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Acabo de retornar do Cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas, em Salvador, onde fui com Margarida homenagear nossos  mortos queridos , sepultados por lá.

Na ida , eu e Margarida,  revisora deste site blog,  compramos  rosas para distribuir na visita, como fazemos todo Dia de Finados, a cada ano aumentando a quantidade das flores e, consequentemente, o tanto das perdas e danos no coração. Nesta terça-feira foram 10 rosas vermelhas e 5 amarelas. Muito lindas, por sinal, adquiridas próximo ao cemitério.

Conseguimos estacionar, por coincidência, perto do túmulo de Pedro Milton de Brito, ex-presidente da OAB-BA, ex-conselheiro da OAB nacional, referência baiana em capacidade jurídica e na defesa dos direitos humanos. Amigo querido, compadre, parceiro de largas caminhadas e batalhas, que partiu precocemente, pouco antes de chegar o século XXI, tudo que ele mais desejava ver. Em seu túmulo deixei, como faço todo ano,  a minha primeira rosa vermelha.

Diante da lápide familiar, alguns metros adiante, depositei, com muitas saudades, rosas amarelas e vermelhas para Alaôr, meu pai; Jandira, minha mãe e para meu irmão,  Fernando David, jornalista, que  morreu precocemente,  por um desses enfartes traiçoeiros que surpreendem a vítima na sala de jantar, na flor da vida .

Bem na frente, alguns passos mais, cumprí,  o ritual de saudade de todos os anos diante do túmulo do maluco beleza Raul Seixas. Já passava de uma da tarde e os seguidores do roqueiro baiano estavam a mil. Os violões tocados por fãs e clones puxavam acordes de antigos sucessos de Raulzito e os presentes lembravam do ídolo desde as tardes famosas de rock no tempo do Cine Roma.

Sentada em volta da cova ou debaixo das árvores, a turma puxava tragadas e a garrafa de cana circulava democratica e livremente. Cantei um pouco, lembrei muito do ídolo de juventude, colega de Margarida no Colegio Central da Bahia e no primeiro ano da Faculdade de Direito da UFBa, mas saí com a rosa na mão, pois a turma não parecia aprovar muito esse tipo de homenagem para Raulzito.

Depositei uma rosa vermelha em outro túmulo, este  ocupado bem mais recente.  O de  Dimas Josué Mello da Fonseca, amigo do coração e um dos pilares deste site blog desde sua criação. Moderador e orientador técnico incomparável. Aí, também Margarida deixou  uma rosa,  amarela,  por ela e por todos que amavam e admiravam Dimas.

Na última etapa da visita de Finados, a parada no túmulo de dona Celina, mãe da revisora, sogra do editor. Mais um preito de muita saudade. E rosas amarelas e vermelhas deixadas em sua memória.  Antes, porém, uma reflexão diante do jazigo de Dr Hermenegildo  Cruz (seu Nozinho para os íntimos) um ser  admirável, tio de Margarida.

Depois, em casa, postar no BP a música de Raulzito, escolhida para esta terça-feira de Finados e curtir  lembranças,  embaladas pelas músicas da FM 106.1, da Fundação D. Avelar, que trouxe de volta a prática  de execução de  música clássica no dia de Finados.

(Vitor Hugo Soares, editor, Margarida D. C. Soares, revisora)

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 2 novembro, 2010 at 17:57 #

Caro VHS

Visitando o BP em final de tarde

em meio à tristeza um poemeto se forma:

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armários

(luiz alfredo motta fontana)

lembrar partidas

reabrir gavetas

colar memórias

uma velha camisa xadrez

um sapato de pala alta

três ou quatro certezas, traduzidas do francês

o gosto antigo do run

para só então

esquecer as perdas de hoje

———————————————–

Grato, tua fraterna acolhida tem este condão, assemelha sítio antigo


Marco Lino on 2 novembro, 2010 at 18:23 #

Ave Maria para os religiosos e amantes da boa música.

Improviso magistral de Bobby McFerrin. Confiram:

http://www.youtube.com/watch?v=crz0lVHM_vA


Regina on 2 novembro, 2010 at 18:29 #

Meu amado irmão: Quanto gostaria de ai estar e percorrer esses caminhos contigo, enlaçando-o em meus braços, embora saiba que Margarida já o tenha feito por mim.
Eu não gosto de falar de morte, sempre evitei, mas, ao vê-la rodeando, levando aos poucos os entes mais queridos, não nos queda outra se não admitir que ela virá…
Meus mortos os carrego vivos comigo, talvez por não ter presenciado, com a exceção do avô materno, o derradeiro suspiro ou por que essa é minha maneira de preservar amores, sempre vivos!!!!
Esse mar que nos separa não me preserva da dor que sinto em suas palavras, só me impede de repartir contigo de uma forma física.
Você, o primogênito, a balança, o equilíbrio, nos acompanhara, um a um, José Genival, Regina, Fernando Davi, Abigail, Maria Olivia e Mariana nessa dança da saudade.
Todo meu amor!!!!
regina


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