set
30

Policiais amotinados ameaçam Correa

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Depois de Honduras um velho fantasma volta a rondar outro governo democraticamente eleito na América Latina. O Presidente do Equador, Rafael Correa, denunciou esta quinta-feira, 30, uma tentativa de golpe de Estado, depois de centenas de polícias e militares se terem amotinado contra o corte de benefícios profissionais. Horas mais tarde o Governo anunciava o estado de emergência.
O cenário em Quito, a capital equatoriana, era de caos, descreve a Reuters. As manifestações dos polícias levaram ao fechamento do aeroporto internacional da cidade, que é também a base aérea mais importante do país. De seguida, elementos da Força Aérea juntavam-se aos protestos e bloqueavam a pista.

A polícia ocupou ainda o quartel do Regimento 1 de Quito. O Presidente foi ao local tentar falar com os manifestantes, mas foi recebido com gritos. E foi com gritos que respondeu. “Meus senhores, se querem matar o Presidente, aqui estou. Matem-me se quiserem. Matem-me se tiverem coragem”, lançou Correa, exaltado.

Afirmou depois ter sido atacado pelos polícias. “Atiraram-nos gás lacrimogéneo. Uma [bomba de gás] explodiu perto da minha cara. Fiquei atordoado, e a minha mulher também, durante uns segundos, talvez minutos”, disse à rádio a partir de um hospital.

“É uma tentativa de golpe de Estado da oposição”, denunciou ainda o Presidente, em declarações a um canal de televisão. “Apelo à cidadania, à calma… Vamos ultrapassar rapidamente isto e puniremos os responsáveis”.

Os protestos foram liderados pela polícia, mas alguns soldados acabaram por se juntar a eles, queixando-se também de cortes nos seus benefícios, na sequência de uma lei aprovada na véspera. “Exigimos que o Presidente anule a lei do serviço militar”, disse à Reuters um soldado, no aeroporto. “Se não o fizer, as manifestações vão continuar”.

As televisões mostravam imagens da polícia a incendiar pneus nas ruas de Quito, de Guyaquil e de outras cidades.

O chefe das Forças Armadas, general Ernesto Gonzalez, manifestou o seu apoio a Correa. E o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ricardo Patiño, garantiu que “não há uma revolta popular”.

O Governo acabou por anunciar o estado de emergência no país durante uma semana e comunicou que o Exército tomará em mãos a segurança.

“Este Governo fará o que tem de ser feito”, disse Correa aos elementos amotinados.

Os Estados Unidos afirmaram entretanto estar “seguindo muito de perto” a situação no país, segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.

As autoridades peruanas ordenaram o encerramento das fronteiras com o país vizinho, e o Presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu um apoio da população sul-americana ao seu aliado Correa.
(Com informações do jornal Público, de Lisboa, e Reuters)


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RED GARLAND, PARA UM ADEUS EM NOITE DE SAUDADE DO VELHO TONY .

BOA NOITE

(Gilson Nogueira)

DEU NO TERRA MAGAZINE
(O delegado Protógenes Queiroz, que também é candidato a deputado federal nestas eleições pelo PCdoB (Foto: Ricardo Matsukawa/Terra)

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O delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, critica o pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes, que interrompeu o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a necessidade de apresentação de dois documentos na eleição. “A Corte tem que atender aos princípios democráticos e não se abster e agir contrário aos princípios da democracia brasileira”, diz a Terra Magazine.

Existe a suspeita de que o Ministro tenha parado o julgamento depois de telefonema do candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Até o momento, havia um consenso a favor do recurso apresentado pelo PT, que pedia a exigência de apenas um documento.

