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Posted on 03-10-2010
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Dilma e Serra no segundo turno…

…mas Marina é quem brilha
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O eleitor brasileiro quer mais tempo e mais debate para escolher quem será o sucessor do presidente Luis Inácio Lula da Silva. A petista Dilma Rousseff não conseguiu os 50 por cento mais um dos votos que precisava para ser eleita presidente neste domingo, 3 de outubro sendo assim obrigada a um segundo turno, onde terá José Serra como adversário.
A candidata do Partido Verde, Marina Silva, no entanto, foi o personagem mais marcante do pleito de hoje e a votação expressiva que ela obteve é a principal responsável pela decisão ter sido jogada para daqui a três semanas mais de campanha. Ela disse esperar que Dilma e Serra façam jus a esta segunda oportunidade oferecida pelos eleitores.
Com praticamente todos os votos já contados, a candidata do Partido dos Trabalhadores obteve 46.25 por cento dos votos válidos, contra 32.88 por cento conseguidos por José Serra, do PSDB, que será o adversário de Rousseff no segundo turno marcada para 31 de Outubro.
Ainda de acordo com os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, Marina Silva, do Partido Verde, conseguiu 19,67 por cento dos votos, ao passo que Plínio de Arruda Sampaio ficou com 0,89 por cento.

out
03
Posted on 03-10-2010
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Wagner festeja vitória (quase) completa/Ag Estado

DEU NO IG ( ÚLTIMO SEGUNDO)
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Com quase 80% das urnas apuradas, Jaques Wagner (PT) já pode ser declarado o governador reeleito da Bahia. Segundo a apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral, o petista tem 63% dos votos válidos e não pode mais ser alcançado por nenhum de seus adversários, que acreditavam na possibilidade de segundo turno no Estado.

O segundo colocado no pleito, Paulo Souto (DEM), marcou 16,3% de preferência junto ao eleitorado. Já Geddel Vieira Lima (PMDB) vem logo atrás, com 14,7% de votos. O governador acompanha a apuração do pleito no Palácio de Ondina, residência oficial dos chefes do Executivo, onde recebe os integrantes de sua coligação e prepara a festa da vitória.

A porcentagem alcançada por Wagner surpreende os analistas políticos locais devido às pesquisas de opinião registradas ao longo da campanha. Em todas elas, o ex-sindicalista oscilava entre 45% e 52% de intenções e voto. A realidade, no entanto, lhe deu uma vitória ainda mis ampla do que o esperado.

Com o resultado deste pleito, o ex-sindicalista permanecerá no Palácio de Ondina até 2014 e fará com que, politicamente, a Bahia se torne um Estado ainda mais importante para seu partido do ponto de vista estratégico.

Com redutos expressivos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e com pouca possibilidade de eleger petistas para o governo ou que sequer têm candidatos do partido na corrida eleitoral, o PT tem na reeleição de Wagner a oportunidade de manter o controle do quarto maior colégio eleitoral do País. A Bahia é um dos Estados onde, tradicionalmente, mais se vota no PT

Além do peso do Estado na economia nacional, a dispensa do segundo turno reverte a situação política de Wagner em 2006, quando o petista se elegeu pela primeira de maneira improvável. Naquele ano, todas as pesquisas de opinião apontavam uma derrota esmagadora para Paulo Souto (DEM). O então gestor que buscava a reeleição, porém, foi surpreendido por uma virada histórica e foi derrotado logo na primeira etapa da disputa.

O medo de que o mesmo pudesse acontecer em 2010 pairava sob a campanha petista ao mesmo tempo em que embalava os sonhos dos adversários, claramente desfavorecidos pelas consultas dos institutos especializados. Entretanto, a influência do governador com a propaganda eleitoral que promovia realizações de sua gestão foram capazes de convencer o eleitorado a continuar seu programa e as pesquisas confirmaram a real intenção do eleitor baiano.

A conjuntura da nova eleição de Wagner dá à Bahia também maior poder de barganha de investimentos e obras junto ao Governo Federal. O líder petista foi bastante criticado pelos oposicionistas durante o período de campanha por supostamente ter pouco aproveitado sua proximidade com Lula para promover o desenvolvimento estadual. Com Dilma no poder e na condição de um dos petistas mais fortes do Brasil hoje, espera-se que seja capaz de devolver à Bahia a posição de protagonista regional que nos últimos anos foi ofuscada especialmente por Pernambuco.

