out
22
Postado em 22-10-2010
Arquivado em (Artigos, Vitor) por vitor em 22-10-2010 23:56

Dilma e Serra: brigas de rua

====================================================
ARTIGO DA SEMANA

De festa democrática a bafafá

Vitor Hugo Soares

Olhando bem para os fatos da semana, a campanha presidencial, à medida que se aproxima do fim, perde de vez o quase nada de substância política e conteúdo programático apresentados no primeiro turno pelos candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) e os que os apóiam. Qualidades que, a bem da verdade, se deveram principalmente à presença na disputa da candidata do PV, Marina Silva.

Assim, aquilo que deveria ser bonita e exemplar festa do livre, inteligente e saudável confronto de novas idéias e projetos para o País, fica cada dia mais parecido com um bafafá de beira de estrada, semelhante ao narrado na letra de “A Mulher do Aníbal”, música interpretada originalmente pelo mestre ritmista Jackson do Pandeiro.

Para os de pouca memória, não custa lembrar: a composição de Genival Macedo e Nestor de Paula, na voz do grande artista paraibano, virou um dos maiores sucessos nos forrós nordestinos nos anos 50/60. Não havia garoto na região – a exemplo deste jornalista que vos escreve – que não tivesse na ponta da língua, letra e música de “A Mulher do Aníbal”.

A música foi depois reinterpretada em gravação mais recente de Chico Buarque de Holanda (de avô pernambucano). Por coincidência (ou não?) um dos principais e mais polêmicos personagens políticos desta semana, ao lado de Oscar Niemeyer. O arquiteto, enfrentando a chuva e os 102 anos de idade, como assinalou o jornal português Diário de Notícias, compareceu de cadeira de rodas ao ato de declaração de voto de artistas e intelectuais no Teatro Casa Grande, no Rio.

Uma semana para não esquecer na refrega decisiva entre a petista Dilma e o tucano Serra pelo assento do poder que depois de oito anos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixará livre em janeiro de 2011 no Palácio do Planalto. Nomes de peso no atual “staff” de comando da campanha governista, novamente eufóricos com os mais recentes números das pesquisas, estão convencidos de que “o grito dos artistas” na histórica casa de espetáculos carioca, foi um marco. Serviu para acordar Lula, Dilma e os propagandistas de sua campanha, que andavam sonolentos e sem inspiração diante do inesperado segundo turno que tiveram de encarar.

Os números da mais recente pesquisa do instituto Datafolha, porém, apontam também em outras direções na arrancada final da candidata petista: a popularidade do presidente Lula, que não para de aumentar e quase bate no teto em fim de governo de dois mandatos. Isso teria turbinado o desempenho de Dilma Rousseff, principalmente na região Nordeste, seu maior celeiro de votos no primeiro turno (Bahia e Pernambuco à frente), enquanto o candidato do PSDB, José Serra, segue derrapando no Sudeste, área que os tucanos e seus aliados do DEM sempre tiveram como fundamental para uma “virada” antes de 31 de outubro.

No Nordeste (cerca de 27% dos eleitores do país), Dilma cresceu cinco pontos em uma semana, indo de 60% a 65% das intenções de voto. Lula, segundo o Datafolha, registrou esta semana 82% no pico de aprovação para o seu mandato (respostas “bom” e “ótimo”), desde quando assumiu o comando do poder, em janeiro de 2003.

Serra só lidera no Sul, no conjunto das regiões brasileiras, com 50% (tinha 48% semana passada) contra 39% da governista (o percentual era de 40%). No Nordeste, para quem segue acreditando em pesquisas eleitorais, a mais recente Datafolha indica que a vantagem de Dilma é de 37 pontos (Serra só pontua 28% na região quando faltam oito dias para a votação). No Norte e no Centro-Oeste juntos, Dilma tem 49% contra 42% do tucano.

Tudo pode não passar de nuvens de momento, embora os números parecem indicar que cada vez é mais reduzido o percentual dos que acreditam nessa história, incluindo os mineiros que a criaram.Virar o jogo, portanto, não é tarefa fácil para os tucanos e seus aliados no segundo turno. Vários deles, dos mais importantes, já abatidos no primeiro. Muito menos com campanha conduzida nos moldes arruaceiros atuais.