Protógenes evita um ataque direto a Gilmar Mendes, mas questiona as “diferentes decisões polêmicas” do Ministro

Leia a entrevista na íntegra

Terra Magazine – O senhor, que já foi julgado severamente pelo ministro Gilmar Mendes, como se sente hoje, diante da suspeita de que ele teria interrompido o julgamento do recurso apresentado pelo PT contra a exigência de dois documentos na hora de votar após receber ligação de José Serra?
Protógenes Queiroz – Eu entendo que o Supremo Tribunal Federal é a única tábua de salvação da democracia brasileira depois da eleição. É a última instância para a estabilidade da democracia brasileira. O Supremo não tem que funcionar como uma espécie de senado romano na época do Vespasiano, que vivia de pão e circo. Entendo que é importante a decisão do Supremo e tem que haver muita responsabilidade, especialmente na hora em que tentamos solidificar processos democráticos no Brasil com as mudanças nas estruturas do Estado. É preciso que as instituições tenham muita cautela e respeito ao que está sendo professado. A vontade do povo brasileiro pela democracia se inicia com o Ficha Limpa e esse processo ficou de forma lacunosa. Vamos ter eleições em três dias e isso não foi decidido. E outra situação é essa. A Corte tem que atender aos princípios democráticos e não se abster e agir contrário aos princípios da democracia brasileira.

Na sua opinião, essa postura vai contra a democracia?
Sim, com certeza.

Está sendo uma falha do Ministro Gilmar Mendes especificamente?
Entendo que ele como ministro tem as suas convicções e isso se mostra quando ele esteve a frente da presidência do Supremo e as diferentes decisões polêmicas que ele teve na Corte. As decisões tiveram uma repercussão no meio jurídico de uma forma… nova. E também foram percebidas assim pela população.

Essa tendência que o senhor fala de que o Supremo não está defendendo a democracia é de hoje ou já se viu antes?
Eu entendo que as decisões, quando são polêmicas e são saudáveis, elas atendem evolutivamente a construção de uma nova nação. Quando as decisões são fundadas em princípios conservadores contrários aos princípios da democracia, à moral, entendo que constitui uma afronta à Constituição e em especial aos conceitos que norteiam um Estado digno e justo.

O senhor tem mais algo a acrescentar?
Eu gostaria de destacar que o Supremo, neste momento histórico que o Brasil vive, tem que levar em consideração as demandas que são encaminhadas como decisão para estabilidade da democracia e não para instabilidade da democracia.

DEU EM TERRA MAGAZINE

Líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza prefere acreditar que não foi por interferência do presidenciável tucano José Serra que o ministro Gilmar Mendes interrompeu julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (29), sobre a necessidade de apresentação de dois documentos para votar em 2010.

Ele mede as palavras para não criar problemas com o STF:
– Temos muito cuidado em fazer uma guerra contra o Supremo. A esperança que tenho é que o ministro Gilmar Mendes não tenha tomado esta decisão por conta de um pedido do candidato Serra – afirmou, em conversa com Terra Magazine.

Afirmando que aguarda a conclusão do julgamento nesta quinta-feira, Vaccarezza imagina que será confirmada a permissão para se votar apenas apresentando um documento com foto, algo visto como favorável ao PT, por incluir a participação de pessoas mais pobres.

Leia a entrevista.

Terra Magazine – Como o PT reagiu à notícia de que o ministro Gilmar Mendes interrompeu o julgamento do Supremo Tribunal Federal após telefonema do candidato do PSDB, José Serra? O partido tomará algum providência sobre isso?
Cândido Vaccarezza -Nós temos muito cuidado em fazer uma guerra contra o Supremo. A esperança que eu tenho é que o ministro Gilmar Mendes não tenha tomado esta decisão por conta de um pedido do candidato Serra. Acho que o ministro Gilmar Mendes vai devolver o voto dele hoje (quinta-feira, 30) e está resolvido o problema.

Há possibilidade de a votação, que estava em 7 a 0, ser modificada. Os ministros podem mudar seus votos.
Não, os votos podem ser modificados, mas vamos aguardar o voto hoje do ministro Gilmar

O senhor acredita que a votação seguirá do jeito que estava, sem interferência?
Eu acho que seguirá do jeito que estava porque o fundamental que a Constituição garante é o direito do eleitor votar.

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Terra Magazine:
http://terramagazine.terra.com.br


Serra fala ao telefone com Gilmar/Moacyr Lopes Junior/Folhapress

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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

MOACYR LOPES JUNIOR

CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO

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Após receber uma ligação do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes interrompeu o julgamento de um recurso do PT contra a obrigatoriedade de apresentação dos dois documentos na hora de votar.

