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Postado em 02-10-2010
Arquivado em (Artigos, Vitor) por vitor em 02-10-2010 00:05

Lula dá autógrafo em Mataripe/AGECOM

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ARTIGO DA SEMANA
A expressão utilizada pelo saudoso sambista Jamelão, ao definir o estado de espírito do ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, na histórica visita à quadra da Escola de Samba da Mangueira, no Rio de Janeiro, em 1997, é, seguramente, a que se encaixa com mais exatidão factual a aparência do presidente da República, na passagem esta semana pela Bahia. “Um pinto no lixo”, principalmente durante a visita à região petrolífera do Recôncavo baiano (onde ele tem sido campeão de votos no País) nestes dias decisivos para a escolha de seu/sua sucessor (a) na votação em primeiro turno deste domingo (3).
Há menos de um mês Lula havia agradecido e se despedido dos baianos, no comício do candidato petista a governador, Jaques Wagner, na histórica Praça Castro Alves. O evento causou mágoas e muito desconforto nos aliados do PMDB, principalmente no ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que disputa também o Palácio de Ondina. Mal estar só superado pela indignação maior causada pelas declarações da candidata Dilma Rousseff, ao dizer no Farol da Barra, que na Bahia ela só apóia um nome para governador: “E o meu candidato é Wagner”.
Na quarta-feira, sob pretextos variados em sua agenda administrativa, eis que o chefe da nação retornou para mais uma despedida depois de 8 anos no poder. Uma das razões alegadas, oficialmente, foi a participação nos festejos de 60 anos de fundação da Refinaria Landulpho Alves-Mataripe (Rlam), marcados pela entrega das obras de modernização e ampliação do complexo de refino de petróleo pioneiro do País. No fundo no fundo, porém, outros motivos menos visíveis moveram a vontade de Lula nesta nova passagem pelo estado às vésperas da eleição.
Primeiro, uma boa dose de superstição que faz o pernambucano acreditar e proclamar a Bahia, há anos, como uma espécie de talismã que precisa ser tocado na última semana de cada campanha importante de que participa. Segundo, a pretensão pessoal de conferir eleitoralmente e passar a tranca da porteira no Nordeste.
Esta região, de onde mando notícias e opiniões semanalmente, que tem na Bahia, onde vivo, o seu maior colégio eleitoral, o presidente e seus conselheiros mais próximos estão convencidos, será crucial para dar à sua candidata do peito, Dilma Rousseff, a vitória já na votação de amanhã.
Mesmo para quem se considera um predestinado, bafejado pelos fluidos da sorte e do sucesso pessoal e político, esta não é das missões mais fáceis que o pernambucano de Caetés já enfrentou. Principalmente depois que os termômetros mais sensíveis das pesquisas de preferências de votos detectaram a capital baiana, nas últimas semanas, como um dos principais epicentros da chamada “onda verde”, em cuja superfície navega com notável disposição, desenvoltura e competência a candidata Marina Silva, que também sonha – e com méritos de sobra para isso, como tem revelado nos comícios e debates – em ser a primeira mulher presidente do Brasil. Quinta-feira, no último debate na televisão, produzido pela Rede Globo, mais uma vez sua garra e seu desempenho foram marcantes e comoventes. A tendência ascendente da candidata do PV , também às margens da Baia de Todos os Santos, se verifica desde que a acreana vinda da selva amazônica recebeu o título cidadã soteropolitana, ainda no início da campanha.
É igualmente em Salvador, cidade com fama de oposicionista, onde o candidato José Serra consegue seus melhores índices fora de São Paulo, empurrado por aliados do DEM (os que ainda tentam manter acesa a chama do carlismo com Paulo Souto candidato a governador à frente, que ainda briga ferreamente para levar para o segundo turno a disputa com o petista Jaques Wagner. Este, no entanto, vence em todas as pesquisas divulgadas ultimamente, com diferença suficiente sobre seus adversários para garantir, já no domingo, sua permanência em Ondina por mais quatro anos.
No começo desta agitada semana da, em geral, insossa campanha baiana, Serra também esteve na primeira casa legislativa do Brasil, para receber o canudo de filho adotivo de Salvador. Ao agradecer a honraria, o candidato tucano originário do revolucionário grupo de esquerda católica Ação Popular (AP), criado na Bahia com a participação decisiva de Serra, na juventude, dirigiu palavras de afago e exaltação à figura do falecido, antigo adversário e ex-chefe político local, Antonio Carlos Magalhães. Ao mesmo tempo, fez duros ataques ao PT, a seus militantes e aos candidatos do partido à presidência da República e a governador do estado.
Estas últimas notícias da Bahia calaram fundo e levantaram preocupações no Palácio do Planalto. Lula decidiu então verificar o quadro nordestino de perto. Dar uma última conferida no terreiro onde tem cantado de galo nas últimas eleições nacionais. Não por acaso – embora seus assessores e aliados jurem que a estada nada teve de política ou eleitoral – o presidente foi parar no município de São Francisco do Conde, um recordista nacional de votos lulistas, que o presidente se empenha em tentar transferir para Dilma.
Em São Francisco do Conde ficam a pioneira Refinaria de Mataripe e seus petroleiros, que se constituem, historicamente, no mais referencial agrupamento sindical baiano, nascido na época do Sindipetro conduzido pelo ex-deputado socialista Mario Lima, onde bebeu em sua origem até o poderoso movimento sindicalista do ABC paulista, de onde emergiu mais tarde o atual presidente da República.
Na refinaria da Petrobras, Lula deitou e rolou ao lado do baiano presidente da estatal José Sérgio Gabrielli, os dois vestidos com macacões e capacetes dos trabalhadores dos campos de petróleo e refinarias do país. Lula parecia não caber em si de contentamento , cercado de petroleiros e sindicalistas petistas por todos os lados, que lhe pediam autógrafos como a uma celebridade da música ou do cinema.
O visitante não se conteve nas auto-referências: “se o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, viesse ao Brasil e soubesse dos índices de aprovação do governo, diria que ele é “o cara do cara”. Para deixar não só colega norte-americano mordido de inveja, mas mexer também com o tucano FHC, foi além: “Vamos terminar o mandato com mais de 80% de aprovação, de bom e ótimo. Se o Obama soubesse disso e se soubesse que eu com 4ª ano do primário sou o presidente que mais fez universidade e escola técnica, ele ia falar: ‘não é que esse cara é o cara do cara?’”.
Pinto no lixo é pouco. Agora só falta conferir o que dirão as urnas deste domingo.
Bom voto!
Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: Vitor_soares1@terra.com.br

