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Postado em 10-10-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 10-10-2010 10:40

Pacheco Filho: emoção à flor da pele

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Maria Olivia

Um justo tributo baiano a um de seus maiores radialistas de todas as épocas. No próximo dia 14, quinta-feira, às 14 horas, será inaugurada a Rua Pacheco Filho – antiga Travessa Almeida Garret -, no bairro Itaigara. Decorrente de projeto do vereador Pedro Godinho (atendendo muitas solicitações, inclusive dos inúmeros amigos do radialista , a homeagem a Balbino Pacheco de Oliveira Junior, conhecido como Pacheco Filho, deixou seus inúmeros amigos e admiradores muito satisfeitos, a exemplo de Manoel Cruz, amigo de Pacheco há 50 anos: ‘Que beleza, que bela homenagem, pela sua vida, ele merecia este reconhecimento’, afirmou emocionado.
Morto em 2 de dezembro de 2008, Pacheco Filho atuou no rádio desde 1946, teve passagens pela Excelsior e Sociedade, além de emissoras de rádio e tv no Rio de Janeiro. Antes de morrer, ele apresentava na Rádio Metrópole, o programa de grande audiência Almoçando com Pacheco Filho, que ia ao ar todos os sábado e domingos.
O local do evento é Avenida Antônio Carlos Magalhães, fundo do estacionamento do Bahia Parque, onde funciona a agência do Bradesco, um ponto antes do Shopping Itaigara.
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Homenagem da deputada Lidice da Mata (eleita senadora) na Câmara Federal, quando da morte de Pacheco:

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A SRA. LÍDICE DA MATA (Bloco/PSB-BA. Pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é com pesar que registro a morte do radialista Pacheco Filho, ocorrida na madrugada de terça-feira, dia 2 de dezembro, em Salvador. Um nome visceralmente ligado à história do rádio na Bahia, onde iniciou sua carreira na década de 40, na chamada era de ouro do rádio.
Voz impostada que dava ênfase a tudo que comentava com uma clareza quase didática. Comandou programas de grande audiência. Na Rádio Cultura durante décadas era dono absoluto de audiência com o programa Só para Mulheres, um dos primeiros nesse gênero que hoje se popularizou por várias emissoras. Emprestou também a sua colaboração e seu talento às rádios Sociedade e Excelsior.
A sua grande popularidade o levou à Câmara de Vereadores, onde exerceu o mandato de 1959 a 1962. Mas foi no rádio que escreveu a sua história e construiu a sua fama. Hoje não tem como se contar a história do rádio na Bahia sem citar Pacheco Filho. Era um radialista que vivia intensamente a sua cidade, um apaixonado pela profissão e pela vida. Segundo relato dos amigos mais próximos, por amor, certa feita largou o emprego e foi para Buenos Aires cortejar uma bailarina por quem se apaixonou. Pacheco era assim mesmo, pura emoção, que absorvia dos boleros e dos tangos com os quais embalava seus programas.
Um radialista de palavras medidas, da elegância no trato com os ouvintes e no respeito com o público. Não se tem registro de uma passagem sua por esse jornalismo de ocasião, que agride, ataca por conveniência ou para prestar serviço e cobrar mais adiante. Sua postura de homem progressista e esquerdista também se fazia sentir na profissão.
Essa postura, entretanto, não lhe garantiu o merecido reconhecimento. Por muito tempo foi esquecido, passou por sérias dificuldades financeiras. Recentemente voltou a comandar o programa de rádio Almoçando com Pacheco Filho, transmitido aos sábados e domingos pela Metrópole.
Com a sua morte, o rádio perde mais um pouco do glamour de uma era que vai ficando cada vez mais para trás.
Pacheco Filho também freqüentava o chamado “Senadinho”, lugar que passou a ser o ponto de encontro onde já há alguns anos jornalistas, políticos e empresários aposentados passaram a se reunir todas as semanas em um café logo na entrada do Shopping Barra, em Salvador, para bater papo e colocar os assuntos da política em dia. Devido à projeção que tiveram na vida pública, o local passou a ser chamado de “Senadinho”.
A todos os queridos amigos o nosso abraço neste momento de dor em comum e saudade.
Obrigada.
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Olívia Soares é jornalista

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Comentários

Olivia on 10 outubro, 2010 at 11:36 #

Na homenagem a Pacheco, um tributo a minha mãe, outra amante do rádio, há nove anos ausente, mas sempre presente em todos que tiveram o privilégio da sua convivência. Vale ressaltar a lembrança do nosso querido deputado eleito Amauri, na hora da confirmação do mandato nas urnas dedicou sua vitória, entre outros, a Seu Alaor e Dona Jandira, muito lindo. Eles amavam Amauri e vice-versa. Vida que segue, gente.


Mariana on 10 outubro, 2010 at 15:47 #

Saudades, muitas saudades da minha mãe…D. Jandira era uma mulher musical por natureza, sempre unida a seu radinho de pilha, nos trazia as noticias frequinhas e sempre em primeira mão, sem falar nas canções que embalava o seu dia a dia. Ela sempre vivera no meu coração!
Quanto a Amauri, certamente, S. Alaor e D. Jandira estão felizes com tão merecida vitória e o Congresso Nacional certamente muito mais forte e digno! Parbens, Amauri, lhe aguardo aqui em Brasilia!


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