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Viva o amor!. Viva Helena e Glauber que viveram na Salvador dos anos 50 uma das páginas mais belas e dramáticas desse sentimento.

Bahia em Pauta aproveita ainda e agradece a sugestão do jornalista Claudio Leal para reprodução no Bahia em Pauta da carta apaixonada de Helena para Glauber, publicada no caderno Ilustrissima, da Folha de São Paulo.

BOA TARDE!!!

( Vitor Hugo Soares)

dez
07



Glauber e Helena:paixão que abalou Salvador

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DEU NA FOLHA ( CADERNO ILUSTRÍSSIMA)

ARQUIVO ABERTO

MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

Carta para Glauber

Salvador, 1959

HELENA IGNEZ

“GLAUBELENA” está escrito no convite do nosso casamento, em 30 de junho de 1959. Escolhemos a igreja de Nosso Senhor dos Aflitos, em Salvador, para oficializar de maneira católica a nossa relação amorosa. Você, de formação protestante como toda a sua família materna, sertaneja [de Vitória da Conquista, na Bahia], recebeu o batismo católico escondido de sua mãe uma semana antes do casamento, tendo a minha prima Aldair como madrinha.
Morávamos com nossas famílias nos Barris, quase vizinhos, na mesma rua General Labatut, eu no número cinco e você no 15, sem eu lhe conhecer e você me conhecendo de vista e de nome pelos estudantes que moravam na pensão de dona Lúcia, sua mãe querida, na mesma rua, no número 14, que ficava em frente à minha casa.

Eu lhe conheci no dia do seu aniversário, 14 de março, meu primeiro dia de aula na Faculdade de Direito. Assim o conheci nesse 14 de março, que também era aniversário de Castro Alves [1847-71]. Você estava no auditório da faculdade. Olhamo-nos logo que entrei, você no palco, e sorrimos um para o outro. Já tinha tido muitos namorados, mas o que senti naquele momento era diferente de tudo.

Naquele mesmo dia, na troca de olhares e sorrisos de cumplicidade inesquecível, voltamos juntos a pé da faculdade para nossas casas pela Ladeira do Salete, conversando e rindo juntos, você surpreendido de eu já ter lido muito. Você me falou em Clarice Lispector e me deu um livro, “O Lustre”, e me disse de cara que, nesse dia comum de aniversário seu e de Castro Alves, você iria morrer aos 42 anos, data inversa à do poeta, morto aos 24.

Além de intrigada e surpreendida, me apaixonei por você, menino da minha idade, muito diferente dos meus ex-namorados, você que não tinha carro e não dirigia, que era da minha altura, diferente em tudo.

Juntos começamos a circular por Salvador com certo escândalo, numa cidade preconceituosa e racista. Você usando calça de elástico na cintura, tipo pijama, que só você usava na rua, muito baixa, quase na virilha, com jaleco de cangaceiro e alpargatas. Eu, menina Audrey Hepburn, bonequinha de luxo andando na sua frente e você atrás com seu grupo de amigos que por nada se separava de você, mesmo quando estava comigo. De alguns, gostava muito: Paulo Gil [Soares], que escreveu o poema “Glaubelena” no convite de nosso casamento, Luiz Paulino [dos Santos], que tinha filmado “Um Dia na Rampa”, e Joca [João Carlos Teixeira Gomes], que se tornou seu biógrafo [autor de “Glauber Rocha – Esse Vulcão”, Nova Fronteira].

Você, líder absoluto, era adorado pelo grupo que tinha um certo ciúme do nosso namoro.
Aos 18 anos, você era a grande vedete literária da Bahia e foi com essa designação que consegui apoio financeiro do banqueiro Pamphilo de Carvalho para produzir o curta-metragem “O Pátio”, nosso primeiro filme.

Nessa época, eu lhe chamava de Binho (Glaubinho) e você me chamava de Binha. No casamento, tivemos quatro padrinhos -Jorge Amado e Zélia Gattai, o famoso tapeceiro Genaro de Carvalho e sua mulher Nair- e inúmeras testemunhas no civil, todas artistas de primeira grandeza, como o escultor Mario Cravo, o artista plástico Sante Scaldaferi e nossos inúmeros amigos e amigas que mais tarde tornaram-se figuras proeminentes de Salvador, como o João Ubaldo Ribeiro.

