De Luiz Fontana, editor do Blogbar, na área de comentários do Bahia em Pauta:
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É didático o caso do Panamericano

Pena que passará em branco

As redações dos grandes jornais continuarão sem entender o que ocorre, ou melhor o que deve ter ocorrido.

Vejamos:

Noticia, e informa, o Estadão:

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“BRASÍLIA – A fraude de R$ 2,5 bilhões sofrida pelo Banco Panamericano foi encontrada há pouco mais de cinco semanas por técnicos do Banco Central. O problema foi detectado quando eram analisadas operações de crédito vendidas pela financeira do Grupo Silvio Santos aos grandes bancos de varejo. Na análise feita pelo BC, foi constatado que essas instituições haviam adquirido operações do Panamericano em número menor que o declarado pela financeira do empresário Silvio Santos. É como se o comprador declarasse a aquisição de 10 carteiras, mas o vendedor registrava a venda de 50 operações. “

Para clarear em seguida:

“Ao se deparar com a diferença de números, técnicos do BC passaram a avaliar carteira por carteira para encontrar a causa do problema. Foi um trabalho de mais de um mês. “Chegamos à conclusão de que o Panamericano havia vendido operações e não havia dado baixa no balanço. Por isso, o volume declarado era muito maior que o efetivo”, diz fonte que acompanhou o processo. O erro se repetiu em várias carteiras especialmente de crédito consignado e financiamento de veículos.

Diante do problema, os administradores do Panamericano foram convocados para prestar esclarecimentos ao BC. De pronto, os gestores da financeira admitiram o problema. “Eles reconheceram que mantinham no balanço um ativo que já havia sido vendido”, afirma a mesma fonte. Ao reconhecer a falha, o controlador do Panamericano, o empresário e apresentador de TV, Silvio Santos, tomou a frente das negociações para recuperar a saúde financeira da instituição financeira.

A venda de carteiras é um negócio comum entre bancos de pequeno e grande porte. No segmento de crédito, as instituições são separadas em dois grandes grupos. No primeiro, chamado de “originador”, ficam as casas de menor porte – como o Panamericano – que têm pessoal de vendas pulverizado e abrangência capaz de gerar grande volume de empréstimos e financiamentos.

Uma vez realizada a operação, a instituição menor vende a operação aos grandes bancos, que passam a administrar a carteira. Esse grupo é chamado de “gestor” ou “administrador”. A operação é lucrativa porque o banco pequeno que vende recebe parte do valor total antecipadamente e pode reinvestir o dinheiro em novas operações de crédito. Para o grande, a compra é vantajosa porque ele ganha a rentabilidade dos empréstimos e tem custo administrativo muito menor que a despesa para se oferecer o mesmo crédito em suas próprias agências.”
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O que não informa, ou ignora o jornal:

Cabe ao Banco Central a fiscalização desses ativos, sendo certo, que a fiscalização é feita de duas formas, a primera, dita rotineira, por uma equipe determinada de fiscais, e a segunda, de maneira aleatória, com determinação de quando em quando para a execução de fiscalizações extaordinárias, envolvendo não mais a equipe costumeira.

Para que o rombo atingisse o valor noticiado, por certo, as irregularidades não estão concentradas no tempo, parecem ser, a primeira “olhada’, dispersas no tempo e no espaço.

Aqui, a falha do BC, sem nenhuma explicação, como é hábito na instituição.

Promessas de rigor no acompanhamento serão feitas, e fica o dito pelo não dito, e o “prestar contas” peloo descuído, por acontecer.

Quanto ao socorro do Fundo Garantidor, via empréstimo, cabe apenas louvar a existência deste ente privado,custeado pelo conjunto das instituições financeiras, proporcionalmente aos seus depósitos, o que traduz isonomia.

