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Lambança no aeroporto: de 2 de Julho a deputado Luis Eduardo Magalhães

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De molho por uma daquelas falsetas que de vez em quando a saúde apronta com todos nós, impedido momentaneamente pelo uso de antibióticos e antinflamatórios de conversar com os assessores Johnny e Walker , ainda assim Chico Bruno não perde o prumo nem a direção. De seu observatório com paisagem de dar inveja, com vista para o marzão lindo e aberto – ainda mais bonito neste começo de primavera de 2010 -o atento blogueiro já fez descobertas interessantes e emblemáticas sobre os baianos e seus políticos na leitura da introdução de 1822, o novo livro do jornalista Laurentino Gomes, que já está pintando nas principais paradas como novo best seller nacional.

Confira no texto do site de Chico, que Bahia em Pauta
reproduz. Da-lhe, Chico Bruno!!!

( Postado por: Vitor Hugo Soares)

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Direto da Varanda: Chico Bruno

Brasil avança, mas política retrocede

Passei o fim de semana refletindo sobre o País. Impossibilitado, pelo antibiótico e antiinflamatório, de conversar com os assessores Johnny e Walker, fiquei matutando sobre determinadas coisas inusitadas que acontecem neste Brasil varonil.
A introdução do livro 1822, do jornalista e escritor paranaense de Maringá, Laurentino Gomes, tem um trecho que mexe com todos aqueles que discordaram e, ainda, discordam de uma lambança feita pelo Congresso Nacional em 1998.
O referido trecho diz:
“Em Salvador, surpreendi-me com a festa do Dois de Julho, data da expulsão das tropas portuguesas da Bahia, em 1823. É uma explosão de alegria e comemoração cívica sem paralelo no Brasil.  Mas, por uma estranha contradição, o aeroporto de Salvador, que homenageava a data histórica, mudou de nome recentemente. Agora, chama-se Luis Eduardo Magalhães em memória do deputado morto em 1998. Tudo isso ajuda a entender como portugueses e brasileiros de hoje julgam e tratam o seu passado”.
Poderia até enveredar pelos caminhos e descaminhos da política portuguesa, mas vou ficar mesmo pelos desfrutes parlamentares brasileiros.
A constatação de Laurentino inspira a reflexão e traça o rumo da prosa para que se possam entender algumas manifestações parlamentares.
A estranha contradição aconteceu há 12 anos, mas repete-se no dia a dia com outros atores.
Infelizmente é assim que roda a lusitana na política deste Brasil varonil.
Manda quem tem poder e obedece quem tem juízo.
Por isso é que prosperou a ideia esdrúxula citada por Laurentino.
O Brasil avançou em muita coisa desde a redemocratização, mas a política continua a mesma de séculos passados.
Ultimamente, o retrocesso tem crescido na política.

Um exemplo cruel disso, é a censura imposta pela Justiça a um jornal paulista, a pedido de um membro do clã dos Sarney, que já dura mais de um ano.
Outro exemplo é a atual campanha presidencial. Um debate sem sustância, sem consistência, que parece uma campanha eleitoral municipal.
Esses exemplos depõem contra a democracia.
Eles provam que a democracia brasileira ainda não está firme e forte, pois os políticos vendem ilusões e agem como se pudessem arbitrar o que é certo ou errado.
Ora bolas!
A política brasileira não vive o século 21, pois ainda utiliza métodos do século 19.
Isso fica claro com a insistência de entidades civis na defesa freqüente da democracia, se isso acontece é por que alguma coisa não esta funcionando como deveria em pleno século 21.
É por isso, que considero que o discurso dos políticos em geral é um estelionato.
No cesto, incluo a situação e a oposição, pois não se vê nenhuma diferença quando chegam ao poder.
É o “efeito Orloff” surgido há anos num anúncio publicitário da referida marca de vodca.
O comercial mostrava a imagem do consumidor de vodca Orloff no dia seguinte sem aparentar os efeitos da ingestão de outra marca de baixa qualidade dizendo a si mesmo: “eu sou você amanhã”.
Voltando a vaca fria.
A prova é que durante a votação no Congresso Nacional da troca do nome do Aeroporto de Salvador a oposição a época fez vista grossa.
A homenagem ao Dois de Julho, data magna da Independência na Bahia, foi desprezada para satisfazer o desejo de um político em homenagear o filho falecido.
Pois, passados 12 anos, com a oposição tendo chegado ao poder em 2003, ninguém ousou devolver ao Aeroporto de Salvador a homenagem ao Dois de Julho.
Resta o consolo da sabedoria popular que abreviou o nome trocado: o aeroporto hoje é chamado pelos baianos de “além”.
Triste Brasil, que ainda vive na política os tempos de antanho, onde prevalecia o dinheiro em uma mão e o chicote na outra, apesar da alternância de poder.

