Debate : desvio das zonas de sombras/IG

Terminou há pouco mais um debate na televisão neste segundo turno da eleição presidencial. Os candidatos ao Palácio do Planalto Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) tentaram deixar de lado as polêmicas e escândalos de corrupção. Embora tenham mantido o tom duro ao longo do confronto, realizado pela Rede TV na noite deste domingo, ambos preferiram falar sobre temas como privatizações, transportes e combate às drogas.

Denúncias que pautaram a campanha deste ano só apareceram no terceiro bloco, trazidas pelos jornalistas dos veículos organizadores do evento. A jornalista Renata Lo Prete questionou Serra sobre o fato de ter dito não conhecer Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, suspeito de ter fugido com R$ 4 milhões em recursos da campanha tucana. “Eu sou vítima disso”, disse Serra, negando que tenha dito não conhecer o ex-diretor da Dersa. “Me perguntaram se eu conhecia um Paulo Preto e eu disse que não, pois o conheço como Paulo Souza”, emendou.

A jornalista Patricia Zorzan encarregou-se de trazer ao debate o caso da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, que foi braço direito de Dilma e deixou o cargo em meio a denúncias de um suposto esquema de lobby envolvendo seu filho. “Eu vejo a situação da Erenice com muita indignação. Não concordo com a contratação de parentes e amigos”, respondeu Dilma.

Durante o resto do debate, a petista e o tucano subiram o tom do confronto em mais de uma ocasião. Ainda assim, mantiveram a estratégia traçada por suas equipes de comunicação e concentraram-se em questões programáticas.

A discussão sobre a Petrobras predominou também boa parte do segundo bloco. Nesse caso, Serra voltou a investir na versão de que seu desempenho nas pesquisas provocou uma valorização das ações da Petrobras.

Serra desviou o tema para o combate às drogas. Dilma devolveu: “No Estado de São Paulo tem 300 mil viciados em drogas e ele disse em outro debate que eles têm 300 vagas. Se for demorar três meses para tratar, vai levar um século para o candidato Serra tratar os drogados de São Paulo.”

Os dois candidatos passaram os últimos dias empenhados na preparação do debate. Dilma reuniu-se na noite de sexta-feira com a coordenação da campanha em um hotel na capital paulista, para definir as linhas gerais de sua atuação no evento. Na manhã deste domingo, ela interrompeu os preparativos para uma rápida visita ao Museu da Língua Portuguesa e voltou a dizer que foi apenas “assertiva” no último embate.

“Acho interessante, sabe, sempre que uma mulher age e responde no mesmo nível que um homem ela é agressiva. Eu sou capaz de responder de forma bastante assertiva”, disse Dilma. Nesta semana, Serra também comentou os preparativos para o debate. Disse que vai manter o “tom de sempre”. Caso a petista intensifique as críticas, o tucano afirmou que vai apenas se “defender das inverdades e falsidades”.

Primeiro bloco

Os dois presidenciáveis abriram o debate em tom mais leve. Após as exposições iniciais, Serra aproveitou para questionar Dilma sobre treinamento profissional com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Dilma disse que esse tipo de capacitação foi prioridade no governo Lula, com destaque para escolas técnicas. Na réplica e tréplica, entretanto, os dois candidatos acabaram subindo o tom. Serra criticou a administração federal, comparando o crescimento do ensino técnico em São Paulo ao avanço do setor na esfera federal.

Dilma trouxe à tona o tema da privatização ao falar sobre a tentativa aquisição da Gás Brasiliana pela Petrobras. Serra desviou da pergunta e afirmou que falaria sobre o tema em sua próxima oportunidade de se manifestar.

“O candidato está fugindo de responder a uma questão da privatização”, disse Dilma. Serra acabou desviando o tema para o loteamento de agências reguladoras. “Isso não foi coisa do governo de São Paulo”, disse. “A campanha da candidata na televisão mente o tempo inteiro sobre minhas posições em relação à Petrobras”, respondeu Serra. “Querem explorar eleitoralmente. Pela eleição, mentem o tempo todo.”

