dez
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Posted on 11-12-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 11-12-2010

Protesto em São Paulo hoje/Público-Reuters

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A revolta que corre nas redes sociais contra a detenção do fundador da WikiLeaks ultrapassou este sábado as fronteiras da Internet, saindo para a rua em dezenas de concentrações na Europa e América do Sul. Mas mesmo com Julian Assange fora de jogo, os jornais continuam a divulgar os telegramas da diplomacia americana – o último alvo foi o Vaticano, uma estrutura descrita como arcaica e avessa a ingerências.

Entretanto, duas semanas depois de publicados os primeiros telegramas, foi este sábado conhecida a primeira reação do Presidente americano. Em conversas com o homólogo mexicano, Felipe Calderón, e o primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, Barack Obama chamou de “deploráveis” os atos da WikiLeaks e disse esperar que o caso não manche as relações bilaterais.

Mas a cada dia surgem novos embaraços, tanto para a diplomacia americana como para os visados nos telegramas. Este sábado, o jornal “Guardian” publicava um extenso rol de informações sobre o Vaticano, como a pouco divulgada hostilidade de Bento XVI à adesão da Turquia à UE, ou a fobia da Santa Sé em relação às novas tecnologias. Mais lesiva, será a revelação de que o Vaticano recusou colaborar com a investigação às denúncias de pedofilia na Igreja da Irlanda, considerando ofensivos os pedidos de esclarecimento que lhes chegaram de Dublin.

Já o El País, outros dos jornais a ter acesso aos telegramas, noticiou que os Estados Unidos consideram a Catalunha o principal centro do islamismo radical no Mediterrâneo, tendo mesmo criado, em 2007, um grupo de espionagem especial, operando a partir do consulado de Barcelona. A preocupação, revelam telegramas agora divulgados, deve-se à presença de uma forte comunidade paquistanesa e marroquina naquela cidade.

(Informações do jornal PÚBLICO, de Lisboa, e agências internacionais de notícias)


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Bondes e trânsito geral no Rio de Janeiro entre as Década de 1950 e 1960.
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BOA NOITE!

Trechos selecionados do Filme “Isto é Noel Rosa” (de Rogério Sganzerla), Documentário musical sobre a vida do Compositor Noel Rosa, nascido no Bairro de Vila Isabel, Rio de Janeiro.

dez
11
Posted on 11-12-2010
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DEU no IG

Durante um animado bate-papo em um boteco de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, os integrantes da mesa atravessam a tarde lembrando histórias e sambas antológicos do compositor mais ilustre do bairro. Naquele espaço, tão contagiante que atrai curiosos de todas as idades, a trajetória de Noel Rosa (1920-1937), cujo centenário é comemorado neste sábado (11), é contada em versos e prosas.

Nessa reunião improvisada, uma das figuras mais encantadoras do grupo é Araken Martins Costa, 85 anos, que enche o peito de orgulho ao contar que conheceu o Poeta da Vila e que morava em frente a casa do mestre, na Teodoro da Silva, esquina com a Visconde de Abaeté.

No local, foi construído há cerca de 50 anos um prédio de oito andares, o Edifício Noel Rosa.
“Ele era notívago. Passava as noites bebendo, com os amigos, compondo seus sambas, e dormia durante o dia. A mãe dele contava que quando saía sempre deixava um bilhete avisando que ia gravar, mas virava a noite”, lembra, cheio de admiração pela atitude do boêmio, fumante inveterado, apesar da saúde frágil, e compositor que escrevia letras memoráveis em guardanapos de papel.

Com tantas histórias na ponta da língua sobre o grande ídolo do bairro, Araken passou a atrair muitos jovens interessados em conhecer a controvertida figura do homem que compôs canções inesquecíveis como “Com que roupa?”, “Palpite infeliz”, “Dama do cabaré” e “Último desejo”, entre tantos outros sucessos.

“Às vezes descia de manhã e parava na 28 de Setembro com a Rua Souza Franco para engraxar os sapatos com o Paschoal, um amigo. Vaidoso, costumava usar sapatos bicolores. Ele iniciava uma conversa, mas logo começava a cochilar na cadeira”, revela o historiador informal do compositor.
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Musas

Com muita lucidez e uma memória invejável, o antigo vizinho de Noel entra na deliciosa polêmica sobre a musa inspiradora para a música “Três apitos”.