O coco do sucesso de Jackson do Pandeiro pergunta em seu refrão principal: “Que briga é aquela que vem acolá?”. E narra o bafafá da mulher do Aníbal com o Zé Hangar, iniciada “numa brincadeira lá no brejo véio”, na qual a mulher do Aníbal foi dançar , “e o Zé inxirido, quis lhe conquistar”. O tempo virou, e de madrugada , no meio da estrada, o pau ainda “tava comendo”.
Mais não conto para não tirar a graça. Quem não conhece ainda a historia, que a escute na voz de Jackson do Pandeiro ou de Chico Buarque. Só posso adiantar que o caso não acaba bem para o Zé do Hangar. Mas isso é coco e não tem nada a ver com eleição.

Ou será que tem?

Vitor Hugo Soares é jornalista . E-mail; Vitor_soatres1

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 23 outubro, 2010 at 5:42 #

Quem perdeu?

Resposta simples e constrangedora:

– Quase todos!

Perderam eleitores

Perderam as redações

Perderam os leitores

Perderam os blogs, salvo raríssimas exceções

Perdeu a história

Perdeu a ética

E ao que parece, a nação perdeu a vergonha, ou o pouco que dela restava.

Quem ganha?

Não importa

São iguais

Na ausência d epropstas

Na omissão face aos reais problemas

E, sobretudo, na falsidade, senão ideológica, já que não professam nenhuma, mas, na falsidade de estampa, made in marketing world.

E, por certo, seja quem for, governara com o tal PMDB, São Sarney e são Renan, secundados pelo profeta Jucá.


luiz alfredo motta fontana on 23 outubro, 2010 at 5:43 #

favor mudar no meu cadastro o e-mail


luiz alfredo motta fontana on 23 outubro, 2010 at 5:51 #

Quem perdeu?

Resposta simples e constrangedora:

– Quase todos!

Perderam eleitores

Perderam as redações

Perderam os leitores

Perderam os blogs, salvo raríssimas exceções

Perdeu a história

Perdeu a ética

E ao que parece, a nação perdeu a vergonha, ou o pouco que dela restava.

Quem ganha?

Não importa

São iguais

Na ausência d epropstas

Na omissão face aos reais problemas

E, sobretudo, na falsidade, senão ideológica, já que não professam nenhuma, mas, na falsidade de estampa, made in marketing world.

E, por certo, seja quem for, governara com o tal PMDB, São Sarney e são Renan, secundados pelo profeta Jucá.

Em tempo:

Cara Moderadora

ignore os comentários retidos no filtro, a razão foi a mudança de e-mail. Assim rogo que atualize meu cadastro para não padecer desta retenção.

Aqui assinalei o do uol (antigo) embora tenha mudado para Globo (atual)

Favor atualizar e confirmar no novo e-mail, para que eu possa utilizar normalmente o atual

Grato


luiz alfredo motta fontana on 23 outubro, 2010 at 7:17 #

Caro VHS

Aqui a lucidez de Helio Fernandes

Talvez o que melhor pintou os horrores desta campanha

Uma ode à arrogância, insensatez e tibieza dos contendores

—————————————————

sábado, 23 de outubro de 2010 | 07:10
Dilma e Serra, personificam, protagonizam e participam da eleição mais vergonhosa, mentirosa e enganosa de toda a História da República.

Helio Fernandes

Na Primeira República, foram 41 anos sem eleição, sem povo, sem voto, sem urna, sem disputa. Existia apenas um candidato, lançado pelo próprio ocupante do Catete. Não havia eleitor ou discordância. Como discordar se só havia um candidato, um partido, ninguém podia votar, a não ser os teleguiados dos donos do Poder?

Como República Velha, só saiu da História pela porta dos fundos, na verdade da mesma forma como entrara. Os tumultos eram transferidos para a “eleição” dos governadores, quase sempre dois. Um que era chamado de “eleito”, outro “garantido” pela Justiça.

