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Postado em 10-12-2010
Arquivado em (Artigos, Janio) por vitor em 10-12-2010 18:02

Wagner: o garoto de Rodelas

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CRÔNICA/ UM LUGAR

WAGNER MOURA EM RODELAS

Janio Ferreira Soares

Apesar de o título sugerir, Wagner Moura não faz parte de nenhuma receita de sanduíche (queijo, pastrami, duas rodelas de Wagner Moura, alface…). A Rodelas em questão era uma cidade do sertão baiano que sumiu do mapa em 1988 por conta da construção da barragem de Itaparica, cujo processo de inundação parece ter sido uma das cenas mais marcantes aos olhos do então menino Waguinho, embora o péssimo roteiro tenha sido escrito não pelos craques que hoje tem a honra de tê-lo como protagonista, mas por tecnocratas que se lixaram para a história dos rodelenses.

Em recente entrevista a revista Rolling Stone, ele disse: “Lembro-me pouco do que fiz dias atrás, mas me lembro muito da minha infância. E me lembro bem de Rodelas, porque a gente sempre passava as férias lá e depois morou lá. E eu estava lá no momento da mudança, quando construíram uma cidade chamada Nova Rodelas e mudaram todo mundo pra lá. Foi uma experiência antropológica extraordinária. Todas as relações culturais e sociais com o lugar se perderam com a água. Teve muita gente que morreu deprimida, alcoólatra.”

Eu sei bem o que é isso, meu velho Capitão Taoca, porque também sou um órfão de cheiros e sinos; de relâmpagos clareando a curva do rio e da chuva arranhando nas telhas uma balada de ninar gente grande; e, claro, daquele sarro atrás da igreja (a minha, de Santo Antônio da Glória; a sua, de São João Batista) ouvindo a voz do mestre Waldick profetizando que hoje a noite está calma e que a minha alma esperava por ti.

Doze anos antes de Rodelas, Glória também submergiu de uma forma ainda mais crua, pois naquele tempo o extraordinário verde dos tamarineiros e umbuzeiros era a nossa única artilharia diante do oliva que dominava a nação.

E foi assim que José e Alderiva, Ceci e Zé da Silva, filhos, amigos e outras rimas, de repente se viram em terras estrangeiras, deixando pra trás sonhos e boleros sob as águas de um rio prisioneiro e triste, que nem de longe se parece com aquele que de vez em quando ainda corre solto nas lembranças de quem viveu por lá.

Jânio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na parte baiana do Vale do Rio São Francisco;

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Comentários

Olivia on 11 dezembro, 2010 at 9:47 #

Quem beleza de texto, Janinho!!!


Lucinha on 21 Maio, 2011 at 14:51 #

Lindo! nos matou de saudades.


Jane Sá on 10 setembro, 2012 at 22:41 #

Aí que saudades da minha infância, não em Rodelas mas no Município, Tapera da Boa Esperança, o nosso rio, as árvores e tudo me faz voltar aquele lugar tão especial e inesquecível da minha adorada infância….


Geraldinho on 11 setembro, 2012 at 20:16 #

Como é bom lembrar da nossa velha cidade, rio maravilhoso e as pedrinhas, só boas lembranças.


João Bosco Soares dos Santos on 19 setembro, 2012 at 14:30 #

BELEZA…BELEZA JÂNIO. LÍ, RELÍ, TRELI… DESDE 2010 E CADA VEZ QUE O FAÇO FABRICO MAIS EMOÇÕES E AS COLOCO NO BAÚ DAS MINHAS NOSTALGIAS E AMPLIO MEU RIO DE SAUDADES NUM CRESCENTE ENCADEAMENTO DE LEMBRANÇAS INAPAGÁVEIS PORQUE ELAS SE CALDEIAM EM NOVAS ENERGIAS.


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