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Postado em 26-09-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 26-09-2010 10:47

Marcos Coimbra:”muito barulho por nada”
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Deu no Correio Braziliense (reproduzido no Blog do Noblat)

A “ÚLTIMA HORA”

De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Neste domingo, a apenas uma semana da eleição presidencial, temos uma parte menor do sistema político, uma parte importante (mas minoritária) da sociedade e a maioria da “grande imprensa” em torcida animada para que a “última hora” faça com que os prognósticos a respeito de seu resultado não se confirmem.

É natural que todos os candidatos, salvo Dilma, queiram que alguma reviravolta aconteça. Os três partidos que dão apoio a Serra, o PV de Marina Silva, os pequenos partidos de esquerda, todos torcem pelo “fato novo”, a “bala de prata”, algo que a golpeie. Do outro lado, a ampla coligação que Lula montou para sustentar sua candidata (e que formará, ao que tudo indica, a maioria do próximo Congresso) espera que nada altere o quadro.

Hoje, Dilma lidera em todas as regiões do país, jogando por terra as análises que imaginavam que as eleições consagrariam um fosso entre o Brasil “moderno” e o “atrasado”. Era o que supunham aqueles que leram, sem maior profundidade, as pesquisas, e acreditavam que Serra sairia vitorioso no Sul e no Sudeste, ficando com Dilma o voto do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste. Não é isso que estamos vendo.

Ela deve vencer em todos os estados, em alguns com três vezes mais votos que a soma dos adversários. Vence na cidade de São Paulo, na sua região metropolitana e no interior do estado. Lidera o voto das capitais, das cidades médias e das pequenas. É a preferida dos eleitores que residem em áreas rurais.

As pesquisas dão a Dilma vantagem em todos os segmentos socioeconômicos relevantes. É a preferida de mulheres e homens (sepultando bobagens como as que ouvimos sobre as dificuldades que teria para conquistar o voto feminino), de jovens e velhos, de negros e brancos. Está na frente entre católicos, evangélicos, espíritas e praticantes de religiões afro-brasileiras.

Vence entre pobres, na classe média e entre os ricos (embora fique atrás de Serra entre os muito ricos). Lidera entre beneficiários do Bolsa Família e entre quem não recebe qualquer benefício do governo. Analfabetos e pessoas que estudaram, do primário à universidade, votam majoritariamente nela.

É claro que sua candidatura não é uma unanimidade. Existe uma parcela da sociedade que não gosta dela e de Lula, que nunca votou e que nunca votará em alguém do PT. São pessoas que até toleram o presidente, que podem achar que é esperto e espirituoso, que conseguem admirar aspectos de seu governo. Mas que querem que Dilma perca.

Se, então, Dilma reúne ampla maioria no eleitorado e apoios majoritários no sistema político, o que seria a “última hora”? O que falta acontecer, de hoje a domingo?

Formular a pergunta equivale a considerar que o eleitorado ainda não sabe o que vai fazer, que aguarda a véspera para se decidir. Que “tudo pode mudar”.

É curioso, mas quem mais acredita que os outros são volúveis são os mais cheios de certezas, os mais orgulhosos de suas convicções. Mas acham que o cidadão comum (o “povão”) é diferente, que é incapaz de chegar com calma a uma decisão pensada e madura.

É fato que sempre existe uma parcela do eleitorado que permanece indecisa até o final. Já vimos, em eleições anteriores, que ela pode oscilar, saindo de uma candidatura e indo para outras. Conforme o caso, sua movimentação pode provocar resultados inesperados, como ocorreu com o segundo turno em 2006.

Mas aquelas eleições também mostram como acontecem esses fenômenos de “última hora”. Nelas, a única coisa que um quase uníssono da “grande imprensa” contra a candidatura Lula conseguiu fazer foi assustar os eleitores mais frágeis, com baixa informação e baixo interesse por política. Os dados indicam que os eleitores mais informados e com alto e médio interesse em nada foram afetados pela artilharia da mídia (assim como os sem nenhum, que nem ficaram sabendo que havia “aloprados”).

Ou seja: aquela gritaria só fez com que as pessoas mais inseguras a respeito de suas escolhas ficassem confusas, ainda que apenas por alguns dias. Mal começou a campanha do segundo turno, Lula reassumiu as rédeas da eleição e avançou sem problemas até a consagração no final de outubro. É como o título daquela comédia: “Muito barulho por nada”.

