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Postado em 04-10-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 04-10-2010 12:37

Haydil Linhares em cena/img A Tarde

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Perda sem tamanho para o teatro baiano e a arte do País. Foi sepultada na manhã desta sergunda-feira, 4, no cemitério Jardim da Saudade, a atriz e dramaturga Haydil Linhares. Natural da cidade de Itapicuru, no sertão baiano, foi uma das expressões maiores do palco em Salvador, nas décadas dos 60/70, auge do sucesso do chamado Teatro de Cordel da Bahia, comandado pelo diretor João Augusto e contracenando com Harildo Deda e Bemvindo Sequeira em peças memoráveis no Vila Velha e no Teatro Santo Antônio, da UFBA.

Faleceu na manhã de domingo, 3, por volta das 11h, no Hospital Espanhol, onde estava internada desde o último dia 18 de setembro.

A magnífica atriz, formada na Escola de Teatro da UFBA, que seguia atuante nos palcos e como mestra de várias gerações de jovens atores baianos, morreu de falência múltipla dos órgãos, sempre amada por seu público e respeitada por seus colegas de cena e de bastidores, por suas interpretações notáveis e generosidade como pessoa.

Sua única filha, Poliana Linhares, revelou que Haydil sofreu um quadro de infecção respiratória grave, com complicações.

Pesar da cultura

A Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) divulgou uma nota de pesar sobre a perda da atriz. Na nota, a fundação se refere à Haydil como “dama do teatro baiano”.

“Atriz e dramaturga, Haydil Linhares deixa de herança na memória de todos nós sua forte presença, suas marcantes interpretações nos palcos, na televisão e no cinema, seus textos escritos, sua generosidade no ofício de formar novos talentos, suas contribuições em mais de 45 anos de carreira para a valorização das artes cênicas do estado. A Fundação Cultural do Estado da Bahia e o teatro baiano estão de luto.

Registramos nossos sentimentos aos familiares e amigos que, como nós, se entristecem com esta perda”.

Haydil Linhares, ao  longo de sua trajetória,  fez curso de interpretação da Escola de Teatro e o de direção, concluído em 1979.  Aos 75 anos, 46 de palco, a atriz fez parte da geração de atores que conviveu com a discriminação da profissão, resistindo aos preconceitos e ganhando destaque nos palcos.

“Sou de uma época em que fazer teatro significava estar se prostituindo”, disse certa vez, em declaração à imprensa.

Como atriz, trabalhou com grandes diretores baianos. Em seu primeiro espetáculo, “Stopen Stopen!”, foi dirigida por João Augusto. Haydil também fez trabalhos orientados por Deolindo Checcucci, Márcio Meirelles, Edwald Hackler, entre outros.
Na montagem “O Terceiro Sinal” (Deolindo Checcucci), a atriz de destacou ao lado do também falecido Wilson Mello. Com Harildo Déda e Jussilene Santana, fez “A Mulher sem Pecado”, direção de Ewald Hackler .

Haydil também teve experiências importantes no mundo do cinema. Ela interpretou Norminha, em “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e participou dos longas “Caveira My Friend”, “Meteorango Kid”, e “Jardim das Folhas Sagradas”. Na TV, atuou nas novelas “Renascer” e “Porto dos Milagres”, da Globo.

Como dramaturga, escreveu, peças como “Função de um Casamento”,”Ida e Volta”, “O Pique dos Índios ou a Espingarda de Caramuru” e “As Feministas de Muzenza”, comédia criada em parceria com Cleise Mendes. Entre suas atividades, Haydil trabalhou na Fundação Cultural por 15 anos e dirigiu o Teatro Miguel Santana.

(Postada por Vitor Hugo Soares, com informações do jornal A Tarde , em reportagem assinada por Eduarda Uzeda)

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