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Postado em 27-10-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 27-10-2010 11:30

Kirchner, partida inesperada do “pinguim”/Página 12(BS)

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A Argentina e a América Latina perdem, mais um de seus políticos referenciais das últimas décadas no continente. De súbita parada cardíaca, segundo as primeiras informações, morreu nesta quarta-feira, 27, o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner , aos 60 anos.

Segundo os jornais argentinos e as agências de notícias internacionais , Kirchner e sua mulher, a atual presidente argentina, Cristina, estavam desde o fim de semana em sua casa em El Calafate. O presidente teve de ser internado às pressas em um clínica na cidade.

Kirchner já havia sido submetido a duas cirurgias de urgência este ano, em fevereiro e setembro, após serem detectadas obstruções em artérias coronárias.

O ex-presidente dirigiu a nação argentina entre 2003 e 2007, quando o país atravessava uma de suas maiores crises econômicas de todos os tempos. Atualmente, era secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Um líder

Nestor Kirchner, nascido ao pé das grandes geleiras do Polo Sul, na região da Patagônia argentina, era chamado popularmente de “El Pinguim” em seu país. Iniciou sua trajetória política em 1987, ao se eleger prefeito da cidade de Río Gallegos, na Provícia de Santa Cruz. Ele conheceu a esposa, Cristina, durante a juventude e em 1975 os dois se casaram. O casal tem dois filhos, de 34 e 21 anos.

Na época, enquanto Cristina já seguia carreia política em Buenos Aires, Néstor Kirchner foi eleito prefeito de Río Gallegos e depois, em 1991, foi eleito governador de Santa Cruz. Kirchner governou a província até 2003, após duas reeleições consecutivas, e foi esse cargo que impulsionou sua candidatura à presidência no mesmo ano.

Eleito presidente em 2003, depois de cumprir o priomeiro mandato ele desistiu de concorrer à reeleição em 2007, apesar de estar em fim de mandato com uma popularidade de 50% – o mais alto nível de aceitação desde a restauração democrática, em 1983.

Na época, analistas políticos especulavam que ele havia favorecido Cristina Kirchner, que então ocupava uma cadeira no Senado, com a perspectiva de voltar ao poder em 2011 e garantir ao clã pelo menos 12 anos consecutivos no poder.

No entanto, as chances de o plano dar certo diminuíram com a queda da popularidade de Cristina, que se elegeu em 2007 com a maioria de votos em todas as regiões da Argentina, com exceção de Buenos Aires, a área mais rica e populosa do país.

Os bons índices de popularidade do início do mandato caíram pelas denúncias de corrupção contra o casal, pela incapacidade de controlar a inflação e pela tentativa de cobrar um imposto agrícola que desatou um conflito de meses com os ruralistas em 2008. Como é considerada marionete do marido, os desacertos do governo Cristina acabaram manchando a reputação de Kirchner.

Marido e mulher

Na história da Argentona, no entanto, Kirchner não foi o primeiro presidente argentino a apoiar sua mulher. Em 1951, o general Juan Perón, líder do justicialismo mais reverenciado na Argentina até hoje, tentou colocar sua segunda mulher, Eva Perón, em sua chapa presidencial, mas líderes de seu partido rejeitaram a proposta.

Anos mais tarde, após a morte de Evita – diminutivo pelo qual ficou conhecida –, o general colocou sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, conhecida popularmente como Isabelita, no cargo de vice-presidente. Após a morte do general, em 1974, Isabelita assumiu o país até ser deposta pelo golpe militar de 24 de março 1976.

A Argentina vela hoje mais um de seus líderes, Nestor Kirchner, morto de repente e prematuramente. E as sombras em relação ao futuro voltam a rondar o belo e complicado país às margens do Rio da Prata.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do IG, jornais argentinos e agências internacionais de notícias e emissoras de rádio).

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