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Postado em 27-10-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 27-10-2010 12:16


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OPINIÃO POLÍTICA

Marina, o PV e o futuro

Ivan de Carvalho

O futuro para Marina Silva e o PV. Pois é, primeiro um elogio à candidata do Partido Verde a presidente da República. Marina teve a delicadeza, com o nosso idioma, de não se denominar candidata a presidenta, como faz a outra, com suposta esperteza demagógica, correndo atrás do voto das mulheres. Presidente não tem variação de gênero, é palavra neutra, serve para homem ou mulher. Presidenta, além de gramaticalmente errado, agride os tímpanos, dá dor de ouvido.

Mas o assunto não é a gramática, que na Era Lula (e, pela amostra, na Era Dilma, se ocorrer) tem sido tratada a sopapos e a acordos ortográficos que até o momento só produziram desacordo entre o governo e os gramáticos oficiais brasileiros, de um lado, e Portugal e suas outras ex-colônias, de outro. Um acordo que, por mais incrível que pareça, só foi realmente aceito e está sendo aplicado por um dos participantes. Melhor chamá-lo, assim, de desacordo ortográfico.

O assunto aqui é o futuro da ex-candidata a presidente, senadora Marina Silva e seu PV, partido no qual ela é ao mesmo tempo a principal liderança e uma iniciante egressa do PT, do qual decidiu se apartar. Marina teve quase 20 por cento dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais e por causa de sua candidatura, colocada em terceiro lugar, haverá segundo turno para, no domingo, o eleitorado escolher entre a petista Dilma e o tucano Serra.

Os 20 por cento de votos obtidos por Marina parecem não haver produzido efeitos eleitorais benéficos para o PV. O bom e mesmo inesperado desempenho de sua candidata a presidente não valeu ao PV sequer uma cadeira a mais no Congresso Nacional. Mesmo com o lançamento de candidaturas a governador e senador nos estados onde isso foi possível, aí incluída a Bahia.

Para o PV, o episódio eleitoral foi interessante apenas porque emprestou força ao debate ambiental na campanha e supõe-se que isso poderá estimular esse debate também depois do período eleitoral. O PV, se souber trabalhar política e socialmente e conseguir ter unidade (o que por enquanto está difícil) poderá, a longo prazo, se beneficiar eleitoralmente do que ocorreu no primeiro turno das eleições presidenciais deste ano.

Quanto a Marina, salvo melhor juízo ou provas em contrário – e estas só podem vir com o tempo – pode ter lançado fora o capital político adquirido no primeiro turno. Aliás, é bom ressalvar que a votação dada a ela não é, em maioria, de militantes e simpatizantes da causa ambiental. Estes seriam, digamos, o contingente inicial, que talvez valesse, no máximo, uns oito pontos percentuais dos 20 obtidos pela candidata verde.

Os 12 pontos percentuais restantes viriam de pessoas com rejeição simultânea – mas não necessariamente com igual intensidade – às candidaturas de Dilma e Serra ou ao que elas parecem ao eleitorado representar ou de gente desgostosa com a política tradicional e em busca de uma alternativa, para valer ou para protestar, alternativa incidentalmente identificada em Marina.

No segundo turno, Marina declarou neutralidade, mesma posição adotada pelo PV como instituição. Tudo indica que esse foi o grande erro, especialmente para Marina, que emergiu como uma liderança. Acontece que liderança política tem que ter lado, tem que decidir a agir, não pode se omitir. Claro que Marina não teria como direcionar, no segundo turno, seja para Dilma, seja para Serra, a maioria dos votos que recebeu no primeiro. Mas, para continuar a afirmação de sua liderança, ela deveria optar e ser ativa. Não o fez. Preferiu ficar fora do jogo. Jogar implica riscos. Mas quem não joga não pode ganhar.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 27 outubro, 2010 at 13:31 #

O “PMDB” de Marina

Façamos um pequeno prólogo

PMDB é hoje sinônimo de “governabilidade”, o que pode ser entendido, face aos exemplos dos últimos 16 anos, com o já tradiconal apoio face à vantagens, especialmente nomeações.

Não cabe mais discutir o ideário peemedebista, parece tarefa insana encontrar alguma ideologia que possa ter sobrevivido à tantas transformações e mudanças de rumo para ficar exatamente no mesmo, lugar, estático, mas voraz.

Dito isto. junta-se ao prólogo o histórico de Marina.

Compulsando jornais, declarações de entusiastas, referências, crônicas, e todo o arsenal à disposição, pode-se resumir:

Nasceu paupérrima

Encontrou o canal de mobilidade social nas mão da Santa Madre Igreja, que a acolheu em uma de suas, então denominadas, ‘comuinidades de base”. Nascedouro do PT.

Filiou-se ao PT.

Conheceu Chico Mendes nesta condição, de membro do partido, e de comunidade de base.

