out
05


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“Amazonas”, em homenagem a uma guerreira do bem. Senta o pau, Donato!
Amazonas

Composição de João Donato (mùsica)e Lysias Ênio (letra)

Vou embora
Tá na hora de voltar pro Amazonas
Na cidade, na saudade choro tanto
Que meu pranto feito rio
Se fez mar…
Vou embora
Com a viola companheira do meu canto
Vou sozinho meu caminho caminhando
Vou cantando pra tristeza espantar
Vou armar a minha rede
Com a morena me embalar (sonhar)
Sonho livre
Como a garça voa livre pelo espaço
Vou descer meu rio abaixo de canoa
Vida boa de ter tempo pra sonhar
Vou fazer uma palhoça
Com a morena vou morar (e amar)
Vou ser livre
Como livre vai correndo o Amazonas
Na canoa deslizando em suas ondas
Vou seguir o seu caminho para o mar
***

BOA NOITE !!!
(Gilson Nogueira)

out
05
Posted on 05-10-2010
Filed Under (Multimídia) by vitor on 05-10-2010


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Bahia em Pauta também saúda a vitória da primeira senadora mulher da Bahia. Principamente por ser ela a socialista Lídice da Mata (PSB), exemplo de coerência política, resistência corajosa e ética. Um perfil com a dignidade que a Bahia precisava no Senado.

Ah! Amiga e leitora do BP desde sua origem, sim senhor!

Grande abraço, Lídice.

 

(Vitor Hugo Soares)

out
05
Posted on 05-10-2010
Filed Under (Charges) by vitor on 05-10-2010


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Aroeira, hoje no O Dia (RJ)

out
05
Posted on 05-10-2010
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 05-10-2010

Dilma: pose no encontro levanta-moral em Brasília

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DEU NO TERRA (ELEIÇÕES 2010)

 

Claudio Leal

 

De Brasília (DF)