(E isso não foi muito longe ou distante. Barbosa Lima Sobrinho, depois grande personagem nacional, ficou mais de um ano na Justiça, disputando com Neto Campelo quem seria o governador de Pernambuco. Nilo Peçanha, ex-presidente da República, no Estado do Rio foi eleito governador, mas teve que dividir o Poder, com outro designado pela Justiça).

Praticamente todas as eleições foram tumultuadas antes, durante e depois do que chamamos eleição. Benedito Valadares, um dentista que chegou a ser comensal de presidentes da República, distribuía os envelopes, logicamente fechados. E quando alguém protestava e reclamava, “o voto não é secreto?”, recebia como resposta, “então, se é secreto, como é que você quer saber?”.

Isso não é lenda nem folclore, e sim o retrato de uma época. Dessa forma, excluídos os 41 anos da Primeira República, os 15 anos de uma ditadura e os 21 da outra, sobrou pouco tempo para a indicação, escolha e sagração, para a decisão do cidadão-contribuinte-eleitor.

Acreditava-se, não apenas de boa fé, mas como manifestação da convicção, que esta eleição de 2010 fosse limpa, representativa, digna e verdadeira. O fato de um presidente da República estar participando da escolha feita por ele mesmo, de uma “candidata-poste”, nada surpreendente. Não foi sempre assim?

Com 135 milhões de eleitores inscritos, esperava-se que seria difícil deturpar o resultado, principalmente por causa da profundidade e da repercussão do rádio e da televisão. Diziam: “Nada poderá ser escondido, tudo será revelado, ninguém terá condições de mentir, de ficar nos subterrâneos da campanha”.

Pois a “mentiralhada” veio precisamente dos órgãos de comunicação, lógico, com a colaboração dos candidatos, e v-e-r-g-o-n-h-o-s-a-m-e-n-t-e do próprio presidente da República. (Em exercício? Ou fingindo neutralidade, apenas fingindo, como fez durante os 8 anos em que esteve e está à frente do governo?)

A baixaria, (desculpem, mas é a palavra consagrada e “autenticada” pelos dois candidatos) ideológica, política, eleitoral, parecia insuperável. Tratavam, de um lado e do outro, de tudo, de muito, de várias coisas, menos do que interessava, que era o programa, o projeto de governo, o que o povo esperava, as realizações para a independência do país e a prosperidade geral.

Mas a degradação dos insultos chegou a um nível tão baixo, de parte a parte, que precisavam mistificar de outra forma, fazer maquiagem tão deturpadora, trazer mais sensação para a televisão, que os ataques verbais já não eram suficientes.

Compreenderam (e atenderam e entenderam) que os órgãos de comunicação estava sedentos e famintos por mais “espetáculo”, por mais “malabarismo”, por mais “Cirque du Soleil”, sem a grandiosidade do verdadeiro. Mas Dilma E Serra não têm nenhuma seriedade, então entraram de cabeça no estapafúrdio, no acintoso, no desnecessário.

Os “partidários” de Dilma admitiram usar a cabeça, Serra entrou coma própria num show de “espetaculosidade”, mobilizando pessoas que nem sabiam que eram (ou seriam) participantes da transformação da baixaria verbal em baixaria física. Começou na Zona Oeste, durou alguns segundos, vá lá, minutos, que já duram hora e dias.

Jogaram uma “bolinha” de papel, que de tão pequena, bateu na cabeça (dura) de Serra, ele não percebeu nem sentiu. Continuou falando e tentando dizer alguma coisa que fugisse da “bobageira” habitual, a forma que encontrava diariamente para se comparar com a adversária poste.

Ia entrando na van, acenou tranquilamente, recebeu um telefonema, mesmo assim custou a representar a farsa. Depois, diria: “Senti o golpe, não fiquei grogue (textual) nem desmaiei, mas resolvi consultar um médico”.

Estava em Campo Grande, pelo caminho existiam vários hospitais, mas preferiu ser atendido num que ficava a 1 hora e meia de onde o “atingiram”. Esse hospital onde parou, é o mais socialaite e socialaitizado” do Rio de Janeiro. Qualquer pessoa que passe na porta já vira notícia, os atendentes desse hospital telefonam logo para vários, diversos, muitos colunistas.

