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No meio da polêmica nacional sobre o resultado do primeiro turno na eleição presidencial, domingo passado, 3, o jornalista Ivan de Carvalho pontua em seu artigo desta quarta-feira na Tribuna da Bahia: “O que ficou claro foi a tendência descendente da líder da votação, Dilma Rousseff e a tendência ascendente do vice-líder no primeiro turno, José Serra.” Bahia em Pauta reproduz o texto de Ivan.

OPINIÃO POLÍTICA=

A batalha do segundo turno

Ivan de Carvalho

No finalzinho da campanha eleitoral, acompanhando a linha do que segredavam pesquisas feitas sob encomenda para consumo interno das principais candidaturas a presidente da República, um quadro bastante nítido se desenhou, reforçado pela arguta observação de certos políticos – a candidata do PT, Dilma Rousseff, descia involuntariamente de seus saltos Luiz XV, enquanto José subia lentamente a serra e a jaguatirica morena do PV dava o bote.

Agora, é claro, a doce jaguatirica Marina está fora da disputa, que passou a comportar apenas dois contendores, que se engalfinham na tentativa de obter, quando não o improvável ou quase impossível apoio declarado de Marina, mas a simpatia de seu entorno e de seus eleitores. O que ficou claro foi a tendência descendente da líder da votação, Dilma Rousseff e a tendência ascendente do vice-líder no primeiro turno, José Serra.

É claro que no primeiro turno houve uma diferença grande entre os votos de Dilma e Serra. Mas essa diferença foi menor do que a campanha de Dilma esperava. Significativamente menor. E até foi também menor do que esperavam Serra e sua equipe de campanha. Em percentuais arredondados, Dilma teve 47 por cento dos votos válidos e Serra, 33 por cento.

A diferença, aí, é de 14 por cento dos votos válidos. E o que precisa acontecer para que se chegue à situação de empate absoluto (não o chatíssimo “empate técnico” das pesquisas eleitorais) seria a divisão exata, entre Dilma e Serra, dos votos de Marina somados aos votos dados aos demais candidatos e uma migração de sete por cento dos votos dados a Dilma para Serra. Haverá quase um mês de campanha para o candidato do PSDB tentar isto.

Vale registrar – reforçando esse cenário em que a candidata favorita, a petista, tende a não ser lá tão favorita quanto parece – que um importante instituto de pesquisa eleitoral sondou, às vésperas do domingo da eleição, os eleitores de Marina Silva, a respeito de a quem dariam o voto no caso de haver segundo turno com uma disputa entre Dilma e Serra. Resultado bastante estimulante para o candidato do PSDB – naquela ocasião, 51 por cento dos eleitores de Marina entrevistados disseram que votariam em Serra e 37 por cento se decidiriam por Dilma Rousseff. Os outros 12 por cento não tinham opção a declarar.

Claro que isso apenas não seria suficiente para Serra virar o jogo. Não há maneira de virar o jogo sem conquistar uma parcela dos eleitores de Dilma para complementar. Serra pode muito bem não conseguir. Mas impossível não é, especialmente quando se leva em conta o que já foi dito neste comentário – nos últimos dias da campanha, até o domingo da eleição, Dilma estava em linha descendente e Serra em notória linha ascendente (enquanto Marina atingia a espantosa velocidade da jaguatirica no ato do bote).

Claro que Dilma Rousseff tem Lula. Mas já teve durante um ano inteiro – e de maneira intensa, talvez até demasiadamente, na campanha. Lula errou quando atacou a liberdade de imprensa, infundindo medo na sociedade e fazendo em seguida uma tentativa mal sucedida, porque tímida e envergonhada, de correção.

A coligação que sustenta Dilma vê o fantasma da derrota? Como certeza, claro que não, como hipótese efetiva, parece que sim. Não fosse isto, não estaria gente no PT querendo tirar do programa do partido a diretriz de liberação do aborto, de várias a principal causa a provocar o que ontem chamei de “voto espiritual” contra a candidata petista. O problema é que os “eleitores espirituais” podem já estar vacinados e imaginarem que o PT pode excomungar o aborto antes do segundo turno e reintegrá-lo ao seu programa logo que julgue oportuno. Além de que o aborto não é a única questão do programa petista que desafia o “voto espiritual”.

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Comentários

marco lino on 6 outubro, 2010 at 17:11 #

Ivan, deixa um pouco a torcida por Serra de lado e fala um pouco da nossa Bahia… teu César, hein? Geddel? E o carlismo? Pinheiro?! E Lídice?

?!

Só um pouco, vai…


luiz alfredo motta fontana on 6 outubro, 2010 at 17:28 #

Marco Lino

Uma verdade santa!

Em campanhas desertas de idéias, o que se desnuda nas colunas, para a infelicidade dos leitores, é o alinhamento envergonhado dos ditos setoristas de plantão.

Que o Deus da bonança os premie com alguma Assessoria de Imprensa, tão sonhada.

Haveremos de suportar a saudade!

Quem sabe algum talento novo, ou velho, sem ilusões de estilo, encontre espaço?


marco lino on 6 outubro, 2010 at 17:53 #

Pois é, Fontana, e cite-se que o deserto de idéias não existiu por falta de tempo, como Ivan sugeriu na segunda. Serra e Dilma tiveram tempo de sobra no 1° turno.


luiz alfredo motta fontana on 6 outubro, 2010 at 19:07 #

Hoje não é o dia de Ivan!

Aqui o sobressalto da tarde:

“Em ato falho, Serra disse que é favor do aborto, para logo depois se corrigir, se posicionando contrariamente. Ele ainda criticou a adversária petista, Dilma Rousseff, que no passado defendeu a descriminalização do aborto e agora é contra, com o objetivo de não perder votos dos eleitores mais conservadores.

– Eu nunca disse que sou contra o aborto, porque eu sou favor – disse ele, que logo se corrigiu:

– Eu nunca disse que sou a favor do aborto, porque eu sou contra.”
(O Globo, reproduzido no Blog do Noblat)

Haja coração!

Já a tal da convicção!

Embananou-se!


Regina on 6 outubro, 2010 at 20:07 #

“O Aborto” vai ser o “hot potatoe” nestes dias até o 31. Ontem no Facebook haviam varias discussões a respeito. Ponto quente em toda parte e difícil de se chegar a um acordo, vai dar pano pra manga!!! Legalizar é preciso, mas os políticos fogem do assunto como o diabo foge da cruz!


marco lino on 6 outubro, 2010 at 20:43 #

Legalizar é preciso, mas continuará na clandestinidade. Infelizmente.

Mudança de mentalidade é um troço complicadíssimo.


danilo on 6 outubro, 2010 at 21:09 #

– o Carlismo?

– bem, metade do Carlismo definhou.

– e a outra metade?

– ah, não diga que voce não sabia? o resto do Carlismo que não definhou virou petista de carteirinha, ora bolas…


Marco Lino on 6 outubro, 2010 at 22:02 #

Gostei, Danilo. Entretanto faltaram alguns outros elementos, não?

Ah, pode me chamar de Stalinlino que não ligo. Se bem que acharia melhor um Leninlino…

Abs


Augusto Roberto on 14 outubro, 2010 at 0:29 #

Muito bem colocado!! isso se trata de possibilidades, Serra45!!!


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