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Postado em 14-10-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 14-10-2010 10:21

Dilma e Serra: estresse na reta final

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OPINIÃO POLÍTICA

Pesquisa, carta e ultimato

Ivan de Carvalho

1. A candidata da coligação liderada pelo PT a presidente da República, Dilma Rousseff, recebeu ontem um remédio contra estresse – os resultados da primeira pesquisa do Instituto Vox Populi feita após a realização do primeiro turno das eleições. Com uma diferença mínima, quase irrisória, a pesquisa Vox Populi, realizada nos dias 10 e 11, confirma a pesquisa Datafolha realizada após a votação de 3 de outubro.

É praticamente consenso nos meios políticos – nos quais o que se declara à mídia costuma ser diferente do que se pensa ou mesmo se diz em privado – que a pesquisa Datafolha foi ruim para Dilma Rousseff. É que ela, na votação do primeiro turno, obteve, quanto aos votos válidos, uma vantagem de 14 pontos percentuais sobre José Serra, candidato da coligação liderada pelo PSDB. Mas na pesquisa Datafolha, realizada quase imediatamente após o pleito, essa diferença, tendo em conta só os votos válidos, caiu para oito pontos percentuais.
Considerando todas as intenções de voto, a vantagem de Dilma baixou para sete pontos percentuais.

Considerando a pesquisa Datafolha e comparando seus resultados com os do Vox Populi, pode-se avaliar que estes últimos foram bons para Dilma Rousseff: computando-se só os votos válidos, a candidata recuperou um ponto percentual de sua vantagem original (os 14 pontos de frente obtidos na eleição), passando de oito (no Datafolha) para nove (no Vox Populi). Quando se leva em conta a totalidade das intenções de voto, Dilma Rousseff apresenta vantagem de oito pontos (um a mais que no Datafolha, que apontara 48 por cento para Dilma e 41 por cento para Serra).

Ora, o aumento de um ponto na vantagem da candidata petista, em comparação com os números do Datafolha, não é significativo. Está dentro da tal margem de erro e, nas circunstâncias das duas pesquisas, pode ser tido como praticamente irrelevante. O que é relevante é outra coisa: entre uma pesquisa e outra (se ambos os institutos mediram corretamente a posição dos eleitores) parou de aumentar a veloz redução da desvantagem de Serra, passado o tempo da largada. Dilma conseguiu estabilizar-se ou Serra não conseguiu continuar crescendo – ou as duas coisas. Os dois candidatos, entre a pesquisa Datafolha e o dia 11, pelo menos, na questão da intenção de votos, estariam virtualmente paralisados.

2. Em outra frente, a candidata do PT teve um dia atribulado. Reuniu-se com evangélicos aliados e estes lhe propuseram que assine uma carta aberta aos brasileiros, comprometendo-se a, caso eleita presidente, não mandar ao Congresso ou, se este aprovar, apor o veto presidencial a qualquer projeto de lei – bom lembrar que no caso de emenda constitucional o (a) presidente não precisa propor e não pode vetar – que modifique, ampliando ou “flexibilizando, o artigo 127 do Código Penal, que criminaliza o aborto. A carta sugerida pelos evangélicos aliados incluiria também outras questões que têm provocado muita polêmica. Dilma disse que vai estudar a proposta da carta.

3. Enquanto isso, o ex-governador do Rio de Janeiro e deputado mais votado no Estado (695 mil votos), Anthony Garotinho, do PR (partido da coligação liderada pelo PT) e evangélico da Assembléia de Deus, condicionou seu apoio a Dilma Rousseff à revogação imediata, pelo presidente Lula, do decreto editado por ele mesmo, que instituiu o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Ressaltou que a questão do aborto não é o único problema do PNDH-3, assinalando que este também propõe a legalização da prostituição e obriga os hospitais conveniados ao SUS a fazer operação de mudança de sexo, sob pena de perder o convênio. “É um absurdo esse tipo de exigência”, disse Garotinho.

Garotinho, na prática, deu um ultimato.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 14 outubro, 2010 at 10:46 #

A flagrância do preconceito

Disputas eleitorais, notadamente as presidenciais, são processos particularíssimos, em que os candisatos devem ficar expostos à curiosidade popular, sob todos os aspoectos, afinal buscam no sufrágio o mandato máximo de uma nação.

