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Postado em 22-09-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 22-09-2010 09:34


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O novo choque imprensa x governo, que se radicaliza às vésperas do pleito para a sucessão presidencial, em 3 de outubro, motiva a análise do jornalista político Ivan de Carvalho em seu artigo desta quarta-feira, na Tribuna da Bahia, que Bahia em Pauta reproduz. Confira.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Ataque em nova fase

Ivan de Carvalho

Ataques do governo à mídia não são uma novidade histórica. Ocorrem com certa freqüência nos países cujos governos são pouco afeitos à democracia ou têm pouco afeto à liberdade. Esses ataques de quando em vez têm ocorrido no Brasil.

O fenômeno experimentou uma fase especialmente intensa durante o regime militar que consumiu a década de 70 e parte das décadas de 60 e 80 do século passado. Então, o ataque era geralmente silencioso, praticado pelo sufocamento econômico de alguns veículos, pela intimidação política implementada por inquéritos policiais e até processos judiciais e principalmente pelo silenciamento por intermédio da censura prévia.

Em alguns casos extremos, pelo ataque físico às instalações do veículo, como ocorreu, por exemplo, com a Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro, que teve seus equipamentos e instalações literalmente destruídos. O processo movido por esse jornal contra o Estado brasileiro, reclamando indenização, ainda aguarda julgamento pelo STF, mas a destruição criou uma conjuntura financeira que obrigou finalmente o jornal a extinguir (suspender indefinidamente) sua edição impressa e manter apenas um site na internet.

A Tribuna da Imprensa era, na época em que foi atacada e destruída, um jornal que criticava duramente o governo. O governo mudou, mas o jornal continuou criticando duramente o governo de plantão, fosse qual fosse. Seu atual proprietário, jornalista Hélio Fernandes, sustenta que “imprensa é oposição, o resto é perfumaria”. Ou coisa semelhante.Menos. Eu diria que menos. Mas, por causa de seu público, diante dos governos, a mídia tem algumas obrigações básicas. Quando um governo acerta, não faz mais do que sua obrigação e, portanto, não deve esperar elogios. Quando erra, descumpriu sua obrigação de fazer a coisa certa e merece críticas. Para impedir que continue errando e se compraza no erro e para que perceba o erro e sinta a necessidade de repará-lo.

Mas, no momento, no Brasil, a mídia está sob ataque severo do governo federal, principalmente do presidente Lula. Da maneira que ele está colocando as coisas, está fazendo muito mal à democracia e à liberdade que diz tanto prezar. Busca jogar os segmentos menos instruídos da sociedade brasileira contra a mídia, que, malgrado suas imperfeições, é indispensável à existência da liberdade em geral e da democracia.
Uma nova fase do ataque à mídia começa agora. A mesma fase que, na Venezuela, já está em avançado estágio de execução. Aqui, o presidente da República acusou a imprensa de agir como partido político. Isso, desta vez, talvez irritado por causa das graves denúncias – às vésperas das eleições – sobre violação de sigilo fiscal e sobre as coisas ruins no entorno da Casa Civil da Presidência da República.

Ato contínuo, as centrais sindicais, vinculadas ao governo, alguns sindicatos, partidos governistas e movimentos sociais farão na quinta-feira, em São Paulo, um “Ato contra o golpismo midiático”. O convite para o evento, divulgado pelo PT, acusa a imprensa de “castrar o voto popular”, de “deslegitimizar (sic) as instituições” e destruir a democracia. Chávez não diria melhor.

Ah, o convite para o tal “Ato contra o golpismo midiático” – apenas num primeiro momento evidente esforço para tentar vencer a eleição de governador em São Paulo – não faz, segundo O Globo, menção explícita às “denúncias de corrupção que atingem a Casa Civil da Presidência”.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 22 setembro, 2010 at 11:07 #

E Lula se diverte

Lula I, ” antes nunca visto”, não resiste, aproveita a frouxidão ética e profissional que grassa no país, e cria a cada minuto uma nova armadilha para incautos.

A instituição imprensa precisa e deve ser defendida, com seu repto de “liberdade de expressão” ante ao autoritarismo.

Mas.. Lula sabe, e muito bem, que uma coisa é a instituição imprensa, outra, diversa e menor, é o conjunto dos que dirigem, editam e se servem das empresas do meio.

A imprensa, nesta triste quadra que vivemos, é autista, cega, e age como represa da informação.

Quantas vezes o leitor não se depara com a arrogante afirmação de um ou outro articulista:

– Ah se você soubesse o que sei!!!!

Está a grande revelação, que traduz as redações.

Saber sim, publicar, jamais, ou quando publicar o fazer com moderação.

Afinal, quantas laudas discorreram sobre o crime de leza pátria cometido pelos Meninos do Copom?

A resposta: Nenhuma, afinal melhor do que apontar a vilania é colecionar artigos de “vestais” do mercado, aqueles senhores que um dia estiveram em algum órgão oficial, fracassaram, e agora posam de exegetas da administração, sempre vinculados à alguma instituição financeira.

A imprensa se diz politicamente correta, mas…

FHC declarou em alto e bom som: “tenho o pé na cozinha”1

Frase racista, por excelência, e nenhum editorial o apontou.

Fez mais o “impávido estadista”, visitou a “cozinha”, literalmente, teve um filho com a cozinheira, que nunca reconheceu, e, face ao “desinteresse” e abnegação reinantes no Senado, lá os acomodou (mãe e filho) em generosos cargos, daquela instituição venerável.

Nenhuma linha sobre:

Como aconteceu?

Quem indicpu?

Quem assinou a ficha?

Claro, a imprensa está ocupada em relatar, por exemplo, o novo recorde de arrecadação, porém, nenhuma menção sobre a correção destes números e da ausência de fiscalização do fisco.

Ah! Dirão alguns, mas agora, com o affair “filha do Serra”, o fisco está sob mira.

Nem tanto, nem por muito tempo, é só mais uma trapalhada dos bufões que compõem a “inteligência” de certo partido. Vivem com a “mão na cumbuca”, a espera do flagrante.

E Lula, se diverte!

Ataca quem sabe que pode atacar, e afora a chiadeira genérica, nada mais surgirá na face lívida da nação.


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