Mas não havia nada a tratar, conversou algum tempo, deu a si mesmo a “recomendação de descanso”. Já estava quase noite, precisava mesmo ir para São Paulo, a “equipe” trataria da dramatização. Ligaram para um perito que está sempre à disposição para “peritar”, montaram com espantosa velocidade o “show”, não mais da “bolinha” e sim de “um objeto mais duro, que batendo na cabeça, dói mesmo”. E logo já estava nas televisões e nos sites, no dia seguinte na manchetes. E assim aconteceu.

Só que nem mesmo os farsantes mais entusiasmados do lado de Serra, acreditavam que receberiam o mais importante apoio que existia, a participação do próprio Lula. Presidente da República e inventor da candidata-poste, deu ordens: “Digam à Dilma para não entrar nesse negócio de agressão, DEIXEM EXCLUSIVAMENTE PARA MIM, LIQUIDO ISSO COM POUCAS PALAVRAS”.

Lula é tão arrogante, presunçoso, petulante e pretensioso, que se acha mais importante do que o próprio cargo de presidente, não imaginou que em vez de LIQUIDAR a questão, PRORROGARIA sua duração. E como tem que botar futebol no meio de tudo, comparou a atitude de Serra, “com a de Rojas”.

Esse Rojas foi um goleiro do Chile que engendrou uma farsa no Maracanã, eliminatória de Copa do Mundo. Só que isso aconteceu há tanto tempo, que pouca gente sabia quem era esse Rojas. Sobrou para mim, que passei o dia tendo de explicar quem era o Rojas.

O assunto não parou mais, as televisões martelaram de hora em hora, Os jornalões só “mudavam o disco”, para “tocarem” as pesquisas Datafolha, pagas pelo Globo e a própria Folha. Que não se acertavam, pagaram mas se desdiziam.

Esse “atentado” vai atravessar a semana, terá dois “debates” para maior provocação e repercussão. “Debates” na Record e na TV Globo. Um jornalão “pagador” encontrou Dilma 12 pontos na frente de Serra. O outro, também pagador, concluiu que a vantagem dela é de 10 pontos.

***

PS – Serra, (que jamais será presidente, afirmação e análise que completa 8 anos) é tão fraco, frágil e sem carisma, que não mudará coisa alguma nesses dois “debates” nas televisões de maior audiência. Embora com enorme diferença.

PS2 – Acho que não há uma possibilidade em um milhão de Serra ultrapassar Dilma. O próprio Lula fez força, mas não conseguiu.

PS3- Quanto a esse repórter, que já se fartara de garantir que anularia seu voto, agora se convenceu mesmo: se pudesse, diminuirira a votação de Dilma e de Serra. Para que assumissem (ela) mais enfraquecidos, se isso fosse possível),

PS4 – Como Lula gosta muito de futebol, termino hoje com o filósofo do futebol, Neném Prancha: “Quem pede recebe, quem se desloca tem preferência”. Dilma e Serra não pediram nem se deslocaram, nenhuma p-r-e-f-e-r-ê-n-c-i-a.


luiz alfredo motta fontana on 23 outubro, 2010 at 7:48 #

Caro VHS

Dando por fido os tratos

Já que os personagens são rasos

Renovando os copos

Porque votos é que coisa outra

Fica aqui uma sugestão

Para esta noite de sábado

Escutar com atenção

O mais baiano dos marilienses

Graças aos cuidados e atenções de Glauber Rocha

Sérgio Ricardo em “Vou Renovar”

que termina a embolada com esta estrófe:

Vou renovar
No rompante da embolada
Deu-se a classificação
Mas vou me livrar do fato
Concluindo a falação
Pra ficar tudo onde está
Eu não me chamo Benedito
E fica o dito por não dito
E o dito por não falar

Tim tim

Aqui, Sérgio Ricardo, direto do forno do blogbar:

http://www.youtube.com/watch?v=1rcTfWaDIts


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos