezembro, 2010 at 18:42 #

Caro VHS

Oportuna lembrança, deste 11 de dezembro, quando a norma é a distração, o tradiconal esquecimento.

O BP enriquece o leitor e cresce no conceito.

Atrevo-me a colecionar neste sítio de comentários, um texto de Ruy Castro, publicado no útimo dia 4 na Folha de São Paulo.

Noel foi tão generoso, que repartiu o ano de 1910, com uma coleção formidável de compositores.

Aqui Ruy Castro:

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Desmemórias centenárias

RIO DE JANEIRO – As esferas estavam indecentemente musicais em 1910. Naquele ano nasceram Claudionor Cruz (1º/4), Jorge Veiga (14/4), Custodio Mesquita (25/4), Vadico (24/6), Luiz Barbosa (7/7), Haroldo Lobo (22/7), Adoniran Barbosa (6/8), Nássara (11/11) e Noel Rosa (11/12). Todos esses compositores e/ou intérpretes teriam feito 100 anos este ano. E o que o Brasil fez pela memória deles em 2010?
As grandes massas terão sido lembradas de que Claudionor Cruz foi um dos autores da valsa “Caprichos do Destino”, da marchinha “Eu Brinco” e do samba “Disse-me-disse”? De que, sem Haroldo Lobo, o Carnaval não teria “Alá-la-ô”, “O Passarinho do Relógio”, “Retrato do Velho”, “Pra Seu Governo”, “Tristeza” e o samba não conheceria “Emília”? Ou de que, sem Nássara (“Maria Rosa”, “Periquitinho Verde”, “Florisbela”, “Balzaqueana”, a dita “Alá-la-ô”), não haveria o Carnaval?
Em 2010, quantos se lembraram de Luiz Barbosa, que incorporou a caixinha de fósforos ao samba e lançou no rádio sucessos que outros consagraram, como “Seu Libório” e “Minha Palhoça”? Sem a bossa de Luiz Barbosa, teria havido a de Jorge Veiga com “Eu Quero é Rosetar”, “Café Soçaite”, “Estatuto de Gafieira”? E o que seria dos aviadores do Brasil sem Jorge a “orientá-los” pelo microfone dos auditórios? Estariam perdidos no céu.
Será que fizemos justiça a Custódio Mesquita, a quem devemos foxes e valsas como “Nada Além”, “Mulher”, “Enquanto Houver Saudade” e “Velho Realejo”? Já Adoniran foi bem mais festejado, mas terá sido suficiente?
Quanto a Vadico, seu centenário passou a zero. Mas, como co-autor de “Feitio de Oração”, “Feitiço da Vila”, “Conversa de Botequim” etc., ele será muito lembrado nas celebrações a Noel, no sábado próximo. Aliás, sem Noel, não sei se o samba teria sua precoce maturidade. Ou se teríamos o samba, ponto.

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Tim Tim!


luiz alfredo motta fontana on 11 dezembro, 2010 at 18:58 #

E por falar em Noel

Aqui Fita Amarela, gravada pelos “Sambistas do Aslfalto” em 1960

http://www.youtube.com/watch?v=moyhKmqDcpQ

Ou, ainda, “Provei”, com os mesmo “Sambistas do Aslfalto”

http://www.youtube.com/watch?v=To0x5lXE80Q


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