nov
09

Tiro certeiro do blogueiro baiano Chico Bruno. Direto de seu observatório no litoral norte de Salvador com vista para o mundo em geral, e para as malandragens dos coroneis eletrônicos em particular, que na discussão do anteprojeto de regulação do setor de radiodifusão usa o santo nome da liberdade de imprensa em vão. Confira.

(Vitor Hugo Soares)
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Direto da Varanda: Chico Bruno

Franklin acertou na mosca

O ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, em estilo curto e grosso, acertou em cheio o alvo, durante a abertura do seminário internacional “Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias”, evento organizado em Brasília pelo governo federal para discutir o anteprojeto de regulação do setor de radiodifusão que o Palácio do Planalto pretende enviar ao Congresso até o fim do ano.

Ele criticou a distribuição de canais de radiodifusão entre e para políticos.

Segundo Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo, Franklin, com um tiro curto e certeiro, atingiu em cheio os parlamentares que possuem concessões de emissoras transmissoras e retransmissoras de rádio e televisão.

– Todos nós sabemos que deputados e senadores não podem ter televisão, disse.

Segundo ele, o setor virou “terra de ninguém” e os parlamentares usam “subterfúgios” para conseguir as concessões de emissoras de TV.

– A discussão foi sendo evitada e agora é a oportunidade para que se discuta tudo isso, observou.

Franklin, disse ainda que criaram uma tese fictícia que o governo quer ameaçar a liberdade de imprensa ao levantar o debate sobre o tema da radiodifusão.

– Essa história de que liberdade de imprensa está ameaçada é bobagem, fantasma, é um truque. Isso não está em jogo, disse.

– Não haverá qualquer tipo de restrição. Mas vamos com calma. Isso não significa que não pode ter regulação. Isso (ameaça à liberdade) entra na discussão para não se entrar na discussão. Liberdade de imprensa não quer dizer que a imprensa não pode ser criticada, observada, afirmou Franklin Martins.

– Liberdade de imprensa quer dizer que a imprensa é livre, não necessariamente boa. A imprensa erra, ressaltou.

Franklin defendeu um novo marco regulatório nos setores de radiodifusão e telecomunicações e mandou um recado aos adversários:

– Nenhum grupo tem o poder de interditar a discussão. A discussão está na mesa. Terá de ser feita, num clima de enfrentamento ou entendimento.

É a primeira vez desde a redemocratização do país, que uma autoridade toca em um tema tão espinhoso, como a burla a lei que impede que parlamentares sejam proprietários de redes de rádio e televisão.

O ministro Franklin Martins encerrou sua fala, na abertura do seminário, afirmando que as críticas são frutos de “fúrias mesquinhas”.

– Os fantasmas passeiam por aí arrastando correntes. Os fantasmas, quando dominam nossas vidas, nos impedem de olhar de frente a realidade. Os fantasmas não podem comandar esse processo. Se comandarem, perderemos uma grande oportunidade, afirmou Martins.

Valeu à pena a franqueza do ministro.

Ela colocou por terra a fuxicaria sobre a verdadeira intenção do governo, que é dar uma atenção especial ao setor de radiodifusão na discussão sobre o novo marco regulatório do setor.

É chegada a hora derradeira dos coronéis eletrônicos serem enquadrados nos rigores da lei.

Puiblicado no Site de Chico Bruno: http://www.chicobruno.com.br/


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Há dias que eu não sei o que me passa
Eu abro o meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
E acabo discutindo futebol

Mas não tem nada, não
Tenho o meu violão

Acordo de manhã, pão sem manteiga
E muito, muito sangue no jornal
Aí a criançada toda chega
E eu chego a achar Herodes natural

Mas não tem nada, não
Tenho o meu violão

Depois faço a loteca com a patroa
Quem sabe nosso dia vai chegar
E rio porque rico ri à toa
Também não custa nada imaginar

Mas não tem nada, não
Tenho o meu violão

Aos sábados em casa tomo um porre
E sonho soluções fenomenais
Mas quando o sono vem e a noite morre
O dia conta histórias sempre iguais

Mas não tem nada, não
Tenho o meu violão

Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus: escute, amigo
Se foi pra desfazer, por que é que fez?

Mas não tem nada, não
Tenho o meu violão
——————————————
pra seguir a trilha sonora DO bp, que tá boa demais….

BOA NOITE!!!

(Regina Soares, de San Francisco, Califórnia (EUA)


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Claudio Leal

O artista plástico e curador Emanoel Araújo, 70 anos: “Enfrentei ponta de inveja de gente que se sentiu ameaçada por um neguinho baiano na Pinacoteca de São Paulo”

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CLAUDIO LEAL

Terra Magazine

Em 15 de novembro, um dos principais artistas plásticos e curadores de arte do Brasil, Emanoel Araújo, completará 70 anos. A poucos dias dessa data cívica e pessoal, o diretor do Museu Afro-Brasil proclama uma outra república, turvada por desencantos: “Nós somos a República do fracasso”.

