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Postado em 22-09-2010
Arquivado em (Crônica, Eventuais) por vitor em 22-09-2010 22:40

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CRÔNICA DE ADEUS

OYÁ VEIO BUSCAR VIVALDO

Marlon Marcos

A primeira vez que ouvi falar sobre antropologia foi, aos 7 anos de idade, da boca do próprio professor Vivaldo da Costa Lima, simbolo da antropologia brasileira, que foi “bater um papo” com os alunos do antigo primário de uma escola pública, situada no bairro do Maciel – Pelourinho, que levava o nome deste grande mestre. Eu, ousadamente, já era aluno do 2º e estava entre os mais curiosos e lhe fiz, na época, várias perguntas… A antropologia me mordeu ali, e desatento, não entendi que esta disciplina, em algum tempo, seria minha maior linha de ação e interesse profissional. Perdi muito tempo. Em 1990, fui aluno do professor Vivaldo no curso de Ciências Socias, na UFBA, quando, tive contato com sua arrogância , e na mesma proporção, com sua maestria e generosidade intelectual.

Vivaldo se foi… Nesta quarta-feira, dia 22 de setembro; o sol quente dos trópicos e a Primavera iniciando. Se foi deixando discípulos e livros, leituras expressivas sobre a diversidade cultural humana à luz das mais importantes teorias antropológicas que circularam nos meios acadêmicos no mundo. Se foi cumprindo uma vida como homem, intelectual e político – que será para sempre lembrado na cidade e no País que ele tanto contou história, preservou a memória e dignificou o filão dos que usam a ciência como forma de melhorar o mundo explicando a necessidade da coexistência entre os diferentes, e lançando luz sobre os feitos culturais dos que foram submetidos pela escravidão ou pela pobreza social.

E eu aqui: aquele menino descobrindo o termo antropologia em 1977… hoje, um jovem senhor, em 2010, continuo querendo querendo querendo descobrir a antropologia captando e exprimindo a poesia que há nela e que senti pela primeira vez na fala de um dos mestres maiores que esta ciência produziu no Brasil.

Oyá veio buscá-lo… O senhor foi o melhor intérprete do Afro-Brasil… Ogum que lhe dê assento no Orum entre os ventos nobres e negros do povo que o senhor tanto estudou. Olorum modupé e minhas saudades sinceras!!!
Marlon Marcos, cronista, é um poeta em busca da poesia da antropologia, como o próprio autor, diplomado pela UFBA, se define.

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Comentários

Olivia on 23 setembro, 2010 at 12:06 #

Valeu, Marlon, bela homenagem. Pode ser lugar comum, mas tenho que dizer: A Bahia está a cada dia mais pobre. Conheci Professor Vivaldo pelas mãos do saudoso Dom Timóteo, seu grande amigo. Que ele descanse em paz, Amém.


Marlon Marcos on 24 setembro, 2010 at 9:30 #

Querida, Olivia, saudades! E concordo contigo, mais pobre e difícil. Beijos.


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