Nesse dia, tive um presságio como uma sombra por trás da leve alegria. O casamento que não conseguiria destruir o profundo afeto e afinidade entre nós terminaria com um grande escândalo, com dolorosas consequências.

Aconteceu. Antes disso, quando nasceu nossa filha Paloma, você me escreveu este poema:

“Num chora Binhasinha
Chorar é pra Palominha
Binho aminho você
Sorrisa Lena, alegre coca
E tatasinhos rubros –
moranguinhos de xuca
E beijinhos.
Binhoso Osa.”

Saudades de você.

Dessa companheira marginal e eterna.

dez
07

DEU NO COMUNIQUE-SE (portal especializado em notícias de bastidores da imprensa))

Izabela Vasconcelos

Os confrontos entre traficantes e policiais no Rio de Janeiro, durante a última semana, ocuparam boa parte das páginas dos jornais, revistas e espaço nas emissoras de televisão e rádio. No entanto, para o antropólogo Edilson Almeida da Silva, autor do livro Notícias da violência urbana: um estudo antropológico (Editora UFF), apesar do conflito não poder ser negligenciado, a cobertura jornalística cometeu excessos e tratou o assunto de uma forma simplista.

“Apesar de ser um grande conflito, há certa espetacularização do problema. É tratado de uma maneira maniqueísta, como mocinhos e bandidos. Apenas dois lados se contrapondo é uma forma simplista”, define o pesquisador do Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (INCT-InEAC), da Universidade Federal Fluminense.

Para ele, a cobertura da violência no Rio de Janeiro cresceu ao longo dos anos porque passou a atingir classes que antes não se sentiam fragilizadas. “A violência se difundiu para segmentos da sociedade que antes se consideravam mais afastados da violência, e agora se sentem sensíveis. Isso mobiliza a cobertura”, avalia.

Divulgar os suspeitos
Segundo ele, até pouco tempo a mídia adotou uma postura satisfatória ao evitar noticiar nomes de bandidos e facções, mas com o recente conflito, voltou a identificar os criminosos. “Para poder apoiar a ação das UPPs, eles acabam fazendo o que eles tinham evitado, usar os nomes dos bandidos, o que acaba dando um espaço que os criminosos não merecem”.

Silva também afirma que a mídia filtrou entrevistas e trouxe muitos relatos, mas alguns deles não refletiam a fiel realidade. “Os jornalistas fazem filtragens das pessoas da comunidade, dos moradores, mostram muitos felizes, mas nem sempre reflete o que todos estão sentindo”.

Destaque no Brasil e nos EUA
Durante o conflito, a Globo chegou a transmitir mais de cinco horas ininterruptas do confronto. A Record fez o mesmo por mais de duas horas. A semana do conflito também ilustrou, por dias, as manchetes de jornais, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo. A equipe do jornal Extra fez transmissões por twitcam e criou uma página no Twitter exclusiva para a cobertura.

O jornal The New York Times chegou a afirmar que a mídia nacional conseguiu “cativar” os brasileiros para a cobertura do confronto como em nenhum outro evento desde a Copa do Mundo da África do Sul.

dez
07

Marina: “erro na formulação”

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OPINIÃO POLÍTICA

Rejeição ao aborto cresceu

Ivan de Carvalho

Vêm sendo feitas há tempo pesquisas sobre a opinião dos brasileiros a respeito do aborto e da proposta de sua descriminalização, vale dizer, a supressão do dispositivo do Código Penal Brasileiro que tipifica e pune esse crime. Como se sabe, o Código contempla duas situações que, uma vez comprovadas, excluem o caráter criminoso do aborto – são o caso em que não interromper a gravidez ponha em grave risco a vida da mãe e o caso de gravidez decorrente de estupro.

As pesquisas realizadas no passado, inclusive pelo Instituto Vox Populi, verificaram, pelo método de amostragem – que é o usado nessas pesquisas de opinião pública e nas pesquisas eleitorais – que é muito forte a maioria da população contrária a mudanças ou quaisquer iniciativas visando a mudar o que a legislação atual estabelece.

“Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, na constatação genial do ex-presidente nacional do PT, ex-deputado José Genoíno. Uma coisa é ser contra mudança na lei. Outra coisa, mais radical, é ser contra iniciativas que visem a eventuais mudanças na legislação.

Pesquisa Vox Populi de 2007 já mostrava que é fortemente majoritária a posição de que a Presidência da República não deve enviar ao Congresso proposta que descriminalize ou mesmo atenue, mudando de qualquer forma, as atuais disposições do Código Penal.