À época, cogitou-se que a canção seria dedicada a uma moça de nome Clara, vizinha e conhecida da família e com quem Noel Rosa mantinha um relacionamento. A principal pista era o fato de ela trabalhar na fábrica de tecidos Confiança, em Vila Isabel, onde hoje se encontra o Supermercado Extra Boulevard.

Mas, para Araken e outros estudiosos da obra do compositor a música teria sido feita para Josefina Telles Nunes, que trabalhava numa fábrica de botões na Rua Barão de Mesquita, no Andaraí.

Há ainda outras polêmicas amorosas que envolveram o nome de Noel, apesar de casado com Lindaura Medeiros Rosa. “Ele foi apaixonado pela Ceci (Juracy Corrêa de Moraes, dançarina de cabaré), mas ela também teve um caso com Wilson Batista e namorou o Mário Lago”, conta, rindo, como quem revela um segredo de alcova.

Para ele, a melhor resposta do Poeta da Vila para o episódio é a composição “Quem ri melhor”, feita para o carnaval de 1937. A musa ainda teria inspirado a canção “Pra que mentir?”.

Passeio musical

O músico Adilson Pereira, o Adilson da Vila, é outro estudioso da obra desse homem que é considerado um dos maiores nomes da música popular. E, na mesa do bar, pede a palavra. “Durante seis meses fiquei estudando o samba de Noel e a influência dessas canções na vida de quem mora em Vila Isabel. É uma riqueza que o mundo precisa conhecer”, exalta.

Com a benção de bambas como tias Surica e Doca, Seu Argemiro e Monarco, Adilson formou a Velha Guarda Musical para divulgar a obra do Poeta de Vila Isabel. Começaram a tocar em aniversários, depois acompanharam shows de Zeca Pagodinho e Marquinhos Satã.

Diante do sucesso, ganharam o mundo. Já se apresentaram na Rússia, China e países do Oriente Médio com o show “Vila canta e conta sua história”.

Mas o trabalho mais gratificante que essa turma faz é o projeto “Passeio Musical”, que tem atraído muitos turistas. “É uma forma de trazer o público para conhecer esse bairro, berço do samba. Vamos conduzindo as pessoas pelas calçadas e tocando as músicas sobre as partituras de Noel. No passeio, que cruza a Avenida 28 de Setembro, os visitantes podem apreciar a estátua de Noel erguida em 1996. O próximo passeio será no dia 20 de janeiro.

“É uma emoção muito grande fazer parte desse universo musical tão rico. Cada momento como esse vale uma vida”, revela, emocionada, a intérprete do bloco “Mulheres da Vila”, Juju Bragança, acompanhada por Fátima Mendes, Márcia Rossi, Idália Vilaça, Maria Zilca, Jurema Mendes e Célia Mota. Quem dirige o grupo é Nádia Cursino.

(Material sugerido por Maria Olivia)

dez
11
Posted on 11-12-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 11-12-2010

Jutahy Jr: PF investiga e julga

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OPINIÃO POLÍTICA

PF, POLÍCIA E JUIZ

Ivan de Carvalho

Tem se evidenciado, em vários casos, um problema muito sério com a Polícia Federal – o órgão comporta-se como se fosse, a um só tempo, polícia e juiz. Funciona assim: depois de algumas investigações sigilosas, a PF realiza uma operação legal para cumprir mandados de busca e apreensão e/ou de prisão que solicitou ao Judiciário. Exatamente neste ponto, faz um estardalhaço, uma pirotecnia, que pode gerar a condenação social de cidadãos, inocentes ou não, antes de julgamento.

Há duas razões possíveis para esse comportamento, que já vem de bastante tempo, mas se acentuou durante o segundo mandato do presidente Lula, quando esteve à frente do Ministério da Justiça – ao qual a Polícia Federal é subordinada – o petista Tarso Genro, até ser exonerado para candidatar-se, com êxito, a governador do Rio Grande do Sul.

Uma das razões possíveis para esse comportamento pode ser o esforço para mostrar serviço e ganhar o reconhecimento da sociedade, que majoritariamente ainda não está apta, por deficiência cultural e educacional, para diferenciar a ação policial correta da pirotecnia que agride, inclusive, direitos humanos.