Renovador da Pinacoteca do Estado de São Paulo, a qual se encontrava depredada no início da década de 90, e ex-secretário de Cultura na gestão municipal de José Serra (PSDB), Emanoel se considera “inquieto, não-conformista e indignado”. Conhecido pela habilidade viperina de polemista, ele anuncia, nesta entrevista a Terra Magazine, o agravamento de seu ceticismo.

– O Brasil é um terror, um horror. Você chega aos 70 anos constatando que existe uma camada, uma cenografia, uma vestimenta falsa. As cidades incharam, ficaram mais pobres, toda a geração que foi responsável pelas mudanças também desapareceu. Isso que é trágico – diz o artista baiano, nascido em 1940 na cidade de Santo Amaro da Purificação.

O debate sobre o negro na sociedade brasileira lhe atiça o verbo e faz decolar uma série de perguntas sobre o retrocesso do País na questão racial.

– A televisão ainda acha que o lugar do negro é na cozinha ou como serviçal. O exemplo da TV e do cinema americanos não chega até aqui. Imagine se Denzel Washington, por exemplo, fosse brasileiro, qual o lugar que lhe caberia na televisão? Ou se Spike Lee fosse um cineasta brasileiro, o que ele faria?

À frente da Pinacoteca de São Paulo, Emanoel Araújo enfrentou os muxoxos de parte da comunidade artística e universitária, que se recolheu depois do sucesso de sua administração. Segundo conta, houve pedidos de cabeça por ser um “neguinho baiano”. O movimento negro se mobilizou em sua defesa.

– Absolutamente racista. Quando eu fui nomeado por Adilson Monteiro Alves, o jornal Estado de S. Paulo publicou: “Foi nomeado diretor da Pinacoteca Emanoel Alves (sic), em lugar da professora e doutora Maria Alice Milliet”. Eu vivia em São Paulo tinha muito tempo, mas era como se eu estivesse chegando naquele momento. Muita gente chegou na Pinacoteca e me disse: “Mas, como um baiano vai dirigir a Pinacoteca?”.

Com desalento, há uma conclusão:

– Todo sujeito que pensa a modernidade e o avanço é ceifado no Brasil. Porque o Brasil tem que significar o fracasso. Isso é o que importa. Nós somos a República do fracasso. Não adianta. Não sei de onde vem essa lógica perversa.

O curador ataca a ditadura da “arte contemporânea”, cuja epidemia tem desvirtuado alguns dos mais importantes museus brasileiros, como o Masp e a Pinacoteca. A leitura dos jornais amplia seu descontentamento.

– Outro dia mesmo, o jornal Estado de S. Paulo publicou o curador Ivo Mesquita de corpo inteiro, saindo da maquete da Pinacoteca do Estado, segundo idealizada pela Unicamp, com braços cruzados e seu sorriso de pura zombaria. Alguém disse alguma coisa? Não acredito que essa seja a postura para um curador de uma instituição dita centenária de São Paulo.

No dia da eleição presidencial, 31 de outubro, Emanoel acordou com três assaltantes em sua casa, no bairro da Bela Vista. “Se acontecesse isso há vinte anos ou dez anos atrás, você tira de letra, né?”, lamenta, algo fragilizado. Mas, ao recobrar o bom humor, ele sorri do infortúnio: “Deve mesmo ser um presente do inferno astral.”

Confira o bate-papo.

Terra Magazine – Você está completando 70 anos. O que mudou em sua rotina, em sua vida?
Emanoel Araújo – Eu acho que 70 anos é um horror. Não esperava chegar a essa idade. Estou vivendo mais do que meu pai e mais do que minha mãe. Tenho uma visão cética do mundo e, muito mais ainda, dos 70 anos. É espantoso a gente se ver, é espantoso a gente constatar a velhice, que é driblada com esse negócio de “melhor idade”, “terceira idade”, etc. etc.

Os eufemismos.
É, esses eufemismos todos que só servem para ser mais um elemento de preconceito. Pra mim, chegar a essa idade é um horror (risos). Um absurdo. Eu detesto a ideia de 70 anos. Detesto por muitas razões. Primeiro, porque todas as coisas ganham uma importância e uma severidade. Todos te olham como um velho. No Brasil, os 70 anos de alguém não chegam a ser uma glorificação. Pelo contrário, você está mais feio, mais fragilizado, mais solitário e, sobretudo, mais impaciente.

O trabalho no Museu Afro-Brasil lhe ajuda a lidar com isso?
Acho mesmo que, aos 70 anos, o que sobra é uma memória dos bons momentos da vida e dos muitos amigos que se foram, além do trabalho que a gente pensa que resta fazer. O Museu Afro-Brasil, em muitos aspectos, tem uma imensa relevância para a história afro-brasileira. Por isso, ele será sempre uma fonte de inspiração e transpiração, por todos os tentáculos a serem criados para sua reinvenção brasileira, portuguesa e africana.