A campanha de Jaques Wagner foi especialmente concentrada no interior do Estado aproveitando também o trabalho de convencimento de prefeitos a apoiar sua chapa começado no ano anterior. Esta tarefa foi delegada ao candidato a vice, Otto Alencar (PP), que goza de prestígio junto às lideranças de todas as regiões devido ao seu período como ex-governador por duas oportunidades durante gestões passadas do PFL.

Alencar estava afastado da política mas, após ser convencido por Wagner a retornar à vida pública, deixou o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios para articular a adesão dos alcaides. Assim, conseguiu unir não só os aliados como também tirar de seus opositores diversos prefeitos, o que causou processos de expulsão partidária no PMDB, por exemplo. Durante o período oficial de campanha, Wagner fez inúmeras carreatas e se reuniu com lideranças e prefeitos de cada cidade durante os eventos para reforçar os acordos políticos.

Na TV e rádio, convenceu o eleitorado apresentando realizações recentes de seu mandato, grandes obras que faz em parceria com o governador ou totalmente bancadas por este, além de calcar o discurso na mudança política que trouxe à Bahia após a superação dos governos carlistas. Porém, acima de tudo, soube explorar a amizade de décadas com o presidente Lula e se personificar como o homem que, na Bahia, faz o trabalho que Lula fez no Brasil.

Este argumento em específico ajudou o petista a superar com folga os principais adversários, Paulo Souto (DEM) e Geddel Vieira Lima (PMDB). O primeiro, parte integrante da oposição local e federal, dificilmente poderia combater o apelo de Lula junto ao eleitorado pobre – maioria na Bahia – e sequer explorou a imagem de José Serra durante sua campanha. Já o ex-ministro da Integração Nacional, apesar de ser nacionalmente aliado de Lula e Dilma, não foi capaz de fazer melhor associação de sua figura e não teve forças para superar a linha entre 10% e 15% de preferência durante as pesquisas.

Esta realidade foi refletida nos debates entre os candidatos. Enquanto Souto calcava sua estratégia na crítica à atual gestão e resgate de desempenhos positivos de suas gestões anteriores e Geddel na ideia de que a proximidade de Wagner com Lula não trouxe desenvolvimento à Bahia, Wagner propôs aos adversários que comentassem programas de Lula no Estado e, logo após as falas, mostrava programas semelhantes em vigor na Bahia e listava uma série de números alcançados pela atual gestão.

Lídice e Pinheiro: mudança no senado

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Mesmo com as apurações ainda em andamento, os votos saídos das urnas até as 19h permitem antecipar que a Bahia já tem um dos maiores derrotados até aqui nas eleições deste domingo: o senador Cesar Borges . O último herdeiro do carlismo no Senado colhe uma votação decepcionante e não se reelegerá para mais um mandato. As duas vagas do estado ficam com dois aliados do governador Jaques Wagner: os deputados Walter Pinheiro(PT) e Lídice da Mata (PSB). Falta agora saber qual dos dois será o mais votado.
A disputa de Lídice e Pinheiro pelo primeiro lugar está palmo a palmo e se constitui praticamente na única grande atração da eleição deste domingo na Bahia.

(Vitor Hugo Soares)

out
03
Posted on 03-10-2010
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Morreu neste domingo em Belo Horizonte (MG) o pai do ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB), Aécio Ferreira Cunha, 83, em decorrência de insuficiência hepática.

O governador Antonio Anastasia (PSDB) decretará luto oficial por três dias em Minas. O velório será realizado nesta segunda-feira, a partir de 7h, no salão nobre da Assembleia Legislativa do Estado.

Aécio Cunha foi deputado estadual por duas vezes e deputado federal por seis mandatos, entre 1967 e 1987. Integrou a Arena, partido de sustentação do governo militar, passou pelo PDS e foi fundador do PFL, hoje DEM.

Cunha foi secretário do Diretório Nacional da Arena entre 1967 e 1968 e presidiu a seção mineira da legenda. Em Brasília, dividiu apartamento com o sogro Tancredo Neves, do MDB.

Em 1986, Cunha disputou o governo de Minas como candidato a vice de Itamar Franco. A chapa foi derrotada por Newton Cardoso (PMDB). Nesse mesmo ano, Aécio Neves foi eleito deputado federal pelo PMDB.

Nascido na cidade mineira de Teófilo Otoni em 4 de janeiro de 1927, Aécio Cunha se formou bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1950. Em 1973, foi diplomado pela Escola Superior de Guerra.