Dentro dessa opinião amplamente majoritária de que não deve ser tomada iniciativa visando a possíveis mudanças, essa maioria, se for consultada com perguntas claras, creio que rejeitaria inclusive a criativa maneira pela qual a senadora e ex-candidata a presidente pelo PV, Marina Silva, encontrou para manter sua posição contrária ao aborto e, ao mesmo tempo, não atrair a rejeição, para sua candidatura, de uma estreita faixa do eleitorado favorável ao aborto – uma faixa que em boa parte poderia votar nela por outros motivos.

A maneira criativa de Marina para desviar-se da cruz e da caldeirinha foi a idéia de que, embora pessoalmente contrária ao aborto, reconhece que existe aí uma questão social e admitiria, portanto, que a decisão sobre a descriminalização ou não fosse submetida a um plebiscito.

A mim parece que Marina errou na formulação: se ela é contra, tinha de dizer ao eleitor que é contra e trabalharia sempre contra a descriminalização, inclusive vetando eventual decisão do Congresso que liberasse o aborto. O Congresso que tratasse de derrubar o veto. Ela entraria na luta para vencer ou perder, mas lutaria pelo que está convicta de ser correto.

Pesquisa do Instituto Vox Populi e do portal de internet iG, divulgada no domingo, abordando três temas, um deles o aborto, mostra que se um plebiscito sobre a descriminalização do aborto fosse realizado agora, 82 por cento da população (representada na pesquisa pelos eleitores, que são os que votariam em um plebiscito) optariam pela permanência do aborto como crime, com as duas exceções legais já citadas. Claro que um plebiscito seria precedido por campanhas pró e contra e muitos eleitores poderiam mudar de opinião.

De qualquer modo, no Brasil, a rejeição à liberação do aborto só tem aumentado. O percentual de 82 por cento é sensivelmente superior ao de pesquisas mais antigas, como a de 2007, do mesmo instituto. Talvez a intensificação do debate sobre o tema, a partir de 2009 e sobretudo durante a campanha eleitoral – com destaque maior na campanha para o segundo turno da eleição presidencial – hajam aumentado a rejeição à descriminalização proposta no programa do PT e defendida por Dilma Rousseff, em entrevistas em duas ocasiões, em 2009.

Na campanha para o segundo turno, ela se comprometeu por escrito, em documento dirigido a lideranças evangélicas, a não propor a descriminalização, mas ao contrário do que esperavam essas lideranças, o documento veio sem a esperada confirmação escrita da promessa de veto em caso de aprovação da liberação do aborto pelo Congresso.

dez
07
Posted on 07-12-2010
Filed Under (Charges) by vitor on 07-12-2010


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Aroeira, jornal O DIA (RJ)

Assange: “perseguido por “elite corrupta”

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O fundador do polêmico portal Wikileaks, Julian Assange, foi detido pela polícia britânica nesta terça-feira, mas um porta-voz do site já garantiu que esta detenção não vai alterar os planos da publicação de documentos.

Esta detenção é o primeiro passo de uma “batalha judicial” que promete ser longa e complicada, uma vez que, os advogados de Julian Assange garantem estar determinados em evitar a extradição do australiano mais detestado pela Casa Branca.

Isto porque os advogados do fundador da Wikileaks acreditam que uma eventual extradição para a Suécia seria a alavanca necessária para que Julian Assange fosse entregue aos tribunais norte-americanos por causa da divulgação de documentos secretos.

Na noite passada, em declarações à BBC, Mark Stephens, um dos advogados, garantiu que a Justiça pretende apenas questionar Julian Assange, assegurando que ele não é acusado de nada. Mark Stephens anunciou também estar a tratar dos preparativos para uma apresentação voluntária à polícia.

Um comunicado das autoridades britânicas diz que Julian Assange será ouvido esta tarde pelo Tribunal de Westminster. Em causa está um processo na Suécia por alegados crimes sexuais, que deu origem ao mandado de captura., definido por Assange como «um ataque pessoal».

Declarações do fundador da Wikileaks apresentadas num vídeo de Outubro que está hoje na manchete do El País.

Nestas declarações, Julian Assange diz que os meses de Setembro e Outubro foram os mais difíceis para a organização, sublinhando também a morte de duas pessoas que colaboravam com o Wikileaks.
Cristina Santos

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