DEU NO TERRA (ELEIÇÕES 2010)

Ao final do primeiro bloco do debate promovido pela Rede Bandeirantes neste domingo (10), a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou que seu adversário José Serra (PSDB) deve esclarecer a questão de Paulo Vieira de Souza, assessor do tucano que, segundo a petista, “fugiu com R$ 4 milhões de sua campanha”.

Primeira a questionar, Dilma começou atacando e perguntou se Serra considera correta a forma com que sua campanha tem se desenvolvido. “Acho que sua campanha procura me atingir por meio de calúnias, mentiras e difamações. Eu tenho visto o seu vice, Indio da Costa, a única coisa que ele faz é criar e organizar grupos para me atingir até em questões religiosas. Gostaria de saber se o senhor considera essa forma de fazer campanha é correta”, perguntou a petista.

Durante a resposta, Serra também criticou a campanha de Dilma. “Até blogs com seu nome fazem ataques a mim e a minha família. É uma campanha bem orquestrada”, afirmou. O tucano disse que sua campanha cobra conhecimento dos candidatos e lembrou o escândalo da Casa Civil e do aborto. “Em relação ao aborto, você disse com clareza que era a favor da liberação do aborto. Isso tem gravado”, acrescentou.

Na réplica, Dilma afirmou: “a última mentira contra a mim foi porque vocês disseram que minha campanha pediu para abrir sigilo (…) Hoje você é réu por calúnia e difamação”. Ela falou ainda que acha estranho Serra dizer certas coisas. “Você regulamentou o acesso ao aborto no SUS”, falou a petista, acrescentando que até concorda com a regulamentação e que o aborto não deve ser tratado como um caso de polícia. “Entre prender e atender, eu prefiro atender”, afirmou

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Comentários

Marco Lino on 11 outubro, 2010 at 9:42 #

Detalhe 1: faltou dizer que o cidadão sumiu com “dinheiro não contabilizado”, ou seja, caixa 2.

Detalhe 2: faltou dizer tb que o mesmo cidadão foi o responsável pelas finanças das obras do Rodoanel…

Detalhe 3: os puritanos perderam, momentaneamente, o interesse por cifras. A modinha puritana da vez é o aborto, a matança dos inocentes.

Detalhe 4: sensibilidade seletiva essa dos “neopuritanos”. Eles têm ódio até hoje dos egípcios por terem matado crianças hebréias, mas sentem regozijo santo quando lêem que os judeus, mais tarde, fizeram o mesmo com os antigos habitantes da terra prometida. Santa incoerência, Batman.

Esse povo sente tanto pela proteína com vitamina – o ovo, um corpo ainda informe, de centímetros – mas não nutre nenhuma sensibilidade pelos adolescentes mortos por bala, fome e pelo terrorismo de Estado. Nenhuma palavrinha sobre a matança promovida no Oriente Médio por Israel e pelos EUA. Estes, diz a mentalidade retrógrada deles, foram predestinados por Deus para salvar o planeta. Daí o ódio demonstrado contra a política externa brasileira por ter iniciado conversas com o Irã.

O católico se benze quando passa por um corpo estendido no chão das periferias da vida. O evangélico se aproxima para ver se conhece, depois segue em frente para mais um culto. Ambos, à semelhança dos religiosos da Parábola do Bom Samaritano, não ligam muito para o corpo caído. Quem liga? O Samaritano – desprezado pelos religiosos, que Cristo chamou de sepulcros caiados (limpos por fora, podres por dentro!). Como a história se repete, hein?

Quero distância desses fariseus – religiosos e políticos.


luiz alfredo motta fontana on 11 outubro, 2010 at 19:03 #

Deu na minha tristeza

Dois candidatos, os que restaram, portanto um eles vai ocupar o Palácio, por mínimo 4 anos, embora costumem, os ocupantes, desde a primeira hora, buscar a prorrogação por mais 4.

De um lado, acusa, um deles, a tutora de Erenice, aquela mesma Dilma que transformou essa senhora de poucos modos e muita audácia, sabe-se lá vinda de onde, em Ministra, da mesma Casa Civil que herdou de outro, o tal Dirceu, cassado a espera de um julgamento, que como tantos, apenas tarda.

De outro, aponta esta, alguém que deve explicar aos incautos eleitores quem é Paulo Vieira de Souza. essa novidade em assessoria, que, segundo aponta os recortes da imprensa, aqui e ali, ainda não ordenados e colecionados em “biografia”, parece ter no novo senador, o fiel Aloysio Nunes Ferreira, uma amizadade pra lá de fraterna, afinal, ao que disse a edição de 15 de maio da mesma Veja, para gáudio, talvez, daquele cantor derrotado e conhecido por envolver-se em agressões à, pasmem, mulheres. Histórias existem.