Aliás, cabe aqui uma observação, muito teriam a aprender, os jornalistas e curiosos em geral, com a espartana administração deste milionário Fundo. Afinal administram dinheiro, e portanto não devem, e nem podem, ser perdulários ou vocacionados ao inchamento tão dileto das instituições ditas oficiais. Costumam ser, os diretores, salvo engano, ainda somente dois, chamados para assessorarem em outros países, a instalação de instituições assemelhadas.

Por outro lado, caso o procedimento fosse o previsto no Manuall, a instituição bancária, teria de ser liquidada, entrando então o Fundo, como o próprio nome indica, como garantidor dos investidopres até, salvo engano, R$ 60.000, 00, que com o perfil do Panamericano, deve traduzir expressiva maioria.

Em lugar da imposição, via acordo, de nova diretoria, como a precista na negociação havida, entraria o tal “liquidante”, figura esta que merece uma análise aprofundada.

O BC ao liquidar, evita responder pela administração, e portanto pelos seus resultados, a conferindo ao chamado “liquidante”, que, e aqui mora a perplexidade, é via de regra, um funcionário aposentado do próprio BC. Note-se, e anote-se, funcionário aposentado, e que não tem em seu curriculum, por óbvio a condição de administrador de banco.

Este “nomeado”, escolhido entre os aposentados, responderá pela sorte de todos.

Aqui uma jaboticaba, tipicamente nacional.

Uma verdade:

Ninguém bradará pela ineficiência do BC em fiscalizar uma carteira tão tradicional e corriqueira, sem maiores artes ou dificuldades, quanto estas que traduzem, ao que noticiam, objeto de fraude, sob os olhares ditos “atentos”, dos fiscais da instituição. Ressalta-se, que em São Paulo, na Avenida Paulista, o BC concentra uma alentada e portentosa Diretoria de Fiscalização, afora a de Normas, entre ouitras.

Ao mais, o conjunto de normas, circulares. portarias e que tais, do BC é tão expressivo que ocupa espaço considerável em qualquer biblioteca especializada, atendendo pela singela sigla de MNI, “Manual De Normas e Instruções”. Ao que parece, neste caso, meio que esquecido.

(Luiz Alfredo Motta Fontana, do Blogbar, com informações do Estadão. Tim Tim! )

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 11 novembro, 2010 at 3:44 #

Como previsto, começaram as desculpas e ilusões

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Deu no Estadão:

“SÃO PAULO – O Banco Central (BC) refutou na quarta-feira as críticas de que teria demorado para encontrar o rombo de R$ 2,5 bilhões na contabilidade do Banco Panamericano e jogou a responsabilidade nas empresas de auditoria. O BC argumenta que sua função é analisar balanços, não conferir se foram adulterados. A auditoria interna do Panamericano era a Delloite. ”
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Esquecem de dizer que as carteiras de crédito que compõem o objeto de fraude, também compõem o PL (Patrimônio Líquido) do banco, e o acompanhento e consequente fiscalização deste patrimônio é tarefa específica e obrigatória do BC.

Destaque-se. a diretoria do BC já admite, que a ocorrência destas fraudes estendenn-se por um período em torno de 3 anos.

anote-se, repetindo e frisando, tratar-se de operação bancária rotineira, sem nenhuma sofistiicação, ou engenharia, que dificultasse o trabalho de fiscalização, caso seguisse a apregoada e necessária eficiência om que espera-se comportar os fiscais do órgão regulador e fiscalizador da área financeira.

