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Postado em 02-12-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 02-12-2010 09:58

Temer com Dilme:como fica o vice?

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OPINIÃO POLÍTICA

Vice de brinquedo

Ivan de Carvalho

A notícia está mui discretamente rolando pelos jornais, sites e blogs há vários dias, mas foram duas notas publicadas na colina do jornalista e amigo Alex Ferraz, na Tribuna da Bahia, que me convenceram a abordar o assunto. Menos pelo conteúdo das notas, que não chega a ser notícia em primeira mão, mas pelo verdadeiro e, convenhamos, impiedoso título escolhido para ambas: “Um golpe em Temer?”.
Ah, sim, já que o título foi posto, talvez ironicamente, em forma de pergunta, cumpre responder e a resposta é, evidentemente, afirmativa: trata-se realmente de um golpe contra Temer. O que causa certa admiração é o PMDB temer (veja aí, Alex, você perdeu esse trocadilho) manifestar inconformismo com o golpe que lhe está sendo aplicado.
É bem verdade que o PMDB está em pleno exercício de sua nova aptidão de engolir sapos, uns atrás dos outros. Isso já ocorrera na fase final da campanha para o primeiro turno das eleições. Agora, a aptidão de engolir sapos sem estrilar se aprofunda. Primeiro, a questão da alternância da presidência da Câmara dos Deputados, exigida pelo PMDB como uma retribuição à concessão feita ao PT na Legislatura passada.
O PT ainda não assinou o acordo e o PMDB, a essa altura já cansado de desconversas, faz questão da assinatura do PT no papel, como, aliás, procedeu o PMDB na Legislatura anterior. Mas, por enquanto, pelo menos, o PT está dando uma de Tiririca, como se não soubesse assinar o nome.
Em outra frente, de grande importância, acontece o absurdo político-fisiológico. No quatriênio anterior, o PMDB, com instituição e também por sua bancada na Câmara, não participou da coligação que reelegeu Lula em 2006. Tornou-se aliado formal e em quase toda sua inteireza como partido aderente após as eleições. E teve amplo espaço no governo.
Pois agora, quando integrou a coligação de apoio a Dilma Rousseff e deu inteiramente sua estrutura e capilaridade, além de seu tempo em televisão e rádio, para a candidata a presidente do PT se eleger com o presidente do PMDB como seu companheiro de chapa e uma espécie de “avalista” junto a setores empresariais e outros setores conservadores ou simplesmente desconfiados, aí as primeiras tratativas para formação do governo apontam para uma perda expressiva de espaço sob controle peemedebista.
E é nesse contexto tão desagradável que medra uma proposta de Emenda Constitucional que subtrai do vice-presidente da República a atribuição de suceder ao presidente no caso de vacância do cargo. De acordo com a PEC, Temer e todos os vices depois dele serão apenas eventuais substitutos temporários do (da) presidente. Se o presidente fica definitivamente impedido de exercer o mandato antes que este chegue à metade, assume o vice e tem que convocar eleições a se realizarem no prazo máximo de 90 dias. Caso o mandato do titular já esteja além da metade, o Congresso elegerá o sucessor (escanteando, também desta forma, o vice eleito na chapa votada pelo eleitorado do país.
Atualmente (como lembra Alex Ferraz), o vice sucede o (a) presidente em caso de morte, impeachment ou doença gravíssima (incapacitante). Ninguém está livre do imprevisto (Alex lembra Tancredo-Sarney e Collor-Itamar). Outros, a exemplo de Deodoro e Getúlio, também poderiam ser lembrados. E também vale lembrar, como sabe toda a nação, que a presidente eleita teve um câncer agressivo, tratado logo no início e declarado curado. Mas se Dilma, eventualmente, não puder concluir seu mandato, trata o PT de garantir que o PMDB não chegue à presidência. Haveria uma nova eleição e Lula… Ora, não interessa, felizmente os médicos garantem que Dilma está muito bem e não há o que temer. Nem haverá Temer.

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Comentários

marco lino on 2 dezembro, 2010 at 17:16 #

E quem está conspirando para Lula voltar?! O DEM!!!

Só faltava essa, diria minha velha mãe.

Do portal Terra:

Relator da PEC e presidente da CCJ (além de autor do substitutivo aprovado), o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) rebate as críticas questionando: “qual a importância do vice” para o Brasil? “Ele já não tem importância nenhuma. O que queremos é que ele assuma o cargo só até outro presidente ser eleito. Hoje o vice é sucessor, queremos que seja um substituto, não queremos que termine o mandato”.


Ivan de Carvalho on 2 dezembro, 2010 at 19:11 #

O senador do DEM é apenas relator. E concorda com a PEC que castra o vice pois, tendo o DEM perdido a última eleição presidencial, como integrante de uma coligação, gostaria de ter uma nova eleição antes da data prevista – uma nova chance.
Mas o grande interessado é mesmo o PT – sentiria todas as torturas do Inferno se o “mordomo”, por algum motivo, por azares da sorte, viesse a suceder a petista Dilma.


marco lino on 2 dezembro, 2010 at 20:51 #

Pois é,

o autor é o ainda senador Arthur Virgílio, do PSDB.

Ou seja, para quem duvidava que política é o diabo, taí: DEM, PSDB e PT estão irmanados contra o PMDB velho de guerra.


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