Aproximou-se, e aqui as referências são vagas, não é possível afirmar com certeza como se deu esta relação.

Dúvidas ficam quanto ao status de herdeira das idéias de Chico. Sabe-se apenas que dos que o rodeavam, é ela, sem dúvida quem auferiu ganho social e político.

Dá-se um pulo. e Marina, troca, também sem deixar expresso os motivos, sua religiosidade, torna-se evangélica, abandona a igreja que a acolheu.

Continua entretanto fiel ao PT, mesmo quando este perde a auréola de ético e puro, Marina não só continua como exerce a sagrada função de ministra de Lula, emprestando-lhe, segundo os jornais, credibilidade internacional.

Sai, pelo que consta, por divergências internas, sobretudo com Dilma, que vem a ser a “preferida” de Lula, só assim Marina resolve abandonar o partido, e busca sua nova missão nos braços do soft PV.

E o PMDB de Marina?

Simples, atende pelo nome de Fábio Vaz de Lima, e responde por uma Secretaria de Goveno petista, no Acre, após ter sido flagrado em envergonhado nepotismo, atuando como assessor de gabinete nomeado pelo suplente da senadora, o esquecido pela mídia, Sibá Machado.

Incrível, a campanha passou e nenhuma lauda dos bravos jornalistas e articulistas políticos cuidou desta notável figura.

Espera-se, que após o pleito, Vaz de Lima, surja em algum relevante cargo, fruto talvez, de sua especial desenvoltura, autonomia e capacidade de submergir, esquivando-se de colidir com os arautos da ética e do bom proceder na administração da coisa pública.

Mimetismo, é bom lembrar, é arte para poucos, sem contar o alto grau de disciplina que exige.


marco lino on 27 outubro, 2010 at 20:28 #

Grande Ivan!!!

Meu caro

Como gramática não é o meu forte, fui procurar na web alguma coisa sobre o termo “presidenta” e achei um artigo no Observatório da Imprensa. É de um jornalista “chapa-branca” pernambucano. Segue.

Abs

LEITURAS DA FOLHA
Presidente ou presidenta?

Por Urariano Mota em 31/8/2010

Olhem só a que nível chega o reacionarismo ou, o que é igual ou pior, a prestação de serviço a um patrão reacionário. Na Folha de S.Paulo de sábado (28/8):

“Petista é vendida como `presidenta´ em comícios e `presidente´ na TV

Ana Flor, de São Paulo

“`Afinal, ela vai ser presidente ou presidenta?´, perguntou Rosane dos Santos, ao deixar um comício em São Paulo, na última semana. A militante se referia ao título que a candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff, teria caso eleita. A confusão tem origem no uso, desde o início do ano, nos discursos da candidata, do presidente e de outros aliados, do termo `presidenta´. A alteração do gênero da palavra, que na ortografia não tem versão feminina, foi uma forma de reforçar o fato de Dilma ser mulher…”

Não bastasse o viés (santa palavra do jargão) enviesado, o primeiro parágrafo é uma exibição redundante da mais rotunda ignorância. Ignorância da própria língua: “A alteração do gênero da palavra, que na ortografia não tem versão feminina…” A repórter poderia dizer “A variante do gênero da palavra, que no léxico …”, ou mesmo “A alteração do gênero da palavra, que no vocabulário corrente”, mas ortografia? Pelo amor de todas as flores, não. Ortografia, vale recordar, cuida das regras da escrita correta das palavras e dos pontos de acentuação, segundo a gramática normativa. Comete um erro ortográfico, por exemplo, alguém que escreva “estupideis” em lugar de “estupidez”. Ou “confuzão” em lugar de “confusão”.

A primeira mulher do Brasil na presidência

No caso, se erro houvesse (e não há) em “presidenta”, seria de significado ou semântica porque “presidenta” se encontra há muito dicionarizada. Mas pra quê se importar com tais ninharias, quando o objetivo é jogar “ortografia” no ventilador?

Seria bom que os redatores obedientes dessem uma olhada nos dicionários antes do atendimento ao estalo dos dedos do patrão. Como aqui:

No Dicionário Aurélio: Presidenta – S.f. 1. Mulher que preside. 2. Mulher de um presidente.

No Dicionário Houaiss: Presidenta. Acepções substantivo feminino 1 mulher que se elege para a presidência de um país – Ex.: a p. da Nicarágua 2 mulher que exerce o cargo de presidente de uma instituição – Ex.: a p. da Academia de Letras 3 mulher que preside (algo) – Ex.: a p. da sessão do congresso 4 Estatística: pouco usado. esposa do presidente.

Mas pra quê discutir contra a força do tacape, não é? O que importa mesmo é: Dilma, presidenta. Ou Dilma, presidente. Ou, se quiserem, a primeira mulher do Brasil na presidência. Para que suportem, ou não, uma presidenta nos próximos quatro anos.


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