Mas…

Como é Pindorama, e o Natal vem aí, depois do Carnaval esqueceremos tudo em cinzas, como é de costume.


luiz alfredo motta fontana on 14 novembro, 2010 at 5:15 #

Deu na Folha de São Paulo:

Janio de Freitas

“CUIDADOS
Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles atribuiu à instituição conduta técnica precisa no tempo e nas providências que qualificou como imediatas, constada a crise do Banco PanAmericano. Mas o mesmo BC estimou que os truques ilegais praticados no PanAmericano começaram há quatro anos. Logo, mais uma vez, o dispositivo de fiscalização do BC falhou absolutamente. É incompreensível, passados tantos anos dos casos mais estrondosos de falha de fiscalização, no primeiro mandato de Fernando Henrique, que o BC ainda não conte com um sistema fiscalizador confiável.
Inconfiabilidade atestada pelo próprio Henrique Meirelles. As averiguações que a direção do BC determinou em vários bancos, para detectar possíveis práticas semelhantes às do PanAmericano, vale como condenação às atividades ditas fiscalizadoras e permanentes.
Nada exige mais fiscalização do que o chamado sistema financeiro.”


luiz alfredo motta fontana on 14 novembro, 2010 at 5:31 #

Deu no Estãdão online:

‘Liquidação do Panamericano teria sido altamente danosa para a economia’
Presidente do FGC, que emprestou R$ 2,5 bi para Silvio Santos cobrir rombo do Panamericano, conta detalhes do negócio
13 de novembro de 2010 | 20h 00

Leandro Modé e David Friedlander, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – O único pedido de Silvio Santos durante os 26 dias em que negociou socorro financeiro para o Panamericano foi a permissão para vender o SBT por último.

Em troca de R$ 2,5 bilhões para o banco, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) exigiu todo o patrimônio do apresentador como garantia – e compromisso de que as empresas sejam vendidas nos próximos anos até a liquidação da dívida.

Silvio foi atendido e poderá vender o SBT no último dos dez anos que terá para devolver o dinheiro.

Gabriel Jorge Ferreira, presidente do conselho do FGC, afirma que a operação de resgate era a única saída para Silvio, mas foi importante também para o sistema financeiro.

A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado, da qual participou também o diretor executivo do FGC, Antonio Carlos Bueno de Camargo Silva.

Como o sr. reagiu ao saber do problema no Panamericano?

Fiquei sabendo pelo Antonio Carlos Bueno, que tinha sido procurado pelo controlador (Silvio Santos). Tenho 50 anos de mercado e já passei por várias situações. Reagi profissionalmente.

O sr. não chegou a perder sono por causa disso?

Durmo pouco e o pouco que durmo, durmo bem. Mas claro que a gente fica pensando na melhor forma de conduzir uma operação dessas.

Qual a perspectiva de receber o dinheiro de volta?

A garantia é formada pelas empresas do Grupo Silvio Santos. Os balanços dessas empresas são auditados. É óbvio que não foi feita uma avaliação econômica, que levaria tempo, mas o valor consolidado das empresas é em torno de R$ 2,7 bilhões. Portanto, com margem em relação ao que foi adiantado.

Dá para confiar no balanço das empresas do Silvio Santos depois de tudo que aconteceu?

Acho que você tem de acreditar nos balanços apresentados. Não temos nenhuma razão para deixar de acreditar que a avaliação das auditorias reflete a situação das empresas.

O Banco Central culpou as auditorias por não terem detectado as fraudes no Panamericano…

Não vi o BC dizer isso. Mas, para saber se o auditor falhou ou se houve omissão, é preciso um trabalho de auditoria para entender o que aconteceu.

Houve falhas na auditoria…

Não tenho a menor condição de dizer o que aconteceu. Esse auditor especificamente tem reputação boa no mercado, já auditou grandes empresas e tem um desempenho normal.

Qual foi a justificativa do BC quando procurou o FGC para sugerir a operação?

A operação de empréstimo está expressamente autorizada no estatuto do FGC. Nunca tinha sido aplicada porque não havia surgido nenhum caso que a justificasse. É uma situação especial porque o acionista controlador estava altamente descapitalizado e o BC disse: ‘Ou você capitaliza ou busque outra solução’. Por sugestão do BC, ele procurou o fundo e veio expor a situação em que se encontrava o Panamericano.

Havia outra alternativa?