PINTO NO LIXO

Vitor Hugo Soares

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Comentários

Cida Torneros on 2 outubro, 2010 at 9:41 #

Vitor, excelente artigo! bom voto pra vc tb! Estarei em Salvador dias 15, 16 e 17 de outubro. bjs Cida


Mariana Soares on 2 outubro, 2010 at 13:11 #

Que beleza de texto, meu irmão! Esta é a real cara do Brasil, a tão questionada pelo nosso saudoso poeta Cazuza…
E, amanhã, vamos às urnas, cada qual com sua consciência, seus desejos e sonhos para este nosso tão querido País, apesar dos pesares.
Que todos nós, livres e soltos, possamos fazer nossas escolhas com tranquilidade, equilíbrio, e, é claro, uma boa dose de emoção, afinal, sem uma pitada deste sentimento, não seremos capazes de seguir os próximos quatro anos discutindo, criticando e, sobretudo, amando muito este delicioso Pais onde vivemos, apesar de tudo e de alguns.
Bom voto a todos que fazem este nosso querido BP, seus leitores, comentaristas e, especialmente, ao seu editor, meu dileto e querido irmão.


luiz alfredo motta fontana on 2 outubro, 2010 at 13:34 #

Caro VHS

Numa destas manhãs de sábado, esperando o teu “Artigo da Semana”, percebi que, caso fosse editor de teu blog, exigiria, sem direito a ouvir um não, uma coluna denominada: “Artigo do Dia”.

Teus textos são raros, belos, e tisnados da melhor poesia.

Abraços!

Quanto às urnas…

Elas dirão…

– fizemos o possível!!!!!


Regina on 2 outubro, 2010 at 13:54 #

Ora, Hugo, seria transmissão de pensamento? Há poucos dias, numa dessas “intermináveis” conversas telefônicas com Mariana, eu lhe fazia notar a semelhança entre Lula e Bill Clinton. Ambos saíram do governo, após 8 anos, muito mais fortes, contentes e bonitos do que entraram. O Bill derrapou na reta final por não saber/poder conter os impulsos da carne e o Lula derrapa sempre na língua, mas, ambos adoram o que fazem e, se pudessem seguiriam fazendo por muito mais tempo.
Isto é o que estou buscando nesses candidatos que perfilam para o posto mais alto do governo da nossa nação: Gana, garra, vontade de acordar o gigante e conduzi-lo além do berço esplêndido!
Já decorei meu número (estando no extrangeiro, só posso votar pra Presidente), devidamente documentada, me apresentarei ao Consulado Geral do Brasil em San Francisco amanhã, para exercer meu direito ao voto com uma pitada a mais de emoção que a distância impõe.
Que vença o melhor ou, pelo menos, o que o povo decidiu ser…


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