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Postado em 13-10-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 13-10-2010 08:38

Dom Aldo entra na campanha presidencial

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OPINIÃO POLÍTICA

Não podemos ficar calados

Ivan de Carvalho

A advertência constitutiva do título acima foi feita pelo papa Pio XII – antecessor de João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI – sobre uma “cultura de morte” que ele, já então, entendia estar sendo planejada e estimulada. A afirmação-advertência de Pio XII integra o documento apresentado em vídeo pelo arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Aldo Pagotto, que busca mobilizar seus diocesanos para a luta contra o aborto, especialmente neste momento eleitoral. O arcebispo alveja nominalmente o PT (e implicitamente sua candidata, Dilma Rousseff) e o governo Lula, inclusive direta e duramente o atual presidente da República. E o faz numa arquidiocese geograficamente situada no coração eleitoral da candidatura petista.
No próprio vídeo, o arcebispo da Paraíba pede aos seus diocesanos que o divulguem ao máximo, naturalmente, suponho, sob o lema “não podemos ficar calados”. A arquidiocese afirmou que não postou o vídeo no YouTube, mas ele está neste site da Internet desde domingo e vem sendo intensamente acessado, apesar de sua duração de 15 minutos.
“A verdade nos salvará”, diz o arcebispo, baseado na promessa de Jesus aos seus seguidores – “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. E então, provavelmente inspirado na recomendação bíblica, neste caso encontrada no Antigo Testamento, sobre o testemunho da verdade – “Seja a tua palavra sim, sim, não, não” –, dom Aldo abre uma Caixa de Pandora.
Dela, sai uma conspiração em nível mundial para a criação da “cultura da morte”, dentro de um conjunto de elementos dos quais ele destaca o aborto e, em plano de ainda não tão grande relevo, a eutanásia a ser praticada em indivíduos que, mesmo com boa saúde, já não contribuam para a produção. Melhor ver o vídeo para saber com mais detalhes e mais exatidão o que o arcebispo diz, com palavras de fogo, sobre o envolvimento do PT (para o qual, sustenta ele, o aborto é programa de governo) e do governo petista brasileiro com a Organização das Nações Unidas na ação pró-aborto. O arcebispo até pergunta quem financia essa coisa.
Ele acusa, inclusive, tentativa legislativa – feita pelo governismo no Congresso Nacional – de liberar o aborto até o final da gravidez, ao eliminar o único artigo do Código Penal. E diz que o que se planeja para o Brasil também se planeja para “toda a América Latina”. A impressão que o vídeo do arcebispo deixa é a de que buscam-se caminhos sombrios e profundos abismos para reduzir a população mundial: matando os que vão nascer, convencendo aos que já não produzem a pedir para morrer, mas produzindo-se, aí sim, guerras, entre outras coisas.
O arcebispo não usou meias palavras, não usou aquela linguagem floreada ou diplomática de que seus diocesanos devem votar em quem quiserem, segundo sua consciência, e que a Igreja e ele são neutros, mas os diocesanos devem examinar questões como a do aborto e outras para decidir o voto. Ele deu nome aos bois e disse por onde entende que os bois têm andado. “Seja tua palavra sim, sim, não, não”. Não quis ficar naquela categoria bíblica dos mornos: “Porque não és frio, nem és quente, mas és morno, eu te vomito da minha boca”.
Claro, a opção do voto é o diocesano eleitor que vai ter que fazer, segundo seu direito e seu livre arbítrio. O arcebispo já está fazendo a parte dele.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 13 outubro, 2010 at 10:01 #

Do que morre o brasileiro?

Enquanto batemos recordes de taxas de juros, sob a desculpa de que o contrário transformaria o país no pior dos mundos, eles, a europa, os EUA, Japão e outros,praticam juros reais próximos de zero, e por vezes, até mesmo abaixo.

Saúde e segurança claudicam, morre-se de fome, maus tratos na rede pública, e desesperança nas filas.