Aqui um trecho:

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“Ele tem estreitas ligações políticas e pessoais com Aloysio Nunes Ferreira Filho, ex-secretário da Casa Civil de São Paulo e candidato do PSDB-SP ao Senado. Vieira de Souza e Aloysio se conhecem há mais de 20 anos. Quando, no ano passado, o tucano sonhou em ser o candidato de seu partido ao governo de São Paulo, Vieira de Souza foi apresentado como seu “interlocutor” junto ao empresariado. A proximidade entre os dois é tão grande que a família dele contribuiu para que o ex-secretário comprasse seu apartamento. A filha do engenheiro, a advogada Priscila Arana de Souza, e sua mãe, Ruth de Souza, fizeram um empréstimo de 300.000 reais ao tucano — dos quais a advogada arcou com 250.000 reais, conforme revelou o jornal Folha de S. Paulo em dezembro. “A filha dele me emprestou um dinheiro para eu comprar um imóvel, pois eu queria fechar negócio e não podia esperar sair o financiamento do banco. Paguei à Priscila no ano passado mesmo, em três ou quatro prestações. Tenho meus cheques todos registrados. Está tudo correto e documentado”, diz Aloysio. A assessoria do ex-secretário enviou uma relação de seis cheques de três bancos diferentes, relacionados ao pagamento da dívida. Cinco deles são de 2008: dois no valor de 50.000 reais, um no valor de 60.000 reais, um de 81.000 reais e o último, de 19.000 reais. Há também um cheque de 50.000 reais de maio de 2009.

Na versão de Aloysio, a demissão do amigo Vieira de Souza até parece voluntária. “Ele pretendia deixar o governo após a inauguração do Rodoanel”, diz. “Foi inaugurado e ele saiu.” Souza é mais duro ao falar do assunto. Atribui a demissão a atritos causados pelo seu estilo de trabalho, de dura cobrança de prazos. “Sempre disse que o Rodoanel tinha dia e hora para acabar. E isso incomoda”, afirma. “Mas não importa. O Brasil inteiro sabe que o protagonista do Rodoanel fui eu. Não faz diferença se estou dentro ou fora do governo.” O engenheiro rebate a tese de que sua exoneração poderia estar ligada às investigações sobre a Camargo Corrêa. “Não tem nada contra mim na Operação”, diz ele.”
Veja, 15 de maio de 2010 sob o título: O ‘homem-bomba’ do tucano Aloysio Nunes
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Enquanto isto, renomados e acomodados articulistas políticos, de vetustas redações, nos distraem com longas dissertações, e enfadonhos cantochões, sobre o mal dos males, o tal aborto, que parece seduzir rompantes éticos e fulgurantes condenações às trevas.

Deu na minha tristeza, e na vossa???

Próximo capítulo desta troca de afagos, na Record, após na globo, caso não adoeçam, compareçam nos vossos domicílios eleitorais. O tal dever vos chama, sob pena de multa.

Que Xangô nos ilumine, caso queira!


Marco Lino on 11 outubro, 2010 at 21:17 #

A tristeza é a mãe do Ocidente, Fontana – talvez por isto alguns autores defendam que o africano trouxe alegria à civilização brasileira. Bom mesmo seria refletir um pouco sobre a proposta de Nietzsche e introduzir um pouco mais da festa dionisíaca para contrapor um pouco a rigidez apolínea. Nem só Dionísio, nem só Apolo, é claro, mas necessitamos de mais música, vinho, festa, poesia, vida! Claro que sem tristeza não há civilização, já disse Freud, mas é preciso libertar Eros das forças de Thánatos para que a civilização seja um pouco mais prazerosa, mais lúdica.

Eleição é poder, é dinheiro e faz parte do reino de Thánatos. Daí a tristeza coletiva…


Marco Lino on 11 outubro, 2010 at 21:20 #

Eleição deveria ser Apolo, sim. No Brasil é Thánatos.


luiz alfredo motta fontana on 11 outubro, 2010 at 21:53 #

Caro Marco

Que os atabaques entõem alguma canção pagã!

E que lá do fim da estante, algum boêmio, meio cínico, meio ingênuo, ressuscite, só,por capricho, enquanto durar o gelo e o malte, Reich, o Wilhelm!

Nos criados. então mudos, dos anos sessenta e setenta, funcionou mesmo que não tão lido.


Regina on 11 outubro, 2010 at 23:28 #

http://www.youtube.com/watch?v=pVqOtQtTjWU

Se não no atabaque, mas no cd player, e longe do TI TI TI da tv, faço eco as palavras do Marco e brindo com o Fontana.
Tin, Tin…


Regina on 12 outubro, 2010 at 0:10 #

http://www.youtube.com/watch?v=9NPN4P3UyNk&feature=player_embedded

Ei, guys, que tal tirar Dilma e Serra do ar e ouvir Solomon Burke & The Rolling Stones?

Note: Solomon Burke dies at Amsterdam airport at 70.


Marco Lino on 12 outubro, 2010 at 0:48 #

Dois vídeos de pura alegria, festa, celebração! Um pouco de Baco para adoçar um pouco o nosso dia-a-dia dito civilizado.

Obrigado, Regina!


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