Leia mais Direto da Varanda:

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 29 setembro, 2010 at 16:32 #

Da mesa de um bar

Entre aromas e cores, de puro malte, é possível entrever entrelinhas do texto do dileto Chico.

Causa uma certa estranheza, um desconforto até, rapidamente corrigidos pela adição de mais, duas ou três, pedrinhas de gelo, a referência “a um jornal paulista”, feita assim, displicentemente, como que impossibilitado de reconhecer o tal jornal.

O “jornal paulista”, é o “Estado de São Paulo”, que tem história com censura, não deste naipe, a judicial, mas a fardada. Afinal é parte da história a publicação de receitas e poemas pelo “Estadão”.

Lamenta-se o comportamento togado, não de todo surpreendente, afinal é o Poder Judiciário, o menos democrático dos poderes herdados de Montesquieu, ao menos no caso tupiniquim. A investidura se dá por mero concurso, o exercício goza da jabuticaba chamada vitaliciedade, e seu comando é formado por tíbias indicações. assim, nenhuma surpresa.

Entende-se a omissão do nome do morto “homenageado”, quando se pratica política de viés partidário troca-se, mesmo sem perceber o dever de informar, pelo cultivo de um certo ranço.

O tal morto e “homenageado”, o Luís Carlos Magalhães, criou um figurino, ou estilo, bem representativo do político pós-ceifa da ditadura. Idéias diluídas, forte apelo popular, e uma capacidade enorme de compor entre os que deveriam ser desiguais. Qualquer semelhança com Tancredo, não é mera coincidência. que outro político, da oposição de então, seria aceito de forma tão plácida pelos generais em retirada?

Enquanto o “garçon” renova o balde gelo, troca o cinzeiro, e anota o pedido de singelos bolinhos de bacalhau, é possível ainda estranhar o repto da varanda.

– “Eles provam que a democracia brasileira ainda não está firme e forte”

Afirma Chico.

Estranho!

Ela, a democracia, parece estar forte, além do que supunha a sua tenra idade.

As instituições, a despeito de quem as ocupa, ainda funcionam.

Verdade seja dita, nunca tantos de pequena estatura ocuparam ao mesmo tempo posições tão importantes.

Rescaldo da mutilação de homens e idéias durante o período fardado.

Contribui para esse cenário, o tal pensamento único em economia, e aqui, neste particular com a participação até emotiva dos “profissionais” da imprensa.

Já temperando a terceira dose, e lembrando que já está distante o tempo em que, quer Red, quer Black, ou por vezes Gold, eram apreciados por horas e não doses, resta o reconhecer:

Dois de Julho, e não só para a Bahia, está acima da varanda e desta mesa de bar.

Tim Tim


Marco Lino on 29 setembro, 2010 at 20:19 #

Luis Eduardo, Fontana.


luiz alfredo motta fontana on 29 setembro, 2010 at 20:23 #

Esse distraído está misturando pai e filho

Valeu Marco Lino

Onde está Luís Carlos leia-se Luís Eduardo


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