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Do disco MILTON 1970

Clube da Esquina
(Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges)

Noite chegou outra vez, de novo na esquina
Os homens estão, todos se acham imortais
Dividem a noite, e lua e até solidão
Neste clube, a gente sozinha se vê pela última vez
À espera do dia, naquela calçada
Fugindo de outro lugar perto da noite estou
O rumo encontro nas pedras
Encontro de vez um grande país
Eu espero, espero do fundo da noite chegar
Mas agora eu quero tomar suas mãos
Vou buscá-la aonde for
Venha até a esquina

Você não conhece o futuro
Que eu tenho nas mãos
Agora as portas vão todas se fechar
No claro do dia, o novo encontrarei
E no curral D’el Rey
Janelas se abram ao negro do mundo lunar
Mas eu não me acho perdido
No fundo da noite partiu minha voz
Já é hora do corpo vencer a manhã
Outro dia já vem e a vida se cansa na esquina
Fugindo, fugindo pra outro lugar
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BOA NOITE!!!

out
18

Dilma e Chico Buarque no…

…No Teatro Casa Grande lotado

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Um grupo de artistas e intelectuais brasileiros entregou na noite desta segunda-feira,18, à candidata do PT Dilma Rousseff, um manifesto de apoio no Teatro Casa Grande no Rio de Janeiro, palco de várias ações de protesto no tempo da ditadura militar (1964-85). Dilma compareceu ao Teatro Casa Grande, onde o compositor Chico Buarque e o arquiteto Oscar Niemeyer(102 anos) foram os mais aplaudidos, depois de ser entrevista no Jornal Nacional, da Rede Globo.

O documento, que convoca os artistas e intelectuais a “somarem forças para garantir os avanços” do governo Lula, é liderado por Chico Buarque, pelo teólogo Leonardo Boff, pelo escritor Eric Nepumuceno e pelo sociólogo Emir Sader, um dos organizadores do Fórum Social Mundial. “A ideia foi do Eric e do Chico para contrabalançar muitas difamações e mentiras que estão sendo divulgadas na Internet. Têm o meu apoio e o do Frei Betto também”, disse Boff.

Frei Betto é um importante intelectual brasileiro, conhece bem Dilma e é autor do livro Batismo de Sangue (1983), que fala sobre um grupo de resistentes dominicanos contra a ditadura. Na lista das mais de quatro mil assinaturas do manifesto que circula na Internet estão as do arquiteto Oscar Niemeyer que compareceu ao ato aos 102 anos, levado em cadeira de rodas mesmo debaixo de chuva no Rio), do cineasta Walter Carvalho e da economista portuguesa, naturalizada brasileira, Maria Conceição Tavares.

O ato é, sobretudo, uma declaração contra os sociais-democratas. “Antevendo um desastre eleitoral, se tores da oposição têm buscado minimizar sua derrota, desqualificando a vitória que se anuncia dos candidatos da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, encabeçada por Dilma Rousseff”, lê-se. Avança-se para desqualificar a intriga da oposição: “Em suas manifestações ecoam as campanhas dos anos 50 contra Getúlio Vargas e os argumentos que prepararam o golpe de 1964.”

Para os apoiantes de Dilma, a oposição é conservadora, inveja a popularidade de Lula, e quer “suprimir a liberdade de imprensa”, porque não aceita críticas. Defende-se que os meios de comunicação não tiveram restrições em oito anos de governo, “mesmo quando acusaram sem provas” ou “invadiram a privacidade e a família do próprio Presidente da República”. Para os signatários, a oposição está “inconformada” com o governo de Lula que “retomou o crescimento”; “distribuiu renda”, combinando “estabilidade macroeconómica” e expandindo a “democracia e com uma presença soberana no mundo”.

(Informações do Diário de Notícias (Portugal), IG , Terra e Veja Eleições )

out
18
Posted on 18-10-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 18-10-2010

Serra com Monica: indignação

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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