Segundo bloco

Enquanto Dilma tentou insistir no tema da Gas Brasiliana, Serra reforçou as declarações sobre a Petrobras e voltou a dizer que a petista explora eleitoralmente o assunto das privatizações. Lembrando que a própria Dilma elogiou as privatizações no setor de telecomunicações, Serra disse que estatais brasileiras como Os Correios são alvo do loteamento e servem aos interesses do PT.

Dilma, que voltou a criticar o tratamento dado à Petrobras pelo governo Fernando Henrique Cardoso, insistiu. “O governo de São Paulo não é dono da Gas Brasiliana mas pode impedir a compra da Gas Brasiliana pela Petrobras”, disse Dilma. Serra voltou a dizer que as ações da Petrobras subiram em função do seu desempenho nas pesquisas de opinião. “O preço das ações que vinha caindo se recuperou parcialmente”, disse Serra, repetindo a tese apresentada no horário eleitoral gratuito.

Serra questionou Dilma sobre drogas e a petista aproveitou para criticar: “No Estado de São Paulo tem 300 mil viciados em drogas e ele disse em outro debate que eles têm 300 vagas. Se for demorar três meses para tratar, vai levar um século para o candidato Serra tratar os drogados de São Paulo”. Serra reagiu dizendo que as drogas entram no Brasil pela Bolívia, como resultado de uma política ruim do governo federal para o controle de fronteiras.

“Nós estamos começando um trabalho importante de atendimento a dependentes químicos que o atual governo é contra”, disse Serra. O tucano e a petista bateram de frente ainda em questões como custos de transportes e obras de infraestrutura. Dilma chegou a questionar a familiaridade de Serra com o tema de infraestrutura. “O senhor não sabe porque não tem tanta familiaridade sobre o tema”, provocou Dilma. Serra rebateu: “O melhor seria ela fazer quando teve responsabilidade fazer as coisas acontecerem”, afirmou, criticando a política do governo para a construção de estradas.

Terceiro bloco

Coube à jornalista Renata Lo Prete trazer ao debate as denúncias que eclodiram nos últimos dias. Ela questionou Serra sobre Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. “Eu sou vítima disso”, disse Serra, negando que tenha dito não conhecer o ex-diretor da Dersa. “Me perguntaram se eu conhecia um Paulo Preto e eu disse que não, pois o conheço como Paulo Souza”, emendou. A jornalista Patricia Zorzan encarregou-se de trazer ao debate o caso da ex-ministra Erenice Guerra. “Eu vejo a situação da Erenice com muita indignação. Não concordo com a contratação de parentes e amigos”, disse Dilma.

Quarto bloco

Serra voltou ao discurso programático e questionou Dilma sobre saúde e segurança. A petista, por sua vez, investiu em críticas à política de segurança do Estado, relembrando a força do Primeiro Comando da Capital (PCC). A petista também prometeu reforçar a política de saúde do governo federal, com destaque para programas como Rede Cegonha.

Dilma e Serra se confrontaram também na área de educação. “Serra não gosta do Enem porque é o caminho acertado por todas as universidades federais e é pré-condição para o ProUni. Houve um crime contra o Enem”, disse Dilma. “Ele quer acabar com o Enem para que a gente não tenha o ProUni.” Serra devolveu: “Eu não vou acabar com o Enem. Que histnória é esta? Vocês acabaram com o Enem.” Serra criticou Dilma por tentar fazer a comparação com o governo paulista. “Vocês perderam a eleição”, disse, em referência à derrota do PT no Estado.

Serra compara apoios. Diz que tem sua candidatura endossada por nomes como Itamar Franco (PPS-MG) e Fernando Henrique Cardoso, enquanto a petista tem apoio do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL).

Quinto bloco

Dilma abriu suas considerações finais retomando o slogan usado na eleição que conduziu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. “Assim como a esperança venceu o medo, a esperança e o amor vão vencer o ódio”, afirmou Dilma, retomando o discurso sobre educação e saúde. Dilma disse ainda que está “preparada” para ser presidente. “Tenho de honrar todas as mulheres que vou representar”, disse.