A alternativa que o Banco Central usava antes seria a liquidação. Decretar a liquidação você sabe muito bem o que é: traria um trauma para o mercado, perda de confiabilidade no sistema financeiro, a percepção externa ruim… O Panamericano não era uma instituição de grande porte. Tinha um porte importante, um porte médio. Era uma instituição de visibilidade no mercado em que atuava. Então, seria altamente danoso para o sistema financeiro, para a economia brasileira, se houvesse um incidente como a decretação da liquidação ou de intervenção.

Nos EUA, a quebra de um banco relativamente pequeno desencadeou a crise global. A liquidação do Panamericano poderia desencadear uma crise sistêmica?

Qualquer quebra de instituição abala, ao menos num primeiro momento, a estabilidade do sistema. É sempre um fator de perturbação. A quebra de um banco é diferente da quebra de uma empresa convencional. Quando quebra uma empresa comercial ou uma indústria, os fornecedores e os credores são os únicos atingidos. Com uma instituição financeira, toda a economia sofre. Empresas que tinham recursos depositados podem ficar sem ter como honrar seus compromissos. Isso pode provocar um efeito dominó. Esse banco, se tivesse sido liquidado, viraria uma grande insegurança, afetando principalmente as instituições financeiras de pequeno e médio porte.

Não necessariamente porque tenham algum problema, mas por causa da desconfiança?

Exatamente. Todo mundo adotaria atitudes conservadoras e começaria a retirar recursos dessas instituições, migrando para maiores, como ocorreu em outros momentos de crise. As instituições pequenas e médias têm um histórico de muita eficiência. Ocuparam espaços importantes no mercado. Por exemplo, o crédito consignado, que hoje é o grande produto de crédito, foi iniciado pelos bancos pequenos.

O fundo vai ajudar o Grupo Silvio Santos a vender os ativos?

Não. Como titular das garantias, o fundo tem interesse em que essa venda seja feita da forma mais eficiente possível. Como titular das garantias, o fundo tem interesse em que essa venda seja feita da forma mais eficiente possível. Aconselhamos o empresário (Silvio Santos) a procurar empresas especializadas nesse tipo de negócio. Vale frisar: não é só a instituição financeira que será vendida. Todas as participações societárias entregues em garantia deverão ser vendidas. O que há – isso é um pedido dele – é que o SBT será a última companhia a ser vendida. Ficou muito claro que ele poderá iniciar o movimento de venda (do SBT) no último ano do prazo de dez anos.

Como disse ao longo da semana, o sr. acredita mesmo que o banco será o primeiro desses ativos a ser vendido?

Sem dúvida. O empresário (Silvio) tem a clara percepção de que o negócio financeiro requer uma administração altamente qualificada.

Depois disso tudo, vai haver comprador?

Não tenho dúvida. A instituição estará muito saudável em tempo relativamente pequeno. O FGC não vai procurar compradores, mas já tivemos sondagens de possíveis interessados na aquisição. Pedimos que se dirigissem ao controlador.

Por que a Caixa não compra de uma vez o banco?

A Caixa não quer criar mais uma instituição financeira pública. Tomou decisão estratégica de comprar posição minoritária.

Esses que sondaram já procuraram o controlador?

Não temos notícia ainda se esses contatos foram mantidos.

Foram daqui ou do exterior?

Foram daqui (do Brasil).

Os srs. receberam a visita do Silvio Santos por 15 dias seguidos. Como foi a negociação?

Eu o encontrei três vezes. Quem acompanhou isso de perto foi o Bueno. Bueno: Em todas as visitas, ele vinha sozinho. Apenas em uma a esposa – Íris – o acompanhou. Estava preocupada com a saúde dele. Nem foi preciso, mas ela esteve junto. Ele é uma pessoa de fácil conversa. Os depositantes também não poderiam ser prejudicados. Diante dessa ótica é que desenvolvemos a solução.


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