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Postado em 05-10-2010
Arquivado em (Crônica, Janio) por vitor em 05-10-2010 17:20

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CRÔNICA/ UMA CANÇÃO

Quem vai para o trono?

Janio Ferreira Soares

Eu tenho um amigo que sempre compara eleição a um programa de calouros. Ele explica que quando o apresentador pergunta a opinião dos jurados sobre o desempenho dos aspirantes ao estrelato, invariavelmente eles dizem algo do tipo: “gostei muito da voz do rapaz que cantou Raul Seixas, adorei o outro que imitou Silvio Santos, mas vou votar na mocinha que interpretou Detalhes.” Na mosca.

Tanto no auditório quanto no teste das urnas, nem sempre vence o melhor ou o mais simpático. Conheço várias pessoas agradáveis e cheia de amigos que, induzidas a testar sua popularidade numa eleição, perderam justamente para aquele candidato antipático, mas que “canta Detalhes” como ninguém. Creio ter sido esse o principal problema de Dilma.

Quando Lula a escolheu como candidata e começaram os questionamentos por ela ser mais conhecida pelo seu jeito durão e técnico do que por algum atributo político, imediatamente os milagreiros do marketing começaram a adequá-la ao manjado padrão eleitoral vigente que acompanha todos os candidatos, que é o: “veja-como-eu-sou-uma-pessoa-simpática-católica-umbandista-evagélica-e-preparada-para-o-que-der-e-vier-sempre-com-um-sorriso-forçado-no-rosto.” E aí repaginaram o seu antigo visual de professora de matemática que toma a tabuada batendo a régua no birô, ajeitaram o seu cabelo, mas se esqueceram de um detalhe fundamental: não lhe ensinaram a cantar “aquela” canção do Roberto. Dizem que foi aí que começou a se desenhar o segundo turno.

De qualquer maneira, o eleitor/jurado terá uma segunda oportunidade para comparar e julgar as novas performances de Serra e Dilma, agora numa versão mais acústica, já que o metaleiro Plínio foi gongado. E acredito que os marqueteiros já devem ter traçado novidades para os seus pupilos, como talvez um duo formado por Serra e Alckmin mandando uma moda de viola, ou então Dilma, Wagner e Tarso Genro, numa mistura tri-legal de milonga, axé e dança búlgara. Uma dica: como Marina está rouca e dá sinais de que não quer ser vocalista de ninguém, o nosso Ey-Ey-Ey-Eymael se encontra disponível para qualquer canja.

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