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Postado em 19-11-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 19-11-2010 09:58

Aleluia sopra o trombone da oposição

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OPINIÃO POLÍTICA

Novas linhas de ataque da oposição

Ivan de Carvalho

Pela segunda vez depois da fácil reeleição do governador Jaques Wagner em primeiro turno – enfrentando vários candidatos, dentre eles o ex-governador Paulo Souto, do Democratas e o deputado e ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, do PMDB – a oposição encontrou fatos novos para atacar o governo baiano.

Fatos anteriores ou permanentes não são raros. É o caso da violência e da criminalidade que, esteja ou não o governo fazendo os esforços anunciados, continua fora de controle. Ou da educação, cuja qualidade do ensino público, no grau sob responsabilidade legal do estado (ensino do segundo grau), continua péssimo. Aliás, a mesma qualidade pode ser atribuída ao ensino fundamental, de responsabilidade dos municípios.

Não é um fenômeno exclusivamente baiano, pois atinge quase todo o território nacional, devendo-se aí ressalvar os três Estados da região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e talvez São Paulo. Não que estejam os ensinos fundamental e de segundo grau desses estados às mil maravilhas – e em São Paulo as deficiências são maiores que nos três estados sulinos. Mas no restante do país é uma vergonha e a Bahia não foge à regra. É certo que o atual governo estadual já encontrou uma situação crítica no setor, mas também é certo que ela continuou assim nos últimos quatro anos.

Também é crítica, mais do que isto, um desastre – já era há vários anos e continua cada vez pior – a situação no setor público de saúde. Isso também ocorre na maior parte do Brasil, embora de forma bastante atenuada (se comparamos, por exemplo, ao Nordeste) em São Paulo e nos três Estados do Sul.

Mas citei os setores da segurança, da educação e da saúde para mostrar que motivos para críticas contínuas não têm faltado desde sempre à oposição, inclusive nos tempos em que o PT, hoje no governo, era oposição. Vamos, no entanto, aos dois fatos novos a que me referi.

Um deles mereceu (creio que mereceu mesmo) críticas, recentemente, e convém que a oposição continue atenta ao assunto, pois se o governador Wagner tem atuado como um democrata, seu partido e aliados têm setores que se pautam pela democracia e outros, muito influentes, que não têm em conta a democracia como um valor relevante, e sim como instrumento a ser eventualmente usado, se convém, para atingir outros objetivos.

Daí que a oposição cumpriu seu papel – e não deve abandoná-lo – quando atacou os estudos oficiais visando à criação de um Conselho Estadual de Comunicação, destinado a monitorar a mídia e tomar outras providências. Providências que são como já foram no passado as CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito): sabia-se como começavam, mas nunca se sabia como terminariam.

Ontem, a oposição encontrou uma nova motivação para atacar. E o ataque veio pelas vozes do deputado estadual João Carlos Bacelar, do PTN e dos democratas deputados ACM Jr. e José Carlos Aleluia, este vice-presidente nacional do DEM. Criticaram o fato de a Bahia haver caído, segundo o IBGE, da sexta para a sétima posição em termos de Produto Interno Bruto (tamanho da economia) entre os Estados brasileiros. Foi superada por Santa Catarina, que vinha ensaiando a ultrapassagem há algum tempo. Em um tempo mais remoto, ninguém imaginaria que isso pudesse acontecer. Aliás, segundo Aleluia, parafraseando o presidente Lula, “nunca antes na história deste país a economia baiana ficou atrás da economia de Santa Catarina”.
Aleluia aconselha cuidado para não ser a Bahia ultrapassada no próximo quatriênio também por Pernambuco e Ceará.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 19 novembro, 2010 at 10:32 #

Velha oposição, velhíssimas queixas, nenhum alento

Qual a novidade em termos de oposição?

Qual a política alternativa proposta pelos opositores de hoje, situacionistas de ontém?

Saúde, educação, e a nem sempre lembrada segurança, são crônicas em suas deficiências.

O modelo econômico, tão a gosto da oposição, e da situação, ignora estes aspectos, o que vale é bola na rede, ou seja juros no mercado financeiro.

Comparar a tragédia nordestina com o inferno sulista, ou a derrocada do ensino paulista com a bancarrota do correspondente nordestino, é digno de tese acadêmica e autista. Afinal gemidos não fazem bem aos ouvidos educados e eruditos.

