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Postado em 19-09-2010
Arquivado em (Artigos, Eventuais) por vitor em 19-09-2010 11:19

Assinada pela correspondente Maria João Guimarães o jornal Público, um dos mais importantes diários de Portugal, publica interessante reportagem sobre o surpreendente papel da ferramenta Twitter, na Internet, na campanha presidencial em curso no Brasil. Bahia em pauta reproduz:
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A campanha política brasileira apostou na Net, e a Net apostou de volta. A presença dos três principais candidatos no Twitter é grande: juntos têm mais de 750 mil seguidores. O Twitter serviu para divulgação de boatos e notícias (por exemplo em relação à escolha dos “vices”), e serviu ainda de palco para debates – esta campanha viu o primeiro debate presidencial na Internet.

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Maria João Guimarães

Curiosamente, a candidata à frente nas sondagens, Dilma Rousseff, tem bastante menos seguidores do que o seu rival mais direto, o ex-governador de São Paulo José Serra (@joseserra_). Serra foi um “tuiteiro” entusiasta enquanto governador de São Paulo e ia bem lançado, com mais de 400 mil seguidores, enquanto Dilma Rousseff (@dilmabr) chegou ao Twitter apenas em Abril, mas ia subindo de audiência, comemorando recentemente os seus 200 mil seguidores. Marina Silva (@silva_marina), a candidata do Partido Verde, contava com quase 176 mil seguidores.

José Serra é um “tuiteiro” descontraído, embora os risos informais (“rsrs”) tenham diminuído à medida que a campanha foi decorrendo e ele foi descendo nas sondagens. Aumentam as mensagens sobre comícios, eventos e temas de campanha, mas há ainda alguma interação com outros “tuiteiros”.

Os candidatos aproveitam para mostrar o seu lado “comum”, com notas para músicas, embora isso possa por vezes dar polémica – Dilma Rousseff falou do novo álbum da banda Pato Fu, mas o problema é que o fez quando decorria um debate entre candidatos a que faltou, alegando problemas de agenda.

Da Net para a imprensa

Mas também lançam ou rebatem ataques, emendam a mão explicando alguma citação mais polémica, e acabam citados na imprensa.

Quando Dilma Rousseff disse, num comício, que o “vice” de Serra, Índio da Costa, tinha “caído do céu”, ele respondeu no serviço de microblogging: “Para uma ateia, deve ser duro ter um “vice” que cai do céu”. Logo foi fustigado por seguidores, e foi obrigado a explicar que respeitava profundamente “todas as crenças e opções”.

O jornal O Estado de São Paulo relatava que, nos bastidores, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira, de Serra) tem pelo menos dez mil militantes a atuar na rede em nome do seu candidato. O PT tem, só em São Paulo, quase mil pessoas defendendo o partido na Net – isto para além das equipes especializadas, pagas, para controlar o que sai nos blogues, Twiter, etc.

Dilma Rousseff confessou logo no início que não seria apenas ela a colocar informação no microblog: “Também não vou ficar fingindo que passarei muito tempo na Web. Vocês sabem que será impossível. Alguns amigos vão me ajudar”-

Imitar Obama não resultou

Mas há vida na Web para além do Twitter. Quem acabou por ter uma das ações mais originais de campanha usando a Internet foi José Serra. O candidato pediu contribuições dos internautas para o seu programa de Governo num site interactivo – talvez para disfarçar o fato de ter entregado ao Tribunal Superior Eleitoral (que agora exige programas dos candidatos) uma mistura de dois discursos como programa.

No entanto, Dilma Rousseff e Marina Silva levaram a cabo outra novidade inspirada em Obama: a possibilidade de doações via Internet, uma opção não utilizada por José Serra. Mas esta campanha foi vista como um fracasso. Segundo o jornal Folha de São Paulo, Dilma Rousseff obteve 90 mil reais (40 mil euros; 0,18 por cento do total de doações) de 860 pessoas, e Marina Silva 75 mil reais (33,5 mil euros, 0,55 por cento do total de doações) vindos de 1118 internautas. Em 2008, Barack Obama tinha conseguido cerca de 3,5 milhões de dadores individuais.

O fascínio com o uso eleitoral da Net aumentou com a campanha de Novembro de 2008 nos Estados Unidos. PT e PSDB cortejaram intervenientes da parte digital da campanha, e um deles acabou por acordar trabalhar para a equipa de marketing do PT.

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