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Postado em 18-10-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 18-10-2010 07:29

Dilma: explicações aos cristãos

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OPINIÃO POLÍTICA

A mensagem aos cristãos

Ivan de Carvalho

Não é novidade, pois aconteceu em fins da semana passada, mas é uma coisa extraordinária. A candidata do PT a presidente da República julgou necessário, atendendo ao debate de questões de interesse também religioso que ocorre na campanha eleitoral, divulgar uma “mensagem” assinada de próprio punho, dirigida aos cristãos. Atendeu a 51 representantes de igrejas evangélicas.

O que parece extraordinário: a cobrança de um manifesto sobre aquelas questões e a conclusão de Dilma Rousseff de que precisava atender a essa cobrança. Uma cobrança que, até o momento, não foi feita ao tucano José Serra.

A necessidade que a candidata petista sentiu de divulgar sua mensagem-compromisso reflete as objeções que nos meios cristãos (ostensivamente em meios católicos e evangélicos) têm sido feitas a suas posições pessoais sobre crença em Deus e sobre o aborto. Também têm sido levantados, com mais ou menos intensidade, outros pontos que o clero – católico e, mais ainda, o evangélico – considera muito relevantes.

Após uma breve introdução, a candidata petista enumera seis itens e em seguida faz breves considerações finais. Vamos ao principal, os seis itens:

1. Defendo a convivência entre as diferentes religiões e a liberdade religiosa, assegurada pela Constituição Federal;

2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto;

(Aí, o primeiro e maior nó. Em 2007, em sabatina na Folha de São Paulo, gravada em vídeo, ela disse explicitamente que é um absurdo não haver Brasil a descriminalização do aborto e se manifesta a favor de que ocorra. Já em abril do ano passado, em entrevista à revista Marie Claire, reafirma o que dissera à Folha. O PT, partido dela, tem em seu programa, aprovada no III Congresso Nacional da legenda, uma resolução que impõe diretriz a favor da eliminação do artigo 127 do Código Penal, que criminaliza o aborto e abre apenas duas exceções legais. O governo Lula realiza neste momento estudo sobre a questão do aborto, inclusive quanto a seus aspectos legais).

3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.

(Continua o nó górdio da candidatura Dilma com os cristãos – e outros crentes que também fazem objeção ao aborto, como os espíritas, muçulmanos, budistas, etc. Ela se compromete na mensagem a não tomar a iniciativa de propor alterações na “legislação sobre aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país”. Mas não se compromete a vetar mudança na lei do aborto, se o Congresso Nacional aprovar. Os evangélicos que se reuniram com ela pediram o compromisso do veto, ela concordou em por na “mensagem”, mas recuou. Motivo sério houve).

4. O PNDH3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família;

(É que o PNDH3 também pretende facilitar o aborto. E nem dá para comentar o item porque até a mais superficial análise chegará à conclusão de que mais vago não poderia ser o “compromisso”, na forma em que foi posta neste item).

5. Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil;

(Trata-se, aí, do projeto de lei que “criminaliza a homofobia”, com pena de prisão. As igrejas estão chamando isto de “lei da mordaça” e temem que seja usada para punir sacerdotes e fiéis que falem contra a homossexualidade. Dilma diz que sancionará o que não violar a liberdade de crença, culto e expressão. De acordo, é claro, com a visão dela, se for eleita presidente. Não se colocou contra o PL 122, como o fazem todas ou quase todas as igrejas cristãs no Brasil, preocupadas, inclusive, que isso abra a porta para outras restrições à liberdade religiosa).

No item 6, a candidata Dilma Rousseff apenas promete leis e programas “que tenham a família como foco principal”, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida. Mas isso é outra história, é enfeite e não tem nada a ver.

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Comentários

Marco Lino on 18 outubro, 2010 at 7:54 #

Caro Carvalho

Continuar falando em aborto depois do
que a Divina Providência revelou está perigoso, não? Mesmo sendo o comentário sobre a irmã Dilma, o assunto é nitroglicerina pura na campanha do santo do pau oco. Abs


luiz alfredo motta fontana on 18 outubro, 2010 at 8:28 #

Evangelho Segundo Carvalho

“Do quase apocalipse”

(sem versículos, versos ou poesia)

E disse o escriba:

– Mesmo que pareçam iguais, diversos saõ os que rogam vosso sufrágio!