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Comentários

marco lino on 26 setembro, 2010 at 11:25 #

Análise fria e demolidora. Muitos “especialistas” em política têm preguiça de ler os números (preferem, como eu, a facilidade do achismo) e depois ficam sem saber o que dizer ao seu “público”.

Este cidadão, além de escrever bem, parece “impávido como o Bruce Lee” em suas análises. Quando o Datafolha e o Ibope seguravam a onda de Serra ele dizia: “já virou”. Os mercadores chegaram até a pedir auditoria no Instituto que o mesmo dirige. E ele frio e certo como um monge.

O Datafolha chegou a segurar um “empate técnico” por três semanas. Depois curvou-se. O Ibope foi mais esperto, pulou fora antes.

E a credibilidade?! Bobagem! Preciso é o navegar; pesquisas, nem tanto!

Inté domingo.


Jader Martins on 26 setembro, 2010 at 12:33 #

Parabens Lino . Estamos no aguardo dos comentários do pseudo anarquista Danilo. Ele foi inacapaz de fazer comentário sobre o texto do Boff e ficou simplesmente na avaliação impecavel do texto da Rosane.Queremos ver o moral do Danilo para criticar o Boff.


Marco Lino on 26 setembro, 2010 at 12:50 #

Olá Martins

Tenho poupado Danilo ultimamente, dado o momento eleitoral agudo, mas ele é um cara interessante – um lacerdinha moderno. Às vezes parece um pouco mais agressivo, mas é gente boa.

Abraços


luiz alfredo motta fontana on 26 setembro, 2010 at 13:42 #

Com sua licença, VHS!

Uma certa pulga atrás da orellha!*

Nhô Cansado, Compadre de Sinhá Sensata, anda ensimesmado.

Sentado no velho banco, logo ali, próximo ao murmurinho da lenha sendo consumida no fogão, pícando fumo e enrolando a palha,enquanto aguarda o calmo passar do café pelo coador, divaga suas descrenças

– Comadre!

– Nada contra as novidades

– Mas…

E esse “mas”, entremeado de pigarros, velho conhecido de Sinhá Sensata, servia de senha para a gravidade do que diria após:

– Já reparou?

(mesmo sabendo e intuindo que não, perguntava em tom educado)

– Que as tais pesquisas de voto, após a utilização destas urnas eletrônicas, …

( e acentuava, no grave, seguido de novo pigarro, essa maravilha teconlógica)

– ficaram mais exatas, e virou coisa rara, mais rara que anta no pasto, um errinho aqui ou acolá?

Para depois, sorver o café, acender o “paieiro”, e estampar na face o sorriso, meio maroto e triste, de quem não tem mais direito à surpresas, não as deste tipo.

*(era um comentário, virou um pequeno conto perdido neste espaço)


luiz alfredo motta fontana on 26 setembro, 2010 at 13:47 #

errata

teconlógica = tecnológica


Chico Bruno on 26 setembro, 2010 at 18:32 #

Só quem não conhece o primo do Collor compra suas análises. Seu Vox é quem faz o tracking do PT Nacional e do Aecinho. Por isso, ele não deveria se travestir de colunista semanal dos jornais dos Diários Associados. O último parágrafo é uma piada. Lula reassumiu as rédeas em função de uma competente campanha anti-privatização que os tucanos não souberam desmentir.


Marco Lino on 26 setembro, 2010 at 20:05 #

Chico Bruno foi infeliz ao reeditar a falácia ad hominem.

Foi mais razoável no final – ao deixar de lado o argumentador e fixar-se no argumento.

Entretanto, sabendo-se que Alckmin teve mais votos no primeiro que no segundo turno, o argumento do “primo do Collor” parece razoável.

Parece também que aquela “gritaria” (talvez a de hoje tb) levou a eleição ao segundo turno. Assim, o “muito barulho” não foi totalmente “por nada”.


Daniel on 26 setembro, 2010 at 20:51 #

Infelizmente não acredito na competência do Vox Populi. Quem entende algo a respeito de pesquisas eleitorais não dá credibilidade a essa instituto.

Colocar o IBOPE / Datafolha de um lado e o Vox Populi do outro, e ainda julgar este ultimo como o mais realista beira a insanidade.


danilo on 26 setembro, 2010 at 21:53 #

Boff? não dá pra levar o Boff a sério, né?

como um religioso cristão e que se afirma democrata apoia um facínora tipo Fidel Castro?

e no mais, Stalinino e Jader Barbalho, já que voces são progressistas, então que fiquem com seus companheiros Sarney, Collor e Renan. rsss


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