Não existe economia, e muito menos economistas, regionais, todos bebem da cacimba do pensamento únco. Também não pertine ao mundo real perspectivas de avanço nos serviços ditos públicos. De universal e sagrado apenas a monstruosidade das filas, a espera pelo dia de São Nunca, e as promessas do “benvirá”.

A opsição de hoje, na Bahia, como no país, é a situação de ontém, tão louvada e imitada pelos condutores da política econõmica de hoje.

Afora a inutilidade de criar-se do nada alguns mitos, como por exemplo, Adib Jatene, aquele que posou de Ministro da Saúde e só concebeu a CPMF, que tanta saudade causa ao Lula. Adib, que em árabe significa “o instruído’, é a tradução do engodo na administração pública, a midiática arte de fingir resolver um problema para perpetuar sequelas.

Quanto à classificação neste desfile de atrasos, pode até ocupar mentes e laudas, mas não altera um mínimo o desconforto de ser cidadão em qualquer destas ineficientes e onerosas unidades da federação.


marco lino on 19 novembro, 2010 at 16:55 #

Claro que um bom(?) religioso diz amém a qualquer Aleluia. Eu não.

Há uns dois anos, fazendo resenha de um texto de um professor que defende a tese (muitos defendem) que ACM modernizou e industrializou a Bahia, disse que um dos legados dos 30 anos carlistas era um IDH semelhante ao de Alagoas e Maranhão, além de disputar com Santa Catarina a 7ª posição na economia – e não a 5ª com o Paraná.

Certamente a crise de 2008 tem muito a ver com este dado – queda do PIB. Mas o Armando Avena (insuspeito, não?) tece informações mais precisas. Segue:

“O PIB DA BAHIA E A REFORMA DO SECRETARIADO

A queda do PIB baiano no ranking nacional do Produto Interno Bruto (PIB) de 6º para 7º lugar, em 2008, cedendo lugar a Santa Catarina é um fato pontual, mas é também um aviso ao governo no sentido de que a Bahia precisa fortalecer urgentemente sua infraestrutura para que o ponto fora da curva não se torne uma tendência.

O que aconteceu em 2008 foi um fato extemporâneo: a crise financeira mundial deprimiu os preços das commodities e enquanto a economia baiana é fortemente concentrada nesses produtos – petroquímicos, celulose e derivados de petróleo, cobre, soja, cacau, algodão, etc – a economia de Santa Catarina está fundada nos têxteis, artigos de madeira e produtos eletroeletrônicos que não foram afetados. Além disso, em 2008, a elevação de 33% do preço internacional do barril de petróleo derrubou o crescimento do segmento de refino de petróleo e coque que representa quase 1/3 da indústria baiana.

Isso explica a queda pontual do PIB no ranking e tudo indica que a economia baiana já recuperou, em 2010, sua posição de sexta economia nacional. Mas isso não esconde o fato de que a economia santacatarinense está cada vez mais próxima e que se a Bahia não agilizar as obras de infra-estrutura , especialmente do complexo portuário, ferroviário e rodoviário, pode perder a posição de forma definitiva.

Nesse sentido, cabe alertar que a estratégia montada pelo governo Wagner na área de infraestrutura é correta, mas que falta gerenciamento e coordenação e o governador precisa resolver esse gargalo na reforma do secretariado, colocando técnicos e gerentes competentes para gerir seu programa de governo.

Além disso, precisa montar uma política inovadora e ágil de atração de investimentos e mudar rapidamente a estrutura da Secretária de Indústria e Comércio, da Secretaria de Ciência e Tecnologia e da Secretaria de Meio Ambiente, as áreas mais frágeis do governo. A Secretaria do Planejamento também perdeu muito de sua função de coordenação com a saída do deputado Walter Pinheiro.

Em suma, a Bahia vai continuar sendo a 6ª economia do país, mas o governador Wagner precisa com urgência de gerentes capazes de por em marcha as obras de infraestrutura fundamentais para garantir a nossa competitividade.

Armando Avena”


luiz alfredo motta fontana on 19 novembro, 2010 at 17:15 #

O ledo engano

A república é federativa

O cofre é único

A transferência de renda é brutal

Não existe Bahia, São Paulo ou Rio Grande

A fila que mutila Chico, desfigura Francisco

Governadores posam

Mas o fotógrafo é federal

Já a foto, ou melhor o diagnóstico, é abaixo, da menor expectativa, do mais humilde município.

Saúde, Educação e Transporte, nestes níveis trágicos, são pecados isonômicos desta passividade estóica.


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