A outra razão possível para o referido comportamento pode ser a instrumentalização política da Polícia Federal, por encomenda do governo ou por iniciativa da própria PF. Nesta última hipótese, para mostrar serviço, não à sociedade, mas ao governo, quando atinge, de modo indevido e precipitado, adversários deste.

É possível que as duas razões – mostrar serviço à sociedade e prestar serviço político ao governo, atingindo seus adversários – estejam somadas em alguns casos, enquanto em outros apenas uma das duas esteja presente.

A Polícia Federal acaba de produzir na Bahia um desses casos em que busca atuar como polícia e juiz. Trata-se do caso de uma suposta compra de votos no município de Buerarema, envolvendo lideranças políticas locais e outras pessoas, inclusive a deputada estadual eleita Cláudia Oliveira (do PT do B) e o deputado federal mais uma vez reeleito Jutahy Jr., do PSDB.

Em Ilhéus, diz toda a mídia, a Polícia Federal deu a entender (modo muito cômodo de tentar destruir por antecipação a imagem de um político sem assumir a responsabilidade da acusação) que o deputado Jutahy está envolvido, junto com outros parlamentares e ex-candidatos, em compra de votos, apesar de a própria PF em Ilhéus informar que irá investigar, no prazo de 30 dias, se foi cometida alguma ilegalidade e por quem. Ora, ainda não sabe nem isso, mas já envolve pessoas nominalmente.

O deputado Jutahy Jr. fez sua própria defesa, na mídia, em tom de desafio. O presidente da Assembléia Legislativa, que hoje está no PDT e integrado à base política do governador petista Jaques Wagner, mas durante muito tempo foi ligadíssimo (e continua com forte relacionamento) a Jutahy Jr. se manifestou em defesa deste. Outra defesa, também incisiva, foi feita pelo deputado ACM Neto, do DEM.

No caso de Jutahy Jr. pode-se suspeitar (se a PF pode lançar suspeitas públicas antes de fazer a tal investigação que anunciou em prazo de 30 dias, qualquer um pode suspeitar da PF) que mais do que a pirotecnia, o “julgamento” da PF, que poderia ser chamado também de maledicência, se deva ao fato de que, além de ser a principal liderança baiana do PSDB (principal partido de oposição ao governo federal), o deputado Jutahy Jr. é um dos parlamentares mais ligados ao ex-candidato a presidente José Serra e atuou como um dos principais operadores políticos de sua campanha para presidente. Daí pode estar sendo “punido”.


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BOM DIA!!!

dez
11
Posted on 11-12-2010
Filed Under (Charges) by vitor on 11-12-2010

Amorim, no Correio do Povo (RS)

dez
11

Deu no G1

A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária dos quatro homens detidos sob suspeita de envolvimento na morte do prefeito de Jandira, Walderi Braz Paschoalin, de 62 anos. O pedido de prisão foi feito pela polícia ontem (10) e foi deferido na madrugada deste sábado. Os quatro devem ser transferidos a uma unidade prisional.

Segundo a polícia, exames residuográficos constataram a presença de pólvora nas mãos de dois dos quatro suspeitos. Para a polícia, esse é um indícios de que eles podem ter participado do crime. O delegado do setor de homicídios da delegacia seccional de Carapicuíba, Zacarias Katzer Tadros, responsável pela investigação, disse que os quatro presos já tem passagem pela polícia. De acordo com o delegado, eles pertencem ao crime organizado.

A polícia investiga se há ligação do assassinato com a morte de dois vereadores na cidade em julho deste ano – o ex-vereador Waldomiro Moreira de Oliveira, o Mineiro, e o suplente Ivo Aureliano, conhecido como Ivo do Gás.

O Ministério Público investiga a participação de Paschoalin num esquema de pagamento de propina a vereadores para aprovação de projetos de interesse do prefeito. Segundo o MP, Paschoalin, um ex-secretário dele e cinco vereadores estariam envolvidos em um suposto mensalão na cidade. O promotor Roberto Porto ainda aguarda a chegada de extratos bancários dos acusados. Ele suspeita que o esquema de corrupção tenha ligação com a morte de Walderi Braz Paschoalin.

