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E Nada Mais”, de Durval Ferreira e Luis Fernando Freire, na voz do primeiro, que está no Céu

Boa Noite !!!

(Gilson Nogueira)

out
30
Posted on 30-10-2010
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OPINIÃO POLÍTICA

Perdido no tempo e nas contas

Ivan de Carvalho

Amanhã (31) os brasileiros votam pela segunda vez este mês para eleger o (a) presidente da República e governadores em alguns Estados e no Distrito Federal. Não vejo muito sentido em chover no molhado, escrever mais uma vez o que os leitores já têm, até o cansaço, lido e ouvido nos jornais, na televisão, no rádio, na Internet, até mesmo em alguns comícios e alguns panfletos, estes agora declarados um instrumento maldito de comunicação.

Mas, se os panfletos já ganharam a (des) qualificação de malditos, não havendo distribuição de panfleto que não gere imediatamente boletim de ocorrência, auto de flagrante e abertura de inquérito policial e comunicação a tribunal eleitoral, alguns dos demais meios de comunicação estão ingressando decididamente na esfera dos malditos.

Vale recordar que na última fase da campanha eleitoral para o primeiro turno, certo de que sua candidata a presidente ganharia com ampla vantagem sem precisar do segundo turno, o presidente da República deleitou-se em maldizer os meios de comunicação de massa, notoriamente porque estes não escreviam ou diziam exatamente o que ele queria.

Os malditos meios de comunicação de massa noticiavam os questionamentos religiosos, especialmente sobre o aborto, mas também sobre outros, como a eutanásia e a criminalização da homofobia, que levavam as igrejas católica e evangélicas a infernizarem a campanha eleitoral da candidata oficial para que ela, a candidata, esclarecesse sua posição (na minha opinião não esclareceu nada, deliberadamente confundiu, mas esta é uma avaliação a ser feita pelas igrejas e pela consciência de cada eleitor).

Assim, vamos deixar mesmo de lado, nesta véspera da eleição, as já surradas e cansativas promessas retumbantes e a notória ausência de informação sobre os meios a serem usados para cumpri-las. Deste mato não sai mais coelho. Mais vale anotar o discurso do papa Bento XVI na quinta-feira, quando recomendou aos bispos brasileiros que defendam, perante o eleitorado, os dogmas da Igreja Católica contra a descriminalização do aborto e a eutanásia, vale dizer, a favor da vida.

Não surpreende, claro, a posição expressa pelo papa, exceto por haver demorado tanto a acontecer que a maioria dos eleitores, mesmo os católicos, irá às urnas sem ter conhecimento do discurso do pontífice e mais ainda, sem uma discussão a respeito.

Mas fiquei surpreso com os comentários feitos a respeito, ontem, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Isto me levou a ficar preocupado com certas questões que não pareciam ter qualquer relação com aborto e eutanásia, como, por exemplo, o imenso valor da dívida pública que ele vai deixando de herança maldita para seu sucessor, o índice de inflação (ante o aumento brutal dos preços dos alimentos nos últimos três meses).

“Não vejo nenhuma novidade na declaração do Papa. Esse é o comportamento da Igreja Católica desde que ela existe. Se você for ver o que a Igreja Católica falava há 2 mil anos, ela falava exatamente o que o papa falou”, disse o presidente no Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo. Ora, que conta!!! Se formos ver o que a Igreja Católica falava há 2 mil anos, veremos que ela não falava nada.
Nem existia. O próprio Jesus Cristo estava com idade em torno de dez anos, no mínimo e 17, no máximo, segundo os estudiosos do assunto. Nem começara a pregar.

Mas a Igreja Católica já estava lá, firme, combatendo o aborto e a eutanásia, afirma o presidente da República Federativa do Brasil.

out
30
Posted on 30-10-2010
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DEU NO FOLHA.COM (PODER)

FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Dilma Rousseff (PT) chega ao dia da eleição com 55% dos votos válidos, segundo pesquisa Datafolha realizada ontem e hoje. Está dez pontos à frente de José Serra (PSDB), que pontuou 45%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.

