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João Santana: “campanha de direita”

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DEU NA FOLHA.COM

MATHEUS MAGENTA

DE SALVADOR

O marqueteiro responsável pela campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT), João Santana, afirmou na noite desta quarta-feira em palestra em Salvador que a campanha do rival José Serra (PSDB) abordou de maneira “hipócrita, sórdida e absurda” a participação da petista na luta armada durante o regime militar.

Segundo Santana, Dilma se favoreceu na campanha nesse aspecto porque a luta armada representa no país “um quê de ato heroico e de coragem”.

Ele criticou ainda a “campanha filha da puta da direita” na internet que tentou relacionar Dilma à legalização do aborto e à “blasfêmia aliada à soberba”, ao atribuir falsamente à petista uma declaração de que nem Deus tiraria a vitória dela.

Realizada num bar de Salvador, a palestra começou por volta das 22h30 (horário de Brasília) e reuniu quase cem pessoas do mercado publicitário ao longo de uma hora e meia.

Parte da palestra foi baseada em uma pesquisa feita em agosto do ano passado. Segundo ele, os preceitos básicos captados por ela se mantiveram durante toda a eleição.

Nessa época, a imagem de Dilma era “fortemente relacionada” ao câncer linfático e à participação na luta armada no período do regime militar.

A maior preocupação da campanha petista nessa época era tentar desvincular a imagem de Serra à continuidade do governo Lula.

“Por muito pouco esse desejo de continuidade poderia ter passado ao Serra. Se ele tivesse dado mais atenção a isso, as coisas poderiam ter sido diferentes”, afirmou.

Para o marqueteiro, os dois grandes erros de Serra foram o de não conseguir consolidar o discurso de continuidade e de “tentar se misturar biograficamente com Lula” durante a campanha.

Santana falou também que o escândalo envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, que sucedeu Dilma na Casa Civil, afetou a estratégia da campanha de fortalecer a imagem da pasta.

“A gente reforçou até de forma exagerada, confesso, a importância da Casa Civil. Daí veio o caso Erenice e tudo foi afetado”, disse.
Para ele, o governo federal foi “pouco ágil” para dar respostas à sociedade sobre o caso. Guerra deixou o governo em setembro deste ano após ser acusada de participação num esquema de lobby dentro do ministério.

Sobre o segundo turno, o marqueteiro disse que o voto na candidata à Presidência Marina Silva (PV) foi uma espécie de “castigo carinhoso” do eleitorado para adiar a escolha do presidente.

CAMPANHA

Durante a palestra, ele falou sobre as estratégias de campanha baseadas em pesquisas e estudos e chegou a dizer que a figura do marqueteiro é um “dinossauro em extinção”, que deve ser substituído no futuro por um grupo de especialistas.

Santana relatou também que defendeu o uso do termo presidenta, em vez de presidente, durante a campanha. Mas ele desistiu da estratégia “contra a própria vontade” para não provocar “marola” na campanha da petista.

As duas formas são corretas, mas a Folha adotou o termo presidente como padrão.

Ele relatou ainda que enfrentou resistências internas de feministas por causa da estratégia de construir a imagem de Dilma em torno da figura materna.

Santana cometeu um ato falho, ao trocar “mãe guerreira” por “mãe guerrilheira”, e arrancou risos da plateia.

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Comentários

danilo on 2 dezembro, 2010 at 20:03 #

conta outra, Patinhas. ambos os lados fizeram campanha “hipócrita, sórdida e absurda”. por exemplo, a maneira pela qual Lulla participou na campanha passando por cima de leis, ridicularizando estâncias da Justiça Eleitoral, satanizando adversários, extrapolando suas funções enquanto presidente.

conta outra, Patinhas. essa sua conversa engana os trouxas. não tô comendo nada desse reggae.


inacio gomes on 3 dezembro, 2010 at 11:44 #

Patinhas: ter participado da luta armada contra a ditadura de 64 foi um equivoco a que foram levados, os estudantes e todos que combatiam a ditadura nos partidos poloticos ; na OAB; em alguns setores expressivos da Igreja, na imprensa e em outros segmentos sociais. A ditadura com o A-5 aboliu o espaço legal para a oposição. Alguns, equivocadamente, optaram pela luta armada. Muitos pagaram preço selvagem do pau de arara ; a execuçção sumaria ; nos suicidios suspeitos; nos desaparecidos. Defendí alguns deles, deixando claro para os mesmos que não acreditava do exito da luta armada no Brasil não negando, contudo, a outros povos em outras condições historicas diferenciada da nossa o direito dela se utilizarem contra as ditaduras a que estivessem submetidos. Equivoco , assim, que respeitamos. Negar tenha dela participado da luta armada ,especioalmente quando os autos do processo referente a tal participaçao, foram a requerimento da Folha de São Paulo , liberados há poucos dias pelo STM .a A negativa só me leva a uma conclusão: não posso acreditar que a candidata de ontem venha cumprir os compromissos assumidos em praça publica , quando vimos por interesse politico de apagar a imagem de guerrillheira especialmente durante a campanha eleitoral, nega sua historia . Equivocada. Corajosa, contudo. Por isso mesmo, respeitadada até pelos que do processo discordaram.
Nunca ouvi da Presidente uma palavras de condenação á tortura de 64 nem nenhum compromisso de punir exemplarmente os que continuam torturando ” suspeito” de pequenos delitos, se pobres ( brancos ou pretos). È por isso que , Alemanha, Israel, Argentina, Chile e outros paises continuam prendendo, julgando e condenando os torturados de suas ditaduras e do holocausto. No Brasil , repito o que já disse antes, a negociação pela eleição indireta e fim nominal da ditadura concedeu anistia politica até a torturador.


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