De acordo com a Polícia Civil, o prefeito foi executado e não vítima de um crime político

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Tragedia e ironia na rádio de Jandira

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DEU NO COMUNIQUE-SE:

Prefeito de Jandira (SP) é morto quando chegava para apresentar programa de rádio

Izabela Vasconcelos

O prefeito de Jandira (município da Grande São Paulo), Walderi Braz Paschoalin (PSDB), 62 anos, foi morto a tiros na manhã desta sexta-feira (10/12), em frente à rádio Astral FM, onde o político comandava o programa “Bom Dia, Prefeito”. Seu motorista, Welington Martins, também foi baleado. Inicialmente, a PM havia confirmado a morte do motorista, mas o Hospital das Clínicas informou que ele está em estado gravíssimo e passa por cirurgia.

Segundo uma testemunha, dois homens que estavam de carro dispararam contra o prefeito e seu motorista, por volta das 8h, enquanto chegavam à emissora. O prefeito chegou a ser socorrido e levado a um hospital, mas não resistiu.

Quando foram feitos os disparos, o apresentador Fernando Silva comentava sobre uma festa que o prefeito participou, e chegou a acreditar que os tiros fossem efeitos especiais de fogos de artíficio, já que falava da comemoração.

O prefeito apresentava o programa, todas às sextas-feiras, há mais de um ano. De acordo com o locutor Jacó Ferreira, na atração, Paschoalin respondia a perguntas dos ouvintes e o programa estava sendo muito bem avaliado pela população. “Ele era muito popular aqui na região. Esse crime surpreendeu a todos. Não temos clima para trabalhar”, disse.

Ferreira afirmou que o prefeito tinha uma boa aprovação na cidade e o programa deixou a população mais próxima do político, por isso não entende o que motivou o crime.

De acordo com a Folha.com, os criminosos abandoram um carro Focus prata na saída da cidade. Perto dali, a Polícia Militar deteve dois homens, que possuem histórico criminal.

Paschoalin estava em seu terceiro mandato como prefeito de Jandira. Em 1976, foi eleito vereador. Em 1988, foi eleito prefeito pela primeira vez. De 1997 até 2000 cumpriu seu segundo mandato; e em 2008, foi eleito novamente.

Deu no Terra

A Petrobras fez uma oferta de compra de 40% da ETH, empresa de etanol da Odebrecht, em um negócio avaliado em cerca de R$ 3 bilhões, segundo informações da edição deste sábado do jornal Folha de S. Paulo. O objetivo da estatal é correr atrás da liderança nacional do mercado de combustíveis de cana-de-açúcar. Desta maneira, a empresa de biocombustíveis da Odebrecht poderá se consolidar como a maior produtora global de álcool, posição que hoje pertence à Cosan, empresa em que a Shell é sócia. Concorrentes da estatal, como Shell e BP, foram mais rápidas e entraram primeiro no setor de álcool hidratado.

Tanto a Petrobras como a ETH disseram que não comentariam a negociação. O plano de investimento da ETH prevê a aplicação de R$ 3,5 bilhões até 2012, ano em que as nove usinas do grupo devem estar em operação. A empresa terá uma capacidade de moagem de 40 milhões de t de cana por safra e produzirá 3 bilhões de l de etanol. Poderá, ainda, gerar 2,7 mil GW/hora ao ano de energia a partir da biomassa. Com o dinheiro da Petrobras, a ETH irá abater parte de endividamento. A empresa comprou no ano passado a Brenco, que estava debilitada financeiramente, e assumiu sua dívida. A Odebrecht, dona da ETH, ficou com 65% da joint venture.

Lula com Wagner em Ilheus: do PAC …

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…a Assange: viagens e polêmicas até o fim

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ARTIGO DA SEMANA

A ÚLTIMA MARATONA DE LULA

Vitor Hugo Soares

Sob um céu carregado de nuvens pesadas, cortado na véspera de raios e trovões, o presidente da República desembarcou ontem na Bahia. Bem ao seu estilo, lLuis Inácio Lula da Silva desafiou as previsões meteorológicas, de fortes tempestades para a região, ao iniciar por Ilhéus, na costa sul do Estado, sua última maratona pelo país, no cargo, antes de passar a faixa para Dilma Rousseff, que ele elegeu sua sucessora, na lábia e no muque, depois de 8 anos de mando, em dois mandatos seguidos.