Serra agradeceu aos organizadores e à rival. Disse ainda ter orgulho de se apresentar na disputa e reforçou o discurso de que nasceu em uma família pobre. “Sempre fui um servidor público”, disse o tucano, alegando que quem está no poder tem que “servir ao público e não se servir dele“.
(IG- Último Segundo )

out
17
Posted on 17-10-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 17-10-2010

DEU NO UOL

A terceira colocada na eleição presidencial, Marina Silva (PV), oficializou na tarde deste domingo a opção pela neutralidade no segundo turno, como a Folha antecipou neste domingo.

Em votação simbólica, a ex-presidenciável referendou a posição para a nova etapa da corrida presidencial.

Dos cerca de 170 votantes, apenas quatro declararam apoio a Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB). Mesmo Fernando Gabeira, o candidato derrotado ao governo do Rio que contou com o apoio do tucano no primeiro turno, preferiu a independência do partido.

Individualmente, os filiados serão liberados para aderir às campanhas da petista ou do tucano. É o que Gabeira faz ao endossar a candidatura de Serra.

“O fato de não ter optado por um alinhamento neste momento não significa neutralidade quanto aos rumos desta campanha”, disse Marina, na convenção do PV em São Paulo, num espaço cultural na Vila Madalena.

Ela leu carta aberta com críticas ao que chamou de “dualidade destrutiva” entre PT e PSDB.

Segundo Marina, os dois partidos pregam a “mútua aniquilação” na disputa entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

“A agressividade do seu confronto pelo poder sufoca a construção de uma política de paz”, atacou a senadora.

A verde prometeu, ainda, defender sua fé –ela é evangélica– sem contudo usá-la “como arma eleitoral”.

out
17
Posted on 17-10-2010
Filed Under (Charges) by vitor on 17-10-2010


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Ronaldo, no Jornal do Comércio (PE)

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Bahia em Pauta agradece ao atento leitor que assina Danilo pela garimpagem do vídeo que ele postou ontem à noite, 16, na área de comentários do BP.
(VHS)


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BOM DOMINGO PARA TODOS!!!

(vhs)

A risada de Marina / Foto Rodrigo Rodrigues/IG

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A roleta está girando: este domingo, histórico 17 de outubro de 2010, o Partido Verde se reune com a senadora Marina Silva (AC) para definir a posição da legenda no segundo turno das eleições presidenciais. 160 delegados da legenda e outros 15 representantes dos chamados “núcleos sociais” que apoiaram Marina no primeiro turno decidirão na zona oeste de São Paulo o posicionamento na fase decisiva, na qual se enfrentam Dilma Roussef, do PT, e José Serra, do PSDB. A tendência é a neutralidade, segundo reportagem do jornalista Rodrigo Rodrigues, do IG -SP, que Bahia em Pauta reproduz.

No entanto,  jogo é jogo. No encontro dos verdes pode acontecer tudo, inclusive nada.

Girando, façam suas apostas!

(Vitor Hugo Soares)

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Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo

Com tendência cada vez mais clara à neutralidade, o Partido Verde se reúne neste domingo com a senadora Marina Silva (AC) para definir a posição da legenda neste segundo turno das eleições presidenciais. Cerca de 160 delegados da legenda e outros 15 representantes dos núcleos sociais que apoiaram Marina no primeiro turno vão se reunir na zona oeste de São Paulo para deliberar sobre como os verdes devem se posicionar neste final de campanha.

Apesar da forte ofensiva do PT e do PSDB em tentar conquistar o apoio da legenda e da própria Marina Silva nos últimos dois dias, a tendência atual é que o partido opte pela neutralidade – ou “independência”, como eles preferem classificar a decisão.

Diversos representantes do PV ouvidos pelo iG afirmaram que as sinalizações dadas pela campanha de Dilma e Serra para conquistar o apoio dos verdes não foram suficientes para levar o partido para um dos dois lados.

Mesmo arrancando promessas de Dilma e Serra em relação a maioria dos 10 itens da “Agenda por um Brasil justo e Sustentável” elaborada pelo PV, o deputado federal Zequinha Sarney (PV-MA) disse que as promessas não serão suficientes para conquistar o apoio da maioria dos diretórios regionais da sigla.