Ao que a massa, por certo, ignara, respondeu:

– Dai-nos uma dica!

E disse o escrevinhador:

– o mal assume várias formas, entre elas a do justo e merecedor, não é permitida a dúvida, apenas o credo em meu escrever

Lá do fundo, em tom gaiato, o comentarista exclama:

– Péra ai, não foi ela, a companheira, do que hoje aponta o infanticídio, quem, segundo o sempre atento noticário político, outrora utilizou os meios infames?

Fez-se silêncio na redação.

O tempo parecia engordar.

Até que esbaforido, o estafeta, entregou o bilhete.

Nele a palavra final, a melhor das exegeses:

– Vários são os caminhos da salvação, e surpreendentes os instrumentos dos quais se utiliza o guia.

E em tom severo, dirigiu-se à massa :

– Mesmo que vestida de controvérsia, o repto da companheira, ainda que um dia pecasse, é irrespondível!

Para finalizar:

– Ela, quer dizer a outra, “a escolhida” do rei, simplesmente “Mata criancinhas”

E o povo horrorizado dispersou, não sem antes recolherem os santinhos da emplumada criatura.

Nota da testemunha:

– Em verdade vos digo, tanto o “um” como a “outra”, ou versa do vice, são, a seu modo e jeito, apenas um lado da mesma impura moeda.

Ao que traduz o cínico:

– Que tal pomponeta-pita-pita???

– A escolha ficará mais divertida!


luiz alfredo motta fontana on 18 outubro, 2010 at 8:41 #

errata

recolherem = recolher


joemar rios de oliveira on 18 outubro, 2010 at 9:39 #

OPINIÃO POLÍTICA

A mensagem aos cristãos

Ivan de Carvalho

Não é novidade, pois aconteceu em fins da semana passada, mas é uma coisa extraordinária. A candidata do PT a presidente da República julgou necessário, atendendo ao debate de questões de interesse também religioso que ocorre na campanha eleitoral, divulgar uma “mensagem” assinada de próprio punho, dirigida aos cristãos. Atendeu a 51 representantes de igrejas evangélicas.

O que parece extraordinário: a cobrança de um manifesto sobre aquelas questões e a conclusão de Dilma Rousseff de que precisava atender a essa cobrança. Uma cobrança que, até o momento, não foi feita ao tucano José Serra.

A necessidade que a candidata petista sentiu de divulgar sua mensagem-compromisso reflete as objeções que nos meios cristãos (ostensivamente em meios católicos e evangélicos) têm sido feitas a suas posições pessoais sobre crença em Deus e sobre o aborto. Também têm sido levantados, com mais ou menos intensidade, outros pontos que o clero – católico e, mais ainda, o evangélico – considera muito relevantes.

Após uma breve introdução, a candidata petista enumera seis itens e em seguida faz breves considerações finais. Vamos ao principal, os seis itens:

1. Defendo a convivência entre as diferentes religiões e a liberdade religiosa, assegurada pela Constituição Federal;

2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto;

(Aí, o primeiro e maior nó. Em 2007, em sabatina na Folha de São Paulo, gravada em vídeo, ela disse explicitamente que é um absurdo não haver Brasil a descriminalização do aborto e se manifesta a favor de que ocorra. Já em abril do ano passado, em entrevista à revista Marie Claire, reafirma o que dissera à Folha. O PT, partido dela, tem em seu programa, aprovada no III Congresso Nacional da legenda, uma resolução que impõe diretriz a favor da eliminação do artigo 127 do Código Penal, que criminaliza o aborto e abre apenas duas exceções legais. O governo Lula realiza neste momento estudo sobre a questão do aborto, inclusive quanto a seus aspectos legais).

3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.

(Continua o nó górdio da candidatura Dilma com os cristãos – e outros crentes que também fazem objeção ao aborto, como os espíritas, muçulmanos, budistas, etc. Ela se compromete na mensagem a não tomar a iniciativa de propor alterações na “legislação sobre aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país”. Mas não se compromete a vetar mudança na lei do aborto, se o Congresso Nacional aprovar. Os evangélicos que se reuniram com ela pediram o compromisso do veto, ela concordou em por na “mensagem”, mas recuou. Motivo sério houve).