Os carros das emissoras de televisão engarrafam a entrada do hotel Royal Tulip, próximo ao Palácio da Alvorada, na secura brasiliense do primeiro dia do segundo turno. O porteiro impede o acesso da imprensa ao estacionamento, mas é contestado pelas emissoras excluídas:
– Vimos o carro da Globo entrar. Vocês vão ter que liberar pra todo mundo!
“Isso aqui é o céu e o inferno de todo jornalista”, define uma repórter, ao ver o desembarque de lideranças nacionais para fortalecer o reinício da campanha presidencial de Dilma Rousseff. O encontro levanta-moral repete a estratégia de Lula em 2006, quando disputou um segundo tempo com Geraldo Alckmin (PSDB).
Descem de carros pretos os governadores eleitos Cid Gomes, Eduardo Campos, Jaques Wagner, Marcelo Déda, Sérgio Cabral, Silval Barbosa, Tarso Genro, Tião Viana e Renato Casagrande.
Renan Calheiros (PMDB), em ritmo marcial, desvia-se: “Falo somente no fim”. Bem mais atencioso é o senador potiguar Garibaldi Alves, com os estáticos dentes de quem engoliu o piano e deixou o teclado do lado de fora (obrigado, Manuel Bandeira).
– Estive cuidando da minha eleição lá no Estado, não sei informar sobre os erros da campanha – Garibaldi justifica.
Os mais votados atraem os pássaros da mídia livre. Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, é sitiado por câmeras e microfones.
– Do alto dos seus 82%… – uma exclamação perdida no tumulto.
Bispo Marcelo Crivella! Pele repuxada na altura dos olhos, como se estivesse eternamente no meio de uma oração, o senador da Igreja Universal oferece um atestado a Dilma:
– Ela é cristã, pelo menos me disse que era cristã… Pode ter tido seus momentos (de ateísmo), pelo sofrimento que passou (em sessões de tortura)… – logo ressalva.
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), desembarca do alto dos seus 63,83%, ladeado pelos senadores eleitos Lídice da Matta e Walter Pinheiro. Jeitoso, o petista flerta o apoio da amiga Marina Silva, a protagonista ausente da reunião.
– Marina é maior do que o PV. Que me desculpe o PV, mas ela é uma liderança maior do que o seu partido.
Sorridente nessa segunda-feira pós-vitória, a primeira-dama baiana Fátima Mendonça comemora a derrota do candidato do PR ao Senado, César Borges, ex-aliado de Antonio Carlos Magalhães.
– Falei ontem na Bahia: a casa de César Borges caiu! (volta a observar o marido) Jaques, vamos!
Na coletiva, Dilma aparece com olheiras pesadas, compensadas por tentativas de bom-humor. Depois das acusações de ateísmo e dos boatos religiosos malévolos à sua candidatura, Deus esteja nas respostas.
Em nome do Pai.
– Hoje acordei de manhã e agradeci a Deus pelos meus 47 milhões de votos.
Do filho.
– Por isso eu agradeci a Deus pelos meus votos.
E do Espírito Santo.
– Considero que a eleição foi muito boa, por isso agradeci a Deus.
Câmeras desligadas, ela retorna ao salão da mesa circular, no qual se palpita sobre as estratégias a serem adotadas pelo staff.
– Está um saco. Cada um se levanta e fala como foi a eleição em seu Estado… Não é pra isso, ninguém aguenta. Virou uma assembleia! – desabafa uma das participantes.
Começa o estouro de aliados.
Requião, cabelo cinza reluzente e olhos afogados pelas pálpebras, identifica as fraquezas da campanha de Dilma, no primeiro turno, e sugere mudanças.
– Está claro que precisamos incorporar o programa ambiental de Marina.
– O senhor propôs isso lá dentro? – pergunta o repórter.
– Não. Eu fiquei quietinho.
– E o que mais se falou?
– O presidente Lula precisa parar de morder, porque ele ficou muito agressivo, sabe? Precisa voltar a ser o Lulinha Paz e Amor, ficar mais calmo. E ele me deu esse conselho lá no Paraná. “Requião, pare de ser agressivo e de atacar todo mundo!”. Pois veja, precisa seguir também esse conselho.
– O senhor expôs essa crítica na reunião?
– Eu não. Fiquei quietinho, bem quietinho…
Requião conduz o diálogo para o seu melhor tema: Requião. Debaixo de 24,84% de votos, o peemedebista dissidente revela o segredo da conquista de uma vaga no Senado, sem gastos perdulários.
– Sabe aquela filmadora Canon? Comprei uma. Aí eu fazia o meu texto, comprava uma fitinha e mandava pro programa eleitoral. Não tive gasto nenhum com marketing. Era só gravar e enviar pra ser exibido. E ninguém diria que alguém pudesse ganhar uma eleição dessa forma. Gastei R$ 25 mil com fitinhas.
Ex-candidato a candidato à presidência, o deputado federal Ciro Gomes (PSB) deixa a sala acompanhado do irmão, o governador cearense Cid Gomes. Numa camisa azul estilo Serra, Ciro dá uma canelada na imprensa:
– O governador é ele.
Defensor do licenciamento de Lula, para que se dedique à campanha de Dilma, Cid Gomes se chateia ao saber de um café-da-manhã com o presidente, no dia seguinte.
– Isso são horas de avisar? Poxa, eu não trouxe nem uma muda de roupa, nem um desodorante…!
A dez passos dali, Ciro retorna ao halterofilismo linguístico.
– Na mesa de bar onde eu estiver, Serra jamais será guardião da ética.
Ao lado, o governador Eduardo Campos elogia o debate público promovido por Marina e se atira da cumeeira dos seus 82%:
– Em Pernambuco, se ela (Dilma) tiver menos de 75% dos votos, eu não sei nem o que tô fazendo aqui!
Uma pausa para Eduardo Suplicy.
– Olha, eu ainda não gravei o depoimento pra Dilma…
Surpreso, o marqueteiro João Santana Filho se desculpa e encaminha Suplicy à equipe, que já desarmava os equipamentos de filmagem.
– Pessoal, Suplicy não gravou um depoimento. Por favor, gravem com ele…
Na despedida, João Santana usa a tática do celular – uma das armas charmosas de Marta Suplicy -, para descolar-se de repórteres e manter a discrição de sertanejo. Da porta do salão à entrada do hotel, concentra-se na conversa telefônica. Um grupo de jornalistas da Veja, Estadão e Folha de S. Paulo o cumprimenta e arrisca sorrisos amigueiros, para arrancar um naco de informação.
O publicitário breca.
– Oba, tudo bem?
E o celular, esse triste aparelho, vibra a tempo de conduzi-lo em sossego até o carro.
Num canto, Eunício Oliveira (PMDB), senador pelo Ceará, aguarda o motorista. Está a caminho da casa do presidente da Câmara, Michel Temer, e vai se incorporar a uma missão regional: acalmar Geddel Vieira Lima. O ex-ministro da Integração Nacional virou adversário de Dilma desde que a petista rompeu um pacto de lealdade e declarou apoio exclusivo a Jaques Wagner na Bahia.
– Vou dizer a Geddel: “Pô, esqueça isso tudo. Vote no Michel. Pense no Michel, que é o vice da Dilma. Ponha o Michel na frente!”
Dilma deixa o hotel. Aliviado com a gravação do depoimento, Suplicy se aproxima de três jornalistas e, a pedidos, começa a reproduzir as duas mensagens dirigidas à candidata.
– Atrapalho se eu me sentar? Na primeira, eu disse mais ou menos o seguinte…