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03
Posted on 03-10-2010
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Posted on 03-10-2010
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, acabou de fazer um balanço das eleições no País. Segundo ele, até o momento o processo segue tranquilo em todas as regiões brasileiras, sem registro de grandes incidentes ou ocorrências.

Segundo ele, apenas em Manaus uma urna foi enviada a um local errado, e por isso as eleições nesta região terão de ser feitas manualmente. No entanto, isso não deve gerar grandes transtornos, já que é apenas em um local de votação. Além disso, apenas 0,1% das urnas tiveram de ser substituídas por alguma falha ou defeito. “O que posso dizer até esse momento é que as eleições estão tranquilas em todo o país”, diz Lewandowski.

Está praticamente encerrada a votação de brasileiros que moram no exterior e se cadastraram para voto em trânsito – somente para presidente. Segundo ele, apenas em uma localidade a votação ainda não foi encerrada, por causa do fuso horário. Em Paris, por causa da greve na cidade, não foi possível entregar a urna a tempo e os votos foram feitos manualmente. De acordo com números do TSE, mais de 200 mil eleitores brasileiros residentes no exterior devem votar para escolher o novo presidente.

No Brasil, o total de eleitores que se cadastraram para votar em trânsito é de 80 mil e, segundo o presidente do TSE, o processo também transcorre tranquilamente, sem maiores incidentes. Lewandowski considera que a experiência está sendo bem-sucedida – está é a primeira vez que se realiza voto em trânsito no País. Por ser novidade, ele afirma que os cidadãos ainda não se acostumaram e por isso muitos não se cadastraram, mas a tendência é que o número de eleitores em trânsito no Brasil seja muito maior nas próximas eleições.

Pelo sucesso da experiência nestas eleições, ele afirma que é natural que o número se amplie para mais cidades – esse ano só o voto em trânsito só está sendo realizado nas capitais. Lewandowski e a mulher também votaram em trânsito mais cedo, às 10h15. Eles ficaram cerca de 2 minutos no local e não enfrentaram fila – o presidente do TSE pediu licença a uma senhora de 68 anos que esperava para votar e entrou na sessão, o que gerou certo um constrangimento e um pedido de desculpas. Por ser da Justiça Eleitoral, ele tem direito a entrar diretamente na sessão, conforme artigo 143 do Código Eleitoral, parágrafo segundo. (IG-Último Segundo)

out
03
Posted on 03-10-2010
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (3) que as eleições deste ano consolidam um momento extraordinário da democracia brasileira. O presidente disse que são poucos os países do mundo que têm um sistema eleitoral tão sólido e moderno quanto o nacional.

“Nós vivemos um momento extraordinário de consolidação da democracia brasileira. Este espetáculo da democracia não é qualquer país que tem”, afirmou ele, em entrevista concedida após votar em São Bernardo do Campo, região do ABC. “Eu só lamentei que é a primeira vez que vou votar e não tenho minha cara na tela.”

Lula chegou à Escola Estadual Dr. João Firmino Correia de Araújo por das 9h30, acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia e de candidatos de seu partido, o PT. Deixou a seção de votação em cerca de 15 minutos.

Ao sair, falou com jornalistas e disse que voltará a São Bernardo após deixar a Presidência. “A partir do dia 1º de janeiro, estarei em São Bernardo do Campo, morando, residindo e fazendo política.”

Entretanto, afirmou que não pretende se candidatar a novos cargos políticos. “Quando a gente passa pela Presidência da República, a gente precisa ter um sossego”, disse.

out
03
Posted on 03-10-2010
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Simone Beauvoir: ponto de partida

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 ELEIÇÃO E HISTÓRIA

Voto feminino e as lições de Beauvoir

 Rosane Santana

No livro “O Segundo Sexo”, publicado em 1949 e que logo se tornaria uma referência para o movimento feminista em todo o mundo, a francesa Simone de Beauvoir escreveu: “A sociedade sempre foi masculina e o poder político sempre esteve nas mãos dos homens”. No Brasil, a história do voto feminino e da participação da mulher na política, apesar dos avanços, ainda hoje, quando duas mulheres disputam pela primeira vez a presidência da República, parece reforçar a constatação feita pela filósofa existencialista há mais de meio século.

