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Postado em 14-09-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 14-09-2010 11:14


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OPINIÃO POLÍTICA
Eleitor está tiririca
Ivan de Carvalho

Nas eleições de outubro de 1958 para a Câmara Municipal de São Paulo foi eleito com cerca de 100 mil votos o rinoceronte fêmea Cacareco, uma votação extraordinária naquele tempo, quando ninguém teve naquelas eleições, em São Paulo, mais de 110 mil votos. Cacareco, filha de Britador e Terezinha, nascida no zoológico do Rio de Janeiro e emprestada para a inauguração do zoológico de São Paulo, foi lançada candidata a vereadora pelo jornalista Itaboraí Martins, crítico da atuação da Câmara Municipal paulistana. A brincadeira pegou. Usavam-se cédulas individuais de papel, de modo que o voto em Cacareco era possível, o que já não seria com as urnas eletrônicas de hoje.

Se fosse candidata às eleições presidenciais deste ano, Cacareco talvez usasse o nome de Cacareca, já que a candidata a presidente Dilma Rousseff escolheu ser proclamada candidata a presidenta, palavra que não existe (ou não existia) no vocabulário português.

Presidente é uma palavra neutra, não varia segundo o gênero, mas Lula, Dilma e o marketing da campanha dela resolveram que chamá-la de candidata a “presidenta” a identificaria melhor com o eleitorado feminino, que andava meio arisco em relação a Dilma quando essa decisão foi tomada.

No entanto, do Palácio do Planalto já foram lançados nos últimos oito anos tantos insultos ao idioma de Camões que essa história de “presidenta”, salvo por uma certa dor de ouvido, vem sendo assimilada com bastante naturalidade. Atentado maior contra o vernáculo cometeu o presidente ao decretar o tal acordo ortográfico, que tem se revelado, em nível internacional, um total desacordo, pois tanto Portugal quanto os demais países que usam o idioma português recusam-se até aqui a aplicá-lo.

Tenho a impressão de que o acordo ortográfico foi adotado aqui no Brasil como uma espécie de facilitário. É que há uma imensa parcela da população que enfrenta dificuldades grandes com o idioma. Então, junto com uma ou outra coisa correta – a exemplo da reinclusão das letras K, W e Y e da queda do trema, que já estava mesmo praticamente em desuso – decidiram por simplificar coisas que a muitos pareciam extremamente complexas, a exemplo do uso da crase.

Mas deixa pra lá. Voltemos à Cacareco. A revista Time abriu-lhe espaço e até citou a opinião de um eleitor: “É melhor eleger um rinoceronte do que um asno”. Aliás, deixa também a Cacareco pra lá, já escrevi a respeito. E devo lembrar ainda o Macaco Tião (nome dado em homenagem ao padroeiro do Rio de Janeiro, São Sebastião), que em 1988 teve 400 mil votos para a prefeitura carioca, ficando em terceiro lugar entre 12 candidatos. Está no Guinness World Records como o chimpanzé que recebeu mais votos no mundo.

Agora ninguém pode votar em Cacareco ou no Macaco Tião (ambos já morreram, aliás), mas ainda é possível, para os paulistas, votar em Tiririca para deputado federal. O palhaço está filiado ao PR em coligação com o PT e o PC do B, é considerado “puxador de votos”. Ele aparece em primeiro lugar em São Paulo no conjunto de pesquisas do Ibope para a Câmara dos Deputados. É governista, mas seu slogan é “Pior que tá num fica, vote Tiririca”. Ele pede: “Vote no abestado”. Pode até ser o deputado mais votado do Brasil em 3 de outubro. Candidato “abestado”, eleitor abestado…

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 14 setembro, 2010 at 12:58 #

Ivan Carvalho, um articulista em busca do texto

E lá vem Ivan, compondo um sem número de articulistas, blogueiros, palpiteiros, entre outros, que nos últimos dias redescobriram Cacareco…

Natural, diria o leitor distraído, o paquiderme ainda é atual, bem como o marasmo da política partidária.

O que destoa, mas nem tanto, visto que foi feita à semelhança de muitos blogs e artigos, é a menção ao Tiririca.

Não percebe o escriba, bem como não perceberam os que o antecederam, que ao contrário de Cacareco, Tiririca não encena uma sátira aos políticos, mas sim aos marqueteiros.

Apresenta-se com o que tem, ou seja a comum roupa de palhaço, e entoa suas tiradas, de bom ou mau gosto, como o fazem os deuses do marketing político, ou seja, sem nenhuma preocupação de cunho ideológico.

Mas…

E que “mas” revelador!

Tanto Ivan, como um Ilústre Representante do Ministério Público, olham de viés ao palhaço, revestem-se de preconceito, e destilam sua crença na elitização dos votados.

Ivan Carvalho e Maurício Antonio Ribeiro, este último na qualidade de promotor eleitoral, membro que é do Ministério Público Eleitoral de São Paulo, não conseguem vencer a ojeriza à profissão do candidato.

– “O palhaço”

– Meus sais, meus ais!!!!

Nessa hora faz falta Batatinha:

“…só não posso é ser palhaço, porque eu vivo sem graça!”

Por fim a pergunta:

Qual o dispositivo legal que impede um palhaço profissional representar o conjunto de palhaços amadores e compulsórios, também denominados “eleitores” neste país tão sério.?


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