O Datafolha entrevistou 6.554 pessoas neste sábado, um número maior do que o de outras sondagens recentes. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela Rede Globo e está registrada no TSE sob o número 37903/2010.

Se confirmar nas urnas o resultado do Datafolha, Dilma será eleita a 40ª presidente do Brasil. A corrida eleitoral tem se mantido estável nos últimos 15 dias, com os dois candidatos variando apenas dentro da margem de erro do levantamento.

Na última quinta-feira, Dilma tinha 56% e oscilou negativamente um ponto. Serra estava com 44% e deslizou um ponto para cima. Do ponto de vista estatístico, é impossível afirmar se houve ou não variação no período.

Quando se consideram os votos totais, Dilma tem 51% contra 41% de Serra. Ambos oscilaram positivamente um ponto cada de quinta-feira até ontem. O percentual de indecisos continua em 4%. E há também 4% de eleitores decididos a votar em branco, nulo ou nenhum.

A campanha de segundo turno agora em outubro mostrou uma recuperação de Dilma em todos os segmentos analisados ontem pelo Datafolha, com exceção de dois grupos: os eleitores da região Sul e os do interior do país.

No Sul, a petista começou o mês com 43% contra 48% de seu adversário tucano. Ontem, Dilma estava com 42% e ainda perdia para Serra, que pontuou 50%.

Entre os eleitores do interior, a candidata do PT ficou no mesmo lugar. Começou outubro com 50% e ontem tinha o mesmo percentual. Mesmo assim, está sete pontos à frente de Serra (43%).

A arrancada mais significativa de Dilma se deu nas regiões metropolitanas (de 44% para 52% neste mês) e no Sudeste (de 41% para 48%). O Sudeste concentra 45% dos eleitores do país. Serra, que é paulista e fez sua carreira política na região, tem 44%, o mesmo percentual do início do mês.

No Nordeste (25% dos eleitores brasileiros), a petista manteve neste mês sua liderança sobre o tucano. No início de outubro, tinha 62%. Ontem, segundo o Datafolha, Dilma estava com 63% e uma frente de 33 pontos sobre Serra, cuja pontuação na região foi de 30%.

O principal reduto do tucano é o Sul. Mas ele avançou pouco durante o mês, de 48% para 50%. Dilma, cuja carreira se deu no Rio Grande do Sul, não conseguiu se recuperar entre os sulistas _16% do eleitorado.

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, os dos candidatos a presidente começaram o mês empatados tecnicamente: Serra com 46% e Dilma com 44%. Ao longo da campanha, a curva se inverteu. Ontem, a petista estava com 50% e o tucano com 42%.

A pesquisa Datafolha confirma a força de Dilma entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos (44% do total do país). A petista tem 56% nesse segmento contra 36% de Serra.


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Blogbar do Fontana – Nos balcões dos bares da vida

UM DRINK COM CAUBY E LENY (CAUBY PEIXOTO & LENY EVERSONG)

HOT/RIOSON – 1968

Cauby Peixoto

Música – “That Old Black Magic” (Harold Arlen & Johnny Mercer)

Letra:

Old black magic has me in its spell
Old black magic that you weave so well
Those icy fingers up and down my spine
The same old witch craft when your eyes meet mine
Same old tingle that I feel inside
Then the elevator starts it ride
Down and down I go
Round and round I go
Like a leaf caught in a tide
I should stay away but what can I do
I hear your name and I’m a flame
Flame, flame of desire
Only your kiss can put out the fire
Oh you’re the lover I have waiting for
Your the mate that fate had me created for
And everytime your lips meet mine
Down and down I go
Round and round I go
In a spin, lovin’ the spin I’m in
Under the old black magic called love
In a spin lovin’ the spin I’m in
Under the old black magic called love
In a spin lovin’ the spin I’m in
Under the old black magic called love
I should stay away but what can I do
I hear your name and I’m a flame
Flame, flame of desire
Only your kiss can put out the fire
Oh you are the lover I have waited for
Your the mate that fate had me created for
And everytime your lips meet mine
Down and down I go
Round and round I go
In a spin, lovin’ the spin I’m in
Under the old black magic called love

out
30

deu no uol

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, manteve a liderança da disputa presidencial de acordo com a pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje (30). A petista tem 50,3% das intenções de voto contra 37,6% do adversário José Serra (PSDB). Dos eleitores entrevistados, 7,9% disseram estar indecisos e 4,1% afirmaram votar em branco ou nulo.

