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Postado em 25-09-2010
Arquivado em (Artigos, Vitor) por vitor em 25-09-2010 01:42

Dilma: tropeço no Farol da Barra/A Tarde

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ARTIGO DA SEMANA

TROPEÇO COM SALTO ALTO

Vitor Hugo Soares

Recebo em Salvador uma ligação de Brasília. Na outra ponta da linha está um jovem repórter em sua primeira cobertura em escala nacional, mas em cujas corretas informações factuais e observações opinativas sempre agudas e inteligentes confio integralmente. Lembra muito o inquieto Bob Fernandes, recém saído da Escola de Comunicação da UFBA, em seu começo de carreira na redação da Radio JB-FM e sucursal baiana do Jornal do Brasil, que então eu chefiava no bairro de Pernambués.

Conversamos sobre política e Bahia e lamentamos mutuamente a morte do antropólogo Vivaldo da Costa Lima na quarta-feira, 22, (motivo principal do telefonema). Poucos parecem se dar conta da extensão cultural da perda, envoltos no tiroteio da campanha política e do cada um por si dos últimos dias de comícios, animados ou macambúzios pelos números mais recentes das pesquisas dos principais institutos.

Acadêmicos, jornalistas e intelectuais em particular, salvo raras exceções, passam batidos diante do desaparecimento de Vivaldo, pensador, pesquisador e contundente homem de ação que marcou um tempo na Bahia. Na política, inclusive, quando conduzia a restauração do Pelourinho, no primeiro governo de Antonio Carlos Magalhães.

Escurece na capital baiana e na capital do País. Ao telefone, o repórter informa: está parado diante do quartel general de comando da campanha petista, à espera da saída da candidata da coligação PT-PMDB, que voaria dali a instantes para participar, ainda naquela noite, de um comício no Paraná.

No interior do prédio, Dilma Rousseff aguarda o “fim do expediente” no Palácio do Planalto. Em seguida, o presidente Luís Inácio Lula da Silva trocará o terno com gravata de chefe da Nação pela camisa vermelha de cabo eleitoral, antes de também decolar no avião que o levará ao comício paranaense, onde aparecerá horas depois em imagens esfuziantes ao lado de sua candidata “in pectore” .

Antes de desligar vem à tona na conversa considerações sobre o ambiente de evidente e perigoso “já ganhou” no núcleo principal de condução da campanha da chapa da coligação governista. “Salto alto quase geral”, comenta o atento repórter. O comentário confere com registros de Brasília chegados aos ouvidos do autor desta linhas por outras vias. O empenho visível de passar a impressão de “favas contadas”, e, principalmente, apresentar Dilma não mais como candidata preocupada com os resultados das urnas, e sim na condição de executiva sentada na cabeceira da grande mesa, tratando já do futuro governo.

Quase ninguém parece dar importância igualmente aos vídeos da “campanha alternativa” do candidato do PSDB, José Serra, que minutos antes começavam a circular nos múltiplos espaços da Internet, via You Tube, mas já bombavam em quantidade acessos nos mais importantes sites, portais e blogs políticos do país , a ponto de até travar alguns, como revelava em comentário um leitor do Blog do Noblat.

Nos vídeos, em produções marqueteiras caras, de primoroso acabamento técnico e artístico, pontuado por corrosivas mensagens críticas, a imagem de Dilma se transforma em José Dirceu, e cães agressivos são açulados em cena. Nem parece campanha sonolenta do tucano Serra na TV, mas os petistas nem ligam. Ou pelo menos não ligavam até a divulgação, no dia seguinte, da mais recente pesquisa Datafolha, na qual Dilma cai cinco pontos diante de seus adversários em conjunto, o que transforma a antes remota possibilidade do segundo turno no pleito presidencial em algo nem tão distante assim. Marina, sem mud ar o tom, se destaca na “onda verde” que cresce em todas as regiões e pode levar o jogo para a prorrogação. Ou para decisão nos pênaltis.

Desligados os telefone, revejo mentalmente que o “salto alto” não é só em Brasília. No começo da semana, Dilma Rousseff chegou de surpresa em Salvador. Veio gravar cenas para o seu programa eleitoral no Farol da Barra, dias depois de ter alegado problemas de agenda para não subir no palanque do aliado do PMDB, Geddel Vieira Lima.

No cartão postal de Salvador, de público, a petista “rifou” de vez o apoio ao candidato peemedebista. Anunciou no Farol dos grandes eventos, que seu apoio nesta etapa definitiva da campanha é exclusivamente a Jaques Wagner (PT). “Nesse instante eu tenho apoio claro ao governador Jaques Wagner. Geddel nós apoiamos, mas pelas pesquisas, não está bem situado. Tudo indica que a disputa é entre os dois primeiros (Wagner e Paulo Souto). Por isso eu tenho um candidato: Jaques Wagner”.

E ponto quase final, não fossem os resultados das pesquisa Datafolha para o governo da Bahia, divulgados quinta-feira, 23. Wagner, do PT, caiu cinco pontos diante de Paulo Souto, do DEM/PSDB, que subiu cinco em relação à última pesquisa. Geddel cresceu um ponto. São 11 pontos de perda do governista para seus adversários. Sustos na Bahia como em Brasília.

Pelos índices do último Datafolha ainda daria Wagner no primeiro turno. Mas a oposição ganhou o gás que já parecia faltar para tentar empurrar a decisão baiana para novembro.

Salto alto é pouco.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: Vitor_soares1@terra.com.br

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