Leia mais em Terra (Eleições 2020)

 

http://terramagazine.terra.com.b

out
05
Posted on 05-10-2010
Filed Under (Crônica, Janio) by vitor on 05-10-2010

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CRÔNICA/ UMA CANÇÃO

Quem vai para o trono?

Janio Ferreira Soares

Eu tenho um amigo que sempre compara eleição a um programa de calouros. Ele explica que quando o apresentador pergunta a opinião dos jurados sobre o desempenho dos aspirantes ao estrelato, invariavelmente eles dizem algo do tipo: “gostei muito da voz do rapaz que cantou Raul Seixas, adorei o outro que imitou Silvio Santos, mas vou votar na mocinha que interpretou Detalhes.” Na mosca.

Tanto no auditório quanto no teste das urnas, nem sempre vence o melhor ou o mais simpático. Conheço várias pessoas agradáveis e cheia de amigos que, induzidas a testar sua popularidade numa eleição, perderam justamente para aquele candidato antipático, mas que “canta Detalhes” como ninguém. Creio ter sido esse o principal problema de Dilma.

Quando Lula a escolheu como candidata e começaram os questionamentos por ela ser mais conhecida pelo seu jeito durão e técnico do que por algum atributo político, imediatamente os milagreiros do marketing começaram a adequá-la ao manjado padrão eleitoral vigente que acompanha todos os candidatos, que é o: “veja-como-eu-sou-uma-pessoa-simpática-católica-umbandista-evagélica-e-preparada-para-o-que-der-e-vier-sempre-com-um-sorriso-forçado-no-rosto.” E aí repaginaram o seu antigo visual de professora de matemática que toma a tabuada batendo a régua no birô, ajeitaram o seu cabelo, mas se esqueceram de um detalhe fundamental: não lhe ensinaram a cantar “aquela” canção do Roberto. Dizem que foi aí que começou a se desenhar o segundo turno.

De qualquer maneira, o eleitor/jurado terá uma segunda oportunidade para comparar e julgar as novas performances de Serra e Dilma, agora numa versão mais acústica, já que o metaleiro Plínio foi gongado. E acredito que os marqueteiros já devem ter traçado novidades para os seus pupilos, como talvez um duo formado por Serra e Alckmin mandando uma moda de viola, ou então Dilma, Wagner e Tarso Genro, numa mistura tri-legal de milonga, axé e dança búlgara. Uma dica: como Marina está rouca e dá sinais de que não quer ser vocalista de ninguém, o nosso Ey-Ey-Ey-Eymael se encontra disponível para qualquer canja.


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Boa tarde a todos!

(VHS)

DEU NO TERRA

Claudio Leal

Direto de Brasília

Candidato derrotado ao governo da Bahia, o ex-ministro Geddel Vieira Lima se reúne na noite desta segunda-feira (4), na casa de Michel Temer (PMDB), vice na chapa presidencial de Dilma Rousseff (PT), para cicatrizar as brigas com a campanha petista.

Em visita à Bahia, para a gravação de programa eleitoral antes do primeiro turno, Dilma escanteou Geddel, declarando apoio exclusivo a Jaques Wagner (PT). “Eu tenho basicamente, agora neste exato instante, apoio claro ao governador Jaques Wagner. O Geddel nós apoiamos, mas não está bem situado. Eu apoio, sobretudo o Jaques Wagner”, declarou Dilma. Depois dessa patada, Geddel se aproximou do PSDB baiano e liberou o voto dos prefeitos peemedebistas.

Temer e o ex-governador Moreira Franco, representante do PMDB no staff dilmista, tentam estancar a dissidência. Um dos presentes ao encontro noturno, em Brasília, o senador eleito do Ceará, Eunício Oliveira, dirá a Geddel: “esqueça isso tudo. Vote no Michel. Michel é o vice. Ponha o Michel na frente”.
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EM TEMPO: Bahia em Pauta esclarece que a matéria acima foi editada no portal Terra (Eleições 2010) no começo da noite de ontem, 4,antes portanto de começar a reunião na casa de Michel Temer, em Brasília. Se tudo saiu conforme o “script” dos bombeiros do PMDB, resta saber agora o que respondeu o ex-ministro Geddel.

