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No artigo que assina esta quinta-feira-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho comenta o resultado da pesquisa do Pew Research Center, realizada em 21 países. As melhores avaliações encontradas no Brasil, dentro do universo de temas pesquisados pelo Pew Research Center, couberam ao presidente Lula e à mídia . “Lula conseguiu uma pequena vantagem sobre a mídia, mas com uma margem estreita o suficiente para caracterizar o chamado empate técnico”, revela Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Avaliações positivas

Ivan de Carvalho

O Pew Research Center é uma organização apartidária sediada em Washington e que, como o próprio nome indica, pesquisa. Nesta sua função, acaba de anunciar – a notícia chegou ao Brasil ontem – os resultados de uma pesquisa que realizou em 22 países. OI, numa outra forma de dizer, os resultados de uma pesquisa realizada no Brasil, semelhante a outras realizadas em 21 países espalhados pelo mundo.
O cerne dessa pesquisa de opinião pública diz respeito à avaliação que a população do Brasil e dos outros 21 países fazem de diversas coisas. As melhores avaliações encontradas no Brasil, dentro do universo de temas pesquisados pelo Pew Research Center, couberam ao presidente Lula e à mídia – esta, atualmente, sob ataque do governo.
Lula conseguiu uma pequena vantagem sobre a mídia, mas com uma margem estreita o suficiente para caracterizar o chamado empate técnico. Nada menos que 84 por cento dos entrevistados no Brasil consideram que a influência do presidente tem sido positiva para o país.
No momento, só Deus seria capaz de superar Lula em avaliação positiva no Brasil e mesmo assim tenho minhas dúvidas, já que o eleitorado se apronta para eleger uma candidata que, segundo voz geral no meio político, era atéia até o início da campanha eleitoral, quando, talvez em resposta à ânsia dos repórteres por novidades, passou a experimentar um processo de conversão progressiva e rápida.
Assim, essa candidata teria avançado do ateísmo àquela “reza básica” quando o avião balança, maneira com que “a gente vai assim equilibrando as coisas” entre o “não sei se é, não sei se não é”, chegando às lembranças da formação cultural católica e do batismo até a mais recente afirmação categórica – “Sou católica, com certeza”.
Mas a mídia – que por falta de coisa mais importante a fazer, anda aqui e ali informando (com demasiada discrição) sobre a orientação religiosa ou o ateísmo de candidatos a presidente da República, uma informação que pode não ter importância para muitos eleitores, mas tem grande importância para muitos outros – não fica quase nada atrás do presidente Lula.
Dos entrevistados pelo Pew Research Center (podem esperar, alguém vai alegar que não vale, por ser entidade sediada em Washington e ter nome em inglês), 81 por cento avaliam que a mídia tem tido uma influência boa para o Brasil.
Assim, quando a mídia critica o presidente, a grande maioria das pessoas não concorda. A outra face da moeda é a de que, quando o presidente critica a mídia, ou simplesmente a ataca, grosseiramente, como vem fazendo nos últimos dias – período em que a mídia tem denunciado certas malfeitorias no governo – a grande maioria das pessoas não concorda com o presidente.
Esta é uma boa razão para ele refletir. Talvez conclua que deve rever os conceitos recentemente emitidos sobre a mídia. Ou talvez conclua, como fez seu colega venezuelano Hugo Chávez, que vale a pena manter a queda de braço e que acabará vencendo. Mas, se vencerá ou não, caso persista, somente a história nos contará.

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