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Postado em 18-10-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 18-10-2010 14:55

Serra com Monica: indignação

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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

SERRA EM TRANSE

Fernando de Barros e Silva

Não resisto a uma provocação inicial: a blogosfera estaria em polvorosa e os serviços da ombudsman da Folha amanheceriam entupidos de mensagens indignadas contra o jornal se a notícia não dissesse respeito a Monica Serra, mas a Dilma Rousseff.
Isso dito, é claro que é polêmica a publicação do relato de uma ex-aluna da mulher de Serra dando conta de que ela (Monica), em sala de aula, revelou já ter praticado um aborto. Não se trata de uma notícia qualquer. Ela coloca em conflito o direito à informação, de um lado, e o direito à privacidade, de outro.
Haverá, neste caso, bons argumentos a favor e contra a publicação. Penso que a Folha acertou, por duas razões principais: com o aborto alçado a tópico da disputa eleitoral (e por obra de Serra), o episódio passou a envolver evidente interesse público. E, tão importante quanto isso: Monica Serra havia dito, há um mês, em campanha pelo marido no Rio, que Dilma era a favor de “matar criancinhas”, numa clara alusão à posição da petista sobre o aborto. Ao assumir como sua, e nos termos que fez, a campanha do marido, Monica fixou para si as regras do jogo que estaria disposta a jogar.
O caso (tão desconfortável, tão cheio de implicações desagradáveis a quem o aborda) permite, ou exige, uma reflexão de ordem mais geral. O PT tem sido acusado, quase sempre com razão, de ser capaz de qualquer coisa para se manter no poder. Isso virou um mantra, a despeito da sua veracidade. Mas Serra não está se revelando, já faz tempo, alguém disposto a pagar qualquer preço para chegar ao poder?
Essa pantomima de devoção e carolice que se apossou da campanha tucana (e que nada tem a ver, como parece óbvio, com respeito efetivo pela religiosidade do povo) é a expressão patética de que tudo (biografia, valores, familiares) está sendo sacrificado em nome de uma ideia fixa. Serra sonha ser presidente. Mas se parece, cada vez mais, com o personagem de Paulo Autran em “Terra em Transe”.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 18 outubro, 2010 at 15:34 #

O falso dilema

O articulista Fernando de Barros e Silva, exagera na cautela.

Afirma:

“Não se trata de uma notícia qualquer. Ela coloca em conflito o direito à informação, de um lado, e o direito à privacidade, de outro.”

Sem razão o escriba.

Serra é candidato à presidência, o maior e mais delicado cargo da nossa jovem república, e apresenta-se por vontade própria, atendendo apenas aos seus anseios pessoais. Dirão alguns, ao estilo do autor do texto: – “E de seu partido”. Aceita-se até por em nada alterar a sua real condição.

É Serra apenas um postulante, contumaz, acrescentaria, o bom observador.

Sua esposa, e candidata à primeira entre as damas, compartilha seu fado, ao que parece, com agrado, ao menos, não demonstra irritação ou incômodo.

Nestas condições, é necessário aduzir, que candidatos à cargos públicos, especialmente este, devem, e podem ter, suas vidas esmiuçadas, sua história relatada, suas idéias, suas atitudes, quer como gestores, quer como meros cidadãos expostas, afinal é em nome do cidadão comum que irão governar.

O caso de Monica tem ainda uma razão a mais. Ela não confidenciou um segredo pessoal à um grupo privado de amigas, e sim, utilizou uma experiência pessoal, como fonte de discurso em sala de aula, certamente com as melhores das intenções que a moviam como professora, assim, sua história adquiriu o condão de estudo sociológico, ou até mesmo psicológico, ilustrando algumas de suas idéias de formadora por vocação.

Não há como espancar o relato da outrora aluna, não cabe censura, nem mesmo o rigor do dito “politicamente correto”, apenas. admite-se, no máximo o cotejamento de diversificadas reações ao fato.

Agora, o que destoa, e provoca reações de opróbio, é a outra declaração da “meiga” Senhora Serra, quando em flagrante agressão, aplica à “preferida do rei”, a Dona Dilma, essa, no mínimo, controvertida personagem, alçada ao palco por Lula, o repto de “matar criancinhas”, numa total demonstração de falta de freios e, sobretudo, devoção ao “vale tudo” em nome da conquista de seu “dileto maridinho.”

Esse o ponto, essa a face desnudada da Senhora Serra.

O pleito de há muito adquiriu o de escolha entre o péssimo e o pior impossível.


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