SERRA EM TRANSE

Fernando de Barros e Silva

Não resisto a uma provocação inicial: a blogosfera estaria em polvorosa e os serviços da ombudsman da Folha amanheceriam entupidos de mensagens indignadas contra o jornal se a notícia não dissesse respeito a Monica Serra, mas a Dilma Rousseff.
Isso dito, é claro que é polêmica a publicação do relato de uma ex-aluna da mulher de Serra dando conta de que ela (Monica), em sala de aula, revelou já ter praticado um aborto. Não se trata de uma notícia qualquer. Ela coloca em conflito o direito à informação, de um lado, e o direito à privacidade, de outro.
Haverá, neste caso, bons argumentos a favor e contra a publicação. Penso que a Folha acertou, por duas razões principais: com o aborto alçado a tópico da disputa eleitoral (e por obra de Serra), o episódio passou a envolver evidente interesse público. E, tão importante quanto isso: Monica Serra havia dito, há um mês, em campanha pelo marido no Rio, que Dilma era a favor de “matar criancinhas”, numa clara alusão à posição da petista sobre o aborto. Ao assumir como sua, e nos termos que fez, a campanha do marido, Monica fixou para si as regras do jogo que estaria disposta a jogar.
O caso (tão desconfortável, tão cheio de implicações desagradáveis a quem o aborda) permite, ou exige, uma reflexão de ordem mais geral. O PT tem sido acusado, quase sempre com razão, de ser capaz de qualquer coisa para se manter no poder. Isso virou um mantra, a despeito da sua veracidade. Mas Serra não está se revelando, já faz tempo, alguém disposto a pagar qualquer preço para chegar ao poder?
Essa pantomima de devoção e carolice que se apossou da campanha tucana (e que nada tem a ver, como parece óbvio, com respeito efetivo pela religiosidade do povo) é a expressão patética de que tudo (biografia, valores, familiares) está sendo sacrificado em nome de uma ideia fixa. Serra sonha ser presidente. Mas se parece, cada vez mais, com o personagem de Paulo Autran em “Terra em Transe”.

out
18

Serrinha(Ba): estação sem o trem de gente
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Crônica/Tempo e lugares

O Maracassumé e o trem faminto

Gilson Nogueira

A louça era branca, como, branco, o avental do professor de desenho do Colégio São Bento, Arlindo. Com ele nos ensinando trabalhos manuais, começávamos a utilizar régua e compasso, no despertar dos “artistas” e, principalmente, do fazer bem os trabalhos, a fim de tirar boas notas, a caminho de mais um ano a ser vencido na estrada da vida, expressão esta bastante utilizada por aquele garoto tirado a poeta que, um dia, já formado, ao encontrar-se com o mestre de trabalhos manuais, disse-lhe: “ Você continua o mesmo, Arlindão, não mudou nada, forte e simpático, que Deus o conserve, sempre jovial, com esse seu carisma, professor!” Nunca mais vi o bom Arlindo!

Voltando à louça. Havia, também, pratos, bule de café, açucareiro, mantegueira, potes e outros apetrechos de mesa, em azul e branco, com aqueles desenhos de cavalos e castelos e um nome inglês indicando haver sido fabricados na Europa.

O ar de silêncio e cheiro de coalhada, sem esquecer o de perfumes de coisa antiga e de alecrim, invadiam cozinha,salas, quartos e a varanda, onde havia um sino, cor de ouro, tocado por tio Dida, toda vez que ele nos via chegar, nas férias, para uma visita, acompanhados dos nossos pais.

A primeira vez que ouvi o som daquele sino aconteceu na primeira visita. Justamente, dia do batizado! Não sei, não lembro se foi meu ou de anjos, e passarinhos, de todas as cores, que voavam lá, dia e noite, como se o paraíso fosse, ali, naquele local com pinta de presépio, perto da Estação e do Matadouro.

Recordo, com clareza, que, depois de pedir a benção ao irmão de minha avó paterna, que Deus a tenha, a primeira coisa que eu fazia era correr para a entrada do Sítio Maracassumé, montar na cancela ,e ficar a ver o trem passar. Já escrevi sobre ele, o trem faminto, em texto que enviei, não lembro quando, para a Tribuna da Bahia, jornal que, ao folheá-lo, até hoje, sinto a pulsação do novo e o exalar dos seus ideais calcados no forte propósito democrático, há mais de 40 anos, preconizado por seus fundadores, antigos e novos dirigentes e colaboradores.

Foi, ali, em Serrinha de minhas doces lembranças de brincadeiras de criança, como fazer de conta que era caubói, atirando com a ponta do dedo indicador da mão direita, que, ao pescar piabas e traíras, no riacho da Bela Vista, vendo o trem passar no pontilhão, sobre o Açude da Bomba, onde imaginei o dia em que não veria mais o trem faminto.

Foram-se os anos de criança, ficaram recordações que dão sabor especial ao cardápio de saudade daquela época em que o mundo parecia outro, literalmente. Não havia violência. Isso é tudo. E não estou tão distante, assim, dos tempos de criança. No pontilhão, atualmente, passam trens, de carga, somente, não mais como antes, aos montes.Os de passageiros, pelo que soube, “já eram!”.

– Um moço de Salvador falou que o trem de gente pra Juazeiro vai voltar, com aquelas máquinas porretas, sem chaminés, mais rápidos!”
Tomara! As locomotivas dos antigos trens, pretas e douradas, inglesas, quando passavam, imponentes, engoliam trilhos, distâncias, retas e curvas, ziguezagueando feito serpentes , no mato, em busca de mais comida, imaginava eu, que ficava contando o número de vagões do bicho e dando adeus para as pessoas nas suas janelas, como se todas elas fossem da minha família. O mundo parecia mais feliz. As pessoas sorriam mais.

