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Presença militar no Rio reforça
pressão para Jobim ficar na Defesa

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ARTIGO DA SEMANA

LOBISTAS EM AÇÃO

Vitor Hugo Soares

No andar de cima, nos escalões médios e nos porões da sociedade brasileira (a deduzir pelas imagens projetadas do Rio de Janeiro para o Brasil e o mundo esta semana) ganha corpo uma onda de “lobbies” em intensidade raramente registrada na história deste País, para ficar na expressão do presidente que se despede.

A ofensiva em curso – do Rio a São Paulo, de Minas à Bahia, de Pernambuco ao Ceará e por aí vai até o Rio Grande do Sul e outros rincões – tem diferentes formas e métodos, mais ou menos recomendáveis moralmente. Revelam aparentemente, no entanto, um mesmo objetivo principal: pressionar a presidente que chega, Dilma Rousseff, na hora das escolhas dos nomes para compor o primeiro escalão de seu governo.

O que deveria teoricamente ser algo simples e natural, dentro do jogo democrático e republicano, tão em voga nas citações retóricas , vira a guerra de foice como a que se instalou há semanas, na fase crucial da transição de poder. Jogo mais ou menos às claras para quem tiver olhos de ver, ou submerso e camuflado, a ponto de ser preciso um desses óculos que permitem enxergar na escuridão em conflitos bélicos, agora usados também no combate ao crime organizado nas favelas cariocas.

Em princípio, não é muito difícil compreender as razões da pressão e do tumulto. Afinal chegou um dos momentos mais aguardados por todos os lobistas de dentro e de fora do país. A hora da divisão dos cargos entre os vencedores. O bolo de chocolate da festa, repartido na escolha dos componentes do primeiro escalão, dos ministros das mais desejadas pastas, de presidentes de cobiçadas estatais, ou diretores das mais suculentas autarquias com seus respectivos e recheados orçamentos.

É este, também, o momento da indicação mais nítida e reveladora, do lado para o qual o novo poder que se instala penderá de fato, além da retórica dos palanques. E de suas tendências mais evidentes. Por exemplo, a implantação definitiva “e pra valer” das chamadas Unidades de Política Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro, como emblema da política de combate ao crime organizado e à violência, que a petista Dilma Rousseff prometeu espalhar pelo país uma vez eleita.

É chegada, portanto, a hora da pressão em defesa de interesses os mais diversos. A hora de Macunaíma, do “cada um por si e Deus contra”. Em síntese, é hora do “lobby”, que por esta banda de baixo da linha do Equador, em geral, “é associada com corrupção, conversas escusas e tráfico de influencia”, como resumiu o Brasil Econômico em editorial.

A temporada lobista que promete como nunca, diga-se a bem da verdade, não começou nos conflitos dos morros e áreas mais pobres e largadas à própria sorte há décadas no Rio de Janeiro. Não se iniciou com esta espécie de Tropa de Elite em terceira dimensão que se tem visto nas transmissões e noticiários das nossas principais redes de televisão nos últimos dias.

Olhando bem se verá que tudo começou no andar de cima da sociedade e com imagens bem menos chocantes. Praticamente ao mesmo tempo em que a presidente eleita fazia os primeiros movimentos na direção da escolha de seus principais auxiliares no governo.

Isso, dias depois da escolhida sucessora de Lula ter, em vão, buscado recolhimento e repouso na mansão de beira de praia na Bahia, após sair de uma das mais selvagens e desgastantes campanhas eleitorais já vistas no país.

Por indicação do amigo e ex-ministro da Justiça Thomas Bastos, segundo se publicou então, a presidente foi acolhida na mansão de obscuro empresário, na paradisíaca Itacaré, costa do cacau e do dendê, no sul do Estado.Território pontilhado de outras mansões e soberbos “resorts” que hospedam parte expressiva do PIB nacional em férias ou descanso de fins de semana e feriados. Um paraiso dos lobbies, digamos assim.

Aliados mais próximos sussurram que Dilma, cercada de empresários, câmeras fotográficas e de TVs por todos os lados, não demorou a perceber o “equívoco” cometido e tratou de bater em retirada bem antes do tempo previsto, voando para o sossego da casa da filha, em Porto Alegre. Depois viajou para a Coréia do Sul, compondo a comitiva do presidente Lula na cúpula recente do G-20, que praticamente resultou em nada, a não ser sinalizar para o “mercado”, sempre soberano, a continuidade de Guido Mantega no Ministério da Fazenda de seu governo.

Depois vieram as confirmações de Alexandre Tombini, no BC, Miriam Belchior, no Planejamento e, por último, Antonio Palocci , que irá para o “olho do furacão” na Casa Civil. Todos eles do chamado “andar superior”. Na órbita do novo poder que se instala – querendo entrar ou mandando claros avisos de que não aceitam ser ignorados – circulam , com mais ou menos fome, muitos satélites. Ou mais concretamente, raposas e capivaras de um leque de interesses difícil de saciar integralmente, por qualquer governo. Haja lobby.

O Rio de Janeiro destes dias que o diga.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail; vitor_soares1@ terra.com.br

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Comentários

marco lino on 27 novembro, 2010 at 9:04 #

Qual o lobby mais pernicioso, o da cobertura ou o do térreo?

Sérias dúvidas.


luiz alfredo motta fontana on 27 novembro, 2010 at 9:13 #

“Inocentes” úteis

Caro VHS

Este comentário merece uma dose de antivírus, especialmente contra o tal vírus “moderandis infectitatis forma especialis pautatis” que costuma encapsular meus comentários.

Dona Dilma é, será sempre, ao que indica seus primeiros atos, a preferida, indicada, guindada, e eleita por Lula.

A ele tudo deve e a ele dedica servidão eterna, sob o manto delicado e aceitável de gratidão.

Assim, Mantega, Palloci, o nunca explicado Marco Antônio “top top” Garcia, Miriam Belchior, cuja indicação anterior para a Casa Civil, foi preterida por Dilma, resultando no desastre Erenice, além de Haddad, ao que parece, e outros assemelhados, são de inteira responsabilidade de Lula.

Claro, que também atendem aos lobbys, especialmente, o que realmente importa,o sistema financeiro, avalista, tutor e juiz dos últimos governos, agindo escancaradamente desde Itamar, passando por FHC, e atingindo o máximo de conforto sob a égide lulista.

A importância dada pelas redações às pequenas intrigas palacianas, como se delas derivassem a pajelança, é produto típico de um jornalismo de celebridades, recheado de fotos exclusivas, ricos em detalhes quanto aos encontros furtivos, ou não, dos personagens, e pobre quanto à informação sobre os que as sustentam e alimentam. Revelando-se a cada dia estrábico no olhar e autista no compreender.

Acrescente-se, para espancar de vez qualquer delírio de interpretação sobre o triste cenário, que a campanha transcorreu sem nenhuma alusão, quer da situação, quer da oposição, a qualquer, por menor que fosse, mudança no comportamento submisso de nossa economia e seus executores, face aos interesses do sistema financeiro. Todos estiveram cientes, e calados permaneceram, sobre a continuidade do jugo dos “Meninos do Copom”, seja lá o que for que representam, embora as pistas sejam gritantes.

Assim, resta a especulação sobre os periféricos, representados pelos que percorrem corredores de mãos em súplicas, como Mercadantes, Genoínos, Dutras, Savattis, entre tantos.

Ao lado, e em pleno conforto, Renans, Sarneys, Jucás, reajustam os preços das “porções de governabilidade” tão a gosto da corte.

Tim tim

“Em tempo:

Guardarei uma cópia em caso de ataque viral”


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