Mas…

Dom Aldo enxerga o aborto armado em cada esquina, sem contar com a tocaia da dita eutanásia.

Assim, Serra e Dilma nem tocam em política econômica, e especialmente a política monetária e suas , a “traquinas” fiscal e a “charmosa” cambial.

Nada dito, nada proposto, apenas a promessa santa de continuidade, até mesmo a exótica Marina portou-se disciplinadamente sob o tema.

Assim, continuaremos a entoar o mantra do sistema financeiro:

JurosAmém!

Faço este preâmbulo para confessar minha heresia, segundo Aldo, posto que não combaterei o seu combate nesta peleja eleitoral.

Volto à eleição de 2002, quando o quadro era o mesmo, de um lado Serra, de outro Lula e sua conversão simbólica exposta na famosa Carta aos Brasileiros.

Por sorte, a vida profissional não permitiu que, no primeiro turno estivesse em meu domicílio eleitoral, e o fado, muito de irônico, após um acidente, me deixou hospitalizado no segundo turno.

Perdi a “virgindade” e gostei da ausência à urna, quando não convencido por candidatura alguma.

Em 2006, repeti o fato, simplesmente deixei de votar.

Nesta, em primeiro turno já sou devedor da tal multa, e deverei novamente manter respeitosa distância da tal secção eleitoral.

Não há no mundo, profeta algum, de qualquer credo ou espécie que convença este blogueiro, de vagas horas, a sufragar qualquer destes engodos, quer a Dona dilma, “a preferida do rei”, quer Serra, “o narciso tupiniquim”!.

Dito isto, e isto posto, voltemos ao arauto da nem santa inquisição.

Que pretende Aldo?

Qual a necessidade, deste profeta de última hora, em criar demônios internacionais que estariam cobiçando a terra santa?

Espalhar terror é forma nova de catequese?

Que tipo de ovelha persegue o pastor?

Já que detém sagrada tribuna, porque não investe contra os juros, este novo “bezerro de ouro”, dos encastelados no poder, quer petistas, quer tucanos.

Em tempo:

Ainda não sei, em caso de invasão bárbara, de abortos e eutanásias ,para que país pedirei asilo.

Quiçá a Itália dos meus antepassados!

Ou eles, os bárbaros já a dominaram?


luiz alfredo motta fontana on 13 outubro, 2010 at 10:17 #

E Ivan é magnânimo

De maneira cândida, finaliza seu texto:

“Claro, a opção do voto é o diocesano eleitor que vai ter que fazer, segundo seu direito e seu livre arbítrio….”

Só faltava não ser, não é não Ivan?

Embora Aldo tenha jeito, e tom, de excomunhão.


roberto on 13 outubro, 2010 at 10:56 #

prezado Ivan. quero prestar minha solidaridade a voce. estranho como os cidadãos brasileiros ainda não estão acostumados com a liberdade de expressão. só batem palma para aqueles que pensam igual. vamos em frente, Ivan.


Marco Lino on 13 outubro, 2010 at 13:40 #

Enquanto festejamos a saída dos mineiros da caverna, outros, como avestruzes, mergulham de cabeça na penumbra.

Como era sensível o Platão, hein? Falou dessas coisas há quase 3000 anos.

Pena que era homossexual… deve estar queimando no inferno…


gilberto on 13 outubro, 2010 at 15:25 #

Sobre o aborto, agora fala-se tudoe de todos.
E de padres que comem criancinhas não se fala nada, nunca.


luiz alfredo motta fontana on 13 outubro, 2010 at 16:56 #

Caro VHS

Até por princípio de equidade, após dois dias de Aldo Pagotto, cabe aqui o artigo de Alberto Dines. no Observatório da Imprensa.

———————————————–
ABORTO NA MÍDIA
O debate fora de lugar

Por Alberto Dines em 12/10/2010

Atenção aborteiros, abortistas, antiabortistas, dilmistas e serristas: retirem o assunto dos palanques. Vocês estão brincando com fogo – literalmente.