Na pesquisa anterior, divulgada no dia 27, Dilma tinha 51,9% das intenções de votos, e Serra 36,7%.

Considerando-se apenas os votos válidos, excluindo-se nulos e brancos, Dilma tem 57,2% e Serra, 42,8%. No levantamento anterior, Dilma tinha 58,6% ante 41,4% do tucano.

Com relação à última pesquisa do instituto, a rejeição à petista subiu de 32,5% para 34,1% do eleitorado. Já a rejeição a Serra caiu de 43% para 41,7%. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

A pesquisa entrevistou dois mil eleitores entre os dias 28 e 29 de outubro, em 136 municípios, e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número


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A música de Gonzagão para começar o dia no Bahia em Pauta vai para o cronista do cotidiano Janio Ferreira Soares, escritor de olhar poetico e atento para coisas e pessoas em sua volta: dos políticos matreiros e metidos a sabichões , à floração das caraibeiras na primavera sertaneja, ou às andorinhas em bandos que voavam de longe para pousar em Santo Antonio da Glória, em Paulo Afonso ou no Raso da Catarina para apreciar tanta beleza. Saudades!

Feliz do Bahia em Pauta por ter um amigo, leitor e colaborador como esse Janinho de Glória. Cabra bom de verdade é esse!

(Vitor Hugo Soares)

out
30
Posted on 30-10-2010
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Pater, hoje, em A TRIBUNA (ES)

Caraibeira em flor: espanto para ETs/Janio

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CRÔNICA/ SERTÃO
A invasão do sertão amarelo

Janio Ferreira Soares

Para relaxar de tanta política, um filme. De ficção. O início se dá num planeta distante e seco, com milhares de alienígenas tentando encontrar um novo lar, já que o deles será extinto em breve.

Desesperadamente eles procuram planetas com características favoráveis, até que a imagem da Terra aparece no telão. Em seguida a câmera dá um zoom num ponto amarronzado e surge o sertão nordestino acompanhado daquelas letrinhas estilo Matrix, com informações do tipo: Sol e seca o ano inteiro, um povo pacato que na sua maioria vive com um cartão que lhe dá um pouco de comida e bebida no fim do mês, e o melhor de tudo: nenhum sinal de vegetação colorida ou flores, já que os ETs sofrem de uma alergia mortal. Perfeito.

Depois que todos aprovam a invasão balançando as mãos compostas apenas do polegar e do mindinho – fato que deixa a assembléia com ares de um convescote de surfistas fazendo o sinal de hang loose -, a tela escurece e na cena seguinte surgem centenas de naves partindo em nossa direção. Um close no mapa indica as coordenadas do local a ser conquistado. “9°39’3″S 38°42’7″W, Estação Ecológica Raso da Catarina.

Corta para a Terra, primavera no sertão do São Francisco, Paulo Afonso (BA). Alheias ao perigo crianças brincam nas praças cercadas de flores, com destaque para as belíssimas caraibeiras, que nessa época do ano ficam lindamente amarelecidas, especialmente no Raso da Catarina, onde, em minutos, os invasores chegarão e terão uma surpresa.

Dentro das naves, desespero. O líder quer saber quem traçou a rota, já que este não é o sertão prometido. Depois de muita discussão eles somem por trás de uma Lua crescente que, com seu traço feliz e envolta pelo dégradé das cores do pôr-do-sol, lembra um bago de tangerina sorrindo. A voz de Luiz Gonzaga canta “Não há, oh gente, oh não, luar como este do sertão…”. Sobe o letreiro: “Este filme é dedicado aos “alienígenas” Dilma e Serra, que também se assustariam se vissem as caraibeiras de outubro chuleando seus pontos dourados sobre a manta marrom da caatinga”. Fim.