Na sua despedida, a julgar pelo desafio às condições adversas da viagem ao sul baiano, para assinar algumas ordens de serviços na área de infra-estrutura do PAC, Lula guarda semelhanças marcantes com aquele personagem encarnado por Charles Bronson no filme cult dos anos 70, “O Passageiro da Chuva”. O agente que imagina ter muito ainda por descobrir ou realizar, mas verifica que o tempo implacável lhe escorre entre os dedos.

Bem, como nenhum outro antecessor, na fotografia das pesquisas de apoio popular e no prestígio internacional – mais de 80% de aprovação pessoal e ao seu governo – o nordestino que um dia desembarcou no sudeste viajando em pau-de-arara, nascido para a política nas lutas sindicais do ABC paulista, parece querer ainda mais.

Dentro e fora do país, o pernambucano de Caetés busca talvez a unanimidade. Isso apesar do baixo conceito que o seu conterrâneo Nelson Rodrigues, mestre da escrita e da crítica de costumes no Brasil, tinha e proclamava das coisas unânimes. Ainda assim, Lula não sossega. A 20 dias de passar a faixa presidencial ele fala sem parar, viaja mais ainda, se cerca de polêmicas, mantém e indica ministros para o governo da sucessora que elegeu, promete e inaugura obras. Faz o diabo, enfim.

O presidente que se despede é foco dos principais holofotes. Dá as cartas enquanto a mineira Dilma, prestes a entrar, escolhe a turma que governará com ela em silencio e quase sem marolas – salvos as do PMDB de Temer e Sarney, sempre famintos por uma fatia a mais de poder.

Vejam, por exemplo, o saque político e midiático do presidente em Brasília, na quinta-feira, horas antes de embarcar para a Bahia. No auditório amplo e repleto de ouvintes privilegiados, cercado de câmeras e ouvidos atentos dos correspondentes estrangeiros, o presidente da maior nação democrática da América Latina não poupou balas.

Diante das vacilações que beiram a cumplicidade de setores importantes da imprensa brasileira e mundial, em face da flagrante tentativa de intimidação e claro desrespeito à liberdade de informação, Lula não perdeu tempo: condenou com máxima severidade a prisão de Julian Assange, o organizador do polêmico portal WikiLeaks, responsável por um terremoto na diplomacia dos governos mais poderosos do planeta – a começar pelos Estados Unidos – , de repente acusado por suposto crime sexual praticado na Suécia.

Em seu protesto contra o cerceamento da liberdade de expressão na Internet, o presidente brasileiro foi direto ao ponto. Disse não enxergar crime algum no trabalho do australiano. O que Assange fez, via Wikileaks, foi simplesmente divulgar em seu site aquilo que ele leu.
“Se ele leu é porque alguém escreveu, o culpado não é quem divulgou. O que ele fez foi dar conhecimento do que está escrito. Portanto, em vez de culpar quem divulgou, culpem quem escreveu a bobagem, porque senão não teria o escândalo que tem. Então, Wikileaks, minha solidariedade pela divulgação das coisas e meu protesto contra o brasileiracerceamento à liberdade de expressão,” disse o presidente para o Brasil e o mundo ouvir, ao estranhar a falta de reaçòes mais firmes na imprensa brasileira e de outra áreas de opinião.
Na mosca. “Eu assinaria embaixo”, como assinalou ontem o colunista Ricardo Boechat, na Radio BandNews FM. Raro e firme comentário jornalístico sobre caso na imprensa nacional, que na quinta-feira praticamente ignorou as reações mundiais – incluindo manifestações de rua – contra a estranha prisão de Assange e o que ela representa em termos de prejuízo grave para o direito à livre informação.
Promete, e muito, a derradeira maratona de Lula no poder pelo País. Ao contrário de seus antecessores, que curtiram os últimos dias de mando de forma discreta, muitos até melancolicamente, Lula planeja cumprir uma agenda intensa até o final do mandato.
De ontem até o dia 29, ele deve visitar 16 cidades de 11 estados brasileiros. Percorrerá aproximadamente 22 mil quilômetros, o equivalente a quatro vezes a distância entre os extremos sul do Brasil, o Arroio Chuí (RS), e norte, a Foz do Oiapoque.
Pelo começo de ontem, na Bahia, o périplo de despedida do presidente vai dar muito o que falar! A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.bra

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