Gilson Nogueira

out
18
Posted on 18-10-2010
Filed Under (Charges) by vitor on 18-10-2010


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Mariano, para Charge Online

out
18
Posted on 18-10-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 18-10-2010

Dilma: explicações aos cristãos

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OPINIÃO POLÍTICA

A mensagem aos cristãos

Ivan de Carvalho

Não é novidade, pois aconteceu em fins da semana passada, mas é uma coisa extraordinária. A candidata do PT a presidente da República julgou necessário, atendendo ao debate de questões de interesse também religioso que ocorre na campanha eleitoral, divulgar uma “mensagem” assinada de próprio punho, dirigida aos cristãos. Atendeu a 51 representantes de igrejas evangélicas.

O que parece extraordinário: a cobrança de um manifesto sobre aquelas questões e a conclusão de Dilma Rousseff de que precisava atender a essa cobrança. Uma cobrança que, até o momento, não foi feita ao tucano José Serra.

A necessidade que a candidata petista sentiu de divulgar sua mensagem-compromisso reflete as objeções que nos meios cristãos (ostensivamente em meios católicos e evangélicos) têm sido feitas a suas posições pessoais sobre crença em Deus e sobre o aborto. Também têm sido levantados, com mais ou menos intensidade, outros pontos que o clero – católico e, mais ainda, o evangélico – considera muito relevantes.

Após uma breve introdução, a candidata petista enumera seis itens e em seguida faz breves considerações finais. Vamos ao principal, os seis itens:

1. Defendo a convivência entre as diferentes religiões e a liberdade religiosa, assegurada pela Constituição Federal;

2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto;

(Aí, o primeiro e maior nó. Em 2007, em sabatina na Folha de São Paulo, gravada em vídeo, ela disse explicitamente que é um absurdo não haver Brasil a descriminalização do aborto e se manifesta a favor de que ocorra. Já em abril do ano passado, em entrevista à revista Marie Claire, reafirma o que dissera à Folha. O PT, partido dela, tem em seu programa, aprovada no III Congresso Nacional da legenda, uma resolução que impõe diretriz a favor da eliminação do artigo 127 do Código Penal, que criminaliza o aborto e abre apenas duas exceções legais. O governo Lula realiza neste momento estudo sobre a questão do aborto, inclusive quanto a seus aspectos legais).

3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.

(Continua o nó górdio da candidatura Dilma com os cristãos – e outros crentes que também fazem objeção ao aborto, como os espíritas, muçulmanos, budistas, etc. Ela se compromete na mensagem a não tomar a iniciativa de propor alterações na “legislação sobre aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país”. Mas não se compromete a vetar mudança na lei do aborto, se o Congresso Nacional aprovar. Os evangélicos que se reuniram com ela pediram o compromisso do veto, ela concordou em por na “mensagem”, mas recuou. Motivo sério houve).

4. O PNDH3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família;

(É que o PNDH3 também pretende facilitar o aborto. E nem dá para comentar o item porque até a mais superficial análise chegará à conclusão de que mais vago não poderia ser o “compromisso”, na forma em que foi posta neste item).

5. Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil;

(Trata-se, aí, do projeto de lei que “criminaliza a homofobia”, com pena de prisão. As igrejas estão chamando isto de “lei da mordaça” e temem que seja usada para punir sacerdotes e fiéis que falem contra a homossexualidade. Dilma diz que sancionará o que não violar a liberdade de crença, culto e expressão. De acordo, é claro, com a visão dela, se for eleita presidente. Não se colocou contra o PL 122, como o fazem todas ou quase todas as igrejas cristãs no Brasil, preocupadas, inclusive, que isso abra a porta para outras restrições à liberdade religiosa).

No item 6, a candidata Dilma Rousseff apenas promete leis e programas “que tenham a família como foco principal”, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida. Mas isso é outra história, é enfeite e não tem nada a ver.

out
18


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Verde

Leila Pinheiro

Composição: Eduardo Gudin/Costa Netto

Quem pergunta por mim
Já deve saber
Do riso no fim
De tanto sofrer
Que eu não desisti
Das minhas bandeiras
Caminho, trincheiras, da noite

Eu, que sempre apostei
Na minha paixão
Guardei um país no meu coração
Um foco de luz, seduz a razão
De repente a visão da esperança
Quis esse sonhador
Aprendiz de tanto suor
Ser feliz num gesto de amor
Meu país acendeu a cor

Verde, as matas no olhar, ver de perto
Ver de novo um lugar, ver adiante
Sede de navegar, verdejantes tempos
Mudança dos ventos no meu coração
Verdejantes tempos
Mudança dos ventos no meu coração

boa noite!!!

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