Serra pediu que um assessor telefonasse para Mendes pouco antes das 14h, depois de participar de um encontro com representantes de servidores públicos em São Paulo. A solicitação foi testemunhada pela Folha.

No fim da tarde, Mendes pediu vista, adiando o julgamento. Sete ministros já haviam votado pela exigência de apresentação de apenas um documento com foto, descartando a necessidade do título de eleitor.

A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos é apontada por tucanos como um fator a favor de Serra e contra sua adversária, Dilma Rousseff (PT).

A petista tem o dobro da intenção de votos de Serra entre os eleitores com menor nível de escolaridade.

Após pedir que o assessor ligasse para o ministro, Serra recebeu um celular das mãos de um ajudante de ordens. O funcionário o informou que o ministro do STF estava do outro lado da linha.

Ao telefone, Serra cumprimentou o interlocutor como “meu presidente”. Durante a conversa, caminhou pelo auditório onde ocorria o encontro. Após desligar, brincou com os jornalistas: “O que estão xeretando?”

Depois, por meio de suas assessorias, Serra e Mendes negaram a existência da conversa.

Para tucanos, a exigência da apresentação de dois documentos pode aumentar a abstenção nas faixas de menor escolaridade.

Temendo o impacto sobre essa fatia do eleitorado, o PT entrou com a ação pedindo a derrubada da exigência.

O resultado do julgamento já está praticamente definido, mas o seu final depende agora de Mendes.

Se o Supremo não julgar a ação a tempo das eleições, no próximo domingo, continuará valendo a exigência.

À Folha, o ministro disse que pretende apresentar seu voto na sessão de hoje.

Antes da interrupção, foi consenso entro os ministros que votaram que o eleitor não pode ser proibido de votar pelo fato de não possuir ou ter perdido o título.

Votaram assim a relatora da ação, ministra Ellen Gracie, e os colegas José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello.

Para eles, o título, por si só, não garante que não ocorram fraudes. Argumentam ainda que os dados do eleitor já estão presentes, tanto na sessão, quanto na urna em que ele vota, sendo suficiente apenas a apresentação do documento com foto.

“A apresentação do título de eleitor não é tão indispensável quanto a do documento com fotografia”, afirmou Ellen Gracie.

O ministro Marco Aurélio afirmou que ele próprio teve de confirmar se tinha consigo seu título de eleitor. “Procurei em minha residência o meu título”, disse. “Felizmente, sou minimamente organizado.”

A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos foi definida em setembro de 2009, quando o Congresso Nacional aprovou uma minirreforma eleitoral.

O PT resolveu entrar com a ação direta de inconstitucionalidade semana passada por temer que a nova exigência provoque aumento nas abstenções.

O advogado do PT, José Gerardo Grossi, afirmou que a exigência de dois documentos para o voto é um “excesso”. “Parece que já temos um sistema suficientemente seguro para que se exija mais segurança”, disse.

( Colaboraram FELIPE SELIGMAN e LARISSA GUIMARÃES, da Sucursal )