A conferir

(VHS)


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OPINIÃO POLÍTICA

A bala de prata

Ivan de Carvalho

Nas semanas finais da campanha para o primeiro turno, quando os institutos de pesquisa indicavam um quadro que resultaria na vitória definitiva da candidata do PT, Dilma Rousseff, já no primeiro turno, as principais concorrências – representadas pela coligação liderada pelo PSDB, com José Serra como candidato, e pelo PV, com Marina Silva – desesperavam-se na busca da bala de prata.

Na lenda do lobisomen – que parece uma história fantasiosa, mas é coisa séria, tratando da transformação do homem em lobo, em um sentido figurado, mas extremamente real e rotineiro na história da humanidade e dos indivíduos –, a única coisa com que se pode matar a fera é uma bala de prata. Pois os principais oponentes da candidatura governista torciam para que essa bala de prata fosse encontrada.

Os concorrentes da candidatura oficial não encontraram a bala de prata. Mas a sociedade a encontrou e o eleitorado pôde dispará-la, não para derrotar a candidatura governista, que nem era o objetivo das oposições na primeira fase eleitoral. O objetivo era mais modesto, embora em muitos momentos haja parecido quase inalcançável – levar a disputa para o segundo turno. E isto, afinal, acabou acontecendo, até de modo confortável para a concorrência, embora as pesquisas, no sábado, indicassem empate (empate absoluto no Datafolha, empate técnico no Ibope) entre as alternativas Dilma e segundo turno.
A essa altura, os meus poucos e pacientes leitores já devem ter perdido a paciência. Afinal, qual foi a bala de prata? Desculpem, mas é melhor, antes, descrever a preparação do campo de tiro.

Primeiro, houve, na Receita Federal, aquela feia lambança criminosa de quebra ilegal do sigilo fiscal de parentes do candidato tucano José Serra e de pessoas ligadas a ele e/ou ao PSDB. Foi uma coisa gravíssima, afrontosa à Constituição da República e às garantias individuais. Mas era coisa complexa para a grande faixa de eleitores que não se interessa ou não tem instrução para ir fundo na compreensão de questões complexas.
Veio, então, o escândalo envolvendo a Casa Civil da Presidência da República e a então ministra-chefe Erenice Guerra, que era braço direito da candidata Dilma quando ocupava o cargo de ministra e a quem sucedeu. Ficava ruim um caso assim, de tráfico de influência, propina, esse tipo de coisa, acontecer em qualquer setor do governo, mas na Casa Civil é overdose. E overdose fácil de entender. Isso contribuiu decisivamente para preparar o campo de tiro.

E havia Marina, a doce jaguatirica morena, com sua onda verde, que creio ser muito mais uma onda formada por descontentes com os outros dois contendores. No começo, mais com Serra, no final, no entanto, mais com Dilma.

E então houve Lula atacando severamente a imprensa – enquanto seu partido tem um programa que propõe o “controle social” da mídia –, com o que foi posta em xeque toda a liberdade de expressão e, com esta, liberdade religiosa. Pois nenhuma liberdade sobrevive à morte da liberdade de expressão. Isso gerou algum receio de restrições de fato, materiais, à liberdade religiosa e à atividade, digamos, física, das igrejas. Isso não é nenhuma novidade na história humana antiga ou recente.
Assim estava pronto o campo de tiro. Ora, quando o campo de tiro está pronto e o atirador – o eleitor – a postos, a bala aparece. A bala de prata.
A defesa da “descriminalização” – liberação do aborto em uma entrevista à Folha de São Paulo, em 2007, cuja publicação não mereceu reparos da hoje candidata do PT a presidente. Que hoje nega ter dito o que o jornal publicou como afirmação dela, sem receber qualquer protesto ou pedido de correção. A mesma liberação do aborto que levou à expulsão de dois deputados petistas que a ela se opunham (um deles, o baiano Luiz Bassuma). A descriminalização de drogas hoje ilícitas. Dentre outras coisas a que se opõem as igrejas católica e/ou evangélicas. E o receio de futuras restrições à liberdade e atividade religiosas.

Creio que esta foi a bala de prata – o voto espiritual

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