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Postado em 15-10-2010
Arquivado em (Crônica, Janio) por vitor em 15-10-2010 20:04

Dilma na Band

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CRÔNICA DE CAMPANHA

A romaria da beata Dilma

Janio Ferreira Soares

O último debate da Band foi o mais animado de todos e serviu para mostrar aos eleitores um pouco da verdadeira Dilma Rousseff, fato até então exclusivo de alguns petistas e colegas de governo. Marina Silva e Sérgio Gabrielli que o digam.

À vontade, ela mandou diversos cruzados no fígado de um surpreso Serra, além de mostrar um tipo de olhar que, como bem observou Carlos Heitor Cony, lembrou o de Collor. Já eu fiquei mais preocupado com uma pequena veia que se dilatava acima do seu olho esquerdo toda vez que ela se irritava. Culpa da TV de Alta Definição.

Dias depois, quando todos esperavam mais golpes, eis que ela apareceu exibindo um semblante calculadamente divinal durante uma missa no santuário de Aparecida – fato que eu presumo inédito em sua biografia, já que a Folha de São Paulo a flagrou passando batida na hora do sinal da cruz –, como se fora uma cópia sem credibilidade do caipira pirapora da bela canção de Renato Teixeira, Romaria, que, por não saber rezar, foi lá apenas mostrar o seu olhar e pedir a Nossa Senhora que iluminasse a mina escura e funda da sua vida. Serra também fez o mesmo, mas, mostrando certa intimidade, até comungou. A dúvida que fica é até que ponto essas encenações são verdadeiras.

Confesso que não sou a pessoa mais indicada para discorrer sobre este assunto, apesar de batizado, crismado e criado entre tias devotadíssimas, hóstias não bentas e foguetes estocados para iluminar o Céu nas noites frias da trezena de Santo Antônio da Glória. Mas, em conversas com meu amigo Dom Guido, Bispo de Paulo Afonso, fiquei sabendo que esse tipo de fé repentina não convence muito, já que Deus costuma analisar o conjunto da obra e não somente gestos praticados com segundas intenções e sem o aval do coração – a exemplo desses jogadores que apontam para o Céu toda vez que marcam seus gols,dando a entender que só eles fazem tabelinha com o Divino.

Portanto, devagar com o andor, que o santo, apesar de ser de barro, sabe perfeitamente distinguir quem é do ramo ou quem é devoto do pau oco.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

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Comentários

marco lino on 15 outubro, 2010 at 20:32 #

Janio, o texto tá legal e tal. Entretanto, parece que a foto escolhida não bate com a do dia do debate do segundo turno da Band. O corte de cabelo, o brinco, batom, óculos, roupa clara… Enfim, a foto parece trocada.

Tudo indica que a escolhida foi do tempo em que ela brigou com o Agripino Maia, no Congresso.

Abs


danilo on 15 outubro, 2010 at 20:55 #

pô, depois o Marco Lino fica retado comigo quando o chamo de Marco Stalinino…

pois é. e não é que o Stalinino quer até retocar a foto de Dilma – a real, não a da ficção, e que ilustra este artigo?

hummm isto tem precedente…

afinal, não foi Stálin que mandava apagar a imagem de Lênin das fotos oficiais da Revolução Soviética? cacoetes autoritários passam de geração para geração.

ô Stalinino, deixa o articulista exercer seu direito de liberdade de expressão. mesmo que seja pela escolha de uma simples imagem.

mas ora vejam só…


Marco Lino on 15 outubro, 2010 at 22:18 #

Fico retado contigo não, Danilo. Quem ficou de beicinho e mudo foi vc. Não ligo para suas brincadeiras, pois vc é um bom brincalhão – já entendi.

Quanto ao artigo do Janio, não sei onde vc viu a minha tentativa de cercear a liberdade de expressão do cidadão. Acho que vc ainda não se libertou do “espectro” que assustava a Europa no século XIX. Nem o Serra anda falando mais nisto.

Apenas disse (sem atentar muito para a possibilidade de a foto ser meramente ilustrativa) que a foto escolhida não bate com os dados EXTERNOS da Dilma do debate. Nada além disto.

O resto só pode ter partido de algum fantasma que anda povoando sua fértil imaginação – mexicanização, comunismo, anarquismo, ditadura, etc, etc, etc.

Está tudo bem entre nós, Danilo.


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