set
30

Datafolha:segundo turno incerto

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FERNANDO CANZIAN

DE SÃO PAULO

A candidata à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) conseguiu estancar a tendência de perda de intenções de voto dos últimos 20 dias e mantém seu favoritismo na atual disputa eleitoral.
Segundo pesquisa nacional do Datafolha, encomendada pela Folha e pela Rede Globo e realizada ontem e anteontem com 13.195 eleitores, Dilma oscilou positivamente um ponto em relação ao último levantamento e tem 52% dos votos válidos na projeção para o primeiro turno.
Seu principal adversário, José Serra (PSDB), oscilou um ponto para baixo e tem hoje 31% dos votos válidos. Marina Silva (PV) também variou negativamente um ponto, e está com 15%.
A soma dos adversários de Dilma é de 48% dos válidos. Ela precisa de 50% mais um voto para vencer domingo.
Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, é impossível afirmar com segurança que não haverá segundo turno.
Considerando essa margem, Dilma pode, em seus limites, vencer com cerca de 54% dos votos válidos ou ter de enfrentar outra rodada eleitoral em 31 de outubro.
No último levantamento do Datafolha, realizado na segunda-feira, Dilma havia perdido apoio ou oscilado negativamente em todos os estratos da população.
Essa queda parece ter estancado. Dilma chegou a se recuperar no Sul, entre os eleitores de 35 a 59 anos e entre os que ganham entre dois e cinco salários mínimos (R$ 1.020 e R$ 2.550) –faixa em que tinha perdido mais votos no levantamento anterior.
A petista também oscilou positivamente, dentro da margem de erro, em vários estratos da população, como entre eleitores com ensino fundamental e do Sudeste.
MOVIMENTOS
“Ao menos momentaneamente, Dilma parou sua tendência de perda de votos”, afirma o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.
Antes da divulgação da quebra de sigilo fiscal de tucanos e da demissão da ex-braço direito de Dilma na Casa Civil, a ex-ministra Erenice Guerra, a petista chegou a ter 57% dos votos válidos.
Duas semanas depois dos escândalos, Dilma caiu para 51%, perdendo nacionalmente cerca de 6 milhões de votos no período. Agora, a candidata oscila positivamente para 52%.
Na simulação de segundo turno, a petista oscilou positivamente um ponto. Passou de 52% para 53%. O tucano manteve seus 39%.
Sobre o conhecimento do número dos candidatos, 55% acertam os algarismos e 40% admitem desconhecê-los.
No caso de Marina, apenas 39% citam corretamente o seu número. No de Dilma, 64%; e no de Serra, 53%.
O percentual de indecisos é de 6%, e outros 3% votarão em branco ou nulo. Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) teve 1% das intenções dos votos. Os demais candidatos, juntos, não atingiram 1%.
A margem de erro da pesquisa Datafolha, feita nos dias 28 e 29 deste mês, é de dois pontos para mais ou para menos. Foram ouvidos 13.195 eleitores em 480 municípios.
O número do registro no Tribunal Superior Eleitoral é o 33119/2010.


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OPINIÃO POLÍTICA

As novas pesquisas

Ivan de Carvalho

Como se esperava, mal foram conhecidos os números da pesquisa Datafolha, realizada na segunda-feira e divulgada na terça, indicando forte possibilidade (nada de certezas) de segundo turno nas eleições presidenciais – o que setores governistas, enquanto animava as oposições – desabaram sobre a mídia e o eleitorado, ontem, resultados de pesquisas dos institutos Ibope e Sensus. Só faltou o Vox Populi, que não tardará.

Pelos números do Ibope e do Sensus, a candidata do PT, Dilma Roussef, líder em todas as pesquisas eleitorais desde que ultrapassou o tucano José Serra, sofreu perda. Dá para dizer que está, da mesma maneira que apareceu nos resultados do Datafolha, em linha descendente nas intenções de voto.
No entanto, há uma diferença muito expressiva entre os resultados do Datafolha e os oferecidos pelo Ibope e pelo Sensus. Nestes dois últimos, a queda de Dilma é bem mais suave que no Datafolha, bem como neste a ascensão da soma dos votos dos demais candidatos (vale citar José Serra, mas a subida maior coube a Marina Silva, do Partido Verde) é acentuada.

É claro que as pesquisas do Ibope e do Sensus vão diminuir muito a preocupação – que em muitos casos chegou a caracterizar-se como quase pânico – da campanha de Dilma Rousseff e de seus aliados.
Uma demonstração clara dessa preocupação quase-pânico está na ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo PT ante o STF, contra a exigência legal de um documento oficial com fotografia (além do título eleitoral, que não tem foto) para o eleitor votar.

Ora, o PT apoiou e votou, no Congresso Nacional, a favor da lei que estabeleceu a exigência de documento com foto em nome da lisura das eleições. Pois o título apenas, não tendo foto, pode dar ensejo a uma pessoa votar em lugar de outra, fraudando o pleito.
O PT ajudou a aprovar a lei (que teve apoio geral na Câmara e Senado) e o presidente Lula a sancionou. Na ocasião, o PT não viu inconstitucionalidade nenhuma.