4. O PNDH3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família;

(É que o PNDH3 também pretende facilitar o aborto. E nem dá para comentar o item porque até a mais superficial análise chegará à conclusão de que mais vago não poderia ser o “compromisso”, na forma em que foi posta neste item).

5. Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil;

(Trata-se, aí, do projeto de lei que “criminaliza a homofobia”, com pena de prisão. As igrejas estão chamando isto de “lei da mordaça” e temem que seja usada para punir sacerdotes e fiéis que falem contra a homossexualidade. Dilma diz que sancionará o que não violar a liberdade de crença, culto e expressão. De acordo, é claro, com a visão dela, se for eleita presidente. Não se colocou contra o PL 122, como o fazem todas ou quase todas as igrejas cristãs no Brasil, preocupadas, inclusive, que isso abra a porta para outras restrições à liberdade religiosa).

No item 6, a candidata Dilma Rousseff apenas promete leis e programas “que tenham a família como foco principal”, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida. Mas isso é outra história, é enfeite e não tem nada a ver.


joemar rios de oliveira on 18 outubro, 2010 at 9:44 #

A Segurança Pública não pode ser tratada apenas como medidas de vigilância e repressiva, mas como um sistema integrado e otimizado envolvendo instrumento de prevenção, coação, justiça, defesa dos direitos, saúde e social. O processo de segurança pública se inicia pela prevenção e finda na reparação do dano, no tratamento das causas e na reinclusão na sociedade do autor do ilícito.

Assim, segurança pública é um processo (ou seja, uma sequência contínua de fatos ou operações que apresentam certa unidade ou que se reproduzem com certa regularidade), que compartilha uma visão focada em componentes preventivos, repressivos, judiciais, saúde e sociais. É um processo sistêmico, pela necessidade da integração de um conjunto de conhecimentos e ferramentas estatais que devem interagir a mesma visão, compromissos e objetivos. Deve ser também otimizado, pois dependem de decisões rápidas, medidas saneadoras e resultados imediatos.

Sendo a ordem pública um estado de serenidade, apaziguamento e tranqüilidade pública, em consonância com as leis, os preceitos e os costumes que regulam a convivência em sociedade, a preservação deste direito do cidadão só será amplo se o conceito de segurança pública for aplicado.


luiz alfredo motta fontana on 18 outubro, 2010 at 10:18 #

Helio Fernades para exorcizar a campanha:

Deu na Tribuna da Imprensa:

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Segunda-feira, 18 de outubro de 2010 | 07:10

Helio Fernandes

Dentro de 13 dias, duas facções (criminosas?) tentarão aprisionar 195 milhões de brasileiros, e uma das maiores riquezas do mundo. Serra: imprecisão, omissão, presunção. Dilma: incoerente, inconseqüente, imprudente.

Que campanha, posso dizer, repetindo a decepção que manifesto sempre, com o que República. (Muita gente me escreve, me pergunta por que não coloco exclamação no final da frase. Não uso sinais inúteis e redundantes, como exclamação, ponto e vírgula, reticência, nada que complique ou macule a palavra).

Serra e Dilma (Lula) perdem tempo, abusam e desperdiçam oportunidades. Serra sabe que não vai ganhar. Dilma tem medo de não ganhar. Eleitoralmente andam de muletas, politicamente nem conseguem arranjar muletas, administrativamente, dois fracassos ambulantes e permanentes.

Gastam um preciso tempo (não para eles) que deveria ser usado para explicar e convencer o eleitorado. E olhem que apesar da abstenção de 27 milhões de eleitores, ainda sobram 108 milhões. (Nos EUA, em 1960, o auge do comparecimento, escolha Kennedy-Nixon, votaram 60 milhões. Nada a ver com o voto obrigatório).

Serra e Dilma deveriam estar usando o espaço da televisão e dos jornalões amigos, para conversar sóbria e dedicadamente com os cidadãos-contribuintes-eleitores, mostrar suas convicções, recolher, nos debates, contribuições para seus próprios projetos e programas de governo.

Não, em vez disso, se trancafiam, se enclausuram em assuntos que nada têm a ver com as tarefas, os Poderes e as obrigações do Presidente, chefe do Poder Executivo.