O deputado maranhense não descartou que a tendência possa mudar, já que PT e PSDB continuaram negociando com caciques da sigla verde até altas horas da noite deste sábado. Zequinha Sarney afirmou, porém, que o PV está muito dividido. “Os votos do PV e de Marina vieram de diversos segmentos e de diversos grupos de interesse. A independência vai fazer com que cada diretório possa, dentro da sua realidade, se posicionar. É a melhor forma de garantir a unidade do partido para o futuro”, disse Sarney.

O presidente do PV de São Paulo, Maurício Brusadin, também sinalizou que a “independência” é a melhor forma de preservar o patrimônio de 20 milhões de votos conquistados por Marina no pleito de 3 de outubro. Segundo ele, Marina sem sido influenciada pelos chamados “núcleos vivos da sociedade” (ONGs e organizações civis) a se manter alheia à guerra religiosa travada por PSDB e PT e uma posição contrária do partido pode “constranger a candidata” diante do eleitor. “O PV se esforça neste momento para manter a unidade partidária e a mobilização conquistada nesta campanha. Como existem várias alas dentro do Partido, qualquer resultado pode acontecer. Acho, porém, que Marina é o nosso maior patrimônio nesse momento”, avalia Brusadin.

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Com direito a cinco dos 15 votos que as entidades civis sem filiação com o PV terão na convenção deste domingo, o líder do “Movimento Marina Silva”, Eduardo Rombauer van den Bosch, reafirma a posição de independência que defenderá na plenária de hoje. Ele criticou a “lambança religiosa” que está sendo conduzida pelas campanhas de Serra e Dilma. “A ausência de debate programático nesse segundo turno mostra que os dois candidatos não têm compromisso com a nova forma de fazer política que Marina simboliza”, argumentou.

Guerra de cargos

Embora os principais líderes do partido não reconheçam publicamente, a posição de independência é a forma encontrada pelas várias alas do PV para conter a fúria por cargos que algumas integrantes do partido têm. Nas conversas reservadas que integrantes da sigla mantiveram com representantes de PT e PSDB, a oferta de cargos e ministérios não foi excluída.

Logo após o primeiro turno, o PSDB chegou a oferecer quatro ministérios ao partido, segundo informações de bastidores. A informação foi negada veementemente pelo PV e também pelos tucanos. Nas conversas reservadas, porém, falava-se que a negociação já estaria acontecendo antes mesmo do fechamento das urnas no primeiro turno.

A oferta dos tucanos agradou muito às alas do partido que já são alinhadas ao PSDB em São Paulo, Rio e Minas, onde os verdes fazem parte da base de apoio dos governos comandados pelos tucanos. Porém, Marina teria se queixado da oferta e disse várias vezes em público que estava mais preocupada com “discussões programáticas” e não com a “velha prática política do fisiologismo e da troca de cargos”.

Amigos da senadora acriana afirmam que o apoio de Marina a qualquer um dos lados desmobilizaria os movimentos ambientais e civis apartidários que ajudaram a construir a candidatura dela à Presidência. Com a sede de cargo dos aliados, o maior temor de Marina é que o “novo PV” seja abatido pela ambição de algumas alas.

Apoios regionais

O processo de independência do PV deve liberar o voto dos integrantes do partido nos vários Estados. Os partidários não poderão, contudo, usar o nome da sigla nem qualquer imagem que remeta à sigla. Com isso, integrantes da sigla no Rio, São Paulo e Minas já preparam um ato de apoio a Serra ainda para essa semana, na tentativa de ajudar o tucano a crescer nas pesquisas. O apoio a Serra esta sendo costurado por Fernando Gabeira, que concorreu ao governo do Estado já em aliança com o PSDB, e José Luiz Penna, presidente nacional do partido e vereador da base do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

Outra ala do partido representada por Zequinha Sarney, no Maranhão, e pelas regionais da Bahia e do Rio Grande do Sul deve firmar apoio em Dilma Rousseff (PT). A tentativa de Serra e Dilma é atrair os votos de Marina. Mas a própria senadora, por sua vez, não deve subir no palanque de nenhum dos dois candidatos.


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João Gilberto, ao lado de Stan Getz, sax, e Tom Jobim, piano, canta Doralice, de Caymmi e Almeida…

BOA NOITE!!!

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