A candidata a presidente favorita nas urnas, Dilma Rousseff, é um ” nome que não se afirma sozinho”, pois “saiu do bolso do colete do presidente”, ressalta o escritor e historiador Boris Fausto, da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, esta semana. Ele vê risco de autoristarismo com a vitória da petista que, sem autonomia política, ficaria refém de grupos radicais do PT.
Os partidos inscreveram candidatas laranjas para atingir a cota de 30% destinada ao sexo feminino estabelecida por lei e, por toda a parte, mulheres deixam-se usar por seus companheiros e familiares na vida pública como suplentes ou substitutas de última hora, a exemplo de Weslian, candidata ao governo do Distrito Federal em lugar do marido Joaquim Roriz, barrado pela Lei da Ficha Limpa.

Mas, convenhamos, toda regra tem exceção. A candidata à presidência da República pelo PV, Marina Silva, é uma delas. A acreana que nasceu na floresta e quase foi consumida por doenças como a malária, superou a pobreza e o analfabetismo, elegeu-se senadora, foi ministra do Meio Ambiente e tornou-se uma celebridade internacional por sua luta em defesa do desenvolvimento sustentável, com mais de 15% nas pesquisas de intenção de votos será a grande vitoriosa destas eleições. Na Bahia, outro exemplo digno de registro: Lídice da Mata, que foi a primeira prefeita de Salvador, deve eleger-se, também, primeira senadora do Estado, numa trajetória política de mais de três décadas marcada por lutas, coerência e lisura, o que não é pouco no universo da política brasileira, minado pela corrupção, despolitização e adesismo.

O voto feminino no Brasil tem exatos 78 anos. Foi instituído, em nível nacional, em 1932, pelo Código Eleitoral Provisório aprovado por Getúlio Vargas, no bojo das transformações sociais e políticas que marcaram a década de 30 do século passado, um divisor de águas na história do Brasil, segundo estudiosos do período. No ano seguinte, a primeira mulher a votar e a se eleger deputada federal foi a médica paulista Carlota Pereira de Queiroz, constituinte em 1934 . Conservadora, Carlota assumiu o mandato com discurso em que agradecia aos homens sua chegada ao Parlamento. Antes disso, em 1927, o Rio Grande do Norte se tornaria o primeiro estado a permitir o alistamento eleitoral de mulheres, sendo a professora Celina Guimarães a primeira a alistar-se.

Foi também do Rio Grande do Norte, a primeira mulher, Alzira Soriano, a eleger-se para o cargo de prefeita, em 1928, no município de Lages, cujo mandato foi cassado pelo Senado, num país de tradição patriarcal e onde os coronéis das velhas oligarquias estaduais reconheciam como espaço feminino apenas o universo privado das famílias. Mesmo o direito de voto feminino instituído em 1932, o foi sob a tutela dos maridos, a quem cabia autorizar as mulheres a votarem. O voto também era permitido às viúvas e solteiras com renda própria. Tais restrições foram eliminadas pela Constituinte de 1934. Mas o voto era facultativo para mulheres, até então, e sua obrigatoriedade aconteceu a partir de 1946, considerado o período mais democrático da história da República, antes a Revolução de 1964.

Dos 135 milhões e 400 mil de eleitores aptos a votarem nas eleições deste domingo – dados do Tribunal Superior Eleitoral de julho deste ano – a maioria são mulheres, representando 51,8% ou 70.373.971 eleitoras. Entretanto, a participação feminina em cargos públicos, nos poderes Legislativo e Executivo ainda é baixa e os partidos encontram dificuldades para cumprir a Lei 9.504 que obriga a reservar o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Embora a lei esteja em vigor desde 1997, somente a partir desta eleição passou a ser cobrada pelo Judiciário sob protesto dos partidos.

No Brasil, a baixa participação na vida pública e na política pode explicar por que as mulheres continuam sendo a maioria entre as mais pobres e desempregadas, ganham menores salários, são vítimas frequentes da violência masculina, enfrentam uma sobrecarga de trabalho, com a dupla jornada, quando são obrigadas a cuidar dos filhos e ainda ajudar os maridos nas despesas da casa, são vítimas da discriminação e imposição de padrões estéticos e de conduta, sociais e culturais masculinos.

Há um longo caminho a percorrer para que a mulher brasileira possa ser dona do seu próprio destino, libertando-se das amarras e dos padrões pré-estabelecidos sobre o universo feminino, como ensina a filósofa francesa, ainda bastante atual por estas plagas. A participação na política pode ser um começo.

Rosane Santana ,  jornalista, tem mestrado em História pela UFBA.

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