Mas agora, quando lhes parece que a eleição presidencial de domingo está apertada (quanto a haver ou não segundo turno, do qual o PT foge como o diabo da cruz, coisa que, suponho, qualquer outro partido na mesma situação também faria), os petistas acreditam que está mais concentrada em “seu” eleitorado a ausência de documento oficial com foto e então logo passaram a ver inconstitucionalidade e desnecessidade na lei que antes, ao seu ver, contribuiria para assegurar a lisura do pleito.

E, impressionante, é que o STF começou a votar a ação do PT e revelou tendência (ainda não consumada porque o julgamento foi interrompido por pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes) para aceitar as alegações deste partido. Mais correto estaria o ministro Marco Aurélio, para quem nem título de eleitor seria preciso para votar, já que o nome do eleitor está na lista de votação: bastaria chegar na seção e apresentar a carteira de identidade. Tem razão. Mas vale ressaltar que a carteira de identidade tem fotografia, ao contrário do título, que devia ter, mas não tem, sabe Deus por qual razão.

Bem, apesar de Ibope e Sensus, parece que o Datafolha e, quase certamente, pesquisas internas acenderam mesmo o sinal de alerta na campanha de Dilma. O clima já não é de quase-pânico, nada disso, mas, em rio de piranhas, convém nadar de costas.

set
30


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BOM DIA!!!

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30
Posted on 30-09-2010
Filed Under (Multimídia) by vitor on 30-09-2010


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SAUDADES!!!

set
30

Curtis com Marilyn:sucesso arrebatador

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O cinema sofreu duas enormes perdas nas últimas 48 horas, com as mortes nos Estados Unidos de Toni Curtis, um de seus mais queridos atores, e de Arthur Penn, um revolucionário realizador cinematográfico.

Morreu esta quinta o ator norte-americano Tony Curtis , aos 85 anos. Curtis teve longa e prolífica carreira no cinema norte-americano, com filmes como Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder, onde contracenou com Marilyn Monroe e Jack Lemmon, ou Spartacus, com Kirk Douglas. Foi indicado para o Oscar de Melhor Ator por Os Audaciosos. É pai da atriz Jamie Lee Curtis.
Tony Curtis era o nome artístico de Bernard Schwartz, nascido em Junho de 1925 no Bronx, filho de judeus de origem húngara. Fez os seus estudos para ator em Nova Iorque, ao lado de Walter Matthau e Rod Steiger, e chegou a Hollywood com 23 anos. Foi nessa época que, contratado pela Universal Pictures, adotou o nome dartístico com o qual se consagraria mundialmente..

O seu primeiro papel foi o de um dançarino de rumba no filme Criss Cross, de 1949. A partir daí teve uma longa carreira, participando tanto em comédias como em dramas. Em Quanto Mais Quente Melhor vestia-se de mulher e disputava com Jack Lemmon as atenções de Marilyn/Sugar Kane. Em The Boston Strangler desempenhava o papel do assassino Albert DeSalvo e em The Outsider o do veterano da II Guerra Mundial Ira Hayes.

Nos últimos anos da sua vida dedicou-se sobretudo à pintura. Foi casado seis vezes, uma das quais com a atriz Janet Leigh, da qual teve duas filhas, Kelly Curtis, e Jamie Lee Curtis. O seu filho Nicholas (um dos dois do casamento com Leslie Allen) morreu em 1994, aos 23 anos, de uma overdose de heroína. A sua atual mulher, Jill Vandenberg Curtis, tinha menos 42 anos do que ele. Eram casados desde 1998. Em Julho passado, Tony Curtis tinha sido hospitalizado com problemas respiratórios.
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CINEMA PERDE DIRETOR REVOLUCIONÁRIO


Penn: da recusa à consagração
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Na noite de terça-feira, 29, morreu em Nova Iorque o notável diretor de cinema Arthur Penn, aos 88 anos de idade. Segundo informa em uma de suas manchetes de hoje o portal europeu TSF, Penn não havia sido a primeira escolha para dirigir “Bonnie e Clyde”, o filme de ação que o consagraria em Hollywood”.

