Caraibeira em flor: espanto para ETs/Janio

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CRÔNICA/ SERTÃO
A invasão do sertão amarelo

Janio Ferreira Soares

Para relaxar de tanta política, um filme. De ficção. O início se dá num planeta distante e seco, com milhares de alienígenas tentando encontrar um novo lar, já que o deles será extinto em breve.

Desesperadamente eles procuram planetas com características favoráveis, até que a imagem da Terra aparece no telão. Em seguida a câmera dá um zoom num ponto amarronzado e surge o sertão nordestino acompanhado daquelas letrinhas estilo Matrix, com informações do tipo: Sol e seca o ano inteiro, um povo pacato que na sua maioria vive com um cartão que lhe dá um pouco de comida e bebida no fim do mês, e o melhor de tudo: nenhum sinal de vegetação colorida ou flores, já que os ETs sofrem de uma alergia mortal. Perfeito.

Depois que todos aprovam a invasão balançando as mãos compostas apenas do polegar e do mindinho – fato que deixa a assembléia com ares de um convescote de surfistas fazendo o sinal de hang loose -, a tela escurece e na cena seguinte surgem centenas de naves partindo em nossa direção. Um close no mapa indica as coordenadas do local a ser conquistado. “9°39’3″S 38°42’7″W, Estação Ecológica Raso da Catarina.

Corta para a Terra, primavera no sertão do São Francisco, Paulo Afonso (BA). Alheias ao perigo crianças brincam nas praças cercadas de flores, com destaque para as belíssimas caraibeiras, que nessa época do ano ficam lindamente amarelecidas, especialmente no Raso da Catarina, onde, em minutos, os invasores chegarão e terão uma surpresa.

Dentro das naves, desespero. O líder quer saber quem traçou a rota, já que este não é o sertão prometido. Depois de muita discussão eles somem por trás de uma Lua crescente que, com seu traço feliz e envolta pelo dégradé das cores do pôr-do-sol, lembra um bago de tangerina sorrindo. A voz de Luiz Gonzaga canta “Não há, oh gente, oh não, luar como este do sertão…”. Sobe o letreiro: “Este filme é dedicado aos “alienígenas” Dilma e Serra, que também se assustariam se vissem as caraibeiras de outubro chuleando seus pontos dourados sobre a manta marrom da caatinga”. Fim.

Janio Ferreira Soares, cronista baiano, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso (Ba), no vale do São Francisco. Mora à sombra de caraibas em flor no sertão baiano.

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