Os editais dos Autos da Fé já estão afixados nos templos e nas quermesses, as fogueiras estão preparadas. Guerras santas começam por ninharias (a questão do aborto jamais foi premente) e acabam em banhos de sangue.

Este debate ensandecido e despropositado sobre a descriminalização da interrupção da gravidez está empurrando o país para um modelo de república clerocrata, antirrepublicana, semidemocrática.

E a mídia tem grande responsabilidade neste arranca-rabo infantilóide. Nossa imprensa é, por tradição, sacristã: os grandes jornais sempre correram atrás das batinas e disputaram arcebispos e cardeais para lustrar suas páginas. Jamais chamaram um pastor luterano ou um intelectual agnóstico.

Mãos limpas

Quando se tratou de lembrar os 200 anos de fundação da imprensa brasileira, a presença de Hipólito da Costa como patrono do jornalismo foi determinante para que as comemorações fossem suspensas: além de maçom, denunciou ao mundo as barbaridades da Inquisição portuguesa.

Quando em 2008 o presidente Lula foi ao Vaticano acompanhado por seus entes queridos para assinar uma Concordata com o papa Bento 16, a grande imprensa – toda ela, sem exceção – manteve o assunto sob rigoroso sigilo, na clandestinidade. A pedido do governo. Uma imprensa altiva, libertária, não se importou em autocensurar-se ostensivamente [ver emissões abaixo]. Em nome da fé, vale tudo.

Começava naquele exato momento o ensaio geral para a atual caça às bruxas que fatalmente nos conduzirá ao total desrespeito e esquecimento pelos direitos humanos. Convém lembrar que o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, apresentado pelo governo com toda a pompa e circunstância no final de 2009, foi abortado – a palavra é esta, não existe outra – para acalmar as lideranças católicas e evangélicas (ineditamente irmanadas) que orquestravam a oposição ruralista e da mídia. Os chefes militares adoraram, lavaram as mãos. Os civis também sabem fazer suas guerrinhas sujas.

O retorno

A igreja católica rasgou naquele momento uma corajosa história escrita ao longo de três décadas contra a tortura e o desaparecimento dos presos políticos, só para evitar que a nação brasileira começasse a encarar a possibilidade de debater a questão dos símbolos religiosos em prédios públicos, do casamento gay e… do aborto.

O infalível retorno dos bumerangues traz de volta a questão do aborto – vociferada, enraivecida, envilecida, brutalmente simplificada. E condenada a ser erradicada da nossa agenda política pela radicalização eleitoral que a mídia açula e assopra.


Carlos Volney on 13 outubro, 2010 at 18:39 #

Bravo, Marco Lino, bravíssimo. Voce disse tudo e acertou na mosca. Fontana também, como sempre, “matou a cobra e mostrou ela morta”, já que outra coisa seria feio. E o Ivan, hein? Consegue sempre se superar aínda que pareça impossível. Vai ser faccioso assim……


marco lino on 13 outubro, 2010 at 20:01 #

Volney, o nosso simpático Carvalho é um legítimo cruzado. Já o poeta é hors concours.


Regina on 14 outubro, 2010 at 0:31 #

PARA SER GRANDE
Para
ser grande, sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha,
Porque alta vive.(FERNANDO PESSOA)


Olivia on 14 outubro, 2010 at 10:31 #

E os crimes de pedofilia praticados por padres – geralmente os mais dados a discursos ´moralistas´- quando começa os julgamentos?


Regina on 14 outubro, 2010 at 12:43 #

Podres Poderes
Caetano Veloso

Será que nunca faremos
Senão confirmar
Na incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que essa
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos…


Regina on 14 outubro, 2010 at 14:33 #

Quando o Papa abrir e ordenar a abertura das portas da Igreja para abrigar os menores abandonados que mendigam, se prostituem, se drogam nas ruas e sarjetas do mundo, ai eu vou começar a prestar atenção as suas pregações!


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