Pra não cair num ceticismo completo?
Exatamente. Isso em relação a mim mesmo. Em relação ao País em que a gente vive, tenho uma visão muito ruim. Por mais que a gente tenha uma vontade de ser brasileiro, e isto é a coisa mais importante que tem – “ser brasileiro”, essa coisa que ecoa na memória, essa vontade moral e cívica -, o Brasil é um terror, um horror. Você chega aos 70 anos constatando que existe uma camada, uma cenografia, uma vestimenta falsa. As cidades incharam, ficaram mais pobres, toda a geração que foi responsável pelas mudanças também desapareceu. Isso que é trágico. O que resta é sempre uma coisa que não mais interessa.

Você sente falta de ter com quem fazer trocas culturais?
As trocas foram e serão sempre um motivo a mais de se tornar vivo, muito embora sente-se hoje a grande dificuldade desses encontros. Acho que viver numa grande cidade está se tornando tão difícil, quase impossível mesmo, e que cada pessoa procura um casulo para se esconder. Não sei como, um elo de amizade que existia nessa cidade (São Paulo) desapareceu. Não há encontros, por mais que se procure. Resta mesmo é o desencontro.

Uma das boas coisas do Museu Afro-Brasil é que ele sempre provoca encontros, seja porque ele é mesmo um espaço instigante, seja porque a história ali contada significa um grande halo que percorre muitos lugares, vidas e histórias da África, da América, da Europa e também do Brasil. Afinal, onde houve essa instituição desgraçada da escravidão os fatos se relacionam. Haverá sempre uma troca permanente da vida de muitas pessoas.

Para mim, que tenho uma vivência muito grande, até parece que nasci no século 19 e não nos anos

Leia integra da conversa de Claudio leal com Emmanoel Araujo em Terra Magazine

http://terramagazine.terra.com.br/

nov
09


Música “Pernas” de Sérgio Ricardo, o poeta de Marília como Luiz Fontana , do Blogbar. Dois quase baianos e presenças essenciais do BP.

BOA TARDE!!!

(VHS)

nov
09

John Kennedy: uma dinastia no poder

Depois de horas de expectativa, que se prolongaram por toda a madrugada, John Kennedy sagrou-se presidente dos EUA há meio século, batendo por curtíssima margem o republicano Richard Nixon. Foi uma das eleições mais concorridas da história americana: Kennedy obteve 49,7% dos sufrágios, contra os 49,5% de Nixon. Só 112 mil votos populares separaram os dois candidatos. Kennedy – o segundo mais jovem presidente dos EUA, o primeiro católico e de ascendência irlandesa, e o único galardoado com um Pulitzer – tomaria posse em Janeiro de 1961. Um mandato de mil dias que terminou em tragédia.

(Informações do Diario de Notícias, de Portugal)

nov
09
Posted on 09-11-2010
Filed Under (Charges) by vitor on 09-11-2010


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Aroeira , hoje, em O DIA

nov
09

No bojo de ampla reportagem sobre a rearrumação do poder passadas as eleições de outubro de 2010, a revista Veja assinala que depois da refrega eleitoral o futuro dos partidos políticos brasileiros começa a ser redefinido.

Nessa rearrumação do poder, segundo a revista, ganham destaque algumas figuras-chave, “prefeitos e governadores que terão aumentada sua área de influência nos próximos anos e poderão, até mesmo, selar o destino de suas siglas.

Entre essas figuras, a revista destaca o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e os gorvenadores de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB); do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB) e da Bahia, Jaques Wagner(PT).

Confira o que a Veja que está nas bancas diz sobre o governador da Bahia.

(Postado por Vitor Hugo Soares)

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Jaques Wagner (PT)
Ninguém sabe quem será o ministro do PT mais influente no governo Dilma Rousseff. Já quanto ao governador do partido, não há dúvida de qual terá o papel mais decisivo – é Jaques Wagner, reeleito na Bahia com mais de 4 milhões de votos, recorde no PT. Wagner foi um eficiente cabo eleitoral de Dilma, que conseguiu na Bahia uma vantagem de 2,7 milhões de votos sobre o adversário tucano. Com esses números vigorosos, o governador reeleito se transformou em um dos poucos petistas que podem sonhar com uma candidatura presidencial. Wagner vive o ponto alto de sua carreira política. No governo Lula, foi ministro do Trabalho. Depois do escândalo do mensalão, assumiu a pasta das Relações Institucionais, onde cumpriu a missão de articular a defesa do governo no Congresso. Até hoje, Lula lhe é grato por isso. Agora, fortalecido pelas urnas, Wagner quer indicar um ministro, privilégio que nunca lhe foi concedido. Se conseguir, dará uma mostra de força sobre seu principal rival no estado, Geddel Vieira Lima, do PMDB. Além disso, terá oportunidade de atrpossibilidade concreta de ocupar o espaço que um dia já pertenceu a Antonio Carlos Magalhães, o ACM, morto em 2007.air ainda mais verbas públicas para a Bahia, altamente dependente do governo federal. Sem adversários à altura e com poder de fogo em Brasília, Wagner tem a possibilidade concreta de ocupar o espaço que um dia já pertenceu a Antonio Carlos Magalhães, o ACM, morto em 2007.

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