Mas François Truffaut, a primeira escolha dos argumentistas David Newman e Robert Benton, cujo roteiro fora claramente influenciado pela Nouvelle Vague francesa, estava comprometido com “Fahrenheit 451” e sugeriu o nome de Penn. Este, escaldado por anteriores experiências desagradáveis em Hollywood, começou por recusar o convite.

O primeiro filme de Penn, “Vício de Matar” (1958), western revisionista com Paul Newman no papel de um Billy the Kid entendido como delinquente juvenil, fora literalmente ignorado pelo estúdio.

Burt Lancaster despedira-o das rodagens de “The Train”, substituindo-o por John Frankenheimer, e o produtor Sam Spiegel afastou-o da montagem de “Perseguição Impiedosa” (1966).

Penn era um veterano da II Guerra Mundial formado na escola da televisão e nos dramas intensos que articulavam o desconforto do pós-guerra, “não viu interesse num filme sobre dois ladrõezinho dos anos 1930”, diz TSF na notícia sobre a morte do notável realizador.

Warren Beatty, produtor do filme e igualmente seu ator principal, não largou o osso e lá convenceu o realizador, que ainda chegou a considerar abandonar o projecto durante a pré-produção, sentindo que o roteiro ainda tinha problemas.

E a rodagem não foi um mar de rosas: o ator-produtor e o cineasta andaram às turras, e o diretor de fotografia Burnett Guffey, um veterano da “velha Hollywood”, abandonou a filmagem durante uma semana, enfurecido pela opção de Penn de rodar apenas com luz natural.

Guffey acabaria por ganhar um dos dois Oscares (em dez nomeações) que “Bonnie e Clyde” recebeu em 1968, depois de uma carreira fulgurantemente turbulenta que viu o filme, enjeitado pelo estúdio e arrasado pelos críticos mais veteranos, tornar-se numa sensação aclamada por toda uma nova geração de críticos e de público mais jovens que perceberam a bofetada que se dava ali às convenções do cinema americano.

O filme que Arthur Penn aceitara relutantemente foi o que abriu a porta à “nova Hollywood” dos anos 1970, a geração de Scorsese, Coppola, Spielberg, Lucas, Brian de Palma, Bob Rafelson ou Hal Ashby, o movimento que veio reinventar o modo como o cinema americano era pensado, filmado e mostrado. Sem “Bonnie e Clyde”, não teria havido “Easy Rider”, “A Primeira Noite”, “A Quadrilha Selvagem” e muitos outros.

Arthur Penn, contudo, era o mais improvável dos anfitriões para o fazer. É verdade que Paul Schrader, o argumentista de “Taxi Driver” e “O Touro Enraivecido”, disse dele que “trouxe a sensibilidade dos filmes europeus dos anos 1960 ao cinema americano, e abriu caminho à nova geração de realizadores americanos que estudaram cinema.”

Mas, embora não viesse da “velha Hollywood”, Penn estava longe de ser um “jovem turco”. À rodagem de “Bonnie e Clyde”, tinha já 45 anos de idade e extensa experiência na televisão , onde dirigira por exemplo um dos debates entre John F. Kennedy e Richard Nixon na eleição presidencial de 1960 (que Kennedy venceria).

Tinha igualmente uma carreira de encenador de teatro e, no currículo, o sucesso público e crítico do seu segundo filme, “O Milagre de Anne Sullivan” (1962), adaptação da peça de William Gibson sobre a relação entre a cega-surda-muda Helen Keller e a sua tutora Anne Sullivan.

Penn dirigira primeiro uma produção televisiva da peça e em seguida a encenação teatral que ficou dois anos em cartaz na Broadway, antes de realizar a versão cinematográfica que valeu Oscares de interpretação a Anne Bancroft e Patty Duke, e a primeira de três nomeações (nunca concretizadas) para o Oscar de melhor realizador (as outras foram por “Bonnie e Clyde” e “O Restaurante de Alice”).
(Com informações do jornal Público, Lisnoa, portal TSF e agencias internacionais de notícias)

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