Me refiro naturalmente às questões do ABORTO e do CASAMENTO GAY. A campanha está dominada, nos dois lados, por esses assuntos, que são puramente pessoais. Sendo que usar o ABORTO, constrangedor, (e que me recuso a comentar atingindo um candidato ou o outro) fragiliza os dois lados, não deveria ter sido trazido para uma campanha que não tem nada a ver com o voto.

Dilma e Serra esgotam o inútil, não reservam o mínimo de tempo que seja para as grandes questões nacionais. É que Serra e Dilma estão igualmente “ilhados” no comprometimento, qualquer que seja a exigência do comprometimento nacional.

1 – Não podem tratar de DÍVIDA INTERNA e EXTERNA, tanto o governo FHC quanto o de Lula M-E-N-T-I-R-A-M d-e-s-b-r-a-g-a-d-a-m-e-n-t-e, que palavra, sobre o assunto.

2 – Juros altíssimos comprometem FHC (Serra) e Lula (Dilma). FHC entregou esses juros a Lula em 25 por cento, depois de estar em 44 por cento. Lula manteve em quase 12%, um absurdo.

3 – Nenhuma linha sobre a Amazônia, no primeiro e no segundo turno.

4 – Embora considerem que o MEIO AMBIENTE seja assunto predominante, não se interessaram. Quer dizer: no primeiro turno, achavam que a questão era de Dona Marina. No segundo, sabem que Dona Marina perdeu a importância, não querem se comprometer, consideram que o assunto será resolvido nos bastidores, na troca de cargos.

***

PS – Portanto, tudo que está no título em relação a Dilma e Serra, rigorosamente verdadeiro. Nunca vi campanha eleitoral tão sórdida, corrupta e vergonhosa. Como aliás acontecerá com a vitória de qualquer um deles.

PS2 – Serra não será presidente. Seus “adeptos” estão alarmados, já “discutem” entre eles, se Serra deve ser novamente prefeito de São Paulo, enfrentando Dona Marta.

PS3 – A quase certeza da derrota levaria à quase certeza da vitória de Dilma. Isso poderia ser considerado compensação? A não ser que fosse COMPENSAÇÃO CONTRA.

PS4 – Também “esqueceram” ou “não se lembraram” de falar na IMPORTANTÍSSIMA REFORMA PARTIDÁRIA. Por que exigiriam partidos fortes, convenções, participação direta do povo. Se tudo isso existisse, não seriam candidatos.

PS5 – Tenho que pedir desculpas pelas seis (6) palavras que usei no título, 3 para Serra, 3 para Dilma. Por favor, juntem as 6 e rotulem os dois candidatos com elas.

PS6 –Na verdade, Dilma e Serra MERECEM um dicionário de restrições, de A a Z.

PS7 – Como fiz com o ministro do STJ que QUERIA IR para o Supremo, Asfor Rocha. Um dicionário inteiro para Serra e Dilma, pura redundância. Todas as palavras NEGATIVAS, valem para os dois. As POSITIVAS, difíceis de encontrar.


Marco Lino on 18 outubro, 2010 at 10:49 #

Bem que o Fernandes poderia ter agora 30 anos, pois, assim, escreveria por mais 60. Gosto de pessoas que escrevem com isenção. Ainda que não conseguissem, todos deveriam tentar.


aloisio franca rocha filho on 19 outubro, 2010 at 9:56 #

Vitor, vai o meu abraço pelo dia de hoje (há tempos não o vejo). Leitor do seu site como de suas outras reportagens em jornais sinto-me feliz
em sempre me deparar com um jornalismo crítico, plural, democrático honrando o leitor o que é uma honra para si próprio.


vitor on 19 outubro, 2010 at 11:33 #

Aloisio

Que belo presente – a sua presença no Bahia em Pauta – você oferece a este libriano de coração mole, que tanto o admira e sente-se honrado em tê-lo como amigo querido há tantos anos.

Vejo e sinto por sua mensagem que o tempo e a falta de encontros mais frequentes -o poeta Vinicius já disse tudo sobre isso – em nada reduziram seu jeito gentil e sua generosidade inesgotável.

Um reencontro feliz como este para mim já justifica o BP. Chega mais, amigo.

Grande abraço do sempre amigo agradecido

Vitor Hugo


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