Janio Ferreira Soares, cronista baiano, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso (Ba), no vale do São Francisco. Mora à sombra de caraibas em flor no sertão baiano.

out
30
Posted on 30-10-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 30-10-2010

Dilma e Serra: mornos no debate da Globo

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E a montanha pariu um rato. No último confronto na televisão, os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) frustaram mais que atenderam as expectativas dos eleitores e ouvintes. Fugiram do confronto direto diante dos 80 eleitores indecisos selecionados pela TV Globo para participar do programa que, a bem da verdade, nem pode ser considerado debate.

Apresentado pelo editor do Jornal Nacional, William Bonner, a Globo elegegeu um formato diferenciado no embate desta sexta-feira. Em lugar da troca de perguntas e repostas entre candidatos – ou a participção de jornalistas nas perguntas – os eleitores formularam todas as questões apresentadas aos candidatos. Com isso, Dilma e Serra alem de evitarem confrontos, praticamente não tiveram oportunidade para polemiar entre si. Assim, mantiveram o tom propositivo durante todo tempo.

O portal IG assinala em sua cobertura, que ainda assim, Dilma e Serra investiram em críticas veladas um ao outro. Repetiram muitos dos mesmos ataques lançados nos últimos debates dos quais participaram, porém com tom mais ameno e sem citar diretamente o adversário.

Dilma, por sua vez -acrescenta o IG – fez críticas à terceirização de serviços públicos. E apoiou-se em programas sociais do governo para criticar indiretamente a administração do tucano Fernando Henrique Cardoso, como no momento em que citou o programa Luz para Todos. “Antes, não tínhamos luz elétrica”, criticou a petista. Dilma abordou ainda o tema da segurança pública, em que costuma se apoiar para criticar a gestão de Serra no governo de São Paulo.

Dilma também repetiu – novamente sem menções diretas ao rival – as críticas ao tratamento dado pelo governo do tucano aos professores grevistas nos meses que antecederam a campanha presidencial. “Não se pode criar uma situação de atrito com o professor. Recebê-los com cacetete ou interromper o diálogo”, disse.

O portal Ig destaca ainda, que nem mesmo ao falar dos boatos que circularam na internet em relação à sua campanha Dilma bateu de frente com Serra. Falou genericamente sobre os rumores e apenas aproveitou as considerações finais para dizer que ficou “muito chateada” com o ocorrido. No encerramento, Serra preferiu enunciar sua biografia e pedir o voto dos eleitores.

O debate de hoje foi o quarto entre os candidatos desde que teve início o segundo turno. Cada um dos eleitores convidados pela Globo para o debate formulou cinco perguntas a serem feitas aos candidatos sobre temas como saúde, educação e investimentos em infraestrutura. Doze perguntas foram selecionadas, num total de 400. O debate registrou 25 pontos de audiência no Ibope.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do IG )

out
30
Posted on 30-10-2010
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Lula no velório de Kirchner em Buenos Aires

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ARTIGO DA SEMANA

História e destino

Vitor Hugo Soares

Na quinta-feira, 28, a quatro dias da votação decisiva para a escolha de seu sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha um compromisso político dos mais importantes no Nordeste. Para muitos, petistas principalmente, um evento considerado crucial diante da cinzenta e tensa conjuntura que cerca de boatos e previsões caóticas e insensatas a votação em segundo turno neste domingo (31).

Lula iria a Recife participar do que se anunciava como apoteótico comício em favor da candidata Dilma Rousseff no estado natal do presidente e na região onde a petista que ele empurra ladeira acima em direção ao seu lugar no Palácio do Planalto, desfruta os números mais confortáveis nas pesquisas de todos os principais institutos

O comício gorou, para usar a expressão bem nordestina. De manhã, Lula na capital fluminense – mais Fluminense que nunca – exercitava plenamente a tão polêmica quanto estafante dupla função que assumiu desde o começo da campanha: a de chefe de Estado e cabo eleitoral da sua candidata do peito.

Um telefonema da Argentina mudaria tudo em questão de minutos. O imprevisível, a história e o destino outra vez atravessavam os passos e os caminhos do pernambucano de Caetés: o filho de família de retirantes da seca nordestina, operário metalúrgico em São Paulo, pouca escola e quase tudo em cima para dar errado – incluindo mandinga e mau olhado, como ele repete em suas frequentes viagens à Bahia. No entanto, em 2002 chegaria pelo voto ao posto máximo de mando no País.

Qualquer que seja o resultado das urnas amanhã, oito anos e dois mandatos depois, Lula sairá do Palácio do Planalto em janeiro de 2011 na condição de mais popular governante da história do País. Com aprovação de mais de 83% da população brasileira, segundo o mais recente levantamento da CNT/Sensus.

Na quinta-feira, enquanto o presidente ainda estava no Rio, se realizava em Buenos Aires, o velório do ex-presidente Néstor Kirchner. O líder político do justicialismo morrera atingido por um inesperado e fulminante ataque do coração. Nestor, “El pinguino” dos argentinos, repousava com a mulher e presidente Cristina Kirchner, na casa da família à beira das geleiras do Pólo Sul, na província de Rio Gallegos, quando a morte o surpreendeu aos 60 anos.

Informado de que o velório só iria até a madrugada de ontem, porque o corpo seria transladado para sepultamento em cerimônia intima e familiar em Rio Gallegos, Lula mudou sua rota de voo. No Rio cancelou o comício em Pernambuco e seguiu direto para Buenos Aires, onde três horas depois estaria de novo sob os olhos do continente e de boa parte do mundo.

A entrada de Lula na Casa Rosada – mostram bem as imagens do Canal 5, de Buenos Aires – coincidiu com a presença do presidente venezuelano Hugo Chávez “em um momento alto da noite”, como descreve com perfeição o jornal “Página 12” em sua edição de sexta-feira. As pessoas – entre elas muita gente jovem que a campanha eleitoral brasileira não conseguiu tocar, mobilizar e muito menos levar para as ruas – se mostram especialmente emocionadas.

Choram, rezam, gritam palavras de ordem reunidas na histórica Plaza de Mayo e no recinto do velório. Bem ao apaixonado estilo da terra, são demonstrações de afeto e respeito aos presidentes visitantes, e de “fuerza” a Cristina.

Diferentemente do venezuelano, que fez um “discurso de chegada”, Lula não falou ao aterrisar em território portenho. Preferiu ir diretamente à Casa Rosada. Deixou uma mensagem quando se foi de volta ao Brasil, na qual, como destaca o diário argentino, não só fez referência a suas recordações pessoais de Kirchner, mas também à sua construção política, tanto do país – “recuperou a autoestima dos argentinos” – como da região.

Bom orador, Lula o é melhor ainda em ocasião emotiva, registrou ontem o Página 12. “Eu dizia à companheira Cristina que um homem morre, mas as ideais permanecem. Eu creio que Kirchner foi uma figura que construiu ideias na Argentina. O legado mais importante para os argentinos foi recuperar a autoestima do seu povo, o orgulho, que estavam há duas década e meia praticamente perdidos”, completou o presidente brasileiro, que ontem entrou e saiu sob gritos de “Brasil” e “Lula” ouvidos e gravados na Casa Rosada e na Plaza de Mayo.

História e destino. Se o tempo é de fato o senhor da razão, como apregoam sábios e historiadores, mais uma vez fica evidente que é cedo demais para previsões sobre o verdadeiro retrato de Lula e o seu legado para o futuro. Neste ar meio insano e carregado de paixões que se respira por aqui nesses dias de meros interesses eleitorais e de jogo destrutivo de poder, é precipitado principalmente lançar sentenças definitivas sobre o tamanho de Lula: se ele mergulhará no limbo do esquecimento já a partir de segunda-feira, ou se seguirá presente no imaginário e nas referências dos brasileiros – como um Getúlio Vargas ou um Juscelino do século XXI – depois da votação deste histórico 31 de outubro de 2010.

Isso quem dirá é senhor da razão. E o tempo, em casos assim, demora mais em seu julgamento.

Bom voto a todos.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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