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Postado em 09-10-2010
Arquivado em (Aparecida, Artigos) por vitor em 09-10-2010 17:28

Palhaço Tiririca

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Lá se vão os anos e a democracia ensina a desentender seus meandros ou a ler nas entrelinhas da sua reação através de um genero de votos, do tipo protesto ou zombeteiro, ou pontualmente fiel ao gosto pelo esporte, pela religião, pelo partido, será só isso?

Muito simplista… tem a preferência pela beleza do candidato ou candidata, tipo que agrada os olhos e o resto nem interessa, vale a ilusão da visão do belo. Tem o gosto pela arte do cara ou da figura que canta, dança, empolga, atua, fala bem, representa, etc.

Vale o encantamento pelo animador de auditório, a apresentadora de televisão, o pastor da igreja do bairro, a líder da torcinda, o chefe da comunidade, o representante da associação, do clube da esquina, do time de futebol, da programação de domingo , quem sabe o costureiro versátil e polêmico como foi Clodovil, talvez o índio antenado como era o Juruna, tem lugar para a galhofa, como o rinoceronte Cacareco de anos passados, no Rio de Janeiro, há espaço para o bom jogador de seleção ganhadora de tetra, ou de penta, etc…

Chegou a vez do palhaço, afinal, ele encanta e faz esquecer dos problemas com suas brincadeiras, nos circos da vida afora, é o inconsciente coletivo expressando sua tese certeira, já que o circo está armado, pão e circo é tudo que o povo parece querer.

Raciocínio lógico, votar em quem nos faz zombar de nós mesmos… Raciocínio ilógico, esperar que ele nos salve de tanta brincadeira de mau gosto que nos assola no festival de besteiras que nos engole a todos, quase sempre.

Bem, cantores, palhaços, animadores, pastores, comandantes de times, jogadores, ídolos de televisão ou rádio, etc. etc. estarão sempre apostos para ocuparem postos assim, eletivos, porque caem nas graças do povo ou de boa parcela dele, ainda que somem teorias de como jogar bem o voto que se vota mal ou melhor, de como se jogar fora o voto que não vale quase nada, à primeira vista. Porque, na verdade, vale milhões em termos de reais, ao fim de quatro anos de mandato, com despesas de salários aos eleitos, seus assessores, suas estruturas parlamentares, seus gastos extras, suas mordomias, tudo isso, evidentemente pago por nós, que precisamos mesmo é usar narizes de palhaços e assumir a brincadeira do espelho, espelho meu….

Dize me espelho se há no mundo palhaço maior que eu!

Aparecida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária.

Aparecida Torneros

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