Deu no portal TSF (Lisboa)

O romance “Caim”, de José Saramago, foi retirado da lista final do Prémio Portugal Telecom Literatura, por iniciativa da Fundação Saramago e da Companhia das Letras, editora do escritor no Brasil, segundo comunicado divulgado esta sexta-feira.

Esta decisão foi tomada «de forma a serem reconhecidos outros autores de língua portuguesa» e vai ao encontro do que José Saramago, ainda em vida, já o expressara, acrescentou uma fonte da instituição citada pela agência de notícias Lusa.

Pilar del Rio confirmou à agência Lusa que a fundação a que preside pediu que o livro “Caim” fosse retirado do concurso, por ser esta a atitude que «está mais no espírito de Saramago, que defendia o privilégio da partilha com os seus pares».

Coincidência de intenções, segundo a mesma fonte, já que os organizadores do Prémio Portugal Telecom de Literatura, «tinham a intenção de homenagear José Saramago, pela sua vida e obra e por considerar que não poderia deixar de mostrar o seu reconhecimento por aqueles que contribuíram para dignificar o nome de Portugal e, neste caso muito específico, a língua portuguesa».

Nota da Fundação Saramago, divulgada esta sexta-feira, refere que «quando José Saramago recebeu o Prémio Nobel anunciou que não voltaria a aceitar nenhuma outra distinção literária porque são muitos os escritores que merecem prémios e poucos os prémios para distingui-los».

Na mesma nota lê-se que o Nobel português, quando soube que “Caim” estava entre os dez finalistas, «anunciou que, no caso de ganhar, o valor do Prémio teria como destino a Fundação José Saramago».

«Esta atitude, a de partilhar com os seus pares o prazer do reconhecimento, manteve-a em todo o mundo com a disciplina e a honestidade que sempre o caracterizaram», refere a Fundação.

Durante a entrega do Prémio, que acontecerá segunda-feira em São Paulo, realizar-se-á uma homenagem a José Saramago, disse à Lusa uma fonte da Portugal Telecom que adiantou que Pilar del Rio, viúva do escritor, entregará o galardão ao vencedor deste ano.

Os nove livros finalistas são “A passagem tensa dos corpos”, de Carlos de Brito e Mello, “AvóDezanove e o segredo do soviético”, de Ondjaki, “Lar”, de Armando Freitas Filho, “Leite Derramado”, de Chico Buarque, Monodrama, de Carlito Azevedo, “O filho da mãe”, de Bernardo Carvalho, “Olhos secos”, Bernardo Ajzenberg, “Outra vida”, de Rodrigo Lacerda e “Pornopopéia”, de Reinaldo Moraes.

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