Relata, Josias de souza, em seu blog o mais recente incidente envolvendo a preferida de Lula, Dilma Rousseff.

Um repórte piauiense, durante sua visita a Teresina, perguntou, de forma simples e direta:

– A Senhora é homossessual?

Pergunta simples, sem adjetivação, envolvendo uma questão d ehá muito resolvida entr enós, a opção sexual de cad aum, coisa normalíssima.

Porém…

E este porém é de uma importância tal que merece atenção de todos.

A candidata, sabe-se lá qual a razão, abespinhou-se, nos dizeres de Josias de Souza:

E retucou:

– “Meu querido, eu não vou responder a isso. Não vou responder…”

“…Tenho uma filha e sou avó, pelo amor de Deus. Não vou discutir nesse nível. Me desculpa, mas esse tipo de discussão, eu não vou ter aqui”.

Para arrematar, após queixar-se da “boataria” que a cerca:

– “Isso não contribui em nada para o desenvolvimento do país”.

Aqui o fato!

Revelador, e avassalador.

A pergunta era simples, cabível, e previsívil numa campanha eleitoral, afinal, s´ó com a questão aborto, entopem-se redações e inundam-se laudas e mais laudas.

A candidata poderia simplesmente responder “sim” ou “não”.

Nenhuum desdouro emqualquer das respostas, lembrando inclusive que até o ineditismo d euma homossexual no posto mais alto de um páis já foi suplanto na Isalândia, quando Johanna Sigurdardottir tornou-se a primeira homossexual assumida a governar uma nação.

Mas…

Dilma ofendeu-se!

Aqui duas possibilidades:

A primeira:

Não é homossexual mas revelou um cruel preconceito.

A segunda:

é homossexual e exibiu uma incompreensível vergonha da própria opção sexual.

Com a palavra os marqueteiros, as psicólogas, como Martha Suplicy, os teóricos de sempre, os analistas de plantão, e sobretudo a boa gente brasileira que ficou sem a devida resposta.


luiz alfredo motta fontana on 14 outubro, 2010 at 10:55 #

errata:

d ehá muito resolvida entr enós = de há muito resolvida entre nós

de cad aum = de cada um

previsívil = previsível

s´ó = só

Nenhuum desdouro emqualquer = Nenhum desdouro em qualquer

d euma = de uma

Isalândia = Islândia

páis = país

suplanto = suplantado


marco lino on 14 outubro, 2010 at 17:41 #

Taí, Ivan, a matança das criancinhas fez um corte profundo no pulso da petista. Deu certo. Como a campanha petista pôs um esparadrapo roto no ferimento, a coisa ainda não sarou. Talvez não dê tempo sarar…

A coisa lá do sumiço dos milhões do caixa 2 da campanha tucana também não pegou muito – a imprensa não deu muita bola. Aliás, por falar em escândalo, nem uma linha, hein Nego? (risos)


luiz alfredo motta fontana on 14 outubro, 2010 at 18:27 #

De revolucionária à … o que mesmo?

Contra o aborto

Avó ofendida por questões de opção sexual

Missivista aos evengélicos

Dedo duro de assesores, dos outros, já a sua simplesmente abandona.

São longos, e inexplicáveis, os caminhos da salvação.

Já o tucano

De gestor à…o que mesmo marqueteiro?

Suplicy dois, ao abraçar o casamento gay

Noivo arrependido, ao voltar para os braços de FHC

Coroinha dedicado, ao louvar santos, em santa missa acompanhado por nada menos que um índio.

Esposo envergonhado, afinal sua mulher é uma “gracinha” ressuscitando as “criancinhas”.

Serra é inimitável, só ele poderia perder para uma Dilma.

Só ela, entretanto, poderá perder para ele.

Deus estará. esperamos, isento.

Já o PMDB, cheio de “planos” e “governabilidades”.

É Renan na cabeça, e Jucá na liderança.

E botox na Martha, afinal as tensões da tribuna são tantas!


marco lino on 14 outubro, 2010 at 19:14 #

Quem está “melhor na fita” aí é o PMDB. Não tem sexo, religião, ideologia ou pudor. Não pergunta o sexo de quem quer dormir com ele: simplesmente dorme.

Estará no paraíso em janeiro. Não importa quem vença…

Vida que segue.


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